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Friday, December 17, 2010

A PROLIFERAÇÃO DE SEITAS EM ANGOLA DEVE SER COMBATIDA

Domingo é, para todos os cristãos, um grande dia, um dia especial, pois é reconhecido e celebrado como o “Dia do Senhor”.

Significa isso que é a altura própria para a grande festa que os crentes celebram conscientemente com Deus e com os homens.

Por isso, nesse dia, é muito natural ver os cristãos bem preparados em todos os sentidos, caminhando cada qual para o lugar de culto da sua comunidade.

Se no centro da cidade este movimento não se nota tanto, o mesmo não se pode dizer dos bairros periféricos, onde o vai e vem dos cristãos é muito visível, tendo em conta o próprio quadro que marca estas áreas. 
À luz desta dinâmica, no domingo passado, uma equipa de reportagem do Jornal de Angola decidiu fazer uma “ronda", apenas por um pequeno perímetro, numa das ruas principais do Bairro da Mabor/Municipio do Cazenga, que começa da Escola 1 de Junho.

O percurso não foi longo, mas foram vistos muitos locais de culto bem indicados, e outros nem por isso.

No curto trajecto, foram anotadas 14 comunidades que, em lugares próprios, colocaram “cartazes publicitários”: “Igreja Cristo Vencedor” (estudo bíblico, centro de libertação, cura, milagre, culto de adoração), “Igreja Associação Cristã Pentecostal”, “Igreja Missão Cartiçal de Ouro”, “Igreja Rocha Emanuel em Angola” (Centro dos Escolhidos de Cristo), “Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo” (Tocoísta), “Igreja Ministério do Poder do Nome de Jesus Cristo”, “Igreja de Bom Deus”, “Igreja Ministério Bercham “, “Salão do Reino das Testemunhas de Jeová”, “Missão Evangélica da Palavra da Paz no Mundo”, “Igreja Evangélica Sopro Novo”, “Igreja Missionária Filadélfia em Angola” e Igreja Rocha da Salvação”. 
Depois de poucos minutos de caminhada, observámos que algumas destas comunidades são grandes, outras bem pequenas, parecendo formadas apenas pelos membros da mesma família. Nalgumas dava para entrar, assistir a alguns rituais por pouco tempo.

Confirmou-se um dado curioso: a maioria dos pastores destas comunidades prefere pregar em lingala, uma vez que os seus membros são, na maioria, de etnia kikongo, muitos deles vindos da vizinha República Democrática do Congo. 

Notou-se também que estes locais de culto se misturam com estabelecimentos comerciais e não só (padarias, oficinas, salões de beleza, vendedores ambulantes, cyber café, quitandeiras, pequenos mercados, cantinas, lanchonetes, bares, etc...), provocando uma grande confusão.

E, tornou-se difícil distinguir os lugares comerciais dos recintos de culto. Daí a razão para confirmar a existência do “consumismo religioso” em Luanda, pois cenários destes devem existir em quase todos os bairros da cidade capital. 
Depois da caminhada, que não provocou qualquer cansaço (pois, como já foi referido, a trajectória foi curta, mas deu para contemplar as muitas comunidades ali situadas), paramos numa das comunidades da Igreja de Cristo em Angola (ICA). É uma casa de oração pequena, porém, mais ou menos bem apresentada. Ao seu lado está um outro templo mal arrumad, e ainda em fase de construção. Infelizmente, não foi possível descobrir o nome da comunidade, devido à antipatia dos seus pouquíssimos fiéis. Mas deu para dialogar com o pastor André Bamba, representante legal da ICA, há oito anos. 
Percebendo da presença da equipa do Jornal de Angola, o pastor “abandonou” momentaneamente o rebanho, que estava no culto, já na fase do “Ofertório”. Deu para contemplar os fiéis desfilando, dançando, indo colocar o dinheiro numa grande bacia. “Já é hora do almoço para os outros, mas, para nós, é tempo de alegria, tempo de oferecer o nosso dinheiro a Deus. Este dinheiro é fruto do nosso suor, do nosso trabalho. Estamos felizes em dar este dinheiro ao nosso Criador, porque Ele vai nos abençoar...”, dizia com muita emoção uma crente abordada por nós.

A Palavra de Deus como fundamento

Ao seu lado, visivelmente bem disposto, o pastor André Bamba, mostrou-se disponível para falar ao Jornal de Angola, tendo assegurado:  “A nossa Igreja está a crescer muito.

Hoje, estamos nas províncias de Luanda, Uíge, Benguela, Malange, Moxico, Lunda Norte e Cunene.

O fundamento da nossa congregação é a Palavra de Deus que pregamos a todos. Acreditamos em Jesus Cristo que é o Senhor, o Filho de Deus e Salvador do mundo. 
A nossa comunidade não pactua com nada que diz respeito à feitiçaria, uma mazela que está a destruir os valores culturais dos angolanos, na medida em que separa as famílias, provoca morte e outras desgraças.

A ICA condena estes irmãos que fazem o mau uso da Bíblia, aproveitando-se dos mais fracos. Por isso, nós, membros das igrejas, devemos trabalhar em sintonia com o Governo para combatermos as seitas que praticam a feitiçaria”. 
Ainda sobre a proliferação de seitas, o pastor da ICA reconhece que o fenómeno está a aumentar de uma forma assustadora: “Há dias, abriu-se mais uma comunidade bem perto daqui. Esta casa ao lado também é já uma igreja” desabafou. 
Sobre o ecumenismo, disse: “A nossa igreja é membro da Aliança Evangélica de Angola (AEA), mas apenas aceitamos um ecumenismo parcial. Isto é, quando se trata de alguma actividade que pede a reunião ou a celebração de um culto ecuménico, estamos sempre presentes. 
Mas, em matérias doutrinais e outras ligadas, por exemplo, à liturgia, preferimos não entrar nelas, pois o mais importante é seguir Cristo”
A ICA foi criada na República Democrática do Congo, instalou-se em Angola, em 1975, e obteve o seu reconhecimento jurídico com o Decreto Executivo 17/96 do Ministério da Justiça, publicado no Diário da República nº 17, I Série de 26/04/1996. Os seus símbolos são o Mapa de Angola, a Bíblia Aberta e a Cruz de Cristo.

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