Total Pageviews

There was an error in this gadget

Friday, October 29, 2010

Os Antigos Combatentes e o Estado da Nação

Africa è um continente de fortes e ancestrais costumes, tradições e convicções ìmpares e ‘sui-generis’, em Africa sempre se ensinou as novas gerações o respeito pelos ‘mais-velhos’ estes em função da idade ocuparam e ocupam na sociedade Africana um lugar de destaque nas reuniões do clã na gestão dos assuntos da comunidade...
Lembro-me que na minha meninice, não importa quem, quando um mais velho estivesse a passar nós (os meninos) tinhamos que nos pôr de pè e tirarmos o chapeu da cabeça (se o tivessemos), mesmo entre os meninos ao ‘mais-velho’ isto è ao que tivesse mais idade, chamavamos de mano ocupando um lugar de destaque no nosso seio, ao mais-velho que tivesse idade de ser nosso pai, chamavamos apropriadamente de papá e assim por diante , tudo isso reforçava a força moral da sociedade á todos os nìveis; na aldeia, na vila, na cidade enfim...
A Nação saiu sempre ganhando. Lembro-me que ás noites na aldeia, eram preenchidas de contos e histórias de feitos dos nossos antepassados, que todos nós tragavamos sôfregamente com os coraçõeszinhos ávidos a bater de forte emoção nos nossos peitos adolescentes, havia aqueles contadores de histórias que sabiam com mêstria e poder convincente do verbo e oratória, descrever o ‘ambiente e os actos’ colocando-nos assim no ‘teatro das operações’...sentiamos o chicote do colono a rasgar a nossa carne, quando o acto estava a ser descrito nesta área, corriamos com o personagem com os pès descalços nos espinhos dos matagais, sofriamos da mesma angustia do perseguido, por vezes libertando em unissono grito de dor com as faces molhadas de suor e lágrimas...estas histórias, contribuiram inegavelmente para a formação da nossa personalidade davam-nos força e coragem para compreendermos a necessidade de continuarmos com a Luta, e valorizarmos o sacrificio dos nossos antepassados e pioneiros da Luta pela Liberdade da Nação, aprendi desde muito cedo que Angola, nunca se vergou á ocupação colonialista e nunca parou de esgrimir a sua força e grito de Liberdade, atraves dos seus melhores filhos. Impressionou-me sobremaneira a actuação do velho Soba Kimuko, do Zenguel missão Católica que foi traido pelos seus irmãos de raça soldados ‘Flecha’ disfarçados de ‘combatentes da Liberdade’, encontrava-me de fêrias no Zenguel, quando as forças da PIDE o foram buscar na aldeia, Soba Kimuko, vergado pela força da Traição estava dolorosamente estupefacto, jovens-filhos da Pátria, puderam enganar um experimentado ancião que ansiava pela liberdade do seu povo, o peso da desilusão amargurou-o e entristeceu-lhe profundamente muito mais pelo facto de ‘ir preso’, subiu para o Land-Rover da Administração do Posto do Lombe torturado pelo facto de que alguns Angolanos, não interiorizaram o valor do dever sagrado da Libertação da Pátria (bem, esta è outra história)...
Não è sem razão, que em todo o mundo civilizado a história e o passado è enaltecido e dado a conhecer as gerações mais novas desde a sua meninice por outras palavras desde muito cedo, por exemplo Na Angola prè-independente, o poder colonial tentou emaranhar-nos na sua tenebrosa teia e tradição, tentando corromper-nos a alma, desgastando o nosso sentimento de angolanidade pelo ‘amor á patria Lusa’, há já algum tempo que o poder colonial tinha evoluido do poder do chicote para a psico-persuação, quem não se lembra, do titulo do livro de leitura da 3a classe “Caminhos Portugueses”?!... este livro(e outros tantos do gênero) foi cientificamente concebido para a inoculação do sentimento Luso, aos estudantes adolescentes Angolanos... uma das primeiras lições deste livro de leitura foi: ‘Orgulho-me de ser Português’ que tinhamos que recitar de côr e salteado eramos obrigados a conhecer todos os ‘herois portugueses’ e as suas façanhas que “desbravaram angola” para o alargamento e formação do impêrio colonial Português, desde Afonso Henriques, Diogo Cão, Paulo Dias de Novais, Paiva Couceiro, Serpa-Pinto etc. Etc. As instituições e edificios da administração colonial estavam sempre omnipresentes no nosso campo visual e raio auditivo, para não nos esquecermos ‘deles’; Liceu Salvador Correia,Escola Preparatoria e Secundaria Emidio Navarro, ponte Salazar, Bairro Salazar, cidade Slazar, Cerveira Pereira...etc.
Antes da minha geração, gerações anteriores compostos de homens e mulheres aguerridos, temerários e indomáveis ousaram ‘beliscar decisivamente’ o Golias colonial, eram apenas um punhado numa quase ‘missão impossivel’ a saber: o derrube do poder colonial em Angola, como não podia deixar de ser, na època tal façanha suscitou uma serie de emoções: incredulidade, estupefacção, assombro tudo junto,resultando na produção de uma sêrie de epìtetos para os que decidiram empreender a tal de missão impossivel; Loucos, visionários, suicidas e por fim TERRORISTAS ou simplesmente TURRA... de facto a proeza foi uma proeza de gigantes, o impêrio Português, estava dotado de uma capacidade militar á-toda prova, aviões sofisticados, armas modernas, canhões, marinha de guerra bem apetrechada e um bem equipado e treinado exercito, composto de tropas de infantaria, forças especiais (comandos,Fuzileiros e para-quedistas), e toda uma poderosa e bem estruturada economia a ‘trabalhar’ por e para a defesa do impêrio, “ afinal o que um punhado de pretos famintos miseraveis de tanga e descalços, poderiam fazer?!” se o Imperio Portugues, è um imperio que foi formado de bravos soldados que marchavam de peito aberto contra os Canhões?..
De facto o caminho não foi fácil, foi extremamente dificil muitos a caminho desistiram, entregando-se ao poder colonial, prestando-se a tarefas vìs e vergonhosas ‘montando armadilhas’ para apanhar traiçoeiramente outros angolanos, como aconteceu com o Nacionalista Soba Kimuko, outros preferiram integrar as sociedades dos Paìses que serviam de rectaguarda da Luta de Libertação, (Congo Zaire, Congo Brazzaville, Zambia) ainda outros preferiram ‘apanhar’ os previlêgios de bolsas de estudo e ‘refugiarem-se’ nas sumptuosas cidades da Europa e Amèrica...mas, um punhado resistiu aguentou e suportou todas as agruras da guerrilha, quem conheceu o poder e arrogância militar do poder colonial, sabe e pode imaginar que este não bateu mole nos membros da ‘missão impossivel’ o poder colonial bateu duro, foi impiedoso, tenebroso e destruidor, tudo isto aliado as enormes vicissitudes da mata e as descargas e manifestações imprevisiveis da natureza...de facto a missão não foi fácil, foi uma missão de GIGANTES.
Todos os membros da missão impossivel foram autênticos herois, a Nação deveria orgulhar-se destes homens e mulheres, os seus nomes deveriam estar inscritos em listas doiradas no Largo da Independência (todos eles), os nomes atribuidos a ruas, escolas, cidades, vilas etc, e os seus feitos ‘repetidos’ sempre que a oportunidade se revelasse, e não apenas no dia 11 de Novembro ou em datas Partidarias ou do Partido no Poder, a Luta de Libertação aglutinou homens e mulheres de varias convicções religiosas, tribos e Partidos...recuso-me convictamente a acreditar que foi só o MPLA, quem derrubou o poder colonial, vivi no Uige vi e ouvi quem com muita competência e muita determinação ‘bateu’ de forma contundente e sistematica contra o poder colonial (bem, esta tambem è outra história) Lembro-me de que os mais velhos quando nos inculcavam a necessidade de derrubar o poder colonial, citavam esta razão como a RAZÃO ùnica.
Atè HOJE, em Portugal os antigos soldados das chamadas colonias, recebem a sua devida pensão e outras compensações por participação na manutenção do Impêrio. em Outros Paìses da Europa, os combatentes sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, quase 60 anos depois do têrmino da segunda guerra mundial, ainda são venerados e tratados como Heróis. Nos EUA os antigos combatentes, têm um trato diferenciado com regalias reconhecidas pelos orgãos de soberania.
Uma boa parte dos jovens da minha geração contribuiu decisivamente para a etapa final da independencia de Angola, e destes jovens uma consideravel percentagem contribuiu para a ‘vitória’ do MPLA do conflito com os outros dois Movimentos de Libertação de Angola, a saber; FNLA e a UNITA, que se traduziu na Guerra civil, que teve lugar logo após a saida do poder colonial Português de Angola, este ultimo conflito durou cerca de 26 anos, a maior parte dos integrantes deste conflito por força da implementação de varios aspectos de varios acordos entre o MPLA e UNITA, integraram o ‘corpo de Antigos Combatentes’.
Quer os Antigos combatentes da primeira Luta de Libertação, os que derrotaram as Forças do poder colonial, (permitam-me compatriotas referir-me apenas as FAPLA, para melhor enquadrar o meu discurso) como os que participaram na chamada segunda Luta de Libertação os que estiveram directamente ligados a manutenção do Poder, pelo MPLA...foram unica e simplesmente abandonados e ostracizados pelos antigos camaradas, o seu feito isto è a proeza protagonizada pelos antigos combatentes não è nem nunca foram reconhecidos...hoje já nem se fala de comandantes LENDÁRIOS como Hojy-ya-Henda, Kwenha, Bomboko... em algumas escolas que levam ‘por acaso’ o nome destes heróis, os estudantes nem sequer ‘conhecem’ os Patronos nem tão pouco os seus feitos, por uma razão muito simples, NINGUÈM FALA DELES. Certa vez interpelei um estudante da Escola Tomaz Ferreira, perguntei-lhe quem era, e o que ele fez, para que o seu nome fosse atribuido a sua instituição escolar, respondeu-me exactamente assim: “ouvi que foi o primeiro administrador municpal...” fiquei escandalizado e perplexo, quando eu estava na idade do referido estudante que faço aqui menção, eu sabia de cor e salteado quem foi o patrono da minha instituição escolar, o cèlebre PAULO DIAS DE NOVAIS.
A maior razão da minha estupefacção, reside no facto de que a maior parte dos colegas e companheiros de Luta dos herois que aqui me refiro, ainda estão vivos e são os DIRIGENTES DE ANGOLA, mandaram simples e dolorosamente para as urtigas, a memória dos seus antigos companheiros de Luta e dos seus descendentes.Estes (os Dirigentes actuais) estão ávidamente ocupadissimos no exercicio egoìsta do primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, quarto... Tambèm eu, “quem morreu è burro” diz o cantor...mas ainda um razoavel numero dos herois da missão impossivel, ainda estão vivos...ou melhor estão mais mortos que vivos, porque estão desgraçadamente miseraveis e famintos, não puderam estudar para se formarem ou aumentarem/melhorarem o nìvel acadêmico, porque entregaram-se DE FACTO de corpo e alma nos beneficios da missão, acrediataram piamente nos discursos que alguns dos actuais dirigentes naquela altura, nas vestes de “comandante de guerrilha” ou de dirigente politico, lhes inculcou qual um verdadeiro ferro em brasa na mente, “vamos Libertar Angola para construir um Homem Novo, que se vai beneficiar das riquezas da Pátria...” agora estes ja na fase de 70-80 anos na sua maioria, vêm com olhos esbugalhados e a alma em farrapos, a hipocrisia violenta e sem pudor dos antigos companheiros.
No Lubango, em conversa com uma jovem dos seus 22-24 anos de idade, filha de um antigo combatente e conhecido Heroi, morto em combate nas terras do PIRI-QUIBAXE, se dirigiu ao antigo companheiro do seu Pai, a quem pediu ajuda para ‘amaciar’ as agruras da vida, na forma de emprego ou de um pequeno montante financeiro para iniciar um precário negocio de venda de Cerveja e outras Bebidas, o antigo companheiro do falecido pai, hoje garboso general de 3 estrelas, solicitou em troca favores sexuais, a uma menina que ele ‘pegou nos braços’ quando ela nasceu na localidade da Maria-Teresa.
“Têm que trabalhar, eu próprio trabalho” afirmou certa vez, numa entrevista o antigo guerrilheiro, e agora SG do MPLA, camarada Dino Matross... sinceramente que trabalho o seu antigo companheiro de Luta, analfabeto (por causa da revolução) vai fazer...todos gostariam de fazer o seu trabalho, camarada Dino Matross... alem do mais esqueceu-se propositadamente que existe em Angola, um desenfreado DESEMPREGO. Camaradas lembram-se do 4₀ ramo das Forças Armadas ( o apêndice, dos acordos do Luena?!...) quantos milhares de individuos ex-militares este ramo iria absorver?!... mandaram tambèm muito convenientemente para as urtigas tal plano, preferindo ‘importar’ os Chineses (que ja atingiram cerca de 200.000 individuos, a exercerem actividades ìmpares, tais como: vendedores de gindungo á motoristas assassinos) PORTUGUESES (voltaram á-toda força, re-ocupando as antigas propriedades dos pais e ávos, dizem que ja são cerca de 300.000, BRASILEIROS, SENEGALESES, MALIANOS, ZAIRENSES a maior parte deles vendedores de banha-de-cobra). Pergunto cadê o tal de quarto ramo das Forças Armadas ?!
Os antigos combatentes, hoje usufruem uma extremamente miseravel pensão mensal de Kz 10’000.00 (dez mil kwanzas) ainda assim com irregularidades, não pagam periódicamente, alguns meses são subtraidos (como aconteceu com os meses de Novembro e Dezembro 2009 incluindo o 13° mês), pagam a homens e mulheres que UM DIA DESPIRAM-SE DE TODO O PRECONCEITO E COMODIDADE, para morrerem pelo Paìs, permitiram-se a um sacrificio desumano e incrìvel, para que a classe de hoje usufruisse as magnancias do poder e do dinheiro, para que fosse possivel hoje o MPLA exercesse o PODER.
REALMENTE O SIGNIFICADO E A VERDADE DA HIPOCRISIA E DA INGRATIDÃO está subtendido nas seguintes iniciais: MPLA-JES.

No comments: