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Monday, May 10, 2010

«É um complot contra a UNITA da oligarquia da Cidade Alta» Cláudio Silva


Cláudio Silva, dirigente e membro do gabinete de Samakuva
O Semanário Angolense não conseguiu ouvir a posição de Abel Chivukuvuku, uma das figuras profusamente referenciadas na presente matéria. Todavia, foi possível auscultar o ponto de vista de alguém próximo do actual presidente da UNITA. Trata-se de Cláudio Silva, dirigente do partido e membro do gabinete de Isaías Samakuva, que rotula tudo como um caso de cabala desencadeado pelos serviços de inteligência do Estado contra o maior partido da oposição. Segundo ele, na mira das eleições de 2012, o objectivo é levar a confusão no interior da UNITA, provocando uma antecipação do seu congresso.
Semanário Angolense(SA) – O que há de verdade em certas informações que correm nos bastidores da UNITA,segundo as quais ressurgiram velhas disputas pela liderança do partido,opondo sobretudo Samakuva a Chivukuvuku?
Cláudio Silva (SA) – Absolutamente falso! Existe sim, uma corrente dos serviços de inteligência do Partido/Estado que pretende uma UNITA dócil aos desígnios da oligarquia, afastada dos seus princípios, objectivos de luta e valores.
Para tanto, esta corrente, através de elementos seniores e tácticas de subversão dos órgãos de segurança competentes, pretende infuenciar ou forçar a substituição da actual direcção da UNITA, em particular a do seu Presidente eleito. Por isso, precisa que a UNITA antecipe o seu Congresso, o XI, estatutariamente previsto para 2011. Esta corrente utiliza elementos da Direcção da UNITA na sua estratégia, os quais poderão incluir o Dr. Abel Chivukuvuku.
SA –Diz-se que Chivukuvuku ganhou terreno em todos os segmentos do partido,desde a direcção às bases. Os militantes exigem um congresso imediatamente para mudar o líder.
CS – Este «diz-se», que utilizas, faz parte da fraseologia que tal corrente insiste em pôr no ar para formar e formatar opiniões.É a velha táctica da KGB. Não há «terreno» a ganhar ou a perder-se, porque na UNITA, os candidatos manifestam-se apenas nos Congressos ou nas vésperas dos mesmos. Os membros da UNITA estão satisfeitos com o seu presidente.
Mesmo depois do anúncio dos resultados eleitorais fabricados, a Comissão Política reiterou a confança no seu presidente, quando este colocou o seu lugar à disposição. Ninguém, em nenhum órgão da UNITA, manifestou qualquer intenção de querer um Congresso imediato. Deve-se notar também que o Dr. Abel Chivukuvuku, da Direcção da UNITA, já afrmou na última reunião da Comissão Política, que não seria mais candidato à presidência da UNITA. O pre-sidente Samakuva já manifestou também que só se candidataria se uma expressiva maioria de membros da Comissão Política assim o solicitasse. Há gente de fora mais interessada nesse assunto do que os membros da UNITA. Que estranho! Quando o «diz-se» se revelar e mostrar o(s) rosto (s), peça-os para se identifcarem e coloque no vosso jornal nomes, caras e opiniões. Assim o público saberá quem são os militantes que querem discutir os assuntos (aparentemente) da UNITA fora dos seus órgãos estatutários e ao arrepio dos seus princípios e valores.
SA – Samakuva já vai em dois mandatos e mesmo assim pretende um terceiro que, segundo os seus oponentes na UNITA,é contra os estatutos do partido.
CS – É falso. Também li no Novo Jornal um artigo assinado por Ana Margoso, que manifesta o mesmo equívoco. Os estatutos da UNITA não limitam o número de vezes em que um militante se candidata a qualquer cargo electivo. De acordo com o princípio democrático, os estatutos estabelecem o princípio de mandato a termo, ou seja, o cidadão é eleito para um mandato de X anos. A UNITA entende que ela é um Partido, não é o Estado. As competências que exercem os membros eleitos, não se confundem com «o poder» exercido pelos que detêm o poder do Estado. A UNITA é contra-poder, não é poder. Os alunos da KGB não leram nem estudaram bem os Estatutos da UNITA. Os Estatutos respeitam o princípio da igualdade entre todos os membros, ou seja, ninguém pode ser privado dos seus direitos só porque exerce (ou não) determinada função.
Lukamba Gato, Vitorino Nhany, Clarisse Caputo ou Adalberto Costa Júnior, por exemplo, têm direitos iguais e todos podem candidatar-se N vezes. De igual modo, depois de se candidatar três ou cinco vezes, o membro Abel Chivukuvuku tem o direito de se candidatar quantas vezes quiser. O mesmo sucede com o membro Camalata Numa, Isaías Samakuva ou Ernesto Mulato.
Quem elege é o Congresso. E se o candidato for eleito cinco vezes, ele serve cinco mandatos. É assim na UNITA. Quem não gostar poderá fliar-se noutro partido. Devo recordar que no último Congresso, uma pequena corrente quis alterar esta norma estatutária, mas tal pretensão foi mesmo rejeitada.
SA–Alguém confidenciou-nos que está a ocorrer uma purga nos secretariados municipais de Luanda e que alguns dos seus titulares foram exonerados sem processos formais,unicamente por se mostrarem favoráveis a Chivukuvuku.
CS – Diga a este alguém que vais publicar o nome e a cara dele no Semanário. Verás que ele irá recuar. Normalmente estes «alguéns» são cobardes. Acho que os bons jornalistas devem ser cépticos às con-fdências de cobardes. Por isso devo dizer-te que não há, nunca houve nem haverá «purga» nenhuma. Estive na reunião do Comité Municipal do Sambizanga, onde todos os presentes, sem excepção, pediram a exoneração do secretário municipal do Sambizanga, por comprovada inactividade e incumprimento (a 100%) do programa de actividades do Partido traçado há cerca de um ano, além de irregularidades financeiras detectadas. Em todas as reuniões dos órgãos da UNITA não há espaço para se discutir favoráveis a B ou C, porque na UNITA todos os membros são favoráveis ou leais à sua direcção. Enquanto decorre o mandato do presidente, não há lugar para disputas. Não há seguidores de homens, pois todos defendem uma causa. Quem promover a defesa de homens está simplesmente a combater a UNITA! E quem ama a UNITA não combate a UNITA. A UNITA é um partido maduro, que está atento e vigilante aos diversos tipos de investidas do nosso único adversário, que é a oligarquia que se instalou na Cidade Alta e subverteu o regime democrático conquistado pelos angolanos em 1991. Permita-me
sugerir-te que te concentres em temas «válidos» de verdadeiro interesse público. E que o já prestigiado Semanário Angolense não embarque em artigos encomendados ou de outra índole que visarão apenas a satisfação última da estratégia dos serviços de inteligência do Partido/Estado.
Purga nas hostes de Chivuku?
Segundo fontes da própria UNITA pode estar neste momento em curso uma purga nos secretariados municipais de Luanda, onde alguns dos seus titulares foram exonerados sem processos formais, unicamente por se mostrarem «sensíveis às ideias de Abel Chivukuvuku». Segundo tais denúncias foram afastados os secretários municipais da UNITA do Sambizanga (Alexandre Dias dos Santos), Cazenga (David Álvaro), Cacuaco, Kilamba Kiaxi (Nicodemos Domingos) e Maianga (Fonseca Sabalo).
As mesmas fontes garantem também haver já casos de militantes que congelaram a sua militância, principalmente os pró-Chivukuvuku. Entre eles estão Victória Nogueira, do Sambizanga, Bela Gaspar, Malange, Anita Livulu, ex-presidente da Lima, e Helena Mananga. «Com excepção da antiga líder da organização feminina, todas apoiam aquele dirigente (Chivukuvuku)», disse a fonte.
Contactado por este jornal, um membro do gabinete do presidente da UNITA desmentiu tais alegações. «Não há, nunca houve nem haverá “purga” nenhuma. Estive na reunião do Comité Municipal do Sambizanga, onde todos os presentes, sem excepção, pediram a exoneração do secretário municipal do Sambizanga, Libertador, por comprovada inactividade e incumprimento (a 100%) do programa de actividades do Partido traçado há cerca de um ano», afrmou.
«Em todas as reuniões dos orgãos da UNITA não há espaço para se discutir favoráveis a B ou C, porque na UNITA todos os membros são favoráveis ou leais à sua Direcção. Enquanto decorre o man-dato do presidente, não há lugar para disputas. Quem promover o contrário está simplesmente a combater a UNITA! E quem ama a UNITA não combate a UNITA.»
Diz, por último, que tudo quanto está a acontecer não passa de uma cabala desencadeada pelos serviços de inteligência do Estado, nomeadamente, da Casa Militar, com o objectivo de antecipar o congresso ordinário do principal partido da oposição.
«Existe sim, uma corrente dos serviços de inteligência do Partido/Estado que pretende uma UNITA mais sof, afastada dos seus princípios, objectivos de luta e valores. Para tanto, esta corrente, através de elementos seniores da Casa Militar, pretende infuenciar ou forçar a substituição da actual direcção da UNITA, em particular do seu Presidente eleito. Por isso, precisa que a UNITA antecipe o seu Congresso, o XI, estatutariamente previsto para 2011.Esta corrente utiliza elementos da Direcção da UNITA na sua estratégia, os quais poderão incluir o Dr. Abel Chivukuvuku.»
Semanário Angolense

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