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Sunday, October 10, 2010

Lusaka 1974


membros_mplaEstudar, analisar e reflectir seriamente, as razões e causas que levaram a realização do congresso de Lusaka de 1974 , deve constituir preocupação de todos os delegados ao 5º congresso do MPLA /2004- de igual modo devem reflectir sobre o resultado final do 4º congresso -1998.- avaliar efeitos positivos e negativos no desenvolvimento social de angola.
OS CONGRESSOS DO MPLA
O Congresso de Lusaka foi o único verdadeiro Congresso do MPLA. O único onde o debate contraditório e a possibilidade duma nova liderança estiveram presentes. A pluralidade de opções conceptuais de exercício de poder, a presença de três candidaturas diferentes, e uma larga plêiade de militantes dispostos a defenderem o seu ponto de vista consubstanciaram os ingredientes necessários para um fecundo debate. Lusaka é assim o reino maior de discussão descomplexada da história dos camaradas.
O malogrado do mesmo teve consequências desastrosas para o partido dos camaradas, e para o País que há-de herdar a liderança dos mesmos. Reduziu a crítica ao eco, os críticos ao exílio, os intelectuais ao ostracismo, os diferentes a suspeição, permanente.
A história crítica dos Congressos dos camaradas, quase 30 anos depois de Lusaka adquire uma importância capital com o advento do novo paradigma que o País vive com o fim da guerra e a realidade da Paz. Muitas das questões ali discutidas continuam, infelizmente, com uma actualidade impressionante tais como o Presidencialismo, as tendências no seio do partido, a democraticidade interna, etc.
O Congresso de Lusaka pode ser assim definido como o Congresso da legitimidade.
O CONTEXTO
O mundo vivia em guerra fria. Em África o nacionalismo tornara-se uma escola. Em Portugal depois da queda do ditador Salazar, Caetano seria desalojado pelo MFA (Movimento das Forças Armadas), que reinavam apesar das intestinas lutas pelo poder no seu seio. A Guiné estava independente, Moçambique ia festejar a sua independência. Em angola colocava-se a questão da unidade dos três movimentos. A UNITA sofria os efeitos devastadores da carta de Arquivo de Bragança publicada na revista "Jeune Afrique". A FNLA e o MPLA tinham assinado um acordo, mas nada disso se concretizou na prática. Em 8 de Junho de 1974, é assinado um acordo de princípio, entre representante da três tendências do MPLA sob batuta dos 1ºs ministros do Congo e da Zâmbia, e que fixava a sua igualdade de estatuto. Este acordo marcara o Congresso para 21 deste mês na capital zambiana. Todavia, por motivos vários, o Congresso teve que ser protelado 1º para 28 de Junho e depois para 8 de Agosto de 1974. No entanto tal só veio a acontecer entre 12/8/ a 29/8/1974.
OS PROTOGONISTAS
JOAQUIM PINTO DE ANDRADE
(PRESIDENTE DE HONRA DO MPLA)
Estudante em Lisboa em 1950, forma-se em Roma em teologia tornando-se padre. O seu nome é uma verdadeira lenda do nacionalismo angolano, tal como Mário Pinto de Andrade, seu irmão (de que falaremos noutra altura). A relação com as letras, o amor ao conhecimento, a profundidade do respeito pelo outro, o amor a nação são marcas fortes dum caminho escrito com letras de ouro nas masmorras da intolerância colonial e pós- colonial. Joaquim Pinto de Andrade possui a autoridade dos sábios, a perspectiva dos visionários. A escolha par presidente de honra do MPLA é sinónimo do enorme prestígio que granjeara e da dimensão humana que possui. Dificilmente se encontrará no nacionalismo angolano um homem com os seus valores humanos, com a sua métrica filosófica, com o seu legado fraterno. Joaquim Pinto de Andrade é uma pedra viva da nação angolana que com dor ajudou a erguer, o seu rasto é um caminho livre num tempo que se quer novo.
AGOSTINHO NETO
(PRESIDENTE EM EXERCÍCIO)
Foi, talvez o mais prestigiado nacionalista angolano conhecido no mundo. O seu passado era lendário. Estivera inúmeras vezes preso pela PIDE. Fora eleito preso do ano pela amnistia internacional, recebido pelo papa, com Cabral e Marcelino dos santos. A sua poesia era a expressão maior da liberdade do negro, da emancipação dum povo, aliás, é Neto quem introduziu a Negritude no universo da poesia africana de expressão portuguesa. Formado em medicina Neto era um verdadeiro mito, à realidade de que a independência era possível. O casamento com uma mulher branca era visto como uma faca de dois gumes: por um lado cimentara no Ocidente o seu cunho de humanista, por outro lado, criara uma desconfiança de morte nos seus irmãos africanos, cimentando-lhe a assimilação de uma cultura exterior a África. É Agostinho Neto depois do malogrado do Congresso e do malogrado do acordo de Brazzaville, que o mantinha presidente do Movimento, com Joaquim Pinto de Andrade e Daniel Chipenda, como vices - presidentes, que irá depois da Conferência Inter-regional de Militantes (CIRM) assinar com as autoridades portuguesas em Outubro de 1974, o acordo de fim de hostilidades, antecâmara dos acordos de Alvor preâmbulo da independência nacional.
DANIEL CHIPENDA
(PRESIDENTE ELEITO EM LUSAKA)
Daniel Júlio Chipenda, filho de um pastor da Igreja Evangélica Congregacional de Benguela, aderiu ao MPLA em Portugal onde fazia estudos superiores na Universidade de Coimbra, notabilizando-se na Associação Académica de Coimbra, como conceituado futebolista. Fugido de Portugal em 1962, Chipenda chega ao Congo -
Leopoldville onde trabalha no Departamento de Organização e Quadros com Lúcio Lara antes de assumir a direcção da JMPLA que foi dos principais dinamizadores.
Chipenda, é sem sombra de dúvidas, dos nomes mais importantes do nacionalismo angolano. Orador fabuloso, comandante temerário, Daniel Chipenda faz parte dos anais da história de Angola. Ao opor-se à liderança de Neto, Daniel Chipenda durante muito tempo trilhou um caminho atribulado, que o coroou com a sua célebre facção Chipenda, que possuía uma estratégia própria, apesar de estar colada à FNLA de Holden Roberto.
Foi um dos protagonistas do Congresso de Lusaka, tendo sido eleito neste conclave, depois do abandono de Neto, na votação que se seguiu presidente dos camaradas. Imprimindo a sua visão prospectiva numa dinâmica que recusou sempre a inevitabilidade das coisas, Daniel Chipenda continuou com o Congresso elegendo-se presidente dos camaradas, e tendo o pico mais alto do seu efémero reinado como presidente do MPLA, com o beneplácito de Mobutu, pela mão de Holden Roberto, Ter-se encontrado com o general António de Spínola então presidente da Junta de Salvação Nacional em Portugal, em Cabo - Verde.
O QUE ESTAVA EM JOGO
Em qualquer disputa partidária o 1º factor em jogo é o poder. A política pode ser definida como a luta pelo poder, por meios pacíficos e legais. Os Congressos são a maior expressão deste jogo dentro dos partidos. Mais do que qualquer outro adjectivo em Lusaka estava em jogo a legitimidade dos actores em conflito. Lusaka era indubitavelmente o Congresso da legitimidade. Uma legitimidade que as várias correntes do MPLA esgrimiam.
Qual dos três MPLA's era o mais legítimo? Qual deles encarnava as verdadeiras aspirações das massas populares? Qual tinha condições de assegurar um futuro mais seguro em prol de defesa dos interesses e da cosmovisão de Angola na visão dos camaradas?...
O Congresso de Lusaka discutia não só a liderança do MPLA, mas também as formas de exercício do poder dentro do MPLA. O facto de haver três correntes perfeitamente identificadas, com apoiantes e líderes que se batiam pelas sua razões, é demonstrativo da importância deste Congresso.
O exercício do poder pela direcção da «Ala Presidencialista» era posta em causa; o presidencialismo de Neto era o melhor eufemismo utilizado pelos seus opositores para o tratarem de ditador.
Além disso havia ainda o preso da história. Quer dizer, muitos dos elementos da Revolta Activa eram os pais fundadores do movimento, foram eles que tinham dado à luz a um amplo movimento de ideias, com um certo ar fraternal e até familiar, como se pode observar nas actas dos 1º comités directores do MPLA, e subitamente viam-se completamente afastados das grandes tomadas de decisão do movimento, não reconhecendo aos novos dirigentes "know how" suficiente para os que pudessem dirigir. Por outro lado, criam que a forma, o modelo de perspectiva do MPLA estava adulterado, perdendo-se o humanismo que, criam, devia caracterizar a postura dum movimento de libertação. Era aqui que apontavam os fuzileiros de companheiros e outros atropelos como uma vergonha e uma fuga à linha do MPLA, de que se julgavam os fieis detentores.
A grande questão em jogo para a Revolta Activa era a estratégia e os métodos de actuação, bem como os actores que implementavam tal política. Era preciso acabar com o dickat presidencial podia ler-se no "Apelo": todas as instituições do MPLA reduzem-se actualmente ao presidencialismo absoluto.
Tal poder paralisa os quadros e os militantes, destrói as estruturas, desorganiza a planificação das tarefas e a correspondente execução. Entre toda a massa de militantes e quadros, só uma pessoa, o Presidente, conhece a proveniência e o montante dos fundos da Organização e dispõe deles sem qualquer controle legal.
O presidencialismo fez do Movimento um instrumento de cobiça do poder e instalou uma obediência incondicional e uma disciplina caga. Conduziu à concentração de todos os poderes nas mãos do presidente, encorajou o desenvolvimento de teses populistas e fez do Comité Director uma simples instância de registo, submissa à aprovação passiva das suas decisões (...).
As relações externas do movimento dependem do arbítrio presidencial. A escolha dos amigos, aliados e adversários do Movimento não segue qualquer linha lógica de diferenciação, estando reduzida a uma simples questão de capricho individual.
(...) As instâncias da organização encontram-se praticamente inutilizáveis, porque o decreto presidencial - a ordem de serviço - rege tudo. (...) Mesmo as mais pequenas questões de intendência são objecto de decreto presidencial.
(...) O carisma presidencial é tal que a sua crítica é assimilada a crimes de alta traição.
(...) No momento presente, a tarefa fundamental consiste primeiramente em lutar pelo restabelecimento dos princípios políticos do Movimento e pela democracia no seio da Organização, exigindo a realização do 1º Congresso nacional do MPLA para correcção dos erros, o reajuste da linha política, o regresso à direcção colectiva, e em segundo lugar, lutar com determinação pela realização da mais ampla Frente Unida de Independência Nacional".
A 2ª tese de contestação era encabeçada por Daniel Chipenda, e era fruto das inúmeras provações porque passavam os combatentes nas matas e que não pareciam merecer da direcção do movimento uma atitude de verdadeira preocupação.
O fosso entre a direcção e as bases era a mola impulsionadora deste descontentamento, que tinha raízes na "Rebelião da Jibóia", de Dezembro de 1969, protagonizada por Kwata Mitwé, também chamado de Jibóia, que entretanto se unira a Daniel Chipenda.
A direcção possuía na relação com as bases um autismo confrangedor, e os homens do gatinho, os comandantes mais intrépidos, consideravam que ela tinha perdido com esta atitude qualquer legitimidade de os representar, salvo por um membro que aos olhos da base representasse simultaneamente, uma distinção intelectual reconhecida e uma militância real junto das dificuldades das bases. Este homem era Daniel Chipenda, que abandonara o conforto da Europa para lutar pela liberdade do seu povo.
O divórcio entre a direcção e as bases era abissal, e nem o Movimento de Reajustamento (1972 - 1974) tinha conseguido dirimir o fosso que se acentuava dia após dia. A insatisfação das bases era uma realidade.
Em perspectiva estavam três posições em disputa: a Revolta do Leste, que em função das condições objectivas da luta reivindicava mudanças na direcção, disputando através de Daniel Chipenda, respeitado comandante, um lugar ao sol (força); a Revolta Activa" que procurava através da emergência duma nova concepção, fruto das mudanças que se avizinhavam, criar um discurso e um pensamento abrangentes que não se esgotava no MPLA, mas tinha na nação o reencontro da família angolana, daí a necessidade da criação duma frente unida com os outros movimentos (pensamentos); a e Ala Presidencialista, que defendia o "status quo" vigente, fazendo do situacionismo o seu melhor elemento justificador e do aparelho que dominava a sua força (aparelho).
O VENCEDOR DO CONGRESSO
O grande vencedor do Congresso foi indiscutivelmente, Alves Bernardo Baptista, "Nito Alves" o furacão que apaixonou Lusaka. Pleno de razões, repleto de convicções, os congressistas nunca mais esqueceram o jovem maquisard da 1ª região, que com apenas 29 anos, fora o amuleto de sustentação teórica de Agostinho Neto.
O verbo fácil, o olhar decidido, a voz firme, fizeram com que o autodidacta e comissário político da 1ª região livrasse Agostinho Neto duma derrota humilde, que culminou no abandono da reunião magna dos camaradas. Mas a forma eloquente como se elevou ao nível dos renomados intelectuais, que eram os homens da revolta activa, foram os grandes élans que o catapultaram para a história do MPLA quem assistiu ao congresso nunca mais o esqueceu. Nito Alves agigantou-se a dimensão dos grandes líderes, no meio duma arena de autênticos felinos, lançando sementes para um futuro promissor, e conquistando junto dos delegados uma plêiade de acólitos que o seguiriam para outros voos.
Mas a vitória de Nito Alves não se esgota na qualidade oratória, que indubitavelmente possuía. O conteúdo do discurso de Nito Alves era o complemento substantivo da eloquência que possuía. Um discurso cuidado, profundo, sustentado. Nito Alves foi o maior orador da história dos camaradas.
O cargo de ministro de administração interna que há-de conquistar no 1º governo da República Popular de Angola foi corolário deste fulminante brilhantismo.
Nito Alves foi o único dos protagonistas, que ao rebater as práticas em discussão, subitamente introduziu a questão ideológica como pano de fundo, essencial numa altura em que a definição da matriz metafísica de composição do MPLA era fundamental. A ideologia era o alimento que devia sustentar as acções subsequentes, a teorização conceptual dum modelo societal em que os militantes se deviam rever. Foi este discurso ousado duma dimensão intemporal que colocou Nito como a maior estrela do firmamento dum MPLA fraccionado.
A legitimidade patriótica era definida por Nito Alves com sangue, atacando com virulência sobretudo a revolta activa, por quem nutria profundo desprezo por aquilo que considerava ser um discurso inócuo, uma teoria sem prática, uma altivez desmedida que considerava fruto de privilégios que outros Angolanos não possuíam. Nito Alves não lhes reconhecia legitimidade.
«... Que bom, do exterior e no exterior do país, formular com facilidade da escrita a crítica subjectiva a quem faz a guerra de libertação Nacional; Como é bom, á distancia do fogo dos acontecimentos, completamente fora deles e mesmo quando os factos se acham deslocados no tempo ,tentar julgar aqueles que, com o seu suor, tentam cumprir simplesmente o seu objectivo: O de libertar a Pátria ,ainda que com o sacrifício da sua própria vida.
«...Quando se sabe que os intelectuais que o fabricaram há muito tempo assinaram unilateralmente o seu divórcio com a guerra revolucionaria Angolana.
«...Como dar razão ao espectro do oportunismo da revolta activa e seus asseclas, quando se sabe que os seus ideólogos mais experimentados
Têm um pavor incrível, um medo até infernal de ver uma arma ou ir a guerra, apresentado os mais estranhos pretextos? Como havemos de denominar revolucionários uma força revisionista e grupos afins que aparecem á luz do cenário político Angolano com benesses do golpe de Estado de 25 de Abril em Portugal ?...»
Era já antecâmara da feroz e cruel repressão que Nito Alves vai encabeçar mais tarde, no pós independência, como ministro da Administração interna ,contra os elementos da revolta activa.
O fim do seu discurso, elegantemente convidativo, era a confirmação disto mesmo, de que para si a legitimidade da revolta activa era duvidosa. As palavras do comandante Nito eram claras: " Estou aberto a um franco e profundo debate de natureza ideológica neste congresso. Entretanto se o meu interlocutor for uma elemento da revolta activa, exijo que a legitimidade da sua argumentação decorra da seguinte premissa fundamental:
•Que me diga onde ele tem estado durante os treze anos e mais das nossas guerrilhas e o que fez consequentemente, no plano concreto em prol da revolução Angolana.
AS GRANDES LIÇÕES DO CONGRESSO DE LUSAKA
A 1ª grande lição do Congresso de Lusaka foi o nascimento da intolerância entre os camaradas. Apartir daí o partido dos camaradas nunca soube conviver no seu seio com diferença, com correntes de opinião diferentes Lusaka foi o embrião emergente do reino da e exclusão o abandono de Agostinho Neto ou da delegação presidencialista do conclave, é a metáfora fundadora do reino da intolerância. A história irá, paulatinamente, cimentar esta corrente de diálogo, a prevalência do monólogo entre colegas, a afirmação da força no seio dos camaradas. O 27 de Maio de 1977 será o fermento da teoria da exclusão entre os camaradas. Outra das grandes lições do Congresso de Lusaka é o nascimento da desinformação. "A revolta activa" e Daniel Chipenda sofreram uma série de rótulos, que se irão tornar dominantes na futura República Popular de Angola.
Qualquer tentativa interna de contestação que não fosse coordenada por indivíduos assimilados,membros de oligarquias dominantes, por membros que não pertencessem ao partido dos camaradas era rotulada pejorativamente de tribal. Isto é, sem sustentação teórica real, sem uma conceptualização moderna, mas arcaica ,redutora. O nacionalismo tinha sido reduzido á exclusividade do MPLA. A FNLA e a UNITA foram as maiores vítimas deste conceito, mas até Daniel Chipenda ( Umbundu ) que nunca se aliou á UNITA , e que tinha uma relação de competição exacerbada que roçava a aversão pessoal com Savimbi, foi catalogado com o respectivo epíteto, pelo simples facto de discordar do modelo vigente e encabeçar uma contestação legítima porque fundamentada em aspirações de militantes.
A emergência da desinformação foi a responsável pelo maior sofisma da historia de ANGOLA. « O MPLA é o povo. O povo é o MPLA » , A NEGAÇÃO DA PLURALIDADE DO PAÍS, A ASCENSÃO DA PRISÃO DAS IDEIAS INDIVIDUAIS.
No entanto não devemos deixar de frisar que a vitoria da " Ala Presidencialista " foi também o corte com cordão umbilical Africano. Daí em diante a cátedra social, escolar ou universitária ANGOLANA IGNOROU OU SUBVALORIZOU COMPLETAMENTE O PATRIMÓNIO CULTURAL Africano. Exceptuando alguma vertente cultural afro- lusófona em alguns textos escolares, a realidade africana foi para o comum dos angolanos passando completamente ao lado. A África para a maior dos sujeitos inseridos no sistema escolar e no universo Estatal parecia ser uma miragem, ser um continente distante, um lugar diferente, quase raras vezes, (excepção ao desporto e algumas actividades musicais) sentia-se um divórcio entre o País e o continente.
Os nomes sonantes de Cheik Anta Diop ou Chinua Achebe, Luthuli ou Steve Biko, fela Nkuti ou Miriam makeba, revista Presence Africane ou Jeune Afrique, universidade de makarere ou o célebro Kilimandjaro, etc., ou seja, os nomes de locais, objectos, pessoas, (exceptuando os políticos que nos chegavam via noticiários) foram completamente engolidos pela concepção duma independência tipo rodesiana, que os vencedores de Lusaka instruíram: uma Angola diferente, nova, autónoma de Portugal, mas nunca suficientemente africana para se perder orgulhosamente nas cores do continente. As relações entre os Estado sobrepuseram-se às relações entre povos, confundiam-se a cultura com a tradição, casou-se a retórica fútil com a prática estereotipada em algumas efemérides e festividades regadas com música, desporto ou artes. A África tornou-se um devaneio exótico para os angolanos, perdidos num limbo ideológico e uma inferioridade tropicalista amplamente difundida e fortemente defendida.
A recente declaração de João Lourenço, secretário geral do partido dos camaradas, que afirmava ao alto e bom som, que «não tinha tribo» é um eloquente indicador desta concepção societal. A instituição da exclusão, a proscriação da diferença em Lusaka marca também o início do afastamento dos "intelectuais livres" no seio do partido dos camaradas. O MPLA num ápice abdicou do contributo dos homens que, com a sua sapiência, constituíam-se mais valias fecundaspara o partido dos camaradas, fonte de renovação permanente do conhecimento. A expressão de Mário Pinto de Andrade de que se «ia oferecer a África» é prova da impossibilidade do diálogo entre os camaradas. O advento dos "intelectuais herméticos" e da escola do partido será uma questão de tempo. A crítica construtiva dava lugar à mortal autocrítica, veneno sem cura no seio dos camaradas, o policiamento das ideias será o novo cânone, os exílios serão uma lavra fértil com colheitas regulares, com sementes de dor. Muita dor.
Angola24horas.com

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Abililo da MPLA-
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O MPLA é o melhor partido de Angola
Dr mandavid
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Durante a minha permanencia em Lisboa como estudante, havia vozes que diziam:- Angola é o pais Africano de lingua Portuguesa que terá mais problemas antes e depois da sua indepedencia, por ter mais homems cultos e imtelectuais. Cheguei no Congo, e a luta era intensa entre aqueles que estudaram e acabaram os seus cursos superiores e lecenciaram. Chipenda no fundo foi o primeiro Savimbi, porque se a malta se lembrar, foi ele que começou a matar o povo primeiro na frente leste e matou muitos comndantes do MPLA em 1975 com a falção chipenda, Por exemplo, foi as suas tropas que mataram o comandante Valodia e o comandante Gika. Os xongressos do MPLA, foi sempre sabotados por aqueles que sempre pensaram em trair os prencipios que nortearam a luta do povo Angolano. Dou um grande exemplo. O Alves Bernardo Baptista, vulgo Nito Alves se precipitou e atirou-se contra as instituições do estado Angolano, praticando um golpe de estado e matando colegas do proprio partido. Ele foi causador da morte de grandes jogadores do Progresso do Sambizanga e grandes cantores da nossa praça. Quem causou a morte do David Zé, Ubano de Castro? É preciso saber que é nos congressos onde começa a luta pelo poder, mais não devemos pensar como Savimbi, que matava os quadros para melhor dirigir os burros da unita entre eles Lukamba Gato, Kamlata Numa, Alcides Sakala, Adalberto da Costa Junior, Isaias Samakova, Daniel Maluta e tantos outros imbecis que cumpriram ordens do Savimbi para matar e queimar pessoas inocentes. Queremos uma Angola livre de pensamento retogrades, porque tudo que esté articulista escreve, faz parte da historia e nada mais. Termino dizendo o que disse no prencipio:- Quanto mais intelectuais, mais pragmatismo e nunca ideias linear então a contradição.O Antagonismo é bom, quando as pessoas não pensa so no poder, se não é a descordia e a violencia. Por isso que a FNLA, UNITA, facção Chipenda perderam e nunca mais se
Ne Kongo
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Francamente Mandevid! Eu nem poço te chamar de Doutor até porque ninguém sabe se és doutorado em quê! Mas lendo os teus comentários, chego a conclusão de que, és doutorado em limpar quartos de banhos (WC). nem chegou de estudar lá no vosso Portugal a onde todos são doutores de limpar kaka porque te lendo, eis mesmo um imbecil da primeira classe. Se calhar não es angolano, se eis, é da aquela lambe botas que esperam que um dia o Zé Du lhe recompensa pelo fanatismo. Elogía o Zé Du como se foce Deus dos angolanos. Seu matumbo bandas do mpla atrasados de mente. Colocam fotos do Presidente nos sítios que nem lhe diz respeito: nos Estádios e até mesmo na exposição da China 2010. Quantas fotografias viram de Presidentes de outros Países? Lá vê mesmo o limite de capacidade. de discernimento queres acusar Dr.. Savimbi de tudo e de nada. Se és mesmo um político assumido que defende a verdadeira causa, o bem dos angolanos e defende os direitos e a liberdade de expressão, qual é o teu argumento em relação dos jornais privados que são censurados quando querem publicar artigo que denuncia o presidente Ze du? Você com o teu Pai Ze Du qual é a lição moral que podem dar aos angolanos em relação a fuga de paternidade? Volta na escola seu burro de merda. Os homens que acabaste de citar que são burros: Savimbi, Lukamba Gato, Adalberto Da Costa Júnior e Maluca, não sabes que são mas intelectuais que o seu fanático presidente Ze Du? Para medirmos as capacidades de ze du, diz lhe que faça debates com os lideres da Oposição à quanto as próximas eleições gerais de 2012. Sabe se quantas vezes o Malogrado Mfulumpinga Nlandu Victor lhe pediu para debate democrático? Ainda tem a ousadia de falar em Democracia? Sua banda de Comunistas. Esperam só, o vosso reino está de contar! Espero que tenha juízo até lá. És de aqueles Mpla mesmo de zero classe porque lendo este artigo, entende-se melhor o porque a atitude do MPLA de hoje. Bandas de separatistas para melhor reinar !!!!!!!!!!!!!

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