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Tuesday, November 02, 2010

Shégué, Príncipe da Rua

Shégué é um príncipe da rua.
Abandonado pelos pais desde a mais tenra idade, passa as noites dentro de uma caixa de cartão com os brinquedos que ele próprio fabrica.
Não é o único. Outros meninos, como o seu amigo Lokombe, vivem nas mesmas condições.
De manhã muito cedo, Lokombe acorda-o:
— Eh! Shégué! São horas da descarga, vamos, se não, já não encontramos nada.
Pelo caminho, os dois amigos ouvem os risos de alguns adultos que troçam deles.
— Cuidado, Lokombe! Não te magoes nas garrafas partidas, nas latas de conserva velhas e nos restos de frigoríficos enferrujados…
— Não te preocupes. Sei bem o que ando a fazer.
Mais à frente, empoleirado num carro velho, Shégué, com a ajuda de um alicate, um martelo e um cinzel, recupera pedaços de chapa e fio eléctrico. Sabe do que precisa para fazer brinquedos.
Apesar do terrível calor do meio-dia, os dois amigos lá conseguem arranjar uma grande quantidade de material. Há bastante tempo que estão a esticar com cuidado os fios de arame em cima de uma pedra lisa.
— Cuidado, Lokombe! Não te magoes nas garrafas partidas, nas latas de conserva velhas e nos restos de frigoríficos enferrujados…
— Não te preocupes. Sei bem o que ando a fazer.
Mais à frente, empoleirado num carro velho, Shégué, com a ajuda de um alicate, um martelo e um cinzel, recupera pedaços de chapa e fio eléctrico. Sabe do que precisa para fazer brinquedos.
Apesar do terrível calor do meio-dia, os dois amigos lá conseguem arranjar uma grande quantidade de material. Há bastante tempo que estão a esticar com cuidado os fios de arame em cima de uma pedra lisa.
Tia molende yo ko zua, tia molende, tia molende yo ko zua* [Não desistas, hás-de alcançar o que desejas,/ Não desistas, hás-de alcançar o que desejas.] canta Shégué com todo o entusiasmo, enquanto constrói primeiro um avião, depois um carro e a seguir uma moto.
— Ah! Se eu pudesse fazer aviões a sério, motas a sério e carros a sério… — sonha ele – seria muito, muito rico!
Mal acabam o trabalho, Shégué e Lokombe vão a correr para o mercado para venderem os brinquedos.
Têm de esperar muito tempo, de estômago vazio.
Por fim, lá vem um cliente, depois outro: os brinquedos de Shégué são todos comprados.
É dinheiro bem merecido, que vai servir para arranjar comida. Mas, a poucos passos dali, uns vadios vigiam as vendas… Três sombras aproximam-se de Shégué:
— Hoje é o teu fim! — diz-lhe uma voz.
Os agressores querem roubar-lhe o dinheiro. Com sorte, Shégué consegue escapar. Corre, corre até não poder mais. Que susto!
Esgotado, de barriga vazia, Shégué deita-se na sua caixa de cartão.
As noites são difíceis para um príncipe da rua!
No dia seguinte de manhã, ainda mal refeito do susto, vê chegar o amigo Lokombe, que vem buscá-lo para de novo voltarem ao trabalho.
Pelo caminho, os dois amigos vão comendo qualquer coisa.
Naquele dia, Shégué constrói um magnífico instrumento de música. Consegue mesmo tocar umas melodias que, em pouco tempo, atraem um círculo de admiradores.
— Que talento, Shégué! É magnífico esse instrumento. E tocas tão bem! Encanta-me com a tua música e saberei recompensar-te.
O menino tem um grande sucesso. Em pouco tempo enche os bolsos de dinheiro. Depois do espectáculo, fortuna feita, Shégué vai comprar roupa nova, porque é assim que fazem os meninos ricos daquele grande país. Dali em diante, o menino Shégué não será mais um príncipe da rua.
Para ele, uma nova vida vai certamente começar.
Dominique Mwankumi
Prince de la rue
Paris, Archimède, L'école des loisirs, 1999
Tradução e adaptação

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