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Sunday, January 16, 2011

Bento XVI confessa «alegria» pela beatificação de João Paulo II Papa saúda anúncio da celebração, que vai ter lugar no próximo dia 1 de Maio

Cidade do Vaticano, 16 Jan (Ecclesia) – O Papa confessou hoje a sua “alegria” pelo anúncio da beatificação de João Paulo II, feito na última Sexta-feira, falando do seu predecssor como um “guia na fé, na verdade e na liberdade”.
“Todos quantos o conheceram, quantos o estimaram e amaram não podem deixar de se alegrar com a Igreja por causa deste acontecimento”, afirmou.
No primeiro comentário público após a conclusão do processo que levou à beatificação do falecido Papa polaco, que vai ter lugar a 1 de Maio, Bento XVI disse que “esta notícia era  muito aguardada por todos” e, de modo particular, pelos polacos.
Saudando os peregrinos deste país europeu, terra natal de João Paulo II, presentes no Vaticano, o actual Papa desejou que todos façam uma “profunda preparação espiritual para este evento”.
O anúncio da beatificação de Karol Wojtyla, eleito Papa em 1978 e falecido em 2005, aconteceu a 14 de Janeiro, depois de Bento XVI ter aprovado a publicação do decreto que reconhecia um milagre atribuído à intervenção de João Paulo II.
A cerimónia vai ter lugar no Vaticano, no primeiro Domingo depois da Páscoa (1 de Maio), facto hoje destacado por Bento XVI.
“A data escolhida é muito significativa: será o II Domingo da Páscoa, que ele próprio (João Paulo II, ndr) dedicou à Divina Misericórdia e em cuja vigília terminou a sua vida terrena”, explicou.
O rito de beatificação vai ser presidido por Bento XVI, algo que só acontecera até agora em Setembro de 2010, no caso do beato John H. Newman, cardeal e pensador inglês do século XIX.
OC

África: Fim das fronteiras coloniais?

Peritos não acreditam que independência do Sul do Sudão tenha grandes efeitos 
na mudança das fronteiras africanas

África: Fim das fronteiras coloniais?



O referendo no sul do Sudão vai sem duvida resultar num novo país em África. Para além dos desafios que isso vai constituir em termos económicos, sociais e políticos para o Sudão e para o novo país há implicações para todo o continente africano, nomeadamente no que diz respeito às fronteiras dos países do continente.
Com efeito, as fronteiras africanas têm sido até agora uma questão intocável. Quando os países africanos começaram a libertar-se do colonialismo um dos princípios acordados por unanimidade foi de que as fronteiras herdadas da era colonial eram intocáveis. Tentar mudar as fronteiras num continente de milhares de etnias iria causar mais problemas étnicos e políticos do que resolver questões causadas pela divisão arbitrária feita pelas potências coloniais. Aliás ainda hoje quando há disputas fronteiriças entre países africanos o padrão a escolher é quase sempre a divisão feita no tempo colonial.
Mas isso poderá estar a mudar. Lenta mas seguramente já houve separações. A Eritreia separou-se da Etiópia, agora o Sudão do sul vai separar-se do Sudão. A Somálilandia opera como um país independente do resto da Somália com o seu próprio governo e moeda. Analistas afirmam que a próxima peça do dominó geográfico no Corno de África poderá ser a região do Ogaden hoje parte da Etiópia.
No resto de África há movimentos separatistas de longa data. Cabinda é um exemplo claro disso. Na Nigéria há agora o movimento de emancipação do delta do Níger. O Senegal faz face a uma rebelião de baixa intensidade no Casamance.
António Gaspar especialista do instituto superior de relações internacionais do Maputo em Moçambique disse que a situação política mudou desde o começo das independências africanas mas na sua opinião isso não quer dizer que o princípio da não mudança de fronteiras esteja errado.
Tudo mudou desde as independências de África, disse ele, pelo que gradualmente é provável haverá repetições de situações como a que ocorreu no Sudão.
Contudo, acrescentou, o princípio de não se mudar as fronteiras “é bom porque África está num processo não só de construção de estados mas também de nações”.
Já Calton Cadeado, outro analista moçambicano de questões internacionais actualmente aqui nos estados Unidos disse que o que aconteceu no sul do Sudão não deverá ter grande impacto na questão das fronteiras africanas.
Mesmo com o referendo no sul do Sudão, disse ele, a questão das fronteiras “continuar a ser um tabu”.
Cadeado recordou que aquando da separação da Eritreia da Etiópia se falou na possibilidade de haver mais secessões do género mas isso não aconteceu.
“Eu acredito que a curto e médio prazo não vamos ter problemas de revisão de fronteiras” devido à gamas de problemas que isso levantaria em todo o continente, disse Cadeado
Mas a questão a saber é se o que aconteceu no sul do Sudão não servirá de incentivo para forças independentistas como os separatistas de Cabinda. Calton Cadeado disse ser “legítimo levantar essa questão e desenhar cenários para se vêr o que pode acontecer a longo prazo”.
Fez notar que o conflito em Angola já dura há muito tempo e acrescentou:
“Se não tivermos em consideração questões geopolíticas, factores históricos e o próprio contexto em si podemos visualizar um cenário péssimo,” disse.
Contudo uma reflexão mais profunda indica que “ não há condições  para fazer este movimento secessionista estender-se”, acrescentou.
Tanto Cadeado como Gaspar disseram que o facto da democracia se estar a estender poderá favorecer um maior diálogo com forças que querem a separação e também maiores investimentos económicos nesses territórios por parte dos governos centrais.
António Gaspar fez notar que mesmo no território de Cabinda já há uma dialogo entre o governo central e representantes de algumas facções dos independentistas cabindenses.
A amior democracia e uma sociedade civil “mais barulhenta” poderão contribuir para que os dirigentes africanos estejam mais abertos aos problemas que podem levar á secessão embora não pense que haja uma pré disposição para se aceitar a secessão.
Contudo disse ser de opinião que não se pode escapar á inevitabilidade que “periodicamente” se vai assistir a roturas “que poderão dar lugar a um novo estado africano”.
A melhor solução, acrescentou, é uma análise “caso a caso” e para isso a União Africana seria o melhor intermediário.
Ouça o programa Temas e Debates em que estes dois especialistas falam destes e outros pontos das implicações do referendo no Sudão.
Por João Santa Rita | Washington
Media: Bento XVI quer cristãos mais presentes na Internet e redes sociais

Vaticano apresentou mensagem do Papa intitulada «Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital»


Pope2you
Cidade do Vaticano, 24 Jan (Ecclesia) – Bento XVI convidou hoje os cristãos a estarem presentes “com criatividade consciente e responsável” na Internet e nas redes sociais, afirmando que estas se tornaram “parte integrante da vida humana” nos nossos dias.
“A Web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza partilhada”, afirma o Papa, na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2011, apresentada pelo Vaticano.
O tema escolhido para esta 45ª jornada é «Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital».
O Papa admite que as novas tecnologias “permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades”.
A mensagem refere, no entanto, ser “importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano directo com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida”.
Neste sentido, Bento XVI defende que a transmissão do Evangelho nestes espaços virtuais deve ser “encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária”.
“Por isso, permanecem como fundamentais as relações humanas directas na transmissão da fé”, acrescenta.
Para Bento XVI, é necessário “um estilo cristão de presença também no mundo digital”, que se traduz “numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro”.
"Devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o seu valor da sua «popularidade» ou da quantidade de atenção que lhe é dada", sublinha o Papa.
“Comunicar o Evangelho através dos novos media significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele”, escreve ainda.
O Papa considera que as novas tecnologias “estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural”.
A mensagem fala mesmo no nascimento de uma “nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão”.
“As novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira”, aponta.
As redes sociais («social network», na mensagem do Papa) promovem a interacção com outras pessoas na Internet, tendo como base os perfis de cada utilizador (gostos, opiniões, fotos e informações pessoais, entre outros dados).
Para Bento XVI, “o envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados «social network», leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser”.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi a única celebração mundial decidida pelo Concílio Vaticano II (Decreto «Inter Mirifica», 1963) sendo celebrado na maioria dos países no Domingo que antecede a Solenidade de Pentecostes - este ano, a 5 de Junho.
A mensagem para este dia é publicada todos os anos a 24 de Janeiro, por se celebrar a memória litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.
OC

Mensagem de Bento XVI para o 45.º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital
Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do XLV Dia Mundial das Comunicações Sociais, desejo partilhar algumas reflexões, motivadas por um fenómeno característico do nosso tempo: a difusão da comunicação através da rede internet. Vai-se tornando cada vez mais comum a convicção de que, tal como a revolução industrial produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais. As novas tecnologias estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e conhecimentos, está a nascer uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.

Aparecem em perspectiva metas até há pouco tempo impensáveis, que nos deixam maravilhados com as possibilidades oferecidas pelos novos meios e, ao mesmo tempo, impõem de modo cada vez mais premente uma reflexão séria acerca do sentido da comunicação na era digital. Isto é particularmente evidente quando nos confrontamos com as extraordinárias potencialidades da rede internet e a complexidade das suas aplicações. Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.

No mundo digital, transmitir informações significa com frequência sempre maior inseri-las numa rede social, onde o conhecimento é partilhado no âmbito de intercâmbios pessoais. A distinção clara entre o produtor e o consumidor da informação aparece relativizada, pretendendo a comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha. Esta dinâmica contribuiu para uma renovada avaliação da comunicação, considerada primariamente como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas. Por outro lado, isto colide com alguns limites típicos da comunicação digital: a parcialidade da interacção, a tendência a comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo.

Sobretudo os jovens estão a viver esta mudança da comunicação, com todas as ansiedades, as contradições e a criatividade própria de quantos se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências da vida. O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser. A presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca de partilha, de «amizades», confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio «perfil» público.

As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu «próximo» neste novo mundo? Existe o perigo de estar menos presente a quantos encontramos na nossa vida diária? Existe o risco de estarmos mais distraídos, porque a nossa atenção é fragmentada e absorvida por um mundo «diferente» daquele onde vivemos? Temos tempo para reflectir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano directo com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.

Também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva. Aliás, as dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais. Segue-se daqui que existe um estilo cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro. Comunicar o Evangelho através dos novos media significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia. Nos novos contextos e com as novas formas de expressão, o cristão é chamado de novo a dar resposta a todo aquele que lhe perguntar a razão da esperança que está nele (cf. 1 Pd 3, 15).

O compromisso por um testemunho do Evangelho na era digital exige que todos estejam particularmente atentos aos aspectos desta mensagem que possam desafiar algumas das lógicas típicas da web. Antes de tudo, devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o seu valor da sua «popularidade» ou da quantidade de atenção que lhe é dada. Devemos esforçar-nos mais em dá-la conhecer na sua integridade do que em torná-la aceitável, talvez «mitigando-a». Deve tornar-se alimento quotidiano e não atracção de um momento. A verdade do Evangelho não é algo que possa ser objecto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária. Por isso permanecem fundamentais as relações humanas directas na transmissão da fé!

Em todo o caso, quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. A web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, Aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1, 10). A proclamação do Evangelho requer uma forma respeitosa e discreta de comunicação, que estimula o coração e move a consciência; uma forma que recorda o estilo de Jesus ressuscitado quando Se fez companheiro no caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), que foram gradualmente conduzidos à compreensão do mistério mediante a sua companhia, o diálogo com eles, o fazer vir ao de cima com delicadeza o que havia no coração deles.

Em última análise, a verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network. Os crentes, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia. Pelo contrário, os crentes encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser vivida. Precisamente esta tensão espiritual própria do ser humano é que está por detrás da nossa sede de verdade e comunhão e nos estimula a comunicar com integridade e honestidade.

Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital. Renovo-lhes o convite para o encontro comigo na próxima Jornada Mundial da Juventude em Madrid, cuja preparação muito deve às vantagens das novas tecnologias. Para os agentes da comunicação, invoco de Deus, por intercessão do Patrono São Francisco de Sales, a capacidade de sempre desempenharem o seu trabalho com grande consciência e escrupulosa profissionalidade, enquanto a todos envio a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, Festa de São Francisco de Sales, 24 de Janeiro de 2011.
BENEDICTUS PP. XVI
(Tradução oficial do Vaticano)

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