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Wednesday, September 09, 2009

Jonas Malheiro SAVIMBE


Notícias - Opinião
savimbi15Jonas Malheiro Savimbi (Bié, 1934-Moxico, 2002) era filho de Loth Malheiro Savimbi, empregado efectivo dos Caminhos-de-ferro de Benguela e principal responsável pela formação social e política do fundador da UNITA.
Tal como quase todos os outros dirigentes da luta angolana, Savimbi foi educado em missões protestantes americanas porque o acesso à cultura era muito difícil fora daquele quadro, pois, tal como o próprio afirmaria, para oficialmente beneficiar de educação ou ter uma bolsa de estudo era necessário ser assimilado, situação a que só chegavam os que tivessem o primeiro ciclo. Enfim, mais um estúpido ciclo vicioso imposto pela administração colonial.
Foi neste contexto que os missionários congregacionistas apoiaram Savimbi e Daniel Chipenda, enquanto os metodistas o fizeram em relação a Agostinho Neto e Holden Roberto.
Em Outubro de 1958 Jonas Savimbi veio para Lisboa, onde concluiu o curso liceal e onde pretendia estudar Medicina; contudo, um ano depois, face às perseguições da PIDE, teve de deixar o País com a ajuda de uma organização protestante americana que se encarregava de retirar estudantes angolanos de Portugal. Para além de proporcionar-lhe a fuga, os americanos concederam-lhe bolsa de estudo para frequentar Medicina na Universidade de Friburgo (Suíça), onde, mudando de curso, viria a licenciar-se em Ciência Política (1965).
Paralelamente, em 1961 Jonas Savimbi assume-se como representante da UPA para a Europa e no ano seguinte como secretário-geral da recém constituída FNLA e como Ministro dos Negócios Estrangeiros do GRAE, cargos que abandonou em Julho de 1964 em ruptura com os métodos excessivamente autoritários como H. Roberto dirigia o movimento; depois disso e antes de se fixar na Zâmbia fez uma tentativa gorada de aproximar-se do MPLA.
Entretanto, segundo confessou posteriormente, teve contactos com Jomo Kenyata, no Kenia, Frank Carlucci, embaixador norte-americano em Kinshasa, Che Guevara, em Dar es-Salaam, e com Co Liang, agente chinês no Gana, responsável pela sua “aproximação às ideias de Mão Tsé-Tung”.
Ainda em 1964, apoiado por Nasser, Presidente do Egipto, tentou obter apoio dos governos da Alemanha de Leste, Hungria, Checoslováquia, Bulgária e União Soviética. O périplo foi infrutífero pois enquanto os primeiros achavam que só a URSS podia dar-lhe uma resposta satisfatória esta última condicionava o apoio ao seu ingresso no MPLA, o que o líder da Unita recusou.
Novamente aconselhado por Nasser, Savimbi tentou a aproximação à China, o que conseguiu, tendo inclusivamente obtido colaboração para formação militar e estratégica do líder e de alguns jovens por ele recrutados durante a sua estada na Zâmbia.
Só depois do treino deste grupo na academia militar de Nanquim é que se deu a fundação formal da UNITA (13 de Março de 1966) e começou a luta armada (4.12.66 – Cassamba; 25.12.66 – Teixeira de Sousa).
Não cabendo no âmbito destes artigos a descrição da luta armada, nomeadamente contra as nossas tropas, mas sim o esboço biográfico dos principais chefes guerrilheiros, vamos completar o perfil de Savimbi referindo-nos à sua colaboração com as forças armadas portuguesas.
O movimento de Savimbi, que operava entre Gago Coutinho e Lucusse e tinha domínio apreciável sobre a linha do Caminho de Ferro de Benguela, chegou a ser atacado simultaneamente pela FNLA e pelo MPLA, o que levava a uma grande debilidade da UNITA que se apoiava muito nos madeireiros que operavam nas matas do Moxico.
Foi a situação de inferioridade da UNITA que a terá levado a, através dos madeireiros, colaborar com os portugueses na luta contra os outros dois movimentos num esquema que foi montado com a aquiescência do Ministro Silva Cunha, do Brigadeiro Bettencourt Rodrigues, do General Costa Gomes, do chefe da delegação da PIDE/DGS e do Governador Geral de Angola.
Foi uma acção que minou a posição militar do MPLA, isolando-o e impedindo-o de progredir para oeste.
A colaboração com a UNITA viria a terminar por culpa do General Abel Hipólito, que substituira Bettencourt Rodrigues no comando da Zona Militar Leste e resolveu fazer guerra a Savimbi.
* Licenciado em Sociologia
Libertário Viegas
www.regiao-sul.pt

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