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Friday, December 04, 2009

Doação de órgãos



“Já pensou ser doador de órgãos? (...) É uma forma privilegiada de imitar Jesus que deu a vida pelos outros”

Já pensou ser dador de órgãos? Por óptimas e por péssimas razões o assunto relativo ao valor dos órgãos humanos adquire lugar na opinião pública. Desta vez por belíssimas razões. Terminou ontem, em Fátima, o XXII Encontro Nacional de Pastoral da Saúde, sobre o tema ‘Transplante de Órgãos Doação para a Vida’. De 30 de Novembro a 3 de Dezembro cerca de 600 participantes dedicaram a sua atenção ao estudo da questão, resultado de enormes conquistas científicas, nas quais Portugal ocupa, aliás, lugar de relevo. Nomes prestigiados apresentaram a sua reflexão e experiência, uma vez que o assunto tem tantas incidências éticas, jurídicas, psicológicas e espirituais.
Todos conhecemos dadores de sangue, grau mais comum de doação. Outra forma, felizmente em crescendo, é a da oferta do corpo após a morte para estudo científico da medicina, dada a falta de cadáveres para esse fim.
O transplante de coração, de fígado, de pâncreas, de pulmões, da córnea assume, desde há algumas décadas, uma forma de salvar vidas que requer ultrapassagem de preconceitos para que haja órgãos disponíveis. A solução do Registo Nacional de não Dadores, sistema instituído por Lei n. 12/93, de 22 de Abril, parte do princípio solidário e altruísta do cidadão. Quem não quiser ser dador deve registar a sua vontade que será respeitada post mortem.
Quem nada declarar, sujeita a família a problemas quando esta se confronta com a notícia dolorosa da morte do ente querido, aliada à informação da extracção de órgãos do cadáver a quem foi certificada, por um muito apertado conjunto de critérios de verificação, a morte cerebral.
O perigo veiculado pela Comunicação Social de tráfico de órgãos, em várias partes do Mundo, pode causar medos. Os participantes do Encontro desejam valorizar a cultura da doação como forma de autêntica caridade. A Pastoral da Saúde e a Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação propõem-se continuar a exercer uma operação de mudança de mentalidade. Os cristãos devem dar provas de uma lógica do dom e da gratuidade. Optar por doar os órgãos após a morte evidencia como o corpo morre, mas o amor que o sustenta não morre nunca. Ao partilhar órgãos quase se vê acontecer a conversão da morte em vida.
Com este Encontro crescerá a consciência da necessidade de que incentivar as diversas formas de doação é um serviço social multiplicador de sinais fantásticos de autêntica fraternidade. Afinal, ser doador é uma forma privilegiada de imitar Jesus que deu a vida pelos outros.


D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa

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