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Friday, December 03, 2010

MINHAS REFLEXÕES EM TORNO DE ÁFRICA - FELIZARDA MAYOMONA

Minhas reflexões em torno de África - Felizarda Mayomona

"África se vê hoje ajoelhada  perante o
neo-colonialismo"

Países-Baixos - Recentemente em conversas com uns cambas debatemos sobre a necessidade de África unir-se em torno dos desafios do nosso continente e a nivel do contexto global neste seculo 21. Alguns deles defendem que Angola deve trabalhar isoladamente para o seu desenvolvimento relegando África a segundo plano. Defendem que, para o nosso desenvolvimento e auto-afirmação apenas países fora de África como países da Europa ou da America são necessarios e capazes de desempenhar um papel eficaz no contributo da consolidaçao da nossa paz, da nossa democracia, fortalecimento das nossas instituções, ensino, etc.

Este pensamento não é de todo errado até porque precisamos ainda de muita ajuda (principalmente na área tecnologica e da medicina) destes países. Mas será que África deve ser relegada a último plano? Porque será que um número consideravel de angolanos rejeita a noção de ser africano e encara tudo que envolve africa, negritude e africanismo como desprezivel, arcaico e sub-desenvolvido? Como sei que os angolanos normalmente não lêem muito(porque não gostam), vou procurar ser breve, apesar de que, na realidade, há muito que gostaria de falar em relação a este tema.

Eu acredito firmemente que o destino do povo africano neste planeta anda indubitavelmente de mãos dadas. Kwame Nkruma sempre dizia que " África deve unir-se" e se há frase que em minha opinião não deve nunca morrer nos corações e consciências de todo homem e mulher africano nesta e nas gerações vindouras, é esta. África deve unir-se. Precisamos de uma nova versão do Pan-africanismo para resolvermos os nossos problemas.

O ideólogo do pan-africanismo foi Marcus Garvey, que defendia a necessidade de unidade de toda a diáspora africana, juntar as suas inteligências, dotes e habilidades, independentemente de onde se encontrassem, para contribuír para a edificação do Continente mãe. Posteriormente outros grandes pensadores e lideres africanos como W.E. Dubois, Martin R. Delaney, Bispo Henry McNeal Turner, Edward Wilmot Blyden, Henry Sylvester Williams, George Padmore e outros contribuíram para a definição e divulgação deste conceito.

Todas estas figuras tiveram um papel crucial e um enorme impacto na emergente liderança da luta anti-colonial em África, com realce para Patrice Lumumba, Kwame Nkrumah e Jomo Kenyatta, que tiveram também uma influência poderosa nas lutas anti-coloniais no caribe. Mas tal como Kwame Nkruma já tivera alertado, o fim do colonialismo e do controle directo de África não significaría o fim da dominação externa.

Com o "fiasco" que saíram as independencias africanas, África se vê hoje ajoelhada perante o neo-colonialismo, o controlo indirecto dos seus recursos e suas economias pelas potencias ocidentais europeias, os EUA, e cada vez mais cresce a presença de potencias emergentes como a China e a Koreia em África. Parece tudo um grande contraste se termos em conta que os pais da nossa independencia(muitos deles ainda vivos e nos centros do poder de decisão) lutaram contra o chamado "imperialismo ocidental" mas hoje aceitamos que o "imperialismo cultural" baptizado com o nome de "globalização" nos entre portas adentro e nos roube o pouco que já sobrou da nossa cultura e dos nossos valores e cruzemos os braços diante do neo-colonialismo. 
 
Mas este aparente contraste pode ser explicado se atendermos ao facto de África ser em grande parte governada por lideres inaptos, imcompetentes e corruptos, cuja mente míope os impossibilita de perceber que só com a necessaria unidade pan-africana África será capaz de livrar as suas nações da invasão silênciosa (mas visivel) do neo-colonialismo e outros males. Mas esta é mais uma razão para o povo africano unir-se.

Os africanos devem parar de apoiar tiranos, ditadores e corruptos na corrida para o poder. Se África quer salvar-se este é o ponto de partida, fazer uma boa peneira nas lideranças actuais. O que acontece actualmente é vergonhoso. Onde é que já se viu lideres politicos destribuír bebida, dinheiro "em cash" e artigos como motorizadas só para consseguir o voto do povo? Será isto evidencia de falta de programas politicos convincentes para perssuadir o povo? Será falta de carisma politico? Ou é falta de inteligencia? É vergonhoso! Líderes chegam ao poder e até alteram a Constituição do país e promulgam leis "atípicas" para manterem-se vitaliciamente no poder. São os primeiros a violarem as própias leis que criam sem pedir a opinião do povo que governam. Enriquecem da noite para o dia. Omtem eram pobres, filhos de pobres, hoje são ricos e milionarios mas que ironicamente pouco uso fazem das fortunas pessoais para investir nos seus países em beneficio do seu povo.

"Aonde vai todo dinheiro"?

Os africanos devem também unir-se para reescrever a sua própia historia. A versão da historia que temos actualmente sobre África é uma versão puramente eurocêntrica. Precisamos rebuscar a nossa própia historia e ensina-la numa perspectiva africana. Existem grandes pensologos e historiadores africanos que nem são conhecidos em Angola. Porquê? Como é possivel que um aluno do ensino secundario em Angola saiba mais sobre Luís de camões e Fernando Pessoa do que por exemplo sobre o grande antropologo e cientista africano chamado Cheik Anta Diop? Acredito que a maioria dos leitores nunca ouviu falar dele, o que é triste.

Os africanos devem também unir-se contra o "imperialismo cultural" que invade o nosso continente. Precisamos preservar a nossa identidade. Criemos uma identidade nossa, que seja forte e marcante, e que seja assimilada por todos os estrangeiros que vierem habitar na nossa terra. O que acontece é mais o contrario: nós termos de aprender as linguas deles para podermos viver e trabalhar com eles. Houve um episodio no Ghana que achei caricato. Para o ghanês trabalhar na tal empresa(de oriem chinesa) tinha de aprender a falar o chinês! Mas será que se um ghanês abrir uma empresa ou negocio na China, os seus empregados ou clientes terão de falar o Swahili ou o inglês obrigatoriamente? É claro que não. Mas porquê que coisas destas só acontecem em África? Se tivesse de dar uma resposta superficial a esta pergunta, diria que é pelo facto dos lideres africanos nem saberem o que se passa com o seu povo e pouco se importarem. Eles já têem tudo. Desde que nada nem ninguém lhes ameace o poder politico e militar e as suas estabilidades economicas...vão se importar mais com quem e pra quê?

Os africanos devem também unir-se para juntos desenvolverem África. Por exemplo, Angola, segundo os nossos dirigentes, precisa de quadros. Antes de fazer a contrataçao de quadros da Europa e do Brasil(que normalmente saiem muitissimo caros) porque não olham antes nos nossos vizinhos africanos que também possuem em muitos casos quadros de qualidade, muitos dele sub-aproveitados ou em total abandono? Há muitos bons medicos no Mali, Tanzania, Botswana, Zimbawe etc que de certeza aceitaríam o desafio de trabalhar em Angola. Hãn...já sei. Vão falar do factor "lingua" não é? Isso pode ser resolvido. Criem programas de integraçao de quadros, e nesse programa deve ser incluído um pacote de lingua(que deve ser a portuguesa), durante um curso intensivo de pelo menos 1 ano nos própios países de origem dos tais quadros a serem contratados. As embaixadas de Angola monitorariam o tal programa, e no final, cada candidato fazia um teste numa das nossas embaixadas e se aprovasse, consseguiria o visto/contrato para trabalhar em Angola. Já não é uma ideia? Há também varios quadros africanos na diáspora que não hesitariam em ir trabalhar no continente-mãe. Porque não se prioriza a estes? Muitos deles são muito bons, profissionais de alto nivel, incluindo academicos de prestigio em universidades europeias.

Os africanos devem unir-se para cultivar valores como solidariedade e amor ao proximo, democracia e direitos humanos. Ya, é verdade mesmo. É triste e repugnante a ideia de alguém poder ser morto só porque criticou um discurso do presidente ou porque acha que a primeira dama não lhe representa. Mas falar disso é mal? Então será que estes individuos, que não passam de simples seres humanos mortais, cuja carne será também debicada pelo salalé, têm poder acima da própia mãe que nos nasce e do própio Deus que nos dá a vida a ponto de decidirem sobre quem vive e quem morre no país? Não se pode criticar sem medo em África. Bajulaçao virou profissão. Os nossos jurístas são na maior parte, covardes e reféns dos regimes politicos. Alguns até fazem parte de "comités de especialidade". Os mais velhos parecem ter perdidos todos os valores, até mesmo aqueles que os nortearam para lutar contra a idependencia.

Enfim, África deve unir-se. Africa must Unite! A historia africana tem de ser recuperada e reeditada. Os angolanos devem tomar consciência que antes de terem esta nacionalidade eram africanos. E que o nosso desenvolvimento depende em grande parte da unidade de todos os povos de África.

Confrontados com esta realidade, temos de cultivar a noçao de que somos todos um povo com um objectivo e destino comum independenemente da nossa nacionalidade ou étnia. Imagine! Se toda a "inteligência negra" ao redor do mundo juntasse forças, interagindo social, politica, economica, historica e academicamente, consciêntes do destino comum que nos une, tenho a certeza de que uma revolução africana sería iminente. A palavra Revolução aqui, longe de ser associada a qualquer coisa violenta, significa antes demais uma verdadeira mudança no sentido positivo.

Marcus Garvey dizia: "Olhemos para África". Na minha opinião, África é a resposta, a resposta para tudo.

*Com a colaboração especial de Osvaldo Rodrigues

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