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Wednesday, February 16, 2011

EUA investem 'no combate à repressão' na Internet



 

 
Hillary Clinton
Clinton acha que esta abordagem não contradiz tentativas da sua Administração para conter o Wikileaks
A secretária de Estado norte-americana, HillaryClinton, disse que a sua Administração vai destinar este ano 25 milhões de dólares para ajudar dissidentes políticos a combater a repressão na Internet em diversos países.
Nos últimos três anos, segundo a secretária de Estado, Washington já destinou 20 milhões de dólares para esse fim.
“Os Estados Unidos continuam a ajudar as pessoas em ambientes opressivos em relação à Internet a superar filtros, a ficar um passo à frente dos censores, dos hackers e dos bandidos que as agridem ou prendem pelo que elas dizem online”, disse Clinton, num discurso sobre liberdade na Internet numa universidade de Washington.
No discurso, feito menos de uma semana depois da queda do presidente do Egipto, Hosni Mubarak, após 18 dias de protestos populares, a secretária de Estado afirmou que governos repressivos não devem tentar restringir o acesso à Internet, porque esses esforços acabarão gorados.
Redes sociais
As redes sociais na Internet, como o Facebook e o Twitter, tiveram um papel relevante nos protestos egípcios e foram usadas por activistas para organizar manifestações contra o governo.
As autoridades egípcias reagiram inicialmente bloqueando o acesso à Internet, a telemóveis e a sinais de satélite. No entanto, as manifestações continuaram, forçando a renúncia de Mubarak na passada sexta-feira.
Logo após a queda de Mubarak, eclodiram protestos semelhantes por reformas em diversos países do mundo árabe, nos quais as redes sociais têm sido usadas para mobilizar manifestantes.
Ao ressaltar o papel das redes, Hillary Clinton disse que o Departamento de Estado norte-americano pretende criar contas do Twitter em chinês, russo e hindi. Na semana passada, foram lançados os serviços em árabe e persa.
Recursos
Segundo a secretária, os recursos fornecidos pela Administração Obama para combater a repressão na Internet serão investidos em tecnologias, ferramentas e formação.
“Nós apoiamos múltiplas ferramentas. Então, se governos repressivos descobrem como atingir uma delas, outras estarão prontas”, afirmou.
Hillary disse ainda que a sua Administração está a investir em tecnologia de ponta, porque os governos repressivos também renovam constantemente os seus métodos.
“Nós precisamos estar à frente deles”, salientou.

WikiLeaks
A secretária de Estado também comentou o vazão de milhares de documentos secretos do governo americano através do site WikiLeaks e disse que o episódio não está relacionado com a liberdade na Internet.
“A confidencialidade do governo foi tópico de debate durante os últimos meses por causa do WikiLeaks. É um debate falso em vários aspectos.
Fundamentalmente, o incidente do WikiLeaks começou com um acto de roubo. Documentos do governo foram roubados, da mesma maneira que teria ocorrido se fossem furtados de uma pasta”, disse.
Hillary rejeitou o argumento de que a divulgação dos documentos se justificava porque o governo teria a responsabilidade de conduzir o seu trabalho de maneira aberta.
“Eu discordo. Os Estados Unidos não poderiam nem garantir a segurança de seus cidadãos nem promover a causa dos direitos humanos e da democracia no mundo se nós tivéssemos de tornar público cada passo das nossas operações mais sensíveis”, rematou.

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