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Friday, February 04, 2011

Casamento: Papa pede atenção aos processos de nulidade no Vaticano Bento XVI recebe membros do Supremo Tribunal e pede rapidez na administração da justiça dentro da Igreja

Cidade do Vaticano, 04 Fev (Ecclesia) – Bento XVI recebeu hoje no Vaticano os membros do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, a quem pediu atenção no julgamento de causas de “nulidade matrimonial”.
Num discurso proferido perante os participantes na reunião plenária do Supremo Tribunal da Santa Sé, o Papa recordou a publicação, em 2005, da instrução «Dignitas connubii» (A dignidade do matrimónio) com “as normas necessárias para que as causas de nulidade matrimonial se tratem e definam da forma mais rápida e segura”.
Bento XVI pediu ainda que a acção deste tribunal permita responder às “exigências de rapidez e simplicidade a que os fiéis têm direito nas suas causas”.
O Papa frisou a actividade do Supremo Tribunal visa assegurar a administração da justiça na Igreja, o que implica que em cada diocese exista um número suficiente de pessoas preparadas para funcionamento dos tribunais eclesiásticos.
“É uma obrigação grave tornar a actuação institucional da Igreja nos tribunais cada vez mais próxima dos fiéis”, assinalou.
Bento XVI disse ainda que o esforço de dirimir as controvérsias no interior da Igreja é “um serviço de importância primária”.
“Quando não é possível superar pacificamente uma controvérsia, o desenrolar do processo contencioso administrativo comportará a definição judicial da controvérsia: também neste caso, a actividade do Supremo Tribunal visa a reconstituição da comunhão eclesial, ou seja, o restabelecimento de uma ordem objectiva conforme ao bem da Igreja”, acrescentou.

Celibato: Teólogos católicos subscrevem petição pedindo reformas

Lisboa, 04 Fev (Ecclesia) – Mais de 140 teólogos católicos de universidades alemãs, suíças e austríacas  subscreveram uma petição a pedir uma reforma de fundo da Igreja, abordando, entre outros, o fim do celibato obrigatório para os padres.
O documento é divulgado esta sexta-feira na edição do jornal alemão «Süddeutsche Zeitung».
A petição tem como título «Igreja 2011: uma renovação indispensável» e inclui ainda um apelo em favor da ordenação sacerdotal de mulheres e da aceitação de uniões entre homossexuais.
Na última semana, o mesmo jornal tinha publicado um memorando, de 1970, enviado aos bispos alemães por um grupo de teólogos, que incluía o actual Papa, Joseph Ratzinger, pedindo um estudo sobre a necessidade do celibato obrigatório para os padres.
No livro-entrevista «Luz do mundo», editado em 2010, Bento XVI defende a posição da Igreja sobre o celibato dos padres, reafirmando que o sacerdócio não se encontra aberto a mulheres ou homossexuais.
O Papa sublinha que “o respeito pela pessoa é absolutamente fundamental e decisivo”, mas que não é por isso que “a homossexualidade se torna moralmente justa”, pelo que “não é conciliável com o ministério sacerdotal”.
Sobre o sacerdócio, Bento XVI lembra a oposição da Igreja Católica sobre a ordenação de mulheres, considerando que “não se trata de não querer, mas de não poder”, porque a Igreja não é “um regime do arbítrio”.
“Não podemos fazer o que queremos, há uma vontade do Senhor para nós, à qual nos agarramos, mesmo que seja cansativa e difícil na cultura e na civilização de hoje”, precisou.
Ao jornalista alemão Peter Seewald, o Papa falou mesmo em “disparate” quando confrontado com o argumento de que há dois mil anos seria “impensável” que Jesus chamasse “mulheres para o sacerdócio”, porque então “o mundo estava cheio de sacerdotisas”.
Bento XVI admite “poder compreender” que alguns bispos queiram reflectir sobre a possibilidade de ordenar homens casados, mas diz que “a dificuldade surge quando é preciso explicar como se deve configurar” a existência entre estes e os celibatários.
O livro «Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos» resulta de uma conversa entre Bento XVI e Seewald - que já por duas vezes tinha entrevistado Joseph Ratzinger, ainda cardeal - na residência pontifícia de Castel Gandolfo, perto de Roma, entre os dias 26 e 31 de Julho de 2010.

México: Representante diplomático do Papa apela à recusa das «narcoesmolas»

Lisboa, 04 Fev (Ecclesia) – O Núncio Apostólico no México, D. Christophe Pierre, convidou a comunidade católica a não aceitar as chamadas «narcoesmolas», donativos em dinheiro vindos de traficantes de droga.
Em declarações a jornalistas locais, o representante diplomático do Papa no país americano afirmou que a Igreja e as suas estruturas devem promover a “transparência e a honestidade”.
D. Christophe Pierre aborda ainda a questão das migrações, considerando que o fenómeno “assumiu uma dimensão internacional porque a sua fonte é a pobreza”.
RV/OC

Preservativo: Novo documento do Vaticano em perspectiva

Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde prepara «subsídio pastoral» que deverá abordar a temática

Cidade do Vaticano, 03 Fev (Ecclesia) – O Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde (CPPS) está a preparar um “subsídio pastoral” que poderá abordar a questão do uso do preservativo, revelou hoje o presidente deste dicastério, D. Zygmunt Zimowski.
“A Igreja faz referência ao seu ensinamento e à recente nota da Congregação para a Doutrina da Fé. O tema poderá ser integrar num subsídio pastoral que está em fase de estudo”, revelou o arcebispo polaco aos jornalistas.
Na conferência de imprensa que decorreu no Vaticano, o subsecretário do CPPS, Jean-Marie Mpendawatu Mate Musivi, referiu que o novo documento abordaria o "aspecto exclusivamente pastoral da problemática".
A «Rádio Vaticano» adianta que a 28 de Maio haverá também uma conferência sobre o tema, para a qual foram convidados representantes do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA (Unaids) e outros investigadores.
Em Dezembro de 2010, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a «Nota sobre a banalização da sexualidade», a propósito de “algumas leituras” das declarações de Bento XVI sobre o uso do preservativo no livro-entrevista «Luz do Mundo».
A nota afirma ser “inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado”.
O documento convida ainda os responsáveis católicos a “acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimónio e a fidelidade dentro do pacto conjugal”.
O subsecretário do CPPS falou de uma “ideologia demasiado invasora” nos campos da bioética e da “saúde reprodutiva”, afirmando que o pensamento da Igreja a esse respeito é “muito claro”.
Na conferência de imprensa desta manhã foi apresentado o próximo dia mundial do doente, que a Igreja Católica celebra anualmente a 11 de Fevereiro, bem como o seminário com o qual o CPPS encerra as celebrações do 25.º aniversário da sua fundação.
Esta última iniciativa vai ter lugar, em Roma, no próximo dia 5, sobre o tema «Associativismo sanitário católico e cultura da vida», contando com a presença dos “principais organismos do laicado católico” no campo da saúde.
Ainda no encontro com os jornalistas, o CPPS anunciou a realização de uma conferência internacional sobre os “invisuais na Igreja”, a decorrer no mês de Novembro.

Legionários de Cristo: Comissão investiga abusos sexuais do fundador

Lisboa, 01 Fev (Ecclesia) – A congregação religiosa católica Legionários de Cristo anunciou esta Segunda-feira a criação de uma comissão para analisar os alegados casos de abuso sexual cometidos pelo fundador, o padre mexicano Marcial Maciel.
A denominada ‘Comissão de Aproximação’ tem como objectivo escutar as vítimas e elaborar um relatório dos casos, que vai ser entregue ao delegado pontifício dos Legionários de Cristo, cardeal Velasio de Paolis, indicado pelo Vaticano após denúncias de pedofilia.
 
O grupo de trabalho não vai ocupar-se de casos que não estejam relacionados “com a pessoa do Pe. Marcial Maciel nem intervirá naquelas causas que estejam à espera de resoluções por parte de tribunais civis ou eclesiásticos”, refere o site da congregação.

Com esta comissão pretende enfrentar-se “com seriedade e responsabilidade” a “conduta do padre Marcial Maciel” e as “consequências que teve em algumas pessoas", explica o director-geral dos Legionários de Cristo, padre Alvaro Corcuera.
 
"Queremos, dentro do que for humanamente possível, encerrar esse capítulo e os seus aspectos mais dolorosos, além de buscar a reconciliação e fazer com que a justiça e a caridade imperem", acrescenta.

A comissão, presidida por um dos conselheiros pessoais do delegado pontifício, padre Mário Marchesi, é composta por dois membros pertencentes à congregação e dois peritos externos.
Os Legionários de Cristo admitiram em 2010 que o seu fundador “teve uma filha, resultado de uma relação prolongada e estável com uma mulher, e outras condutas graves”, incluindo “actos de abusos sexuais de seminaristas menores”.
A congregação reconhece também que “apareceram outras duas pessoas, irmãos entre si, que afirmam ser filhos” do padre Maciel, “fruto de uma relação com outra mulher”.
ANSA/RM

Holocausto: «Dia da Memória» recorda coragem feminina


Lisboa, 27 Jan (Ecclesia) - Com o tema «As Mulheres e o Holocausto: coragem e compaixão» celebra-se hoje, 27 de Janeiro, o Dia Internacional de comemoração para honrar as vítimas do Holocausto.
A data, instituída pela ONU em 2005, é uma homenagem aos seis milhões de judeus e às outras vítimas do extermínio nazi, durante a II Guerra Mundial (1939-1945).
A comemoração lembra, este ano, as histórias de mulheres que durante a Guerra lutaram para manter as tradições familiares e religiosas e enfrentaram a ameaça de morte.
A data escolhida assinala o dia em que as tropas soviéticas, em 1945, libertaram os prisioneiros do campo de concentração e de extermínio de Auschwitz, na Polónia, então ocupada por tropas nazis.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pede que esta data gere um compromisso comum para “criar um mundo onde tais atrocidades não se repitam”.
Em 2010, precisamente nesta data, Bento XVI deixou um “apelo”, pedindo que a memória do Holocausto faça com que “nunca mais se repitam tais tragédias”.
Auschwitz foi o maior centro de extermínio da Alemanha nazi: 7000 sobreviventes foram libertados a 27 de Janeiro de 1945, mas dias antes, as «SS» tinham evacuado mais de 60 mil prisioneiros, muitos dos quais acabariam por falecer.
Bento XVI visitou Auschwitz no dia 28 de Maio de 2006, tendo ali proferido um dos discursos mais marcantes do seu pontificado.
“Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado, um silêncio que é um grito interior a Deus”, disse, “um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante”.
Em Portugal, no dia 28 de Janeiro de 2010, a Assembleia da República aprovou a Resolução que instituiu o dia 27 de Janeiro como o «Dia de Memória do Holocausto».
Nesse contexto, realiza-se hoje, às 18h30, na Biblioteca da Assembleia da República, uma cerimónia evocativa.
OC


Opinião: Jesus e as mulheres

Isabel Varanda, Faculdade de Teologia da UCP

Visitando a galeria de retratos das mulheres do Novo Testamento, aí encontramos Jesus. Cada retrato conta a história de uma relação. 
No Evangelho de Marcos, o corpo de Jesus recebe uma atenção especial. Uma mulher derrama um perfume precioso sobre a sua cabeça. (Mc 14,9). O gesto da mulher de Betânia, lido pelos presentes num registo utilitário e “calculista”, provoca irritação pela audácia e pelo desperdício. Jesus, ao contrário, acolhe e louva, com doce emoção, a generosa gratuidade do gesto; deixa-se tocar no seu corpo e não permite que o gesto de sublime afeição da mulher seja lido num registo banal.
Marta e Maria, duas irmãs (Lc 10,38-40a). Marta atarefa-se no acolhimento a Jesus, enquanto Maria contempla e escuta. Marta cumpre os deveres da hospitalidade, enquanto Maria assume uma atitude surpreendente e inusual, característica do discípulo: sentada aos pés do mestre, escutando com atenção. Ela é, certamente, conhecedora das obrigações domésticas, mas na sua relação com Jesus prevalece a atitude de discípula: à escuta da palavra do mestre. Jesus aprecia o serviço hospitaleiro de Marta – que encarna o papel exigido às mulheres judias na época –, mas louva a atitude de Maria, que se distancia do padrão de comportamento expectável.
Conta S. João que levaram junto de Jesus uma mulher apanhada em adultério (Jo 8,3-6). Só a mulher é acusada. Ao homem – deveria ter havido pelo menos um – não é feita qualquer referência. Esta era a sensibilidade da época. Jesus não vai entrar no jogo dos homens que acusam a mulher adúltera; ele não é um juiz ou um zelador da moral e dos bons costumes. Diante de tão grave situação, não “fala de alto”, nem toma partido. Com uma surpreendente pedagogia, inclina-se, escrevendo na terra com o dedo. Deixa aos presentes a iniciativa na condenação e no castigo; aquele que nunca pecou… atire a primeira pedra. Os acusadores partiram; ficou Jesus e a mulher. Jesus não vira as costas à “pecadora”; fala com ela, devolvendo-lhe o direito à palavra, libertando-a do estatuto de mero “objecto de acusação” a que os escribas e os fariseus a haviam reduzido. Jesus não a condena, antes lhe aponta um futuro de vida nova ainda possível: “Vai”. Aquele lugar de condenação transformou-se em lugar de libertação.
De S. Lucas recebemos a informação de que os Doze e também algumas mulheres – Maria Madalena, Joana e Susana – acompanhavam Jesus através das cidades e dos povoados (Lc 8,1-3). Esta referência às mulheres que acompanham Jesus é bem representativa da Sua “surpreendente liberdade”, que rompe claramente com o que na época seria admitido, do ponto de vista social e religioso. As mulheres não haviam sido explicitamente chamadas a seguir o Mestre, como o foram os Doze. Mas elas estão lá: caminheiras, próximas, olhadas, escutadas, consideradas, acolhidas, tratadas com respeito e afeição. Estão lá, até à cruz.
Maria Madalena, aquela que na Idade Média vai ser chamada apóstola dos apóstolos, será a primeira a visitar o túmulo do seu Senhor morto; mas, Ele não está lá; ressuscitou e apareceu-lhe. O ressuscitado “envia-a em missão”: contar aos discípulos que o Mestre está vivo. Eis uma mulher, Maria Madalena, , primeira nos alvores da fé cristã, precedida apenas por Maria, a mulher de Nazaré, no seio de quem, Jesus, o Filho de Deus, foi gerado homem.
Maria – presença discreta, ícone da disponibilidade e do dom – gera um filho para o mundo. O Filho doa a sua mãe ao mundo. No seu calvário, envia-a em missão: ser mãe do mundo. Maria, mãe de Jesus e mãe nossa. Maria, primeira discípula de Jesus. Mãe, discípula do Filho até à cruz, onde, mãe do Filho, se torna mãe da Igreja e discípula na Igreja.
As mulheres de Jesus não são as suas mulheres; a nenhuma retém; nenhuma ignora; com nenhuma se prende; a todas ama; para todas tem uma palavra que cura, que salva, que liberta, que perdoa, que lhes reconhece o direito à palavra; a todas acolhe: nos gestos extravagantes da mulher de Betânia, na humilhação da mulher adúltera, na azáfama de Marta, na escuta atenta de Maria, no amor possessivo de Maria Madalena e no amor oblativo de Maria, Sua mãe.
Hoje, como ontem, que mulher resistiria ao encanto todo humano e todo divino de um tal Jesus Cristo?
Isabel Varanda



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