Total Pageviews

There was an error in this gadget

Wednesday, November 11, 2009

INDEPENDÊNCIA


Depois que de um vaso de guerra fundeado ao largo da Baía de Luanda a autoridade colonial portuguesa “despejou” no mar a soberania de Angola, dois movimentos de libertação de Angola dirigiram-se cada um para os seus bastiões proclamar as independências unilaterais.
Segundo recordações de Kabangu, a entidade portuguesa alegava não saber a quem entregar os instrumentos de soberania do novo Estado, algo que configurou uma situação suis generis na história das independências em todo o mundo.
Mas de qualquer forma, Ngola Kabangu, na altura alto dirigente da FNLA, lembra que “o sonho foi único para todos quantos se empenharam na gesta da luta de libertação nacional que era manter Angola una, indivisível e independente”, como ficou decidio nos Acordos de Mombaça e Alvor em que teve participação activa como foi negociador.


Em face da frustração gerada pela situação do momento, conta o actual líder da FNLA que, “às zero horas, na cidade do Uíje, mandei arriar a bandeira portuguesa e foi remetida a um cidadão português presente no acto e foi pronunciado um discurso de circunstância”.
Ao não ser concretizado o sonho de uma independência cumprindo todos os passos requeridos, ainda assim admite que os sonhos da independência proclamada numa e noutra cidade têm como ponto de convergência a manutenção de Angola enquanto estado uno e indivisível.
O alcance da paz e os subsequentes passos no sentido da reconstrução de infra-estruturas é um momento positiva da história deste país, mas “ainda há a fazer muito no plano social”, algo que nos 34 anos de independência foi sendo descurado, alegando os mais diversos motivos alguns dos quais sem fundamento.
Apesar da querela política que envolve a data em relação ao momento crucial que precedeu a proclamação da independência, nomeadamente a “Batalha de Kifangongo”, Ngola Kabangu revela que brevemente contará a sua versão sobre este momento para desmistificar algumas informações.
Agora que o primeiro volume das memórias de Holden Roberto estão escritas, Kabangu garante ter chegado o seu momento.
“Sinto-me mais livre, porque o meu falecido mestre (Holden Roberto) contou a sua parte. As minhas memórias estão a terminar e contarei a minha parte”, garantiu o também deputado à Assembleia Nacional.
Fazendo uma breve introdução à épica Batalha de Kifangondo, conta que o que se passou foi a luta entre unidades de humildes guerrilheiros sob comando da FNLA e unidades clássicas de Cuba e URSS, assessoradas por especialistas de países do leste-europeu.
“Basta para o efeito olhar para as memórias do piloto e general cubano Rafel del Pino, em que detalha com pormenores a intervenção das tropas de Fidel Castro na guerra civil angolana”, frisou.
Alegando honestidade e rigor intelectual como valores a observar na abordagem de aspectos específicos da luta de libertação nacional, Kabangu admitiu que as tropas da FNLA, na altura, foram apoiadas em termos logísticos pelo exército zairense, mas negou que na linha da frente estivessem soldados zairenses, os chamados comandos kamanyolas.
A captura de mercenários no teatro de guerra em Angola foi associada por Ngola Kabangu à necessidades do curso ulterior da guerra civil entre irmãos angolanos desavindos.
“Os mercenários apareceram numa outra fase da guerra com a intenção de resistir ao facto de enfrentarmos uma guerra clássica, como acaba de demonstrar o livro do general cubano acima referido”, justificou-se o político.
Acrescentou que a decisão de introduzir unidades de mercenários resultou mesmo de conselhos dados por especialistas militares que assessoravam na planificação e desenvolvimento da guerra das unidades do ELNA, o braço armado da FNLA.

Angola “malbarata” capital estratégico
mundo, assim considera o deputado e veterano da luta pela independência nacional Samuel Chiwale.
Lançando um olhar ao estágio actual do desenvolvimento do país passados 34 anos sobre a data da proclamação da independência, o antigo guerrilheiro da UNITA reconheceu que “Angola continua a ter importância capital do ponto de vista da geo-política, por estar numa posição extremamente estratégica em todas as vertentes, mas não está a ser convenientemente explorada”.
O político admitiu ter havido como que uma condenação histórica de Angola pelo facto de não se ter levado em conta a gestão do país no interesse da sua população, algo que seria obtido com a exploração das riquezas do seu território nos termos que a lei define, pois tudo o resto não passará de “coisa para inglês ver”.
O facto de Angola assumir um certo protagonismo em África em matéria de resolução de conflitos e ser chamada a tomar assento em cimeiras mundiais onde são tomadas medidas pertinentes da agenda política mundial é um facto de somenos importância, no entender de Samuel Chiwale.
Considera mesmo que “o país está vendido ao imperialismo, pois ele é gerido conforme os interesses das potências mundiais”.
O sonho da independência alimentado durante a guerra, no seu entender, valeu a pena, “apesar da gestão dessa mesma independência estar a ser feita no interesse pessoal…vive-se no país um fenómeno para enriquecer alguns poucos e a maioria manter-se no sofrimento”.
Apesar de ter tomado parte num acto de proclamação da independência na província do Huambo, Samuel Chiwale reconheceu que aquele acto não teve qualquer valor histórico para si.
“Não proclamamos nenhuma independência, tudo o que fizemos foi só para inglês ver.
Proclama-se a independência na capital. Os cubanos e os russos ajudaram a proclamar a independência em Luanda e esta teve eco. As outras não tiveram eco porque não ocuparam lugares cimeiros no continente africano”.
Ainda assim considera que o sonho da independência almejada teria sido cumprido se os três movimentos de libertação nacional tivessem chegado a um entendimento comum para a solução dos problemas de Angola.
Admitiu que se revê nesta independência, mas não na maneira como ela está a ser gerida pelos actuais detentores do poder em Angola e disse acreditar que “os angolanos devem continuar a velar pela sua independência do seu país.
Os angolanos devem falar com o Governo sobre a independência que queremos”, rematou.
Eugénio mateus

No comments: