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Monday, November 30, 2009

ISABEL DOS SANTOS




A filha do Presidente angolano José Eduardo dos Santos tem cada vez mais negócios no seu país de origem e em Portugal. Mas nada disso a faz alterar a sua postura de total discrição, o que dificulta a resposta à pergunta: afinal, quem é Isabel dos Santos, e como é que tem montado o seu império empresarial? 


Para Isabel dos Santos, este foi um ano em grande no que diz respeito aos negócios, e ainda falta cerca de um mês para chegar ao fim. Até lá, tem ainda a oportunidade de acrescentar um outro projecto ao pequeno império empresarial que já montou. 

Na terça-feira foi lançado para o espaço um satélite da Eutelsat, a partir do Cazaquistão, que permitirá reforçar os serviços prestados pela empresa de comunicações. Entre os seus clientes estão a filha do Presidente angolano José Eduardo dos Santos e a portuguesa Zon. É este satélite que irá permitir o arranque do mais recente negócio da empresária, a televisão por subscrição em Angola através de uma parceria onde detém 70 por cento do capital, ficando a Zon com os restantes 30 por cento. 

A analogia é fácil, mas este é apenas mais um sinal de que os investimentos de Isabel dos Santos estão em plena ascensão, sejam em Portugal ou 
em Angola. O nome de Isabel José dos Santos, ou simplesmente Isabel dos Santos, como é conhecida, é hoje um sinónimo de negócios. E se estes são cada vez mais, o certo é que a empresária, nascida em 1973, filha única do primeiro casamento de Eduardo dos Santos (com Tatiana Kukanova, quando foi estudar para a ex-URSS), não alterou a sua postura de total discrição pública. 

Negócios 
em expansão 

Para
 a primogénita do Presidente angolano, formada em Engenharia em Londres, este foi, de facto, um ano repleto de avanços e concretizações. Após ter comprado ao BCP os 9,7 por cento que o banco detinha no BPI, por 164 milhões de euros, colocou em Abril um gestor da sua confiança, Mário Silva, no conselho de administração da instituição financeira liderada por Fernando Ulrich. 

O banco BIC Portugal, onde detém 25 por cento e faz parceria com Américo Amorim (dono de outros 25 por cento), terminou em Junho a sua primeira fase de expansão no mercado nacional com a abertura do sexto escritório 
em Braga. E foi através deste banco que Isabel dos Santos assumiu recentemente o seu primeiro cargo numa empresa no território português, fazendo agora parte do conselho de administração do BIC Portugal, gerido por Luís Mira Amaral. Uma forma de acompanhar mais de perto os seus investimentos. 

Na Galp Energia, onde está indirectamente através da Amorim Energia (é sócia da Sonangol na Esperaza, empresa com sede na Holanda, onde tem 40 por cento do capital, e que por sua vez é accionista de referência da Amorim Energia), é dona de seis por cento da petrolífera. Esta percentagem, que a torna na quarta maior accionista, já lhe rendeu cerca de 56 milhões de euros em dividendos desde 2006 até meados deste ano. 

A par da Sonangol, Isabel dos Santos é a maior investidora 
em Portugal. Segundo a consultora AT Kearney, os investimentos da empresária e da petrolífera estatal angolana valiam, no início de Setembro, três por cento do principal índice da bolsa portuguesa, o PSI20, o que equivale a 1813 milhões de euros. Enquanto não ocorre uma maior distribuição de riqueza em Angola, com o despontar de classe média e novos empreendedores, Isabel dos Santos continua a fazer parte do sector privado angolano, que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) caracteriza com sendo "dominado por uma elite muito restrita, ligada aos partidos". 

Objectiva e implacável 

No único depoimento escrito que lhe é conhecido em Portugal, um direito de resposta que enviou à Sábado, em 
2007, a propósito de um artigo da revista que motivou mesmo um processo, Isabel dos Santos fez questão de sublinhar a sua independência face a ligações familiares. "Não represento nenhum interesse e não represento ninguém, a não ser a mim própria. Há mais de uma década escolhi uma carreira diferente e independente da minha família", afirmou. O certo é que os seus dois meios-irmãos, "Tchizé" dos Santos e José Paulino dos Santos, são menos dados às lides de investimentos empresariais. Ligados à Semba Comunicações, uma consultora, tiveram ambos uma participação no angolano Banco de Negócios Internacional (BNI), mas já venderam as suas acções. 

A discrição de Isabel dos Santos, por oposição à visibilidade crescente dos seus negócios, segundo afirma quem lidou com a empresária, está relacionada com a sua própria personalidade. Gosta de conversar, de negociar, ver obra feita e os investimentos a darem frutos, mas sente-se pouco à vontade quando exposta publicamente e revela muitas reticências no que toca a lidar com a comunicação social. Algo que é visível mesmo em termos de imagem, já que há poucas fotografias suas disponíveis. A mais distribuída, nomeadamente na Internet, foi feita por um fotógrafo da agência Lusa em 1992. 

Adversa a grandes aparições, sente-se como peixe na água quando há algo objectivo para tratar, como numa reunião de negócios. Mas o facto de não gostar de ser uma figura pública não quer dizer que deixe de marcar presença em determinados eventos, como foi o caso do casamento da filha do presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich, em Maio deste ano. 

Nas suas variadas deslocações a Portugal, que aproveita para visitar conhecidos e lidar com os responsáveis pelos seus investimentos, tanto fica alojada no apartamento que comprou em Lisboa como opta por ficar em hotéis, conforme seja mais prático. Uma outra cidade que faz questão de visitar é Londres, seja pela sua anterior ligação à capital inglesa, seja porque é aqui que reside a sua mãe. Tida como uma pessoa simpática e afável, também há quem a descreva como algo fria, precisa e implacável nos processos de negociação. "Extremamente dinâmica", "objectiva" e "muito profissional", bem como "bonita" e detentora de "bom gosto", foram outras características de Isabel dos Santos apontadas ao P2 por responsáveis ligados aos negócios entre Portugal e Angola que preferiram não ser identificados. 

As últimas notícias dão-na como futura parceira da Sonae na entrada do grupo português (proprietário do PÚBLICO) no mercado retalhista angolano. Primeiro, foi a revista Focus em Junho, que mostrava mesmo fotografias da empresária, acompanhada pelo marido, Sindika Dokolo, e por gestores da Sonae, a visitar o interior de um hipermercado Continente. 

Depois, o Diário Económico fez manchete há cerca de duas semanas a dar o negócio como certo. A Sonae reagiu, afirmando que está atenta a oportunidades, mas que ainda não existe "qualquer acordo firmado ou prestes a ser firmado de investimento neste mercado". Ou seja, este é um processo de namoro negocial entre duas partes que ainda agora começou, mas que ambas gostavam de ver concretizado. 

Para a Sonae, é todo um novo mercado, num país que tem vindo a crescer economicamente desde o fim da guerra e onde falta oferta, seja em qualidade seja 
em quantidade. Para Isabel dos Santos, é uma nova oportunidade de expandir, ainda mais, os seus negócios. 

De Luanda a Portugal 

Foi na sua terra natal que começou a carreira empresarial, facilitada ao nível dos contactos e influências por ser filha do responsável máximo do partido do poder, o MPLA. Não é fácil perceber ao certo até onde é que, neste país, se alargaram os seus negócios, mas tudo terá começado no final de década de 90, ficando responsável pela empresa que geria a recolha de lixo na zona de Luanda. Juntamente com outras personalidades afectas ao regime, o seu nome surge ligado também a empresas que operam nas áreas da agricultura, dos diamantes, do petróleo e do gás, da indústria e da restauração. Mas torna-se complicado confirmar oficialmente todos os investimentos por falta de informações, até porque Isabel dos Santos recusa dar entrevistas, não tendo o P2 sido uma excepção. E essa postura é respeitada e levada à letra pelos que lhe estão mais ligados, como o sócio Américo Amorim, Mário Silva, que gere os seus investimentos em Portugal através da Santoro, e Mira Amaral, o dinamizador do BIC Portugal. Nenhum deles se mostrou disponível para responder às perguntas sobre a empresária. 

Certo é que os negócios começaram a ganhar dimensão e visibilidade a partir do início desta década. Em 
2001 a "princesa", como é conhecida em Angola, lançou, via Geni, a Unitel, empresa privada de comunicações móveis, onde tem como sócios a Portugal Telecom e a Sonangol. 

Tendo recebido a licença por parte do Governo através de adjudicação directa, a Unitel é hoje líder de mercado e a maior empresa privada de Angola. Foi também nesse ano que se fundou o Banco Espírito Santo Angola (BESA), onde Isabel dos Santos detém parte do capital. 

As ligações a Portugal começam então a intensificar-se, até porque o BES é accionista de referência da PT. O passo em frente dá-se em 2005, quando lançou em Angola o Banco Internacional de Crédito (BIC) juntamente com Américo Amorim e outros sócios como Fernando Telles, presidente da instituição, e Sebastião Lavrador, ex-governador do Banco Nacional de Angola. 

O banco, que contou com muitos quadros que estavam ligados ao Banco de Fomento de Angola (BFA), cresceu rapidamente e é hoje um dos maiores do mercado angolano, tendo alargado a sua actividade a Portugal. No ano passado, voltou a reforçar os investimentos no mercado angolano, tendo a Unitel adquirido 49 por cento do BFA, a maior instituição financeira local e que era detida a 100 por cento pelo BPI. Um processo que contou com a pressão do Governo angolano, que exigiu a abertura do capital dos bancos detidos por estrangeiros a investidores locais. 

O amante de arte africana 

Investidora de longo prazo, Isabel dos Santos reforçou as suas ligações a Américo Amorim entre 2005 e 2006. Entrou no capital da angolana Nova Cimenteira, substituindo a Teixeira Duarte, aliada a Amorim. Pouco tempo depois fez parte do consórcio Amorim Energia, a quem o Estado vendeu 33,3 por cento da Galp Energia, estreando-se assim em Portugal e diversificando os seus negócios de Angola para a Europa. 

O seu marido, o congolês Sindika Dokolo, é um dos administradores não executivos da Amorim Energia. Isabel dos Santos casou-se com ele em Dezembro de 2002, numa cerimónia que reuniu perto de 800 pessoas em Luanda, incluindo diversos portugueses, sendo metade dos convidados familiares dos noivos. Sindika Dokolo tem sensivelmente a mesma idade de Isabel dos Santos (nasceu em 1972) e, tal como a filha de Eduardo dos Santos, também nasceu numa família privilegiada. 

Filho de Sanu Dokolo, milionário congolês que fundou o Banco de Kinshasa, e de Hanne Kruse, dinamarquesa, Sindika viveu diversos anos 
em Paris. Embora seja formado em Economia, tem sido mais conhecido pelas suas ligações à arte contemporânea africana. Herdou dos pais parte do fascínio pela arte, tendo ficado com uma colecção de arte congolesa do século XIX. Mas o grande marco foi a aquisição, há perto de oito anos, do espólio do alemão Hans Bogatzke, que tinha uma das mais interessantes colecções privadas de arte africana contemporânea. 

Dono de uma fundação com o seu nome, com sede em Luanda, Sindika Dokolo tem vindo a enriquecer o seu património cultural como novas aquisições, incluindo obras de Jean-Michel Basquiat. "Esta é uma colecção africana, não de arte africana", afirmou uma vez, citado no sítio de Internet da fundação. 

Organizador de exposições, tem como objectivo abrir o primeiro centro de arte contemporânea em Luanda dentro de três anos e colocar a cidade que escolheu para viver com Isabel dos Santos no mapa do circuito de arte mundial. 

Em 2006 escreveu: "A ideia de que, para o século XXI, a contribuição de África na história de arte mundial se reduziria ao artesanato decorativo gela-me o sangue. Ou talvez não. Faz-me ferver." Não deixa, no entanto, de ter um papel activo a nível empresarial ao lado de Isabel dos Santos e, além de marcar presença na Amorim Energia, detém, entre outros negócios, a Amigotel, empresa retalhista de comunicações com relações comerciais com a Unitel. 

Entre os investimentos e activos que já tem nas áreas das telecomunicações, banca, energia e indústria, Isabel dos Santos é hoje uma das mulheres mais ricas de Angola (senão mesmo a mais rica) e da África subsariana. Tudo indica que pretende continuar a crescer no mundo dos negócios e que, à medida que for ganhando dimensão, mais dificuldades irá sentir para manter a sua postura de reserva total face à opinião pública.

Luís Villalobos


SEX, 25 DE FEVEREIRO DE 2011 20:35   
Irina Shayk e Isabel dos Santos exibem Pulseira vale mais de 150 mil euros
isabel dos santos 90Irina Shayk e Isabel dos Santos exibem jóias que muitas mulheres desejam, mas nem todas podem ter.
O que têm a namorada de Cristiano Ronaldo, Irina Shayk, e a filha do presidente de Angola, Isabel dos Santos, em comum? Além de serem ambas de descendência russa, usam ainda uma pulseira riviera de diamantes e ouro branco, cujo preço supera os 150 mil euros.
A primeira a aparecer com a ‘discreta’ jóia foi Isabel dos Santos, filha de uma russa e do presidente de Angola. Recorde--se que a empresária tem negócios em várias áreas, que vão do petróleo aos diamantes, precisamente. Em Portugal, é accionista da Galp e do Millennium BCP.
Agora foi Irina Shayk quem surpreendeu os mais atentos à moda. A modelo russa terá recebido de presente um destes belos ‘adereços’, de Cristiano Ronaldo. E nem nos desfiles, como no que participou em Istambul, Turquia, Irina tirou a pulseira.
Há várias marcas de luxo, como a Cartier, que fabricam este modelo. Mas o preço depende da pureza e do número de pedras preciosas.
"Um diamante de um quilate custa no mínimo cinco mil euros. Uma pulseira destas não leva menos de 20 pedras e ainda tem de se acrescentar o ouro e a mão-de-obra. Daí serem tão caras", explica um joalheiro contactado pelo CM.
Porém, para quem não pode pagar tanto dinheiro, há réplicas mais em conta, como as da Calvin Klein, cujo valor ronda os 100 euros.
VIZINHOS RECLAMAM
Os vizinhos de Irina Shayk em Nova Iorque reclamaram por a modelo não ter cortinados no seu apartamento. "Não faço ideia o que eles terão visto, mas estavam a reclamar", afirmou a namorada de Cristiano Ronaldo em entrevista a um canal de televisão norte-americano. Irina revelou ainda que resolveu o problema com... "um lençol de cama".
Correio da Manhã

Saturday, November 28, 2009

"Capoeira": as Origens Angolanas

Um documentário brasileiro vai contar a história e destacar a importância da capoeira tradicional antiga que veio para o Brasil com os escravos africanos.

"Paz no Mundo Camará: a Capoeira Angola e a Volta que o Mundo Dá" é o nome da produção de 55 minutos que ficará pronta em 2010.

O projeto é baseado em uma ampla pesquisa desenvolvida nos estados brasileiros de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Alagoas.

A produção mostra como a visão dos brasileiros sobre a Capoeira Angola evoluiu ao longo do tempo. A prática foi o primeiro crime instituído no Brasil no período da República e levou muitos capoeiristas para a prisão. Hoje, no entanto, é vista no país e no mundo como um instrumento de inclusão social e símbolo da paz.

Para um dos idealizadores do projeto, o presidente da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro, Mestre João, a Capoeira Angola, como registra o filme, conquistou esta importância por ter resistido às tentativas de destruição por parte do colonizador.

"Os nossos ancestrais conseguiram manter íntegro o conhecimento corporal, musical, percussivo e rítmico que desperta a memória genética e que trabalha com conceitos de solidariedade, negociação de conflito, integração cósmica e autoconhecimento", afirma.

A diretora executiva do documentário, Carem Abreu, explica que o filme fará um resgate da história e da importância da capoeira para a cultura brasileira.

"O documentário mostra que a capoeira não é só um movimento de corpo é um movimento social e pessoal. A capoeira é cultura, é história, é inclusão social. Os três temas são tratados no documentário".

A produção "Paz no Mundo Camará: a Capoeira Angola e a Volta que o Mundo Dá", será veiculada em festivais e mostras de cinema no Brasil e no mundo.

Também serão produzidas cópias do produto para distribuição em escolas públicas brasileiras. A idéia é usar o filme como material didático para o cumprimento da lei 10.639, que prevê ensino da história e cultura africana nas instituições públicas de ensino, mas que até hoje não é cumprida de fato no Brasil.

Mestre João lembra que apoiar a educação é um dos grandes objetivos da Capoeira Angola. "A capoeira regional, que é a vertente mais acrobática, marcial e mercadológica da prática, tem o sonho de ir para as Olimpíadas. Já a Capoeira Angola, tem a preocupação com o meio educacional, principalmente, com a escola pública onde está o negro de baixa renda".

Carem Abreu afirma que, além de ajudar na educação nas escolas, o documentário tem o propósito de lembrar a sociedade brasileira da importância de suas raízes africanas.

"Este projeto tem o objetivo de mostrar que a cultura negra está enraizada em cada movimento que fazemos. É o movimento do samba e de como nos posicionamos no mundo. Queremos mostrar o valor desta cultura, da resistência de um povo que sabe ser maleável e feliz nas piores dificuldades", declara.

"Paz no Mundo Camará: a Capoeira Angola e a Volta que o mundo Dá", além de ser nome do documentário é a denominação de um projeto mais amplo desenvolvido no Brasil. Neste mês de novembro estão sendo lançados também, dentro desse projeto, a revista "Angoleiro é o que Eu Sou" e o sitewww.eusouangoleiro.org.br

Friday, November 27, 2009

O bolo-rei

gateau_roi.jpg (640×427)O bolo-rei tomava-se muito a sério. Não havia discussão: ele era o rei dos bolos.
Como tal, quando lhe caiu uma passa da coroa, ordenou ao bolo-inglês:
— Traz-me essa passa de volta.
O bolo-inglês fez-se desentendido e respondeu:
— Sorry! I don’t understand...
O que queria dizer, na língua dele, que pedia desculpa, mas não tinha entendido.
Então, o bolo-rei virou-se para um bolo de natas e deu a mesma ordem. Queria, outra vez, a passa a ornamentar-lhe a coroa.
O bolo de natas tinha uma fala atrapalhada, por causa do excesso de natas.
— Flá, plefe, pflu, pfló...
Não se percebia nada.
O bolo-rei, muito irritado, ordenou o mesmo ao bolo de amêndoa, que lhe respondeu:
— Também a mim me caiu uma amêndoa torrada e não me queixo.
O bolo-rei, cada vez mais exasperado, deu a mesma ordem a um pudim de gelatina, mas o pudim de gelatina era muito frágil, muito nervoso e só tremeu, tremeu, incapaz de dizer ou fazer o que quer que fosse.
— São uns rebeldes estes meus súbditos — concluiu, numa grande exaltação, o bolo-rei. — Condeno-os a que sejam todos cortados às fatias.
E assim aconteceu. Mas nem o bolo-rei escapou.
António torrado
 

Álcool só depois dos 18, mas…


A medida foi tomada, mas o cenário das conhecidas “Janelas Abertas” demonstra o contrário. Os menores são os principais clientes


O Governo Provincial de Luanda proibiu os estabelecimentos comerciais de venderem bebidas alcoólicas a menores de 18 anos de idade.
Mas os adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e 17 anos são os principais clientes das casas de vendas de bebidas alcoólicas. O fenómeno mantém-se apesar de as autoridades provinciais terem implementado a lei que proíbe os menores de comercializarem e consumirem tais bebidas. Um grupo de nove alunos encontrados pela nossa reportagem, na manhã de Segundafeira, 23, na famosa janela aberta do bairro Popular, a maioria dos postos de venda de cerveja e vinho não está a respeitar a medida do GPL.
“As cantinas não estão a rejeitar os menores de idade, porque só querem dinheiro”, gabaram-se confiantes, porque acham-se os principais fregueses destes estabelecimentos, que existem em todos os municípios da cidade capital. Os rapazes contaram que frequentam regularmente a loja da Jú. Aparecem no local pelo menos três vezes por semana, para poderem garantir uma “rodadas”, como é conhecido o ciclo de compra de bebida que contempla todos elementos do grupo com a mesma quantidade do produto. Aos 17 anos de idade, Alex, morador do bairro Terra Nova, município do Rangel, está a frequentar a 10ª Classe.
Ele confessou que ingere bebidas alcoólicas há dois anos e seus pais só descobriram este ano, porque uma das suas namoradas resolveu informar-lhes.
O adolescente considera-se cliente habitual da janela aberta do Popular.

Não consegue ficar dois dias sem ingerir álcool, daí que subtrai até os tempos de aula para poder satisfazer o vício. Mais velho do grupo, Alex contou ainda que na última semana de aula, ele e os seus amigos decidiram passar todos os dias no botequim, para compensarem as faltas dos professores. “Estamos na última semana do ano lectivo e já não estamos a ter aulas, para não ficarmos só na escola resolvemos vir aqui todos os dias beber. Assim não voltamos muito tristes à casa”. O seu companheiro, Dilson, de 16 anos, morador do bairro Golfe 2, disse que gosta de consumir e pensa que a lei decretada pelo Governo Provincial de Luanda devia ser para impedir aqueles adolescentes que ainda não bebem.
“Acho que a ideia do Governo foi boa, mas penso que a nós que já bebemos deviam deixar, porque o tempo vai passar e vamos fazer 18 anos”, ironizou o garoto, realçando que ”o tempo que vamos fazer para deixar, é o mesmo para completarmos 18 anos”.
Dilson lembrou que começou a beber ao mesmo tempo que o seu amigo Alex, quando no final de 2006, ficou aprovado da 7ª para a 8ª Classe. Um resultado que pouco esperava. Os dois comemoraram a passagem de um modo diferente e a sugestão foi acrescentar algumas cervejas na dose normal. E foi desse jeito que começou a aventura no mundo da bebida.
«PROVA DOS NOVE»

O grupo dos petizes é conhecido como «Prova dos Nove» por ser composto por nove adolescentes, que granjearam uma fama no Popular, devido ao consumo de álcool. O mais novo tem apenas 14 anos de idade e bebe à mesma medida dos seus companheiros, a julgar pela constatação da nossa equipa de reportagem no local, onde registou que, em pouco menos de 20 minutos, já ia na quarta Nocal. “Isso ainda é pouco Kota”, reagiu à intervenção do nosso colega, que lhe perguntou se ia para a quinta.
O iniciado não aceitou ser entrevistado, mas deixou escapar que “comecei a beber aos 13 anos como o meu pai”.
Interrogados sobre os meios em como adquirem dinheiro para sustentar o vício, os Nove salientaram a O PAÍS que, apesar de não trabalharem, têm negócios que dão muito

dinheiro. Quem confirmou o poderio financeiro dos Nove é Judite Antónia da Cruz, Jú, a funcionária que atendia no dia da nossa reportagem. Judite certificou que os miúdos são clientes habituais da casa, desde 2007. Na altura, os dois mais novos ainda não bebiam. Questionada sobre a medida tomada pelo GPL, a senhora respondeu dizendo que só começou a ouvir sobre a lei há coisa de sete dias.
Por esta razão, ela não se considera uma cúmplice que alimenta o vício de bebidas a menores. Valendo-se da clientela que todos os dias o seu bar regista, Jú afirmou que o seu estabelecimento é o mais famoso do bairro Popular. Descartou mesmo a possibilidade de haver concorrência das outras janelas no seu bairro, porque no seu estabelecimento nunca falta produto. “Estamos próximo da loja que vende a grosso, por isso temos sempre bebida fresca, ainda que falte energia em Luanda durante um mês e os nossos clientes sabem disso”, assegurou. A taberna Jú é frequentada por muitos rapazes, mas a vendedora confessou que tem sido difícil detectar a idade dos adolescentes entre os 15 e 17 anos, devido à corpulência que eles apresentam. Eles chateiam-se quando lhes é dito que não podem ser atendidos. “Há vezes que somos ofendidas por mantermos essa postura disciplinar”, contou a senhora, frisando que os meninos arranjam outras manobras para poderem obter as bebidas.

Os riscos são graves
A psicóloga clínica Susana Manfuta considera que uma criança que faz uso de bebidas alcoólicas está sujeita a riscos graves, ao nível da saúde física e mental, porque ela está em fase de crescimento. “Numa fase de crescimento, a bebida impede o desenvolvimento normal de uma criança, porque afecta o processo cognitivo do indivíduo”, salientou a psicóloga, tendo explicado que, nessas condições, “a maturação não é devida, porque a bebida chega a ser uma droga que afecta o cérebro e o fígado”.  Segundo a especialista, o adolescente que ingere álcool pode não atingir a inteligência média, porque durante o crescimento o seu coeficiente de inteligência (QI) se revela bastante deturpado.
Isso se explica pelo facto de o consumidor estar sujeito a um tipo de comportamento que se revela por atitudes agressivas, para além de acusar uma memória deficiente.
Maria Manfuta salientou que uma criança que bebe não consegue concentrar-se na aula e está quase sempre sem disposição para fazer as tarefas da escola. “Nessas circunstâncias o sono e a preguiça tomam conta da criança, ao ponto de influenciar nela uma descoordenação nos movimentos do corpo”, exemplificou.
A psicóloga recomenda os encarregados de educação a prestarem mais atenção aos seus educandos nessa fase em que eles sofrem de grandes transformações psico-somáticas e lutam pelas suas ambições e afirmação social.
Quanto à recente lei implementada pelo GPL, a docente universitária ressaltou que o governo tornou pública uma lei que se acha com fins repreensivos, quando o importante era ver primeiro o problema do ponto de vista biológico, psicológico e social.

MANOBRA NO CASSENDA
Conscientes de que não devem fazer uso do álcool, os adolescentes usam várias artimanhas para conseguirem a bebida. Ana Silva, uma das atendedoras da “Janela aberta” do Cassenda, sita nas imediações da Administração Municipal, lamentou o facto de serem os próprios adultos a facilitarem a compra de bebida para os menores.
“É triste saber que os próprios mais velhos é que vêm comprar cerveja para as crianças, porque eles pagam uma Cuca por cada cinco que recomendam ao adulto”, assegurou Ana Silva. A gerente aponta os alunos dos colégios da cercania como sendo os que mais se envolvem nessas manobras. Como a Jú do bairro Popular, Ana disse também que tem sido difícil descobrir a idade verdadeira dos rapazes.
Segundo ela, há crianças de 16 anos que aparentam ter 20 ou mais anos de idade. Recentemente, Ana contou que duvidou da idade de um jovem, que logo a seguir lhe exibiu o Bilhete de Identidade, onde se lia nascido no ano 1989. “Ele era muito pequeno e havia outros mais altos do que ele, que, se calhar, deviam ser mais novos”, comparou a jovem, prognosticando a difícil tarefa que lhes impõe o decreto do GPL. A mais conhecida e frequentada Janela Aberta do Cassenda tem uma carteira de clientes que integra funcionários do aeroporto, ardinas, militares e kínguilas. Mas, nos últimos dias, estão a ser superados por pedreiros e alunos. O PAÍS visitou também duas “janelas abertas”, uma no município do Rangel e outra na Samba. A primeira situa-se na rua do Lar da Terceira Idade, vulgo Beiral, enquanto a segunda se localiza na avenida 21 de Janeiro, defronte à Shoprite, no bairro Morro Bento ou Morrão, como também é conhecido.
Nos dois postos de vendas encontramos algumas crianças que dividiam a sua atenção, ora para a cerveja, ora para o churrasco. “Não vale a pena implementar lei, se o pai vai continuar a mandar o filho tirar a cerveja da geleira para com ele beber”, começou por dizer José Bernardo, licenciado em Educação Moral e Cívica, pelo Instituto Superior João Paulo II. O especialista queixou-se que se debatem com certas situações em que mandam chamar os pais para intervirem e colaborarem com a escola contra atitudes negativas dos seus filhos.
“O nosso espanto é que, às vezes, os encarregados encaram o problema como algo normal”, lamentou José Bernardo. Ele acha que a medida devia ter mais peso se se pusesse em conta o factor consciência. Por causa disso, defende que devia haver um trabalho de consciencialização na família e nas escolas. Ainda assim admitiu que a medida do governo é boa, embora sublinhe que a lei exista há muito tempo.
O professor de Educação Moral e Cívica adverte que o cumprimento dessa lei por parte dos petizes ainda vai durar tempo. “Porque quando se trata de mudar a consciência, o estilo ou forma de pensar, bem como hábitos e costumes, isso leva tempo”, acredita o nosso interlocutor. Para sustentar o seu argumento, José Bernardo considerou o facto de os rapazes não terem adquirido esses vícios de forma repentina. Outra preocupação levantada pelo docente tem a ver com o facto de a implementação ter surgido no fim do ano lectivo. Para ele, era bom que a implementação acontecesse no primeiro ou no segundo trimestre, porque assim responsabilizava mais os professores da cadeira de moral a precaverem os alunos no sentido de evitarem tais práticas.
ESCOLAS CONVIVEM COM O FENÓMENO
Viegas Silveira, subdirector pedagógico da escola São José nº 1030, na Samba, defende que se proíba também a venda de bebidas alcoólicas nas lojas que ficam próximo das escolas, para que as crianças não experimentem situações tentadoras e se deixem levar pelas emoções do momento.
“Muitas vezes, a criança não pensa em beber ou fumar, mas se o momento lhe apresentar um desafio, como conquistar uma colega, ela vai-se embebedar ou fumar para ter coragem para tal”, defendeu o subdirector, que sugere o fim das lojas ilegais próximas das escolas.
Para ele, são estas cantinas que não obedecem os decretos, visto que não estão comprometidas com o Governo. Viegas Silveira disse que a escola ainda convive com o fenómeno do uso de bebida alcoólicas por parte dos alunos e a sua instituição de ensino não é uma excepção. Quando detecta casos do género convoca os pais com quem a escola se compromete a combater o mal.
Os alunos do S. José Aguinaldo da Cunha e Jepa Vanda, respectivamente da 7ª e 9ª Classes contaram a O PAÍS que é quase constante a vinda de alunos de 14, 15 e 16 anos em estado de embriaguês. Aguinaldo e Vanda alegaram também que os outros alunos acabam por sofrer as consequências dos actos dos colegas, quando os professores os descobrem. “Normalmente, ficamos sem aulas ou sofremos outras retaliações colectivas”, queixaram-se os meninos, sugerindo a suspensão ou expulsão dos “Amigos da cerveja”.

Mães choram pelos filhos


À semelhança de muitos encarregados, Edna Teixeira e dona Lina, moradoras do bairro da Gamek à direita, na Samba, mostram-se preocupadas com o novo estilo de vida que os seus filhos adoptaram. Edna Teixeira é mãe de João, e declarou que ficou muito constrangida quando ouviu que o seu filho estava a fazer uso de bebida alcoólica. “Fiquei muito triste e admirada, quando as vizinhas me disseram que ele começou a beber, porque aqui em casa ele é um rapaz bem comportado”, contou a mãe, acrescentando que nunca tiveram qualquer sinal que indicasse desobediência ou atitudes negativas da parte do garoto.
A mãe de João anunciou que todos os sinais que agora vêm da rua justificam que o filho está pouco preocupado com os estudos. Edna não acredita que só as influências levaram o seu filho a mudar de comportamento, porque, segundo ela, a pessoa não faz o que não quer fazer. “Mas eu gostaria de ter a colaboração dos vizinhos e amigos, no sentido de nos informarem sobre as coisas que o meu filho faz na rua, a fim de não enfrentarmos no futuro situações piores”, suplicou Edna.
O filho, por seu lado, disse apenas a O PAÍS que nem se recorda como começou a beber. O jovem promete deixar o vício da bebida, para não ver os seus sonhos atrapalhados. João começou a cantar no ano passado e pensa prosseguir com a carreira. “Já tenho 10 músicas com um amigo e descobrimos que o vício da bebida vai-nos roubar o mesmo tempo que precisamos dedicar ao novo talento”, reconheceu o jovem.
Às portas dos 18 anos, João está a repetir a 8ª Classe e propõem-se a não reprovar mais, devido à idade. Como João, Jovani, 16 anos, confessou estar a consumir bebidas alcoólicas, tendo recordado como adquiriu o vício. “Isso começou no ano passado, quando nos encontrávamos numa festa onde a gasosa acabou e só havia cerveja. Nem sequer havia água mineral no banquete”, lembrou. E Jovani continuou: “não tivemos outra escolha, senão pegar nas cervejas e começar a beber, como faziam outras crianças da nossa idade”. O adolescente contou que no dia seguinte, despertou com a garganta muito seca e o corpo enfraquecido. “Experimentei comer e beber gasosa que tinha em casa, mas o meu corpo reagiu mal. Só encontrei tranquilidade quando ingeri uma cerveja ”, disse Jovani. A partir daí, começou um vício que hoje admite ser difícil deixar.
Mesmo assim, o rapaz confessou que quer deixar o hábito de beber. Para tal, quer que as pessoas entendam que não é possível deixar a bebida de repente.
“Todo mundo sabe que esse vício não se adquire só num dia, mas todos querem que a pessoa deixe já hoje. Já comecei a fazer exercícios físicos e até já retomei a igreja universal”, disse o miúdo. Sua mãe, Dona Lina, demorou quatro minutos para começar a falar sobre o seu filho.
Quase chorava, mas ganhou força para dizer que receia um dia ver o seu filho a se envolver em crimes que considera maiores, como violações, roubos e tentativas de homicídios. “Não gostaria de ver o meu filho na cadeia ou morto porque violou, roubou ou matou. Por isso, peço a todos aqueles que nos querem ajudar, para fazerem qualquer coisa para ajudá-lo a sair dessa vida”, desabafou Dona Lina. A progenitora confessou ter negado o patrocínio do curso de petróleos que o seu filho lhes pedira, em 2008. Por isso, desconfiam que o rapaz tenha adoptado esse tipo de atitude para se vingar dos pais. Dona Lina foi mais longe, dizendo que teme ver o seu filho a sofrer de uma doença infectocontagiosa como a tuberculose, devido ao consumo regular do álcool.
Alberto Bambi

MODOS DE MACHO - Mulheres que dizem fim


Como se dizia mui antigamente, deu na imprensa, reproduzo: as mulheres estão pedindo mais a separação do que os homens. Coisa séria. Reflita: dados sobre registro civil divulgados na última quarta-feira (25/11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, em 2008, 71,7% das separações não consensuais - ou seja, um quer, mas o outro não - foi pedido por mulheres.
Aproveito e reabilito uma velha tese. Velha, porém minha. Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e vírgula; jamais um ponto final.
Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: "Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar..." Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro da convivência. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente.
Sem reticências...
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita. O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até fugir para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Continental sem filtro da covardia e do desamor. Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro. O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada. Nem no Crato...nem em Estocolmo.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o "the end" sem uma quebradeira monstruosa. Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava. O mais frio, o mais "cool" dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por aí assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo. O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.
& MODINHAS DE FÊMEA
Chama a atenção na mesma pesquisa, citada na cumeeira desta crônica, como as gaúchas, em parelha com as catarinenses, são as mulheres que mais buscam na Justiça a separação. Só na Paraíba, mulher-macho-sim-senhor, os homens são maioria no mesmo tipo de atitude legal, porém dolorosa, barraquista e cruel.
Faz favor, seu garçom, tem aquela clássica de Jane e Herondy? Sim, "não se vá", toca pra gente, play it again, Sam! Aumenta o volume que estou caindo fora. Beijos e até a próxima.


Xico Sá, 46, é autor de "Modos de macho & modinhas de fêmea" entre outros livros. Nasceu no Crato, Cariri, cresceu no Recife e hoje ronda a noite paulistana em busca de fábulas e crônicas. Fale com ele pelo e-mail xicosa@brpress.net

Jorge Tadeu ofereceu património à Josafat


Os bens que pertenciam à extinta Igreja Maná foram oferecidos à Josafat, pelo próprio apóstolo fundador, incluindo os imóveis

Uma carta do dia 25 de Julho deste ano, assinada pelo presidente da Maná Igreja Cristã, Jorge Manuel Guerra Tadeu, enviada ao seu homologo da Josafat Angola, cujo nome não está especificado no documento, indica que todos os bens foram cedidos a essa nova denominação religiosa.
Segundo o documento, em posse de O PAÍS, Jorge Tadeu (portador do passaporte português n.º J750822, emitido pelo Governo Civil de Évora) “passa todas as propriedades, bens móveis e imóveis da Maná-Igreja Cristã”.
Esta transferência acontece um ano depois de o Estado angolano ter revogado o reconhecimento da extensão da Igreja do apóstolo em Angola, que tinha sido feito através do decreto-lei 14/92 no Diário da República n.º15, 1ª Série, cessando assim todas as suas actividades no território nacional.
O Ministério da Justiça justificou a medida com o facto de a Igreja Maná ter violado sistematicamente a Lei vigente e a ordem pública.
A entrega do património à Josafat acontece numa altura em que duas outras representações fundadas por antigos membros da Maná também reclamam uma parte do património da extinta Igreja.
O PAÍS apurou que no início deste ano, a Igreja Arca de Noé, representada pelo escritório de advogados António Penelas & Associados, escreveu à ministra da Justiça, Guilhermina Prata, com conhecimento à antiga directora do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, Fátima Viega, no sentido de todo o acervo da Maná ficar sob a sua alçada.
Entre os bens reclamados pela Igreja Arca de Noé constam as igrejas do Golfe II, Petrangol, Sonefe, Nzamba 4, Samba, Futungo de Belas, Artesanato, Viana e todos os terrenos cedidos pelo Estado à extinta Igreja Maná.
Na mesma luta está também a Igreja Sal da Terra, do bispo Fleitas Gâmboa.
Em entrevista a este jornal, ele garantiu que aceitaria o património da ex-Maná. Segundo ele, “é necessário entender que as instalações foram dedicadas para pregar o evangelho, não especificamente para fazer comércio ou outro tipo de coisa. Claro que aceitaria e não olhava para trás, porque são capazes de encher em pouco tempo”.
Ele também garantiu que escreveu às ministras da Justiça e da Cultura a solicitar as instalações, “mas não tive qualquer resposta”. Para ele, a Igreja Josafat também pertence a Jorge Tadeu, porque o nome é semelhante ao que o apóstolo atribuiu à sua aeronave particular. “É só abrirem o site e vão ver de quem é a Igreja. Oficialmente, o avião de Tadeu também tem o nome de Josafat e todos os bispos sabem disso. Aquilo é a mesma Maná, com uma nova roupagem para poderem continuar a enviar o dinheiro a Portugal”, explicou Fleitas Gâmboa.
Dani Costa

Menstruar não


Menstruar é uma questão de preferência pessoal, garante o respeitado ginecologista, professor emérito da University College, de Londres - instituição responsável por elaborar diretrizes em saúde reprodutiva e planejamento familiar - e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), John Guillebaud. Segundo o médico, especializado em Saúde Reprodutiva, o sangramento mensal não é necessário e sua interrupção tem se tornado o método mais eficaz contra a gravidez, já que é menos sujeito a falhas.

Além disso, quando suspendem a menstruação, as mulheres têm menos dores de cabeça - algo que aflige até mesmo as que usam a pílula convencional, já que há uma semana de pausa -, livram-se de outros sintomas pré-menstruais e têm menos riscos de desenvolver endometriose (quando células do endométrio se espalham por outros locais da pelve, fora da cavidade uterina).
Hoje, há diferentes métodos para interromper continuamente a menstruação. Algumas mulheres acabam emendando uma cartela de pílula na outra. Outras recorrem ao DIU, implantes subcutâneos ou injeção. A gerente de marketing Marta Amaral, de 46 anos, sofria com o alto fluxo da menstruação, mesmo não sentindo cólicas nem sintomas da tensão pré-menstrual (TPM).
Só quando engravidou e teve de realizar uma bateria de exames é que descobriu que a cada ciclo ela perdia muito ferro. "A menstruação me deixava anêmica e meu ginecologista optou pela injeção contraceptiva", conta ela, que faz uso do método há 12 anos. Com o passar dos anos, o risco de anemia foi afastado e, para a felicidade dela, o fluxo diminuiu, mesmo quando fez uma pausa no uso da medicação.
NOVA ALTERNATIVA
No segundo semestre deste ano, o laboratório Libbs lançou mais um contraceptivo contínuo: o Elani 28. Trata-se de um anticoncepcional oral com 28 comprimidos, sendo que a mulher não faz pausa entre as cartelas. A composição do medicamento diminui a produção hormonal pelos ovários, inibindo a ovulação e a proliferação endometrial. O medicamento chega ao mercado com custo médio ao consumidor de R$ 45,35. Sua utilização e a consequente suspensão da menstruação por meses ou até anos exigem acompanhamento médico.
A vantagem, segundo o laboratório, é que esse contraceptivo é o único de uso contínuo com drospirenona. A substância é um progestagênio (que impede a ovulação) de quarta geração, que, além de evitar a gravidez com alta eficácia, proporciona alívio dos sintomas menstruais. O medicamento é de baixa dose hormonal (30 mcg de etinilestradiol), o que, segundo o professor Guillebaud, corresponde a um quinto da dose de estrogênio das primeiras pílulas anticoncepcionais.
Mesmo com a promessa de tantos benefícios e melhor qualidade de vida, há muitas mulheres que ficam em dúvida quando o assunto é menstruar ou não. Afinal, passaram a vida escutando que a menstruação é algo que faz parte da natureza e, por isso, não deve ser interrompida.
O ginecologista Guillebaud defende que não há razão para sangrar todo mês se a mulher não pretende engravidar a curto prazo. "Estudos já comprovaram que o uso do contraceptivo oral em regime contínuo pode beneficiar mulheres com sintomas menstruais, como cefaleia, cólica, sangramento excessivo causado por disfunção hormonal, doenças do útero como mioma e adenomiose, e anemia, por deficiência de ferro. Portanto, mais menstruação pode significar mais riscos para a saúde.", enfatiza.
As reações físicas para quem toma contraceptivos orais de uso contínuo são praticamente as mesmas das observadas nos convencionais (aqueles em que são feitas pausas). Podem ocorrer sangramentos irregulares do tipo spotting (mancha menstrual) ou sangramentos de escape. Em ambos os casos, o sangramento tende a diminuir ou desaparecer com a continuidade do tratamento. "O risco da ocorrência de um evento adverso é muito pequeno e não deve ser fator de preocupação para as mulheres, desde que o tratamento tenha sido indicado e orientado por um médico", garante o especialista Guillebaud.
Já as contraindicações do novo medicamento - que também não fogem muito daquelas observadas nas pílulas convencionais - são tabagismo, histórico de doenças tromboembólicas e diagnóstico de neoplasias, como o câncer de mama e do endométrio.
Quanto à fertilidade da mulher, não existem evidências de que o uso de pílulas em regime contínuo possa prejudicá-la. O retorno das menstruações é rapidamente restabelecido após a interrupção desse tratamento.

Por Cristiana Vieira

A fragilidade das relações

 Por que tomamos tudo como garantido, se de fato tudo é movimento? Por que imaginamos que independente da nossa atitude, da nossa loucura, o outro vai ficar sempre lá? Esperando, suportando, submetendo-se? Por que pensamos que isso pode ser para sempre? Não podemos pensar dessa maneira. O sempre também acaba! E, um belo dia, estaremos nós lá, sozinhos sem entender o porquê do outro de repente se incomodar com o que sempre aceitou...
Essa situação é mesmo muito mais comum do que você pode imaginar. Tenho algumas histórias como essa e posso afirmar que a liberdade tende sempre a prevalecer.
Efêmero
Não há, por isso, mal que dure para sempre. Não há mentira que dure para sempre. Por quê? Porque podemos sempre acordar e abrir mão do pesadelo. Desiludir-nos. Deixar para lá, para outro desavisado qualquer, e alçar voo.
Podemos escolher diferente, experimentar o positivo, o bom, o belo, o verdadeiro. Podemos, sempre que precisar, abrir mão do que faz mal. Do que não nos faz sentir bem. De tudo o que nos faz ser quem verdadeiramente não somos.
Esgotamento
O mais incrível numa situação como essa - na qual um desdenha e o outro quer comprar - é que num belo dia cansamos! Damos o basta. Libertamos-nos. Então, surpresa! O outro não acredita. Os outros não entendem. Todos os que nos acompanhavam ficam assim, sem saber o que fazer. Não sabem como agir, como não agir. Simplesmente têm dificuldade em nos aceitar.
E, nessa situação, duas soluções são possíveis. Pisamos firme no chão. Não abrimos mão da nossa conquista e vamos em frente. Ou voltamos atrás e, talvez por pressão de todos os que estão em volta e até mesmo do nosso padrão vicioso, escolhemos voltar.
Não tem problema! Todas as soluções são sempre acertadas para o que precisamos. A dependência emocional é muito mais comum do que conhecida. Tudo bem! Às vezes não dá mesmo para sair de uma relação, mesmo sabendo que não nos acrescenta nada - ao contrário, nos puxa para baixo.
Poder particular
A única coisa que não podemos perder de vista é que essa é uma escolha nossa. O poder de sair ou ficar. Escolher ser feliz ou triste. Viver uma relação saudável ou doente. É nossa a responsabilidade pelo que vivemos e ela não pode ser compartilhada. Não dá para culpar esse ou aquele acontecimento, essa ou aquela pessoa. O poder é nosso e o que fazemos com ele também é nosso. Se decidirmos dar ao outro o nosso poder de vida, vamos ter de arcar com as conseqüências. Com tudo o que essa decisão irá nos trazer em termos de dependência, de sofrimento, de desgaste emocional.
Por isso, fica aqui um convite. Se você vive uma situação como essa ou conhece alguém que faz sofrer ou sofre, pense duas vezes. O sadio mesmo é cuidar-se, amar-se, ter ao seu lado pessoas que realmente contam. Contam para nos fazer crescer, evoluir, transformar. Então pense e, quando puder, tome uma atitude. Isso quer dizer: viva e deixe viver. Liberte-se. A relação - e a vida -agradecem.


Sandra Maia é autora dos livros: Eu Faço Tudo por Você - Histórias e relacionamentos co-dependentes e Você Está Disponível? Um caminho para o amor pleno. Fale com ela no e-mail smaia@brpress.net.