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Sunday, October 31, 2010

DOM MATEUS FELICIANO, BISPO DO NAMIBE

O dia 30 de Outubro de 2010 fica marcado como de triste memória para a igreja angolana e outros cristãos católicos no mundo: morreu Dom Feliciano Mateus.

O prelado foi vítima de acidente de viacção, no percurso Benguela-Huíla.

Regressava da II Assembleia Anual da CEAST, realizada de 20 a 27 de Outubro, onde participou com o seu entusiasmo de sempre.

A viatura que conduzia pessoalmente deparou-se, subitamente, com um boi cortando a estrada.

D. Mateus fez tudo para evitar o pior, mas o desastre acabou por acontecer – relatam testemunhas.

A equipa de socorro vinda de Benguela encontrou o bispo já sem vida.

D. Mateus nasceu em 1958, no Chinguar, Província do Bié. Depois de uma passagem pelos trapistas, ingressou no Seminário Cristo Rei, no Huambo.

Foi ordenado sacerdote a 18 de Setembro de 1983, no Huambo. Como membro do clero daquela arquidiocese, desempenhou cargos de relevo, como Chanceler e Pároco da Sé Catedral.

Doutorou-se em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana, em Roma. Em Março de 2009, foi nomeado primeiro Bispo da recém-criada Diocese do Namibe pelo Papa Bento XVI.

A sua sagração episcopal aconteceu a 19 de Junho do mesmo ano, no Huambo. Tomou posse como Bispo do Namibe a 5 de Julho de 2010 e preparava-se para ordenar o primeiro sacerdote e o segundo diácono locais.

A nível da conferência episcopal, foi Presidente da Comissão Episcopal para o Apostolado dos Leigos.
A Conferência Episcopal vai divulgar nas próximas horas o programa para as exéquias de D. Mateus.

Todavia, prevê-se que o funeral seja realizada entre os dias 4 e 5 de Novembro, no Namibe.

Pedro Mutinde, possivelmente, vai substituir o actual governador da Huíla, Isaac dos Anjos

O ministro da Hotelaria e Turismo, Pedro Mutinde (na foto), deverá substituir o actual governador da Huíla, Isaac dos Anjos, que deixará o lugar «pelas pressões que vários sectores» daquela província do Sul do país têm estado a exercer, soube o Semanário Angolense.
Os huilanos não morrem de amores por Isaac dos Anjos, principalmente desde que começou a ordenar a demolição de residências e também devido ao «seu discurso musculado e outras medidas impopulares» que tem estado a tomar».
«Diversos cidadãos, desde responsáveis do MPLA, empresários e cidadãos comuns da província da Huíla escreveram para várias entidades (Presidente da República, Assembleia Nacional, direcção no partido no poder, entre outras), manifestando desagrado e pedindo mesmo o afastamento do governador Isaac dos Anjos», revelou a nossa fonte.
Quem também vai deixar o Palácio de Vidro é a ministra do Comércio, Idalina Valente, devendo rumar para o Kwanza-Sul, a fim de render o governador Serafim do Prado. Este último foi para o palácio do Sumbe pela mão do seu antecessor, general Higino Carneiro, então chamado para ocupar a pasta das Obras Públicas.
O homem forte do Libolo, por seu turno, que era apontado como sucessor de Francisco do Espírito Santo no Governo Provincial de Luanda, deverá, entretanto ser preterido para dar lugar a um outro general, cujo nome o nosso informador prometeu revelar numa outra ocasião.
Mutinde e Idalina, que não se «chupam», deixarão assim de se cruzar nos corredores do edifício que ambos partilham. As desavenças entre os dois despoletaram quando, na forma-ção do actual Executivo, o antigo governador do Kunene havia sido nomeado adjunto de Idalina, no então Ministério da Comércio e Turismo.
Movido por razões culturais – na etnia Kwanhama, um homem não se pode subordinar a uma mulher –, Mutinde teve relutância em aceitar esse quadro hierárquico, tendo o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, encontrado uma solução que pôs termo à relação institucional directa entre um e outro, voltando simplesmente à primeira forma: tornou a partir o ministério em dois, para que o «soba» do Cunene ficasse também ministro.
Idalina Valente e Pedro Mutinde chegaram a ter uma acesa discussão na rua – parte externa do Palácio de Vidro –, que fora apaziguada por funcionários.

Friday, October 29, 2010

Os Antigos Combatentes e o Estado da Nação

Africa è um continente de fortes e ancestrais costumes, tradições e convicções ìmpares e ‘sui-generis’, em Africa sempre se ensinou as novas gerações o respeito pelos ‘mais-velhos’ estes em função da idade ocuparam e ocupam na sociedade Africana um lugar de destaque nas reuniões do clã na gestão dos assuntos da comunidade...
Lembro-me que na minha meninice, não importa quem, quando um mais velho estivesse a passar nós (os meninos) tinhamos que nos pôr de pè e tirarmos o chapeu da cabeça (se o tivessemos), mesmo entre os meninos ao ‘mais-velho’ isto è ao que tivesse mais idade, chamavamos de mano ocupando um lugar de destaque no nosso seio, ao mais-velho que tivesse idade de ser nosso pai, chamavamos apropriadamente de papá e assim por diante , tudo isso reforçava a força moral da sociedade á todos os nìveis; na aldeia, na vila, na cidade enfim...
A Nação saiu sempre ganhando. Lembro-me que ás noites na aldeia, eram preenchidas de contos e histórias de feitos dos nossos antepassados, que todos nós tragavamos sôfregamente com os coraçõeszinhos ávidos a bater de forte emoção nos nossos peitos adolescentes, havia aqueles contadores de histórias que sabiam com mêstria e poder convincente do verbo e oratória, descrever o ‘ambiente e os actos’ colocando-nos assim no ‘teatro das operações’...sentiamos o chicote do colono a rasgar a nossa carne, quando o acto estava a ser descrito nesta área, corriamos com o personagem com os pès descalços nos espinhos dos matagais, sofriamos da mesma angustia do perseguido, por vezes libertando em unissono grito de dor com as faces molhadas de suor e lágrimas...estas histórias, contribuiram inegavelmente para a formação da nossa personalidade davam-nos força e coragem para compreendermos a necessidade de continuarmos com a Luta, e valorizarmos o sacrificio dos nossos antepassados e pioneiros da Luta pela Liberdade da Nação, aprendi desde muito cedo que Angola, nunca se vergou á ocupação colonialista e nunca parou de esgrimir a sua força e grito de Liberdade, atraves dos seus melhores filhos. Impressionou-me sobremaneira a actuação do velho Soba Kimuko, do Zenguel missão Católica que foi traido pelos seus irmãos de raça soldados ‘Flecha’ disfarçados de ‘combatentes da Liberdade’, encontrava-me de fêrias no Zenguel, quando as forças da PIDE o foram buscar na aldeia, Soba Kimuko, vergado pela força da Traição estava dolorosamente estupefacto, jovens-filhos da Pátria, puderam enganar um experimentado ancião que ansiava pela liberdade do seu povo, o peso da desilusão amargurou-o e entristeceu-lhe profundamente muito mais pelo facto de ‘ir preso’, subiu para o Land-Rover da Administração do Posto do Lombe torturado pelo facto de que alguns Angolanos, não interiorizaram o valor do dever sagrado da Libertação da Pátria (bem, esta è outra história)...
Não è sem razão, que em todo o mundo civilizado a história e o passado è enaltecido e dado a conhecer as gerações mais novas desde a sua meninice por outras palavras desde muito cedo, por exemplo Na Angola prè-independente, o poder colonial tentou emaranhar-nos na sua tenebrosa teia e tradição, tentando corromper-nos a alma, desgastando o nosso sentimento de angolanidade pelo ‘amor á patria Lusa’, há já algum tempo que o poder colonial tinha evoluido do poder do chicote para a psico-persuação, quem não se lembra, do titulo do livro de leitura da 3a classe “Caminhos Portugueses”?!... este livro(e outros tantos do gênero) foi cientificamente concebido para a inoculação do sentimento Luso, aos estudantes adolescentes Angolanos... uma das primeiras lições deste livro de leitura foi: ‘Orgulho-me de ser Português’ que tinhamos que recitar de côr e salteado eramos obrigados a conhecer todos os ‘herois portugueses’ e as suas façanhas que “desbravaram angola” para o alargamento e formação do impêrio colonial Português, desde Afonso Henriques, Diogo Cão, Paulo Dias de Novais, Paiva Couceiro, Serpa-Pinto etc. Etc. As instituições e edificios da administração colonial estavam sempre omnipresentes no nosso campo visual e raio auditivo, para não nos esquecermos ‘deles’; Liceu Salvador Correia,Escola Preparatoria e Secundaria Emidio Navarro, ponte Salazar, Bairro Salazar, cidade Slazar, Cerveira Pereira...etc.
Antes da minha geração, gerações anteriores compostos de homens e mulheres aguerridos, temerários e indomáveis ousaram ‘beliscar decisivamente’ o Golias colonial, eram apenas um punhado numa quase ‘missão impossivel’ a saber: o derrube do poder colonial em Angola, como não podia deixar de ser, na època tal façanha suscitou uma serie de emoções: incredulidade, estupefacção, assombro tudo junto,resultando na produção de uma sêrie de epìtetos para os que decidiram empreender a tal de missão impossivel; Loucos, visionários, suicidas e por fim TERRORISTAS ou simplesmente TURRA... de facto a proeza foi uma proeza de gigantes, o impêrio Português, estava dotado de uma capacidade militar á-toda prova, aviões sofisticados, armas modernas, canhões, marinha de guerra bem apetrechada e um bem equipado e treinado exercito, composto de tropas de infantaria, forças especiais (comandos,Fuzileiros e para-quedistas), e toda uma poderosa e bem estruturada economia a ‘trabalhar’ por e para a defesa do impêrio, “ afinal o que um punhado de pretos famintos miseraveis de tanga e descalços, poderiam fazer?!” se o Imperio Portugues, è um imperio que foi formado de bravos soldados que marchavam de peito aberto contra os Canhões?..
De facto o caminho não foi fácil, foi extremamente dificil muitos a caminho desistiram, entregando-se ao poder colonial, prestando-se a tarefas vìs e vergonhosas ‘montando armadilhas’ para apanhar traiçoeiramente outros angolanos, como aconteceu com o Nacionalista Soba Kimuko, outros preferiram integrar as sociedades dos Paìses que serviam de rectaguarda da Luta de Libertação, (Congo Zaire, Congo Brazzaville, Zambia) ainda outros preferiram ‘apanhar’ os previlêgios de bolsas de estudo e ‘refugiarem-se’ nas sumptuosas cidades da Europa e Amèrica...mas, um punhado resistiu aguentou e suportou todas as agruras da guerrilha, quem conheceu o poder e arrogância militar do poder colonial, sabe e pode imaginar que este não bateu mole nos membros da ‘missão impossivel’ o poder colonial bateu duro, foi impiedoso, tenebroso e destruidor, tudo isto aliado as enormes vicissitudes da mata e as descargas e manifestações imprevisiveis da natureza...de facto a missão não foi fácil, foi uma missão de GIGANTES.
Todos os membros da missão impossivel foram autênticos herois, a Nação deveria orgulhar-se destes homens e mulheres, os seus nomes deveriam estar inscritos em listas doiradas no Largo da Independência (todos eles), os nomes atribuidos a ruas, escolas, cidades, vilas etc, e os seus feitos ‘repetidos’ sempre que a oportunidade se revelasse, e não apenas no dia 11 de Novembro ou em datas Partidarias ou do Partido no Poder, a Luta de Libertação aglutinou homens e mulheres de varias convicções religiosas, tribos e Partidos...recuso-me convictamente a acreditar que foi só o MPLA, quem derrubou o poder colonial, vivi no Uige vi e ouvi quem com muita competência e muita determinação ‘bateu’ de forma contundente e sistematica contra o poder colonial (bem, esta tambem è outra história) Lembro-me de que os mais velhos quando nos inculcavam a necessidade de derrubar o poder colonial, citavam esta razão como a RAZÃO ùnica.
Atè HOJE, em Portugal os antigos soldados das chamadas colonias, recebem a sua devida pensão e outras compensações por participação na manutenção do Impêrio. em Outros Paìses da Europa, os combatentes sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, quase 60 anos depois do têrmino da segunda guerra mundial, ainda são venerados e tratados como Heróis. Nos EUA os antigos combatentes, têm um trato diferenciado com regalias reconhecidas pelos orgãos de soberania.
Uma boa parte dos jovens da minha geração contribuiu decisivamente para a etapa final da independencia de Angola, e destes jovens uma consideravel percentagem contribuiu para a ‘vitória’ do MPLA do conflito com os outros dois Movimentos de Libertação de Angola, a saber; FNLA e a UNITA, que se traduziu na Guerra civil, que teve lugar logo após a saida do poder colonial Português de Angola, este ultimo conflito durou cerca de 26 anos, a maior parte dos integrantes deste conflito por força da implementação de varios aspectos de varios acordos entre o MPLA e UNITA, integraram o ‘corpo de Antigos Combatentes’.
Quer os Antigos combatentes da primeira Luta de Libertação, os que derrotaram as Forças do poder colonial, (permitam-me compatriotas referir-me apenas as FAPLA, para melhor enquadrar o meu discurso) como os que participaram na chamada segunda Luta de Libertação os que estiveram directamente ligados a manutenção do Poder, pelo MPLA...foram unica e simplesmente abandonados e ostracizados pelos antigos camaradas, o seu feito isto è a proeza protagonizada pelos antigos combatentes não è nem nunca foram reconhecidos...hoje já nem se fala de comandantes LENDÁRIOS como Hojy-ya-Henda, Kwenha, Bomboko... em algumas escolas que levam ‘por acaso’ o nome destes heróis, os estudantes nem sequer ‘conhecem’ os Patronos nem tão pouco os seus feitos, por uma razão muito simples, NINGUÈM FALA DELES. Certa vez interpelei um estudante da Escola Tomaz Ferreira, perguntei-lhe quem era, e o que ele fez, para que o seu nome fosse atribuido a sua instituição escolar, respondeu-me exactamente assim: “ouvi que foi o primeiro administrador municpal...” fiquei escandalizado e perplexo, quando eu estava na idade do referido estudante que faço aqui menção, eu sabia de cor e salteado quem foi o patrono da minha instituição escolar, o cèlebre PAULO DIAS DE NOVAIS.
A maior razão da minha estupefacção, reside no facto de que a maior parte dos colegas e companheiros de Luta dos herois que aqui me refiro, ainda estão vivos e são os DIRIGENTES DE ANGOLA, mandaram simples e dolorosamente para as urtigas, a memória dos seus antigos companheiros de Luta e dos seus descendentes.Estes (os Dirigentes actuais) estão ávidamente ocupadissimos no exercicio egoìsta do primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, quarto... Tambèm eu, “quem morreu è burro” diz o cantor...mas ainda um razoavel numero dos herois da missão impossivel, ainda estão vivos...ou melhor estão mais mortos que vivos, porque estão desgraçadamente miseraveis e famintos, não puderam estudar para se formarem ou aumentarem/melhorarem o nìvel acadêmico, porque entregaram-se DE FACTO de corpo e alma nos beneficios da missão, acrediataram piamente nos discursos que alguns dos actuais dirigentes naquela altura, nas vestes de “comandante de guerrilha” ou de dirigente politico, lhes inculcou qual um verdadeiro ferro em brasa na mente, “vamos Libertar Angola para construir um Homem Novo, que se vai beneficiar das riquezas da Pátria...” agora estes ja na fase de 70-80 anos na sua maioria, vêm com olhos esbugalhados e a alma em farrapos, a hipocrisia violenta e sem pudor dos antigos companheiros.
No Lubango, em conversa com uma jovem dos seus 22-24 anos de idade, filha de um antigo combatente e conhecido Heroi, morto em combate nas terras do PIRI-QUIBAXE, se dirigiu ao antigo companheiro do seu Pai, a quem pediu ajuda para ‘amaciar’ as agruras da vida, na forma de emprego ou de um pequeno montante financeiro para iniciar um precário negocio de venda de Cerveja e outras Bebidas, o antigo companheiro do falecido pai, hoje garboso general de 3 estrelas, solicitou em troca favores sexuais, a uma menina que ele ‘pegou nos braços’ quando ela nasceu na localidade da Maria-Teresa.
“Têm que trabalhar, eu próprio trabalho” afirmou certa vez, numa entrevista o antigo guerrilheiro, e agora SG do MPLA, camarada Dino Matross... sinceramente que trabalho o seu antigo companheiro de Luta, analfabeto (por causa da revolução) vai fazer...todos gostariam de fazer o seu trabalho, camarada Dino Matross... alem do mais esqueceu-se propositadamente que existe em Angola, um desenfreado DESEMPREGO. Camaradas lembram-se do 4₀ ramo das Forças Armadas ( o apêndice, dos acordos do Luena?!...) quantos milhares de individuos ex-militares este ramo iria absorver?!... mandaram tambèm muito convenientemente para as urtigas tal plano, preferindo ‘importar’ os Chineses (que ja atingiram cerca de 200.000 individuos, a exercerem actividades ìmpares, tais como: vendedores de gindungo á motoristas assassinos) PORTUGUESES (voltaram á-toda força, re-ocupando as antigas propriedades dos pais e ávos, dizem que ja são cerca de 300.000, BRASILEIROS, SENEGALESES, MALIANOS, ZAIRENSES a maior parte deles vendedores de banha-de-cobra). Pergunto cadê o tal de quarto ramo das Forças Armadas ?!
Os antigos combatentes, hoje usufruem uma extremamente miseravel pensão mensal de Kz 10’000.00 (dez mil kwanzas) ainda assim com irregularidades, não pagam periódicamente, alguns meses são subtraidos (como aconteceu com os meses de Novembro e Dezembro 2009 incluindo o 13° mês), pagam a homens e mulheres que UM DIA DESPIRAM-SE DE TODO O PRECONCEITO E COMODIDADE, para morrerem pelo Paìs, permitiram-se a um sacrificio desumano e incrìvel, para que a classe de hoje usufruisse as magnancias do poder e do dinheiro, para que fosse possivel hoje o MPLA exercesse o PODER.
REALMENTE O SIGNIFICADO E A VERDADE DA HIPOCRISIA E DA INGRATIDÃO está subtendido nas seguintes iniciais: MPLA-JES.

Isaac dos Anjos e os Cristaos na Huila!


Novo imbróglio a envolver o polémico governador provincial da Huíla. Isaac dos Anjos ignorou a actividade de católicos e protestantes na região. 

Disse que estas entidades eclesiásticas pouco ou nada fazem para ajudar o seu executivo na resolução dos problemas sócio-económicos que afectam centenas de famílias.

Mais ainda, considerou de fingidos muitos fiéis católicos e protestantes.

"Por mais que vocês gritem e falem na rádio, na televisão nas vossas casas a culpa vai ser só do governador, não se enganem a culpa é de vocês todos porque são humanos, uns são católicos outros são protestantes, são fingidos, vão à missa ao sábado e ao domingo, na prática não estão a nos ajudar” - disse.


O padre Pacheco, vigário da paróquia da Sé Catedral considera o governador da Huíla como  um homem polémico.

O sacerdote interpreta as palavras de Issac dos Anjos como uma “ mensagem muito forte”.

 “Os católicos e protestantes da província da Huila constituem mais de 80 porcento, e quando o governador se dirige para os católicos e protestantes, chamando-os de fingidos, ele está a mandar uma mensagem muito forte” - disse.

Portanto, se ele não tem confiança nos mais de 80 porcento de católicos e protestantes, está a dizer que não tem condições para estar aqui”.     

Em declarações recentes a Ecclesia, o arcebispo do Lubango Dom Gabriel Mbilingue falou do apoio que a igreja vem prestando às famílias alojadas na Tchavola.

“Nos organizamos a nível de igreja para que a própria Caritas, do ponto de vista material pudesse ajudar e, de facto, continuamos o programa” - reafirmou.

A igreja evangélica promete igualmente reagir a qualquer momento.



GOVERNADOR ISAAC DOS ANJOS DIZ  ESTAR CANSADO GOVERNAR A PROVÍNCIA DA HUILA
Ama Chikoka

O facto foi manifestado pelo Governador da Huila durante o acto de  apresentação do plano director urbanístico da Província,na reunião do Conselho de concertação Provincial que teve lugar no passado dia 22 de Outubro do ano em curso, na cidade do Lubango.

O Governador ISAAC DOS ANJOS, na sua aparição clamorosa depois da maquina demolidora, disse por outro lado preocupado com  milhares de cidadãos ao relento, vitimas das demolições por si comandadas.

O Governante admitiu uma situação catastrófica na cidade do Lubango, caso não haja apoios aos vulneráveis, entre crianças, velhos e mulheres em estado de gestação, ao relento e entregues a sua sorte, resultante das duas fases de demolições na cidade do Lubango.

Precisamos do apoio de todos huilanos e não só para ajudar os sinistrados, lamentou o Governante.
As sucessivas criticas da sociedade civil contra a pessoa do Governador Isaac dos Anjos, também foram referenciadas pelo Governante que diz estar agastado com o ruído de protestos.

Foi pela primeira vez que o Governador  da Huila, reconheceu publicamente ter violado os pressupostos da directiva da Assembleia Nacional que orienta os passos a seguir no caso de haver necessidade das demolições.

Ficou igualmente clara, a colisão de Isaac dos Anjos com a lei da probidade publica, em vigor que acautela penalizações aos gestores públicos no caso de maltratarem a população no exercício das funções. A catástrofe ventilada pelo Governador no caso de cair chuvas, prova tão somente as reclamações da sociedade civil e Igreja quanto ao tratamento desumano, de mais de quatro mil angolanos atirado ao matagal da Tchavola, facto consubstanciado a petulância de apreensão dos meios de trabalho dos jornalistas em serviço.

O Governador Isaac dos Anjos, numa das suas recentes  intervenções publicas, afirmou ser cristão católico com todos os sacramentos. Neste encontro, manifestou o seu desagrado pela suposta  forma como os cristãos na província da Huila, deixaram de cooperar com a sua Governação. 

Para Isaac dos Anjos, os Católicos e Protestantes na Província da Huila, são cristãos fingidos, apesar de frequentar a igreja aos sábados e aos domingos.

"O Governador começa a se sentir cansado de trabalhar sozinho" suplicou, Isaac dos Anjos.

O Padre Jonas Pacheco, ripostando as declarações do Governante,lamentou a Huila ter-se transformado nos últimos meses, numa província polémica em  conflitos sociais.

" Em circunstancia alguma os Católicos e as igrejas irmãs,pegariam nas picaretas para demolir residência de pacatos cidadãos, que isto fique bem claro ao senhor Governador" frisou.

O Sacerdote disse ainda que uma vez  que oitenta por cento da população da Huila é cristã, entre Católicos e Protestantes e o Governador ainda desconfia desta mesma população,isto, só revela que o Governador Isaac dos Anjos não esta no lugar certo.

Nos últimos sete dias, em carta dirigida ao SINPROF e  assinada pelo engenheiro Isaac dos Anjos, depois da exigência de pedido de desculpas fracassada, o governante veio render-se as evidencias, ao colocar-se a disposição ao dialogo depois do braço de ferro.

O Governador da Huila Isaac dos Anjos, reconheceu na sua intervenção do Conselho que  já não é querido pela população que Governa.




Primeira-Dama declarou três dias de oração e jejum nacional




olivea - kabilaA Srª Marie Olive Kabila é a Primeira Dama da República Democrática do Congo. Ela é casada com o Presidente Joseph Kabila, um dos mais jovens líderes Africanos. Ela raramente dá entrevistas ou fala em público. Assim, sua participação num evento Cristão recente atraiu a atenção nacional e surpreendeu muitos cidadãos.
Três Dias de oração e jejum nacional
Numa pequena igreja no leste da capital, Kinshasa, centenas de pessoas reuniram-se quando a Srª. Kabila declarou três dias de oração e jejum nacional.
“Povo de Deus, este é um dia muito especial para mim. Estou aqui para dizer-vos que nunca me envergonharei do nome do meu Senhor. Precisamos desesperadamente de curar o nosso país,” disse a Srª Kabila.
A República Democrática do Congo está, como dizem alguns, “amaldiçoada” pelos seus recursos naturais. Ela tem tudo: diamantes, cobre, ouro, cobalto, zinco, entre outros. Mas por causa de todas as suas riquezas, o país é uma desordem: morrendo política, económica, social, e de acordo com a senhora Kabila, espiritualmente também.
Segundo pesquisas, mais de cinco milhões de pessoas morreram ali desde 1998 por causa da violência, fome e doença.
Temos todas as riquezas minerais do mundo. Somos como a Terra Prometida, porém estamos jorrando morte e destruição”, disse uma mulher local.
Com a bênção do seu marido, a senhora Kabila lançou uma campanha de oração, colocando outdoors em todas as grandes cidades. Recorreu meios de comunicação social para suplicar aos seus compatriotas para se unirem a ela. E a resposta foi esmagadora.
Durante três dias, congoleses de todo o país reuniram-se nas suas igrejas. Para eles, a primeira-dama está a dar o exemplo e está a chamá-los a orar uns pelos outros. Apesar de ser tímida, reservada e na maioria das vezes distanciar-se do foco público, a memória de sua imagem levantando as mãos e clamando a Deus, foi a que tocou tanta gente.
Theodore Mugalu, conselheiro presidencial para o casal presidencial, disse: “A Primeira Dama é uma pessoa de fé forte. Ela sabe que somente através da oração podemos enfrentar os Golias da nossa cultura Por isso, estes dias são tão importantes…”

Monday, October 25, 2010

Akli, Príncipe do Deserto


— Mãe, já não sou uma criança — disse Akli. — Quero ir buscar a minha espada a casa do tio, na cidade.
— És demasiado novo, filho. Para chegares à cidade, tens de atravessar o deserto. Se fores sozinho, arriscas-te a encontrar os Kel Essuf, esses génios malvados e horrendos como monstros.
— Mas eu não tenho medo deles — objectou Akli.
Como o pai não estava em casa e a mãe não o proibira de ir, Akli decidiu pôr-se a caminho. Procurou, então, Abdallâh, um beduíno que conhecia todos os trilhos.
— Levas-me até ao meu tio, Abdallâh? Quero ir buscar a minha espada.
— És demasiado jovem para teres uma espada e nem sequer tens uma moeda para me dar. Põe-te a andar!
Akli não se deixou desencorajar e pediu a um camelo:
— Azumar, leva-me à cidade, já que gostas tanto de viajar.
— Estou velho demais — respondeu o camelo.
— Dar-te-ei uma sela de prata — prometeu Akli.
Ao ouvir estas palavras, Azumar ficou radiante e aceitou a proposta do rapaz, que pensou para consigo: “Que camelo mais pateta! Acreditou mesmo que vou dar-lhe uma sela de prata. Como é fácil enganá-lo.”
Quando já viajavam há três horas, Akli avistou um génio. Era escuro como madeira queimada e ameaçou:
— Ou me dás de beber ou não te deixarei passar!
Akli só tinha um cantil de água. Não podia dá-lo ao génio. Então, teve uma ideia. Pôs-se a cantar a canção mais triste que conhecia. Ao ouvi-la, o monstro começou a chorar. Em breve, chorava tão copiosamente que bebeu todas as suas lágrimas e acabou por deixar passar o rapaz.
— Como vês, Azumar — disse Akli, algum tempo depois — já sou um homem. Não tive medo. Sou o grande príncipe do deserto.
— Não te alegres antes do tempo, meu rapaz — advertiu o camelo. — Ora vê o que vem lá.
A areia mexeu-se. Um outro génio avançou, do tamanho de uma nuvem.
— Ou me fazes rir ou não te deixo passar!
Akli ficou atrapalhado. Não conhecia nenhuma história que fizesse rir um génio. Este pareceu zangar-se. Então, o camelo aproximou-se dele e começou a lamber-lhe os dedos dos pés. O génio desatou a rir e deixou-os passar.
Um pouco mais à frente, aproximou-se um outro génio, maior do que uma duna.
— Ou me metes medo ou não te deixo passar!
Akli ficou novamente atrapalhado. Não conhecia nenhuma história que metesse medo a um génio. O camelo aproximou-se do monstro e virou-se de costas para ele. Bruscamente, expeliu do traseiro uma enorme quantidade de ar, que soou como um tiro de espingarda.
O génio, apavorado, deu um grito e deixou-os passar.
— É a segunda vez que te salvo — comentou Azumar, algum tempo depois. Penso que mereço bem a minha sela de prata.
— Claro que mereces. És como um irmão para mim — respondeu Akli, fazendo-lhe festas.
De repente, Azumar deu um grito de alegria:
— Olha! Conseguimos! Chegámos à cidade.
Akli nunca tinha visto uma cidade tão grande, com tantas coisas para comprar. Tinha duas pequenas moedas no bolso e com elas comprou um grande bolo de mel para si e um mais pequeno para o camelo.
— E a minha sela de prata? — perguntou Azumar.
— Compro-ta mais tarde. Prometo! — respondeu Akli.
Enquanto comia o bolo, o rapaz pensava: “Deixa-o sonhar. É tão fácil enganá-lo.”
Akli foi visitar o tio, que ficou surpreendido de o ver.
— Os teus pais deixaram-te viajar sozinho pelo deserto, com a tua idade? — perguntou-lhe.
— Deixaram. Na minha aldeia todos sabem que já sou um homem.
O tio deu-lhe, então, uma bela espada, ornamentada com duas pedras azuis como o céu.
Nessa mesma noite, deitado numa esteira, Akli adormeceu tranquilo, com a espada apertada contra si. Azumar dormiu ao relento, preso a uma corda, mas não estava triste.
— De certeza que amanhã receberei a minha sela — pensava, fechando os olhos docemente.
No dia seguinte, Akli agradeceu ao tio as suas hospitalidade e oferta, e montou Azumar. No deserto, o vento soprava sem parar e Akli divertiu-se a aparar os grãos de areia com a espada.
— Não te alegres antes do tempo — avisou o camelo. — Vê só o que vem aí.
De repente, levantou-se uma tempestade de areia. Os génios tinham-se escondido porque têm sempre pavor do vento. Como haviam de avançar e descobrir o trilho na areia? Mas Azumar era forte e corajoso. Não fraquejou e seguiu, determinado, em frente.
— Acho que mereço bem a minha sela de prata — gritou para Akli, por entre as rajadas de vento.
À noite, o rapaz chegou ao acampamento.
— Obrigado, Azumar. Dava-te uma lua de prata, se pudesse. Adeus! — despediu-se.
E fugiu, envergonhado.
Desapareceu tão depressa que o camelo nem teve tempo de replicar.
Akli correu em direcção à tenda, a fim de mostrar a espada ao pai e aos outros homens.
O pai sorriu-lhe. Serviu-lhe chá e pediu que contasse a viagem. Akli relatou tudo o que se passara e os homens ouviram-no com atenção. Quando terminou o relato, o pai disse-lhe :
— Estou orgulhoso de ti, filho. Mereceste bem a tua espada. Aproxima-te, quero dar-te uma prenda.
O pai ofereceu-lhe uma sela, mais branca e brilhante do que a lua. Akli ficou surpreendido com o presente, mas compreendeu logo o significado do gesto do pai. Saiu da tenda e foi colocar a sela docemente no dorso de Azumar, que entretanto adormecera.
 
 
 
Carl Norac
Akli-Prince du Désert
Paris, l’ecole des loisirs, 2006

A pedra no caminho


Perseverança
 
         Há capacidades que ficam por desenvolver devido à falta de perseverança. Os verdadeiros sucessos são feitos de esforços, de desilusões, de novas tentativas e, por vezes, de muitos sacrifícios. Se as diversões forem colocadas em primeiro lugar, é provável que os frutos a colher se tornem bastante amargos.
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1BA pedra no caminho
 
Conta-se a lenda de um rei que viveu há muitos anos num país para lá dos mares. Era muito sábio e não poupava esforços para inculcar bons hábitos nos seus súbditos. Frequentemente, fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo se destinava a ensinar o povo a ser trabalhador e prudente.
— Nada de bom pode vir a uma nação — dizia ele — cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas. Deus concede os seus dons a quem trata dos problemas por conta própria.
Uma noite, enquanto todos dormiam, pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois, foi esconder-se atrás de uma cerca e esperou para ver o que acontecia.
Primeiro, veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que ele levava para a moagem.
— Onde já se viu tamanho descuido? — disse ele contrariado, enquanto desviava a sua parelha e contornava a pedra. — Por que motivo esses preguiçosos não mandam retirar a pedra da estrada?
E continuou a reclamar sobre a inutilidade dos outros, sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.
Logo depois surgiu a cantar um jovem soldado. A longa pluma do seu quépi ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia-lhe à cintura. Ele pensava na extraordinária coragem que revelaria na guerra.
O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e estatelou-se no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou na espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam deixado uma pedra enorme na estrada. Também ele se afastou então, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.
Assim correu o dia. Todos os que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém lhe tocava.
Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro passou por lá. Era muito trabalhadora e estava cansada, pois desde cedo andara ocupada no moinho. Mas disse consigo própria: “Já está quase a escurecer e de noite, alguém pode tropeçar nesta pedra e ferir-se gravemente. Vou tirá-la do caminho.”
E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra. Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: “Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.” Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro. A filha do moleiro foi para casa com o coração cheio de alegria. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local onde se encontrava a pedra. Revolveram com os pés o pó da estrada, na esperança de encontrarem um pedaço de ouro.
— Meus amigos — disse o rei — com frequência encontramos obstáculos e fardos no nosso caminho. Podemos, se assim preferirmos, reclamar alto e bom som enquanto nos desviamos deles, ou podemos retirá-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.
Então, o sábio rei montou no seu cavalo e, dando delicadamente as boas-noites, retirou-se.
 
 
William J. Bennett
O Livro das Virtudes II
Editora Nova Fronteira, 1996
Adaptação
 
 

Quase me bateu


Paciência
A cólera obscurece a mente e impede o raciocínio. Cria situações insustentáveis, das quais todos saem prejudicados. A paciência é uma virtude fundamental, que se deve pôr em prática diariamente, porque as contrariedades são inevitáveis e é um erro perder-se a compostura por causa delas.
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Quase me bateu
 
Esta história começa em 1947. Era um belo dia de Primavera e encontrava-me na Florida a lavrar um campo para um amigo. Fora objector de consciência durante a Segunda Guerra Mundial e estava muito feliz por voltar a casa e ao trabalho do campo, a que já me dedicava antes da guerra.
Um grupo de condenados trabalhava numa conduta de esgotos numa das extremidades do campo. Parei perto do matagal que rodeava aquele lado do campo e ajoelhei-me para arranjar e olear o arado. Enquanto deitava óleo, ouvi um ruído que me fez olhar para cima. Dos arbustos surgiu um homem. Vestia a farda às riscas pretas e brancas dos condenados. Carregava aos ombros uma moca pesada que parecia o cabo de uma ferramenta.
Parou a poucos metros de mim e as primeiras palavras que disse foram:
― Preciso muito de dinheiro e vou levar tudo o que você tiver.
Compreendi imediatamente que não podia fugir nem lutar com ele. Com a moca quase em cima da minha cabeça, não teria qualquer hipótese. Por isso, fiz o que ele menos esperava. Olhei-o nos olhos.
― Se precisa assim tanto de ajuda, porque não o diz? Ninguém precisa de se magoar.
Continuei a olear o arado. Ele ficou especado e, em seguida, baixou a moca. Quando o fez, disse-lhe:
― Com que então vai fugir? Tem consciência de que vai ser um homem procurado?
Respondeu que sim, mas que os capatazes eram maus. Falámos mais alguns minutos enquanto eu oleava e arranjava o arado. De repente, deixou cair a moca.
― Ganhou ― concedeu. ― Vou voltar.
Deu meia volta e, sem dizer palavra, desapareceu no meio dos arbustos.
Depois de dar graças pela força e pela orientação que recebera, liguei o tractor e continuei o trabalho. Sempre que me dirigia para aquele lado do campo onde se encontravam os condenados, tentava ver se o homem estava com eles, mas era demasiado longe para ter a certeza. Supus que tinha sido a última vez que o vira, mas enganava-me.
A segunda parte desta história tem lugar muitos anos mais tarde. Pusera de parte a agricultura e tornara-me Director do Clube de Rapazes da minha terra: Jacksonville, na Florida. Uma noite vinha de uma reunião, ansioso por chegar a casa. Mesmo antes de um cruzamento, dois carros chocaram de frente. À medida que me aproximava, vi os dois condutores, aparentemente sem ferimentos, saírem dos carros e correrem um para o outro, de punhos em riste. Um deles caiu por terra e o outro, furioso, começou a pontapeá-lo e a bater-lhe com uma chave-inglesa.
Tive a forte tentação de dar meia volta em direcção a casa, mas as palavras surgiram-me muito claras: “Não, Calhoun! Tens de parar e ajudar!” Por isso, um pouco contra a vontade, pensei no que poderia fazer: não havia tempo para ir à procura de um telefone e chamar a polícia. O homem morreria rapidamente se os pontapés e os murros não parassem.
De novo, a pequena voz interior falou: “És forte e os teus músculos não te foram dados só para o desporto. Age depressa!”
Saltei para fora do carro e atravessei o curto espaço entre mim e os dois homens: um inconsciente no passeio, o outro persistindo no seu ataque enraivecido. Pus-me atrás deste, iluminado apenas pela ténue luz de uma estação de serviço próxima. Antes que ele se apercebesse, agarrei-o pelos braços, puxando-os para os lados. Ofereceu resistência mas eu mantive-me firme. Tropeçámos no passeio e caímos perto do outro homem inconsciente. Continuei a fazer força. Não lhe bati nem lhe provoquei qualquer ferimento. Em breve, apareceu um homem da estação de serviço e ofereceu ajuda. Pedi-lhe que chamasse a polícia.
A polícia chegou rapidamente. Eu continuava a agarrar o homem que se debatia e me chamava nomes nada elogiosos. O outro continuava inconsciente. A polícia trouxe algemas e estavam quase a algemar-me quando expliquei o que se passara. Agradeceram o meu gesto e deixaram-me ir para casa, para junto da minha mulher, que entretanto se perguntava por que razão demorava eu tanto. Depois de me ter vindo embora, dei-me conta de que, naquela noite escura, não tinha olhado para a cara de nenhum dos homens, o que lamentei.
A história também não termina aqui. Muitos anos mais tarde, estava a fazer voluntariado no hospital psiquiátrico da região, ajudando nas actividades lúdicas, quando, um dia, uma funcionária telefonou para me dizer que um antigo doente a tinha contactado. Chamava-se George Harris e tinha-me reconhecido no hospital. Assegurei-lhe que não conhecia nenhum George Harris, mas ele tinha-lhe dito que era o condenado fugitivo que me ameaçara naquele campo. E que era também o condutor que batera no outro homem e que o teria morto se eu não o tivesse feito parar. Se não tivesse sido eu, ele ter-se-ia tornado um assassino.
Depois disso, sofrera um esgotamento cerebral e ficara no hospital psiquiátrico durante algum tempo. Quando saiu, foi trabalhar e começou a poupar dinheiro. Agora, queria enviar-me um presente pelo correio. A funcionária tentou convencê-lo a vir trazê-lo pessoalmente, mas ele não quis. Por isso, uns dias mais tarde, passei pelo escritório dela. Quando abrimos a encomenda, vimos um relógio Bulova que, ainda hoje, vinte anos volvidos, funciona perfeitamente.
Pensei que seria este o final da história, mas não. Embora tenha mudado muitas vezes de casa, George Harris não perdeu as minhas coordenadas. Escrevia a dizer-me que estava bem e mandou-me vários presentes – um belo banco de carpinteiro, um par de botas em couro e um relógio Hamilton, da colecção “Railway Special”. Escrevi sempre de volta, a agradecer-lhe, para o apartado que vinha nas encomendas.
Nunca respondeu às minhas cartas, mas, um dia, quando estava a construir uma chaminé na Carolina do Norte, apareceu um carro com matrícula da Virgínia. O condutor dirigiu-se a mim e perguntou:
― É Cal Geiger, não é?
― Sim ― disse. ― Quem é o senhor?
― O meu nome é George Harris.
Contou-me que estudara e se tornara professor. Tinha mulher e dois filhos. Agora estava bastante doente e queria ver-me e agradecer-me pessoalmente, antes de morrer. Voltou para o carro e partiu.
 
Sei que o que se diz e o que se faz podem fazer a diferença. Fiz a diferença para George Harris, mas também fiz a diferença para mim próprio. Quando penso em toda esta história e no que significou para mim, sinto uma enorme gratidão por ter conhecido George Harris.
Calhoun Geiger
 
M. Clark; E. Briggs; C. Passmore
Lighting candles in the dark
Philadelphia, FGC, 2001