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Wednesday, February 23, 2011

A Igreja e a nova realidade da África, que não é a mendiga do mundo




"Quando se fala de cultura africana, é preciso estar atento, porque o discurso sobre a autenticidade africana corre o risco de revelar uma construção ideológica e passadista. A cultura africana hoje é mais moderna do que as representações étnico-folclóricas ou tradicionais, feitas por europeus ou africanos."
A opinião é do teólogo italiano Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, em artigo para o jornal Corriere della Sera, 05-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Iniciou-se o Sínodo dos bispos para a África. Depois da viagem de Bento XVI ao Camarões e à Angola em março passado, a Igreja convoca agora os seus Estados gerais sobre o "continente doente". Lá, o catolicismo conheceu um crescimento imponente no século XIX. Os católicos passaram de menos de dois milhões em 1900 para mais de 160 milhões hoje. O tempo do colonialismo foi também o de um intenso período missionário. A Igreja não foi embora do continente seguindo as potências coloniais. Desde os anos 50, africanizou os seus quadros, assumindo um rosto africano.
Porém, conheceu graves dificuldades e perseguições. Não só os católicos. O patriarca ortodoxo da Etiópia, Paulos (convidado para falar no Sínodo), conheceu a dura repressão do ditador Menghistu, que o prendeu e assassinou tantos religiosos.
Nos anos 90, a Igreja na África teve um papel central nas transições da ditadura para a democracia. Grandes figuras católicas se impuseram desde o fim da independência, como o senegalês Senghor (um dos poucos líderes do seu tempo que deixou o poder espontaneamente) ou o presidente Nyerere da Tanzânia. E hoje? O catolicismo é uma condição de passagem, mesmo continuando a ser um dos maiores recursos humanos da África.

Mas em que sentido?

A Igreja é desafiada pela vitalidade do Islã, às vezes radical. Mas também por uma mensagem cristã alternativa: Igrejas livres e seitas propõem um cristianismo quente, milagroso, sentimental. Bento XVI falou sobre os riscos do "fundamentalismo religioso, misturado com interesses políticos e econômicos": "Grupos que se remetem a diversas pertenças religiosas – disse ele ontem – estão se difundindo no continente africano; fazem-no em nome de Deus [...] ensinando e praticando não o amor e o respeito à liberdade, mas a intolerância e a violência".
A Igreja ressente-se pela diminuição e pelo envelhecimento dos missionários do Ocidente. Na África, as igrejas católicas estão sempre cheias, mas em alguns países o catolicismo tem uma posição menos central do que ontem e é sumamente desafiado pelo pluralismo religioso e cultural. São problemas claros para Bento XVI, que, no ano sacerdotal, olha com atenção para os 34 mil padres africanos.
A África conta com padres jovens, corajosos, generosos, mas às vezes tentados pelo exercício de um "poder" clerical. Não se pode generalizar, mas o estilo do poder, típico das sociedades africanas, pode contagiar bispos e padres. Essa situação tem uma recaída nos leigos católicos. As grandes figuras de "leigos" (Nyerere ou Senghor) estão em declínio. Na África, os leigos (e as religiosas), decisivos na vida da Igreja, são muitas vezes só os colaboradores dos padres. Vê-se isso pela ausência dos católicos em muitas classes dirigentes. O Sínodo africano dará vitalidade à Igreja no continente em todos os seus componentes?
O Papa Ratzinger propôs, desde cedo, não ajustamentos estruturais, mas a "alta medida da vida cristã, isto é, a santidade".
Diante dos bispos, abre-se o cenário das guerras, das pandemias e da pobreza do continente. Mas a África não é toda "negra". Apesar das crises, ela retorna ao centro do interesse mundial. Vê-se isso pela política ativa da China. Em um encontro recente, promovido pela Fundação Banco di Sicilia e pela Ambrosetti, revelou-se como a África é uma grande oportunidade para as empresas europeias.
Trinta e três países africanos já crescem de um ponto de vista econômico. Está emergindo uma nova geração jovem, pronta para aproveitar as ocasiões da globalização, com um horizonte cultural diferente do tradicional.
Quando se fala de cultura africana, é preciso estar atento, porque o discurso sobre a autenticidade africana corre o risco de revelar uma construção ideológica e passadista. A cultura africana hoje é mais moderna do que as representações étnico-folclóricas ou tradicionais, feitas por europeus ou africanos.
A compreensão da África deve ser mais articulada do que aquela compreensão dolorosa, mas simplificada, do tempo das ditaduras.
A sociedade, que se complexificou, não é mais tão naturalmente religiosa como tanto se disse. Se grandes massas ainda estão suspensas entre passado e futuro, muitos africanos deram um salto para frente. Pela rapidez das mudanças, talvez os bispos católicos deverão ler a realidade e não confiar em estereótipos, para entender melhor o mundo dos seus fiéis. O Papa deu exemplo disso ao falar de força atrativa do "materialismo prático".
Persistem graves situações de miséria, guerra e doenças. A cura da Aids precisa de importantes recursos. A África, sozinha, não irá conseguir. Ela precisa de ajuda, de investimento, de inserção na rede mundial. Porém, ela pode dar muito em todos os níveis. Não é a mendiga do mundo.
É significativo que, no ano da crise econômica, a Igreja coloque a África no centro: "A África representa um imenso pulmão espiritual para uma humanidade que parece em crise de fé e de esperança", disse o Papa. Mas esse pulmão pode adoecer. Os bispos católicos não podem gerir só um grande patrimônio religioso, mas sim ir em profundidade e arriscar o caminho do futuro.
Fonte: IHU

GESTORES E DIRIGENTES CRISTÃOS AFRICANOS REUNIDOS EM LUANDA


17-02-2011 17:24:49

 
Luanda acolhe a partir desta quinta-feira, 17, a reunião da União Internacional Cristã de Gestores e Empresários, UNIAPAC.
O encontro que analisa os relatórios de prestação de contas vai traçar os planos de actividade da organização durante o triénio 2011-2013.  
O Presidente da CEAST recebeu hoje em audiência o dirigente da UNIAPAC, Jean Homfi, acompanhado pelo presidente da Associação Cristã de Gestores e Dirigentes, ACGD, Zeferino Juliana.
Dom Gabriel Mbilingue destacou a importância da instituição no desenvolvimento socio-económico dos países africanos.
“Deixar que as sociedades africanas sejam marcadas pelos valores programados no evangelho do Senhor. Os valores que Jesus pede aos seus discípulos, aos seus seguidores, de modo a ter uma visão, antes de mais, do mundo, do homem e da actividade do homem, sempre na linha do serviço a prestarem a pessoa humana” – disse.
O prelado enfatizou o impacto da associação cristã de gestores e dirigentes na vida real das populações.
“É neste quadro que creio que este género de associações vão ter um impacto real na vida das populações, melhorando as suas condições de vida. É isso que esperamos que aconteça, não só a nível dos países onde essas associações existem, mas que aconteça a nível de todo o continente e, porque não, ao nível de todo o mundo” – frisou.
O também Arcebispo do Lubango disse que este tipo de organizações representa uma maneira de levar a marca cristã ao desenvolvimento económico das sociedades.
“Fazer com que a igreja, através dos leigos ligados a actividade económica, visando o desenvolvimento dos povos, que, de alguma maneira são empresários, possam levar para o domínio do desenvolvimento económico a marca cristã” – revelou.
O primeiro encontro africano da UNIAPAC decorre de 17 a 20 deste mês em Luanda.
 HOMEM CENTRO E FIM DE TODA VIDA ECÓNOMICO-SOCIAL

18-02-2011 16:24:14
 
“O homem é protagonista, o centro e o fim de toda a vida económico-social, como ensina a Igreja”, disse O Presidente da CEAST, Dom Gabriel Mbilingi, esta sexta-feira, quando procedia a abertura do I encontro da União Internacional Cristã de Gestores e Empresários, UNIAPAC-África.
Para tal, frisou “será necessário esforçar-se energicamente para que se possa respeitar os direitos das pessoas e a idiossincrasia de cada povo para que se elimine as grandes desigualdades económicas actualmente existentes, acompanhadas da discriminação individual de grande parte dos cidadãos dos nossos países”.
“Os cristãos que desempenham funções administrativas no actual desenvolvimento económico-social e lutam pela justiça e pela igualdade estejam convencidos que podem contribuir muito para o bem da humanidade e também pela paz no mundo, porque sabemos que o dinheiro – diz a Igreja – está na origem de muitos conflitos por causa das injustiças e desigualdades que cria no relacionamento humano”, explicou o Prelado.
“Em todas essas actividades económico-sociais, quer sozinhos quer associados os cristãos devem ser exemplares e por isso evocamos aqui a ética”, aconselhou Dom Mbilingi.
Adquirindo a competência, experiência, absolutamente indispensáveis, aconselhou,  “respeitem as devidas hierarquias, fiés a Cristo e ao Evangelho, de maneira que toda a sua vida individual como social seja penetrada do espírito das bem-aventuranças e especialmente do espírito de pobreza de desprendimento daquilo que pode ser o homem”.
“Todo aquele que, obedecendo a Cristo, busca primeiramente o reino de Deus, sabemos que recebe daí um poder mais forte e mais puro para ajudar os seus irmãos e realizar sobre o impulso da caridade e a obra da justiça”, disse.
O igualmente Arcebispo do Lubango  recomendou que “o africano deverá ser cuidado, valorizado e protegido em todas as etapas da sua vida” .
Desta feita, disse “a associação se proponha aprofundar e aplicar na prática a doutrina social da Igreja católica, relativa a vida empresarial e as instituições empenhadas na promoção da paz social, do desenvolvimento harmonioso, no bem estar social e individual com base nos princípios da ética geral e da ética económica e empresarial à luz do Direito Canónico e da legislação civil”.
“Na vida económica e social, devem se respeitar e promover a dignidade e a valorização integral da pessoa humana e o bem de toda a sociedade”, disse ainda.
“Tudo isto exigirá mudanças de mentalidade tornando-nos co-responsáveis na tutela dos projectos, criando um ambiente cultural e religioso que favoreça a virtude da solidariedade, da justiça com vista ao progresso”, concluiu.
Por sua vez, o Presidente da ACGD, Zeferino Estêvão Juliana, explicou que o encontro visa  a aprovação do Regulamento Interno da UNIAPAC-África, do Plano de actividades 2011/2013,  do respectivo orçamento e  a partilha de experiência das associações do género existentes no continente africano e nos outros continentes.
Desta forma, disse “o encontro visa analisar e perspectivar aspectos sociais, económicos e culturais indispensáveis para o alcance do desenvolvimento autêntico e realista do Continente berço”.
A UNIAPAC-África, criada em Fevereiro de 2010, integra Angola, Camarões, Republica Democrática do Congo, Burkina Faso e Senegal. Este último país lidera a organização, cujo Presidente é o Sr. Jean Baptiste.
Os dirigentes, responsáveis, quadros e gestores, empresários leigos católicos desta organização continental se comprometem em viver os valores cristãos presentes na doutrina social da Igreja para informar a ordem temporal com espírito cristão, visando levar a mensagem a todos os espaços dos respectivos países.

“ESTABELECER SISTEMAS ECONÓMICOS SEM EXCLUIR DEUS”

21-02-2011 14:25:42
 
O Núncio Apostólico em Angola pediu aos gestores cristãos que não excluam Deus no estabelecimento de sistemas económicos.
O representante da Santa Sé fez a pertinente solicitação no termo do 1º encontro da União Internacional de Gestores e Empresários Cristãos, UNIAPAC, este domingo, 20, em Luanda.
Dom Navatus Rugâmbwa explicou que “o humanismo que exclui Deus é um humanismo desumano e pediu aos membros da UNIAPAC a evitar a postura baseada no falso humanismo que caracteriza as relações económicas do mundo contemporâneo.
Recomendou a prática do amor, mesmo para com pessoas consideradas adversas. “O amor não exige resposta porque Deus não condiciona o seu amor à resposta do homem” – disse Dom Novatus Rugâmbwa
Por isso – disse – “amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem.”
“Amar significa querer o bem do outro, não ser interesseiro, nem mesmo pela resposta ou reacção do outro. Amar não exige resposta. Deus ama aqueles que o amam e aqueles que não o amam” sublinhou.
“Ele faz nascer o sol sobre os bons e maus, faz chover sobre os justos e injustos. Por isso, Jesus Cristo deixou-nos um desafio dizendo: `amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem.” – acrescentou.
Por sua vez, O Presidente da CEAST, Dom Gabriel Mbilingi, disse que a UNIAPAC lançada o Ano passado, com esse primeiro encontro, deu o seu passo decisivo rumo ao cumprimento da sua missão ao nível do continente.
“Pelo comunicado final, pelas conclusões pudestes perceber que o grupo tomou maior consciência da sua responsabilidade ao nível do continente, de cada Igreja local, de cada associação nos vários países”, explicou o igualmente Arcebispo do Lubango,
O primeiro encontro da União de Gestores e Empresários Cristãos aprovou o regulamento e o símbolo da UNIAPAC e as actividades visando a organização do próximo congresso.

VIVAMOS AB AETERNO ALGUNS MOMENTOS DO I E II SINODO DO NOSSO QUERIDO CONTINENTE



Intervenção sobre a Ecclesia in Africa:

Introdução

No dia 10 de Abril de 1994, durante uma colorida liturgia pontifícia, Sua Santidade o Papa João Paulo II de venerada memória, circundado por 35 cardeais, 1 patriarca, 39 arcebispos, 146 bispos e 90 sacerdotes, inaugurou solenemente a Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, “a fim de promover a solidariedade pastoral orgânica em todo o território Africano e ilhas adjacentes”. [1] “A África na diversidade dos seus ritos, estava ali, mostrando sua alegria, exprimindo a sua fé na vida, ao som de tambores e de outros instrumentos musicais africanos.” [2]
Naquela ocasião, a África entendeu que, por um lado, é parte integrante da história da salvação, de Abraão a Jesus Cristo [3] e que, por outro lado, segundo as palavras de Paulo VI, é a “nova pátria de Cristo” ,[4] “terra amada do Pai Eterno”.[5]
Durante um mês (10 de Abril - 8 de Maio de 1994), a Assembleia sinodal olharia a África directamente nos olhos, para a melhor compreender e medir a profundidade das suas tragédias e feridas (genocídios, guerras e conflitos armados, movimentos migratórios ...), como também os seus esforços de renascimento, de democracia de defesa dos direitos humanos, e os exemplos luminosos de caridade até o martírio.
Ao longo dos seus vários encontros, a Assembleia do Sínodo - e com ela a Igreja - experimentaria e viveria na própria carne os sofrimentos dos povos da África, como se o Senhor quisesse associá-los ao Sínodo: o Papa João Paulo II e alguns Padres sinodais no hospital, o assassinato de um arcebispo e três bispos em Kabgayi, o massacre de sacerdotes, religiosos/as e fiéis leigos, profanação de igrejas ...
Na conclusão dos debates e deliberações dos Padres sinodais, a África (mais do que nunca) apareceu como aquele homem da parábola evangélica, que descia de Jerusalém para Jericó e que os bandidos haviam deixado quase morto ao lado da estrada (cf. Lc 10,30 ). De facto, como aquele homem, a África aguardava a passagem do Bom Samaritano que é Jesus Cristo.
Por isso, os Padres sinodais quiseram que o Sínodo fosse um “Sínodo de Ressurreição”, um “Sínodo de esperança e de consolação para a África: “Cristo, nossa esperança está vivo, nós viveremos!”.[6]
Efectivamente, não é suficiente constatar e avaliar a dimensão dos dramas na África; é preciso também propor soluções e remédios, orientações e opções pastorais capazes de dar nova vida e novo ânimo à vida da Igreja e de dos os povos da África. Foi justamente por isso que os Padres sinodais assumiram o compromisso solene de continuar sem parar a missão evangelizadora da Igreja nas suas cinco dimensões, que são: a evangelização, a inculturação, o diálogo, a justiça e a paz, os meios de comunicação social. E para a implementação desta missão, a Assembleia sinodal escolheu a ideia-chave de Igreja-família de Deus. “ A nova evangelização visará, portanto, edificar a Igreja-família, excluindo todo o etnocentrismo e todo o particularismo excessivo, promovendo a reconciliação e uma verdadeira comunicação entre as diferentes etnias, favorecendo a solidariedade e a partilha no que diz respeito aos aspectos pessoais e aos recursos das Igrejas particulares, sem considerações impróprias de tipo étnico. [7]Graças à bondade e à fidelidade do Santo Padre, as ideias fundamentais, as opções, as orientações e as proposições da Assembleia sinodal especial para a África foram, nos seus aspectos essenciais, «codificados” na exortação pós-sinodal Ecclesia in Africa (1995). Convém avaliar, através a recepção da exortação, a incidência teológica e pastoral na Igreja do Sínodo especial para a África.

1. Da 1ª à 2ª Assembleia Especial para a África
1.1. A Primeira Assembleia Especial para a África dos Sínodo dos Bispos criou uma dinâmica sem precedentes não só na vida da Igreja, pelo facto de ser cronologicamente o primeiro sínodo continental, mas também na vida da Igreja Católica na África. Neste último caso, a dinâmica consiste antes que mais nos cinco temas-chave e na sua pertinência para a vida e a evolução da África; em segundo lugar, na ideia-chave de Igreja-família de Deus, sem falar do kairos que esta maneira de ver as coisas da Igreja dá para a solução das situações de guerra e de conflitos que existem na África.

1.2. Crescimento da Igreja Católica na África

Estes dados demonstram a vitalidade e o crescimento da Igreja na África após a realização do Sínodo de 1994. Provavelmente, este evento foi o maior, senão o principal, impulsor de tal crescimento.
Outro dado a ser considerado para apreciar a força da Igreja na África é certamente a criação de novas dioceses: 80 de 1994 a 2009 (além de 5 prefeituras apostólicas), sem contar as 24 dioceses promovidas a arquidioceses e as 6 dioceses in fieri que se completaram. Deste modo, os bispos africanos aumentaram de 428 em 1994 para 528 em 2009, com um crescimento de 23,5% . O incremento foi generalizado, mas alguns países distinguiram-se. Vejamos em ordem alfabética: Benin (+45%), Camarões (+25%), Etiópia/Eritreia (+45%)), Gana (+135%), Quénia (+42%), Nigéria (+43%), Uganda (+15%), República Centro-africana (+50%) e Togo (+75%). Consequentemente, as Conferências episcopais nacionais ou internacionais africanas passaram de 34 em 1994 para 36 em 1998. [8]

Renovação do clero na África após a Assembleia Especial para a África

Dos 190 bispos africanos dos 239 participantes da assembleia sinodal, somente 50 não mudaram a sua situação. Dos 129 membros restantes: 10 foram nomeados Cardeais (8,5%), 36 promovidos ou transferidos (28,5%), 50 tornaram-se eméritos (38,5%) e 57 faleceram (44%). Entretanto, outros participantes do evento sinodal foram nomeados bispos: 2 sacerdotes, 4 peritos, 1 auditor e 3 assistentes da Secretaria Geral.
Em todo o continente africano, 520 bispos, em um total de 528, foram nomeados ou promovidos depois da celebração sinodal. [9] Estes dados dão-nos uma taxa de renovação ainda mais elevada da dos membros da própria Assembleia de cerca de 98% num espaço de tempo muito pequeno (1994-2009).
1.3. Edições
Entre as iniciativas tomadas para a implementação das decisões da Assembleia Especial para a África, deve-se contar a edição integral o parcial da Exortação pós-sinodal Ecclesia in Africa (EIAF) nas principais línguas utilizadas durante os trabalhos do SCEAM (inglês, francês, português) Estas traduções permitem um melhor conhecimento das directivas e das decisões sinodais, sobretudo graças à realização de sessões pastorais que incluíam os fieis a vários níveis. 

1.4. Estruturas pastorais
O SCEAM, assim como as conferências regionais e nacionais, e as dioceses, criaram estruturas pastorais de estudo para a aplicação das directivas e das recomendações do Sínodo para a África. Sobretudo a nível SCEAM, modificaram-se os estatutos e o Regulamento com este objectivo. 

1.5. Planos e programas pastorais
A nível continental, regional, diocesano, muitos elaboraram projectos, planos e programas pastorais anuais, trienais e quinquenais segundo o espírito do Sínodo especial para a África. Estes programas encontram-se geralmente nas cartas pastorais, em brochuras ou opúsculos que mostram as referências ao pensamento do Sínodo.

1.6. Dignos de uma menção especial são as duas cartas pastorais das Assembleias plenárias do SCEAM : “ A Igreja na África, uma Igreja-família “ [10] e “ Cristo é a nossa Paz: a Igreja-família de Deus, lugar e sacramento do perdão, de reconciliação e de paz na África”.[11] Enquanto que a primeira carta pastoral é um esforço de inculturação dos autênticos valores familiares da África com relação às realidades eclesiais, a segunda, depois de ter mostrado a diferença e a imbricação da paz dos homens e da que é dada por Cristo e pela Igreja, dá um plano pastoral que visa ajudar a Igreja a assumir um papel mais significativo na busca humana da paz na África. Ter-se-á em consideração esta máxima que se tornou célebre: “O conflito, mesmo latente, começa assim que o direito é violado ou desrespeitado”.[12]

1.7. Sínodos
Desde 1994 e durante os anos seguintes, muitas dioceses e algumas conferências episcopais tiveram reuniões sinodais quer sobre os próprios temas do Sínodo Especial para a África, quer sobre apenas um ou dois temas. O tema geral “Evangelização” foi utilizado muitas vezes para abranger todos os sectores. Uma conferência episcopal organizou de cinco em cinco anos uma sessão pastoral nacional sobre a evangelização.

1.8. Congressos e simpósios
Algumas universidades, faculdades eclesiásticas e associações bíblicas e teológicas organizaram congressos e simpósios quer sobre a evangelização quer sobre o tema-chave da Igreja-família de Deus ou também sobre a missão. Ficaram célebres duas semanas teológicas: a primeira em Kinshasa, organizada pela Faculdade de Teologia Católica de Kinshasa sobre a Igreja-família e a Igreja-fraternidade, em 1995. Nessa ocasião, os estudos demonstraram que desde a Bíblia, nomeadamente 1 Pd 2,17 ; 1 Pd 5,9, à vida monástica e até ao século VIII, a visão da Igreja como família ou fraternidade era usual e comum; a segunda, no ICAO (Abidjan) em 1996, partindo dos sacramentários leoninos (século V), gelasianos (século V) e gregorianos (século VII) e chegando até à reforma litúrgica do Vaticano II sem falar da literatura teológica, concluiu que a concepção da Igreja como família de Deus não é, de facto, outra coisa senão um regresso às origens da fé cristã. A Associação pan-africana dos exegetas católicos (APECA), de uma perspectiva bíblica enriqueceu ao longo de dois congressos (Ouagadougou, 1997 e Abuja, 1999) o debate teológico sobre a Igreja-Família de Deus. O mesmo se pode dizer em relação ao Congresso Missionário Internacional “ Tertio Millennio” (2005) de Kinshasa, onde se constatou que a concepção de Igreja-família é uma importante contribuição africana para a eclesiologia.

1.9. Vocabulário teológico e pastoral
É com alegria que constatamos que a expressão Igreja-família de Deus está cada vez mais presente no vocabulário teológico e pastoral da Igreja na África e em todo o mundo, inclusive no Magistério pontifício.

1.10. Estudos teológicos e catequéticos
Começaram alguns trabalhos de doutoramento e de catequese sobre a Igreja-família de Deus e sobre o pensamento do Sínodo especial para a África.

1.11. Três consequências directas da Assembleia sinodal foram: a implementação da Igreja em África a todos os níveis (continental, nacional, diocesano, paroquial), das comissões Justiça e paz; a criação de faculdades de comunicação social dentro das universidades católicas, o lançamento de redes de televisão e de rádios rurais diocesanas; as comissões formais ou informais de diálogo ecuménico e inter-religioso. Se, por um lado, lamentamos a falta de meios, o facto de não poder ter criado a Rádio continental africano, por outro lado, estamos contentes do papel mais importante que tiveram as comissões Justiça e paz na formação cívica e democrática dos cidadãos e no monitorização das eleições em vários países africanos.

1.12. Temos de lamentar também a falta de entusiasmo antes que mais da Igreja local africana e de outras Igrejas dos países desenvolvidos a propósito dos recursos materiais necessários para a auto-suficiência das dioceses pobres da África, uma melhor organização das colectas para as Obras pontifícias missionárias, a última de S. Pedro e a auto-suficiência das dioceses da África permitirá à África de participar de forma mais generosa no financiamento da missão de Jesus Cristo no mundo e “ de produzir recursos, com o objectivo do auto-financiamento progressivo das nossas Igrejas”. Segundo a mesma lógica, as Igrejas locais devem esforçar-se por assegurar o mais possível o financiamento das estruturas eclesiais que elas criam. Estas disposições são mais necessárias do que as organizações não-governamentais (ONG) que proliferam cada vez mais em África e que recorrem para as suas actividades ao mesmos organismos católicos de entradas que as dioceses e as conferências episcopais. 

1.13. Com o objectivo da promoção da justiça e da paz, uma conferência episcopal criou um Instituto da Paz, cujas iniciativas de mediação pela paz são muitas e válidas.

2. Perspectivas da Convocação da segunda Assembleia Especial para a África

2.1. Nos anos sucessivos às sessões da primeira Assembleia Especial para a África, o Conselho pós-Sinodal da Secretaria Geral do Sínodo manteve regularmente uma reunião anual, durante a qual se analisou o quadro sóciopastoral da Igreja na África.

2.2. Na 11ª reunião, realizada nos dias 18 e 19 de Junho de 2003, o Conselho constatou que “a situação geral do continente, já crítica na fase de preparação da Assembleia especial, não havia melhorado, mas ao contrário, piorado. A única diferença derivava do fato que, após a Exortação pós-Sinodal Ecclesia in Africa, a Igreja local dispunha de instrumentos adequados para enfrentar e estudar o problema”.[21]

2.3. Assim, o Conselho começou a elaborar a programação da segunda Assembleia Especial para a África. “A maior parte dos membros concordou que a segunda Assembleia se realizasse depois de 15 anos da primeira, isto é, em 2009, e após 5 anos de preparação, o que permitiria um trabalho de aprofundamento a partir da base: consequentemente, começando em 2004".

2.4. Depois que a primeira Assembleia Sinodal para a África examinou a situação do continente em seu conjunto, o Conselho pós-sinodal considerou que a segunda Assembleia deveria se limitar a una análise [22] mais restrita e de uma urgência especial para o futuro do continente, por exemplo a paz, a justiça e o perdão, no contexto da Igreja-Família de Deus, recorrendo a uma fórmula como “Não há paz sem justiça, não há justiça sem perdão (ou reconciliação)”, ou destacando o papel de fermento que a Igreja desempenha na África: “Igreja-Família de Deus: fermento de um mundo novo”. [23]

2.5. Em 13 de novembro de 2004, dia do 1650º aniversário do nascimento de Santo Agostinho, em uma audiência concedida aos Bispos da Europa (CCEE) e da África (SECAM), Sua Santidade, Papa João Paulo II, aproveitou a ocasião para anunciar sua intenção de convocar a segunda Assembleia especial para a África do Sínodo dos Bispos.

2.6. Sua Santidade, Papa Bento XVI, concretizou essa intenção, anunciando a convocação, no Vaticano, de 4 a 25 de Outubro de 2009, da segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, sobre o tema “A Igreja em África a serviço da reconciliação, da justiça e da paz. Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo (Mt 5, 13-14).

3. Nas pegadas da primeira Assembleia Especial para a África

3.1. A segunda Assembleia Sinodal Especial para a África segue a lógica e o exemplo da primeira Assembleia, de 1994. Com efeito, visto que persistia na África um clima de guerras e conflitos, temia-se que essa situação gerasse uma série de atos de vingança e de violência generalizada. De modo providencial, a primeira Assembleia Sinodal atribuiu à evangelização a missão de edificar a Igreja-Família de Deus, a fim de que as famílias africanas se tornassem Igrejas domésticas e as sociedades africanas, sociedades-família. De um lado, membros de uma mesma família não se matam entre si; de outro, a Igreja-Família de Deus se presta, por sua natureza, ser local e sacramento do perdão, da reconciliação e da paz, assim como nos ensina o Evangelho (Mt 16, 19; 18, 17; Jo 20, 22-23). É necessário também que a própria Igreja se apresente ao mundo como uma comunidade reconciliada, capaz de influenciar a sociedade e conduzi-la a uma mentalidade de perdão, de reconciliação e de paz. Uma segunda assembleia sinodal deveria, portanto, concluir a obra iniciada pela primeira. Esta, de fato, requeria uma segunda, como consequência e complemento.

4. Reconciliados na Igreja-Família de Deus

4.1. O termo “reconciliação” implica a idéia de “cicatrização” e de recomposição de uma rede de relações humanas, rompida por alguma razão. Tal recuperação da harmonia passa, nos vários idiomas, pela idéia fundamental de “mudança” ativa e passiva (allassô), de “agregação” e de reunião” (conciliar, reconciliar. Cfr. Concilium), de “purificação” e de “expiação” (Yôm Kippûr). Na África, a reconciliação comporta também o conceito de recuperar a coesão tribal e familiar, em vista da harmonia e do equilíbrio “total” da linhagem e da colectividade.

4.2. A “reconciliação cristã” vai mais além, pois pertence à trilogia “amor, perdão, reconciliação” que, por sua vez, implica na gratuidade, como o amor de Deus. Por isso, ela participa do radicalismo evangélico (a nova lei). Assim, o Evangelho pode nos convidar a amar como Deus, ou seja, tanto os nossos amigos como os nossos inimigos, os bons e os maus, “porque deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mt 5, 44-45). São Paulo acrescenta: “Mas eis aqui uma prova brilhante do amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, (ou seja, inimigos de Deus), Cristo morreu por nós” (Rm, 5, 8).

4.3. Nesta lógica de gratuidade, o discípulo de Cristo deve deixar sua oferta sobre o altar e reconciliar-se com o seu irmão, antes de retornar a apresentá-la a Deus (Mt 5, 23-24). Em outras palavras, não se pode esperar o perdão de Deus e a reconciliação com ele sem abrir o coração ao amor e estar disposto ao perdão e à reconciliação com o próximo (cfr. Mt 18, 23-35: o devedor cruel).

4.4. Em suma: o perdão e a reconciliação brotam e são oferecidos gratuitamente, sem esperar nada em troca. São desinteressados por natureza, provocam, por si só, um resultado. Com efeito, não se pode colher a motivação de tamanho amor sem que se dê, em troca, um amor proporcional. É toda a espiritualidade de nossa relação filial com Deus nosso Pai.

4.5. Consequentemente, o ideal de reconciliação, de perdão e de amor transcende as forças humanas. Para viver, crescer e se aperfeiçoar, necessita-se da força do Espírito Santo, Espírito de amor derramado em nossos corações (Rm 5,5; 8, 15), por meio da economia sacramental da Igreja:“Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48). A reconciliação perfeita é realizada e vivida na Igreja-Família de Deus, que, por ser sacramento da salvação de Deus, é o local e o instrumento da reconciliação e do perdão.

4.6. À trilogia amor, perdão e reconciliação, outra trilogia está indissoluvelmente relacionada: fraternidade, justiça e verdade. “A sociedade está cada sempre mais globalizada e nos aproxima - diz Bento XVI - mas não faz de nós irmãos. Só a razão é capaz de colher a igualdade entre os homens e estabelecer uma convivência cívica entre eles, mas não consegue criar a fraternidade. Esta tem origem em uma vocação transcendental de Deus Pai, que nos amou antes de tudo, ensinando-nos, por meio de seu Filho, o que é a caridade fraterna”. [24]

4.7. Não há reconciliação senão na verdade: a verdade material dos fatos, a verdade formal das disposições interiores dos corações, quando “a boca fala daquilo que o coração está cheio” (cfr. Lc 6, 45) e a palavra proferida pelos protagonistas é verídica e não mistura o “sim” com o “não”(cfr. Mt5, 37). Somente nestas condições as comissões “Verdade e Reconciliação” podem realizar obras úteis à pacificação dos países em conflito. “Com efeito, a verdade é “logos” que cria “diá-logos” e portanto, comunicação e comunhão. Ajudando os homens a ir além de suas opiniões e sensações objectivas, a verdade lhes permite superar determinações culturais e históricas e a se encontrar na avaliação do valor e da substância das coisas”. [25]

4.8. A reconciliação na mentira não pode ser fonte de paz duradoura, assim como uma reconciliação que ignore os imperativos elementares da justiça. “Não há paz sem justiça, não há justiça sem perdão” - disse João Paulo II em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2002. Bento XVI, por sua vez, diz. “A paz, na verdade”.[24]
A reconciliação sem justiça é uma acção que causa frustração e deixa um sabor de incompleto. A reconciliação sem a verdade faz transparecer sempre a impropriedade de um acordo, provoca suspeitas sobre a sinceridade dos interlocutores e compromete a fidelidade da palavra dada.

5. Reconciliados “para a salvação da multidão” (cfr. Gn 45, 7-8; 14-15)

A este respeito, o episódio bíblico de José, vendido por seus irmãos, pode esclarecer o sentido da reconciliação. Com efeito, o caminho de escravidão de José, filho de Jacó, vendido por seus irmãos (Gn 37, 12-38) concluiu-se com a reconciliação com os seus irmãos. José interpretou sua partida para o Egito como obra de Deus, que o enviou antes deles (seus irmãos) para salvar suas vidas, para uma grande libertação (Gn 45, 7); para a “salvação da multidão” (lit: um grande povo) (Gn 50, 20). Este episódio, contextualizado na teologia bíblica do ciclo do Êxodo, parece oferecer-nos uma chave hermenêutica da salvação, suscetível a ajudar-nos a compreender qual é o sentido profundo dos últimos cinco séculos da história humana em geral e da “Rota dos escravos”, em particular. Os quatrocentos e trinta anos de escravidão do povo hebreu no Egito (Ex 12,40) nos impele a interpretar o andamento da geopolítica contemporânea. Ela parece ser a conclusão da “Rota dos escravos” dos séculos XV e XVI, considerada como um plano de Deus “para a salvação da multidão”. Se a eleição de um negro como presidente dos Estados Unidos foi um “sinal divino” e um alerta do Espírito Santo para a reconciliação de raças e etnias, para a pacificação das relações humanas e para que o “intercâmbio de matérias-primas” dê lugar ao “intercâmbio de matéria cinzenta” nas relações norte-sul...! O actual Sínodo e a Igreja universal ganhariam muito não ignorando essa situação fundamental da história contemporânea, longe de ser um banal jogo de alianças políticas.

Conclusão

É preciso reconhecer que o espírito e o dinamismo da primeira Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos deram um novo impulso à vida e à missão da Igreja na África. Além de acolher com entusiasmo a Exortação pós-sinodal Ecclesia in Africa, que foi publicada e apresentada, as Igrejas locais seguiram suas directivas, opções e orientações convocando sínodos diocesanos, regionias ou nacionais, organizando congressos, simpósios ou seminários sobre o tema-chave da Igreja-Família de Deus, e ainda, elaborando projectos, planos e programas pastorais baseados no mesmo tema e publicando cartas pastorais, opúsculos ou livretos de fácil leitura. Tais programas pastorais foram concebidos em todos os níveis, desde o SECAM às dioceses e comissões Justiça e Paz.
A este respeito, a carta pastoral do SECAM intitulada “Cristo é a nossa Paz” (2001) enfrentou de modo mais formal a questão dos conflitos armados e da reconciliação na África, considerando a Igreja-Família de Deus como lugar e sacramento do perdão, da reconciliação e da paz na África. Os temas da reconciliação e da Igreja-Família de Deus abriram o caminho para a segunda Assembleia sinodal, baseada na Igreja em África a serviço da reconciliação, da justiça e da paz... “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14).
A segunda Assembleia especial para a África do Sínodo dos Bispos é chamada a introduzir a Igreja e a sociedade em África no caminho do perdão, da reconciliação e da paz, graças à justiça na verdade: “reconciliados na Igreja-Família de Deus, para a salvação dos grandes povos”.
“Senhor, mostrai-me os vossos caminhos” (Sal 25(24), 4). “Pedimos-te Senhor, tu que guias as criaturas humanas através dos conflitos deste mundo, para que atendas a vontade de paz do nosso tempo, a fim de que todos os homens possam viver felizes e te louvar pelo amor que tu nos doas” [26]

DOM MONSENGWO PASINYA
Arcebispo de Kinshasa


NOTAS

[1] EA, 5
[2] EA, 6
[3] cfr. Homilia da abertura do Papa João Paulo II
[4] AAS 56, 1964, pp. 907-908
[5] João Paulo II, Homilia de encerramento do Sínodo dos Bispos em Doc. Cath, 91 (1944) 536
[6] Mensagem, n. 1-2, EA, 13
[7]EA, 63
[8] 1994: 34 + 1 (C.E.D.O.I); 2004: 36 + 1 (C.E.D.O.I) - Namíbia (96) - Libéria (98)
[9] Bispos recém-nomeados ou promovidos (369); transferidos (151) após a primeira Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos.
[10] Documento final da Assembleia plenária do SECAM em Midrand (Joanesburgo), de 21 a 27 Setembro de 1997, publicado em Acra, 1998.
[11] Documento final da Assembleia plenária do SECAM em Rocca di Papa de 1º a 8 de Outubro 2000, publicado em Acra em 2001.
[12] “Christ est notre paix”..., n. 109.
[13] AA, Église-Famille – Église-fraternité. Perspectives post-synodes. Actes de la 20ème Semaine théologique de Kinshasa, Kinshasa, FCK, 1997.
[14] AA., Foi, Culture et évangélisation en Afrique à l’aube du 3ème millénaire. Actes au Colloque spécial post-synode4, Abidjan, RICAO, 14-15, 1996.
[15] AA., L’Église-famille et perspectives bibliques. Actes du 8ème Congrès de l’Association panafricaine des Exégètes catholiques. Mélanges Cardinal P. Zoungrana, Ouagadougou, 19 – 27 juillet 1997; Kinshasa, 1999.
[16] AA., L’Église – famille et perspectives bibliques. Actes du 9ème Congrès de l’Association panafricaine des Exégètes catholiques; Abidjan, 25 – 30 septembre 1999, Kinshasa, 2002.
[17] Tshibangu Th., “L’avenir de l’activité missionnaire” ad Gentes, Perspectives pour le 21ème siècle, Actes du Congrès international de missiologie “Tertio Millennio”, Kinshasa, Médiaspaul, 2005, p.
[18] Cfr João Paulo II, Pastores gregis, n. 59; Bento XVI, Audiências gerais de 7 de Fevereiro de 2007 e de 15 de Outubro de 2008.
[19] Cfr EIAF, n. 104.
[20] Ibid.
[21] Relatório da XI reunião do Conselho pós-sinodal, p. 4, II.
[22] Ibid.
[23] Cfr Relatório ibid, pp. 4-5.
[24] Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, n. 19.
[25] Ibid, n. 4
[26] Oração Hora Nona de quinta-feira da segunda semana do tempo comum, ofício francês.

BIBLIOGRAFIA SELECTIVA SOBRE A IGREJA-FAMÍLIA NA ÁFRICA

I. ASSEMBLEIA ESPECIAL PARA A ÁFRICA

A. MONOGRAFIAS
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II. EVANGELIZAÇÃO

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2. BRUGGEMAN L., Un projet africain d’évangélisation. Pour un suivi du Synode. L’Église demain 13, Kinshasa 1997.

B. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
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C. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS
1. CIPOLLINI A., Pour une nouvelle évangélisation en Afrique.
Introduction à la réflexion sur certaines lignes de force émanant de l’Assemblée sur le Synode Africain et de l’Exhortation Apostolique post-synodale Ecclesia in Africa, in Cahier de réflexion (Mbalmayo) 2 (1996) 5-19.
2. DEFOUR G., Pour une Catéchèse au diapason du synode africain.
L’homme en quête de son authenticité comme image de Dieu, in Telema (Kinshasa) 21/3-4 (1995) 67-77.
3. DINH DUC DAO J., Prospettive missionarie dell’Africa alla luce dell’Esortazione Apostolica Ecclesia in Africa, in Catechesi Missionaria (Roma) 12 (1996) 31-36.

III. INCULTURAÇÃO

A. MONOGRAFIAS
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Inculturation des rites religieux au Zaïre, Editions Karthala, Parigi 1994.
2. KABASELE LUMBALA F., Liturgies africaines : l’enjeu culturel, ecclésial et théologique, in Recherche africaine de Théologie 14 , Facultés Catholiques de Kinshasa, Kinshasa 1996 .
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4. NDI OKALLA J.-M., Inculturation et conversion. Africains et européens face au Synode des Églises d’Afrique, Editions Karthala, Parigi 1994.
5. SHORTER A., Christianity and the African Imagination. After the African Synod Resources for Inculturation, Paulines Publications Africa, Nairobi 1996.
B. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
1. ANGOUNOU J.C., Diverses approches africaines du sacrement du mariage à la lumière de la réflexion récente.
Excepte ex dissertatione ad Doctoratum in Facultate Theologiae, P.U.G., Roma 1997.
2. CHARLES E.T., From Adaptation to Incarnation : A Study of the theology of Inculturation in the Teaching of the African Catholic Bishops (1969-1994) and Its Implications for Interreligious Dialogue and Human Promotion (Unpublished Doctoral Thesis), PUG, Roma 1996.
3. CHARLES E.T., Inculturating the Gospel in Africa : From Adaptation to Inculturation, P.U.G., Roma 1996.
4. CONFERENZA ITALIANA SUPERIORI MAGGIORI, Ufficio Missionario, Dal Sinodo per l’Africa : come si incultura il Vangelo. La vita consacrata si interroga, Roma 1995.
5. ESSOMBA F. A., Pour une proposition d’un rituel inculturé de mariage pour l’Église qui est au Cameroun. Une étude comparative entre l’OCM de 1991 et le rituel matrimonial de la Conférence épiscopale du Cameroun. Pars dissertationis ad Doctoratum Sacra Liturgiae assequendum in Pontificio Instituto Liturgico, Pont. Athenaeum S. Anselmi de Urbe, Roma 1997.
6. GUIDELINES FOR HEALING MINISTRY in the Catholic Church in Nigeria, Conferenza Episcopale della Nigeria, Segretariato cattolico della Nigeria, Lagos 1997.
7. KABASELE LUMBALA F., Liturgies africaines: l’enjeu culturel, ecclésial et théologique in Recherches africaines de Théologie 14 , Facultés Catholiques de Kinshasa, Kinshasa 1996 .
8. KAHINDI CHARO P. , Family as a Sanctuary of life. With a Special Reference to African Religious Moral Tradition ; Dissertatio ad Licentiam in Pontificia Facultate Theologicae Sanctae Crucis. Roma 1998.
9. KAYONDO R., Towards a Rite of Christian Initiation of Adults for the Ganda in Uganda. A study of the inculturation of Symbols and Symbolisms for Christian Initiation, Dissertatio ad Doctoratum Sacra Liturgiae assequendum in Pont. Inst. Pont. Athenaeum S. Anselmi de Urbe, Roma 1994
10. KITSA BUUNDA D., Le Christ comme sagesse de Dieu dans la pensée négro-africaine. Essai sur les proverbes des bahunde, Extractum ex Dissertatione ad Doctoratum in Facultate Theologica P.U.U., Roma 1998.
11. MASINGANDA A. M., Du discours christologique à l’émergence d’ecclésiologie en contexte négro-africain. Pertinence doctrinale et contextuelle, Excerpta dissertatione ad Doctoratum in Facultae Theologiae PUG, Roma 1996.
12. MOTO D., Vers l’inculturation des rites sacrés bantu pour les diocèses du Shaba (Zaïre). Dissertatio ad Lauream in Theologica, Pontifica Facultas Theologica Theresianum, Roma 1997.
13. MURAGE B., Evangelization and Inculturation of Marian Devotion Among the Agikuyu of Central Kenya in Nyeri Archdiocese Yesterday and Today, Dissertatio ad Laurem in Pontificia Facultate Theologicae Marianum, 62, Roma 1994.
14. NWEKE Benard, Igbo System of Kinship and Family : a Christian Response, dissertation ad doctoratum in Facultate Theologiae, P.U.S.C., Roma 1998.
15. OBORJI F. A., Trends in African Theology Since Vatican II. A Missiological Orientation, dissertation ad doctoratum in Facultate Missiologiae, P.U.U., Roma 1998.
16. OKIKE OHA B., The Need for Mission Through Inculturation and Dialogue in Nigeria, extractum ex dissertatione ad Doctoratum in facultate Missiologiae, P.U.U., Roma 1995.
17. OKUCU L., The “Liturgical Ministry” of the Lay Catechist. A Theological and Liturgical Study of the Ministry of the Lay Catechist with Special Reference to Uganda.
Excerpta dissertatione ad Doctoratum Sacrae Liturgiae assequendum in Pontificio Instituto Liturgico, Roma 1997.
18. OSUJI ACHULIKE B., The African Concept of Community : a Basis for the Inculturation of Religious Community Life in the Apostolic Religious Institutes in Africa. Excerpta ex Dissertatione ad Doctoratum in Facultatae Theologiae, P.U.G., Roma 1996.

C. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS
1. ABENG N., La pastorale de la famille – l’inculturation – l’ecclésiologie. Après le Synode des Évêques pour l’Afrique, in Revue Africaine de Théologie (Kinshasa) 18 (1994) 51-64.
2. Assembly for Africa and Inculturation, in Studia Missionalia 44 (1995) 275-285, PUG, Roma.
3. BOKA DI MPASI L., Gli antenati mediatori in Africa ,in La Civiltà Cattolica (Roma) 145 (1994) 348-371
4. BOKA DI MPASI L., Les ancêtres médiateurs, in Telema (Kinshasa) 2 (1995) 61-70.
5. DI SALVATORE G., L’image de l’Église-famille dans l’Exhortation Apostolique Ecclesia in Africa.
Eléments de Réflexion sur une application de l’inculturation, in Cahiers de Réflexion (Mbalmayo) 2 (1996) 41-69.
6. GIRAUDO C., Prière eucharistique et inculturation. Jalons pour le Synode d’Afrique et de Madagascar, in Nouvelle Revue Théologique (Namur) 116 (1994) 181-200.
7. GRASSO E., The Process of Inculturation in the Light of the Apostolic Exhortation Ecclesia in Africa, in Omnis Terra (Roma) 29 (1995) 436-442.
8. GRASSO E., II Processo dell’Inculturazione alla luce dell’Esortazione apostolica Ecclesia in Afrique, in Omnis Terra (Roma) 14 (1996) 90-95.
9. GRASSO E., El Proceso de Inculturación a la luz de la Exhortación apostólica Ecclesia in Africa, in Iglesia,Pueblos y Culturas (Quito) 8/39 (1995) 21-34.
10. GRASSO E., Le Processus d’Inculturatión à la lumière de l’Exhortatión apostólique Ecclesia in Africa, in Cahiers de Réflexions (Mbalmayo) 2 (1996) 19-40.
11. GWEMBE E.P., La piété envers les ancêtres dans la religion africaine, in Telema (Kinshasa) 2 (1995) 53-60.
12. INCARNATION (THE) OF CHRIST IN THE AFRICAN FAMILY. The Tanzania Church implements the African Synod, in Catholic international (Baltimora) 8 (1997) 92-93.
13. KABASELE LUMBALA F., Célébration Africaine de l’envoi en mission (rituale), in Revue africaine des Sciences de la Mission (Kinshasa) 3 (1996) 187-200.
14. KÜSTER V.,¨…and Foolishness to Gentiles¨. Images of Christ from Africa and Asia, in Mission Studies (Sankt Augustin) 12/23 (1995) 95-112.
15. LAPOINTE E. , African’s Ancestors Veneration and Christian Worship, in Mission (Ottawa) 2 (1995) 253-278.
16. MBUKA C., Chiesa ¨Famiglia di Dio¨ : comunione e dialogo. Elementi di inculturazione, in C.I.S.M., Dal Sinodo per l’Africa: come si incultura il Vangelo, Roma 1995, p.69-75.
17. MEDDI L., Dal Sinodo una spinta all’inculturazione, in Catechesi missionaria (Roma) 12 (1996) 25-30.
18. MIMBU KILOL H., Quels rites et symboles dans les liturgies africaines?, in Revue africaine des Sciences de la mission (Kinshasa) 3 (1996) 87-120.
19. OGUEJIFOR J. O., Ecclesia in Africa and the Truth about Inculturation, in Bigard Theology Studies (Enugu) 17 (1997) 61-70.
20. OKOYE J., African Theology, in MÜLLER K., Dictionary of Mission: Theology, History, Perspective, Orbis Books, Maryknoll, New York 1997, pp.9-1721. OKOYE J., Inculturation and Theology in Africa, in Mission Studies (Amburgo) 14 (1997) 64-83.
22. OWAN KRIS J., The African, the Spirit-world and the Crave for Survival and Success: Post-synodal Reflecions, in Bigard Theological Studies (Enugu) 17 (1997) 23-43.
23. SPIRITUALITY DEPARTMENT, A Search for an Authentic African Christian Spirituality, in African Christian Studies (Nairobi) 10/1 (1994) 38-55.
24. WIJSEN F., All People See the Same Sun. Liturgy in Africa Between Inculturation and Syncretism, in Questions liturgiques (Lovanio) 77/1-2 (1996) 77-95.

IV. IGREJA-FAMÍLIA DE DEUS

A. CONTRIBUTI DELL’APECA E DELLE FACOLTÀ DI TEOLOGIA
1. ATAL, D., La fraternité dans le Nouveau Testament, dans Église-Famille ; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.181-198.
2. BITOTO, N., Foi, culture et évangélisation en Afrique à l’aube du 3e millénaire, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.47-60.
3. BUETUBELA, P., Église-Fraternité selon le Nouveau Testament. Enquête exégétique dans les synoptiques et les épitres pauliniennes, in Église-Famille ; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.199-209.
4. BUETUBELA, P., “ L’enfant et sa mère” : Signification ecclésiale de la maternité de Marie, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.113-119.
5. DABIRE, J. M., L’Église-Famille de Dieu, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.81-119.
6. DE HAES, R., L’Église comme communion selon Vatican II, in Église-Famille ; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 2oa Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.255-264.
7. DIOUF, J. N., La nouvelle naissance dans le Prologue de Saint Jean (Jn 1, 11-13), in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8# congresso dell’APECA.
Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.99-112.
8. DJITANGAR, E., “ D’Egypte, j’ai appelé mon fils”. Flashes sur Mt 2, 13-23, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.121-126.
9. DUJARIER, M., L’Église-fraternité chez les Pères de l’Église, in Église-Famille ; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica de Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.213-221.
10. ESUA, C.F., Biblical Foundations of the Church as Family, in l’Église-Famille et perspectives bibliques.
Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.31-40.
11. GAMBEMBO G., La famille africaine : cellule vitale, in Église-Famille ; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.23-29.
12. HOLTER, K., Relating Africa and the Old Testament on the Polygamy Issue, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.61-71.13. KABASELE L., Les ressorts liturgiques du concept “Église-famille”, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.357-364
14. KANYAMACHUMBI, P., La famille traditionnelle africaine: un paradigme socio-politique très précieux, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.43-61
15. KEMDIRIM, P.O., The Role of Women in Luke and the African Image of Mother, in l’Eglise-Famille et perspectives bibliques. Atti del nono Congresso dell’APECA, Kinshasa, Saint Paul, 2002, p.33-42
16. KIBANGA M., La vie familiale comme lieu d’émergence de l’Église-famille, in Église-Famille ; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimama Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.331-341
17. KISIMBA N., L’Église-famille et ministères, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.265-283
18. LUDIONGO N., Les dimensions canoniques de l’Église-famille, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.365-377
19. MALU N., L’identité chrétienne de la famille dans l’Église et dans la société, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimama Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.285-291
20. MANGONI T., La solidarité dans la tradition africaine, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.119-127
21. M’BARGA, J., Église-Famille et défis dans la nouvelle Evangélisation en Afrique, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.151-170
22. MATAND, J. B., La solidarité fraternelle de Jésus avec les croyants.
Lecture rhétorico-exégétique de He 2, 5-16, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti del nono Congresso dell’APECA, Kinshasa, Saint Paul, 2002, p.67-88.
23. MATAND, J. B., “ Le Christ est ressuscité d’entre les morts, prémices de ceux qui se sont endormis” (1Co 15, 20). Appartenance au Christ et liens familiaux au village des ancêtres, in l’Église-Famille et perspectives bibliques.
Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.127-150.
24. MBAYA M., La solidarité africaine à l’épreuve du temps, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.63-74.
25. MONSENGWO, L., “ Église-famille et images bibliques de l’Église à l’aube du 3e millénaire”, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.121-138
26. MONSENGWO, L., L’ayant droit dans l’Ecriture. Le cas de Joseph (Gn 37 ; 39-41), in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti del nono Congresso dell’APECA, Kinshasa, Saint Paul, 2002, p.43-56.
27. MONSENGWO, L., L’ayant droit dans l’Ecriture Sainte, in l’Église-Famille et perspectives bibliques.
Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.73-87.
28. MPONGO, L., Les dimensions liturgiques de la famille, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.345-356.
29. MUGARUKA, R., “Église, famille de Dieu” dans le Nouveau Testament. Approche lexicographique, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.161-168.
30. MUKENDI W. M., Famille africaine: cellule de base, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.31-42.
31. MUKENI B., La solidarité dans la tradition africaine. Une approche psychologique, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.109-117.
32. MUKUNA M., Les modèles d’Église du Moyen-âge au Concile Vatican II, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.239-253.
33. NGIMBI B., La famille africaine, lieu d’humanité (valeur et respect de la vie): le dynamisme de la famille Yombe urbaine, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.83-90.
34. NGOY M., Le visage de la famille dans l’Ancien testament, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.131-160.
35. NGUAPITSHI K., Modèle d’Église dans la tradition kimbanguiste, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.323-330.
36. NIMY, B., La famille africaine, lieu d’humanité (valeur et respect de la vie), in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.91-107.
37. NTEDIKA K., L’Église-famille chez les Pères de l’Église, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimama Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.223-237.
38. NWAORU, E.O., Old Testament Perspectives on Bride-Price: Meaning for the African Church as Family, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti del nono Congresso dell’APECA, Kinshasa, Saint Paul, 2002, p.21-32.
39. NYEME Tese, L’Église-famille: une chance pour l’Afrique, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.379-384.
40. ONAIYEKAN, J., The Church: Family of God on Earth, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.41-50.
41. RUHAMANYI, D., “…Il les créa mâle et femelle” (Gn 1, 27b). Vocation communionnelle du couple humain, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.51-60.
42. SANON, A., T., «Articulation entre foi et culture en vue de l’évangélisation”, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.33-46.
43. SANOU, L.K., Les généalogies de Jésus Christ dans le Nouveau Testament, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.89-97.
44. SARAH, R., La fraternité dans l’Ancien Testament, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p. 169-179.
45. SINSIN, B. J., Foi et inculturation en Afrique, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.177- 201.
46. SOME, J. M., L’Église-Famille de Dieu, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.67-80.
47. STANDAERT, B., La première épitre de Pierre ou l’apologie d’une Église humble et joyeuse, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.151-169.
48. TSHUNGU B., La solidarité africaine à l’épreuve du temps, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.75-81.
49. UMEAGUDOSU, M.A., The Legal Role of the Church in the new Testament, in l’Église-Famille et Perspectives Bibliques. Atti dell’8° Congresso dell’APECA. Mélanges Cardinal Paul ZOUNGRANA. Kinshasa, Saint Paul, 1999, p.171-180.
50. UMOREN, A.I., “One Heart and Soul” (Actes 4: 32) : Familiar Unity in the Primitive Church and contemporary African Church, in l’Église-Famille et perspectives bibliques. Atti del nono Congresso dell’APECA, Kinshasa, Saint Paul, 2002, p.57-65.
51. WASWANDI K., L’Église-famille, initiatrice d’une vie nouvelle, in Église-Famille; Église-Fraternité. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di Kinshasa, Kinshasa, F.C.K, 1997, p.295-322.
52. YANOOGO, B., «Église-famille en Afrique : Originalité du concept”, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest, n°14-15 (1996), p.139-150.

B. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
1. AA.VV., Foi, culture et évangélisation en Afrique à l’aube du troisième Millénaire, Colloquio Speciale post-sinodale, Abidjan 18-20 aprile 1996, in Revue de l’institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest (Abidjan) 14-15 (1996) 15-222.
2. OBORJI F. A., Trends in African Theology Since Vatican II. A Missiological Orientation, dissertatio ad doctoratum in Facultate Missiologiae, P.U.U., Roma 1998.
3. ISRAEL J., The Church as Family: a Theologoical Pastoral Study with Reference to African Synod, dissertatio ad doctoratum in Facultate Thelogiae, P.U.L., Roma 1998.

C. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS
1. AFONSO C., Sinodo africano: a Igreja-familia, in Boa Nova (Cucujäes) 70/801 (1994) 16-18.
2. ARINZE F., Reflecting on Church as Family, Introduzione al Simposio organizzato dalla Associazione dei Sacerdoti e Religiosi nigeriani aa Roma su “The Church as the Family of God”, Collegio San Paolo, Roma 19 Febbraio 1995.
3. BALLONG-WEN-MEWUDA J-B., The Church As Family, Simposio dell’Associazione dei Sacerdoti e Religiosi nigeriani a Roma su “The Church as the Family of God”, Collegio San Paolo, Roma 19 Febbraio 1995.
4. CLERICI L., The Church as Family: African Church communities as Families of Jesus and of God, a Biblical and Ecclesiological Reflection, in African Christian Studies (Nairobi) 11 (1995) 27-45.
5. DI SALVATORE G., L’image de l’Église-famille dans l’Exhortation Apostolique Ecclesia in Africa. Eléments de réflexion sur une application de l’inculturation, in Cahiers de Réflexion (Mbalmayo) 2 (1996) 41-69.
6. EGBULEFU OKORO J., Chiesa –Famiglia per l’Africa, in Mondo e Missione (Milano) 123 (1994) 437-441.
7. EGBULEFU OKORO J., A Christology of Church As Family of God, Simposio dell’Associazione dei Sacerdoti e Religiosi Nigeriani a Roma su ‘ The Church as the Family of God” Collegio San Paolo, Roma 19 Febbraio 1995.
8. ÉGLISE-FAMILLE; ÉGLISE-FRATERNITÉ. Perspectives post-synodales. Atti della 20a Settimana Teologica di kinshasa (26.XI-2.XII.1995), Facultés Catholiques de Kinshasa, Kinshasa 1997, 397pp.
9. ÉVÊQUES DU CONGO, Message aux chrétiens et aux hommes de bonne volonté “ Église-Famille et développement” ; in Weltkirche (Monaco) 1995, 163-165.
10. HEALEY J. G, Church-as-family and SCCs Themes from the Africa Synod, in African Ecclesial Review (Eldoret) 37 (1995) 44-46.
11. KABASELE LUMBALA F., Resort et perspectives d’une Église-Famille en Afrique, in Revue Africaine des Sciences de la Mission (Kinshasa) 2 (1995) 19-28.
12. KABASELE LUMBALA F., La Chiesa-Famiglia in Africa, in Concilium (Brescia) 31(1995) 719-725, ed. inglese., p.93-109
13. MALU NYIMI M., Église-Famille / Église-fraternité. Proposition synodale d’une ecclésiologie dynamique en Afrique, in Revue Africaine des Sciences de la Mission (Kinshasa) 3 (1996) 95-106.
14. MANHAEGHE E., Familie van God in de Afrikaanse stad., in KerK en Missie (Bruxelles) 73/184 (1996) 18-21.
15. MBUKA C., Chiesa “Famiglia di Dio”: comunione e dialogo. Elementi di inculturazione, in C.I.S.M., Dal Sinodo per l’Africa: come si incultura il Vangelo, Roma 1995, p.69-75.
16. NOTHOMB D., L’Église-Famille: concept-clé du Synode des Évêques pour l’Afrique , in Nouvelle Revue Théologique (Tournai) 117 (1995) 44-64.
17. OKEKE H. O., From ‘Domestic Church’ to ‘Family of God’ the Christian Family in the African Synod, in Neue Zeitschrift fur Missioswissenschaft (Immensee) 52 (1996) 193-207.
18. OROBATOR E., Perspectives and Trends in Contemporary African Ecclesiology, in Studia Missionalia (Roma) 45 (1996) 267-281.
19. OROBATOR E., Leadership and Ministry in the Church-as-family. An Essay on Alternative Models, in Hekima Review (Nairobi) 17 (1997) 7-18.

V. DIÁLOGO

A. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
1. CHARLES E.T., From Adaptation to Incarnation: A study of the theology of inculturation in the Teaching of the African Catholic Bishops (1969-1994) and its implications of interreligious Dialogue and Human Promotion (Tesi dottorale inedita), PUG, Roma 1996
2. ILUNGA M., Christianisme negro-africain et dialogue interculturel, jalons pour une nouvelle missiologie en Afrique noire ‘Francophone’, Excerpta ex dissertatione ad doctoratum in Facultate Missiologiae, P.U.G., Roma,1994
3. OBORJI F. A., Trends in African Theology Since Vatican II. A Missiological Orientation, dissertation ad doctoratum in Facultate Missiologiae, P.U.U., Roma 1998.
4. OKIKE OHA B., The Need for Mission Through Inculturation and Dialogue in Nigeria, Extractum ex dissertation ad Doctoratum in Facultate Missiologiaae, P.U.U., Roma, 1995.

B. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS 1. KAYITAKIBGA M., II dialogo con le religioni tradizionali africane, in AA.VV., Religioni e Sette nel mondo : Religioni Tradizionali Africane, Rivista Trimestrale di Cultura religiosa, settembre 1996, pp. 102-110.
2. MBUKA C., Al Sinodo per l’Africa: annuncio e dialogo interreligioso, una comprensione inclusiva, in Omnis Terra (Roma) 13 (1995) 266-275; inglese in Omnis Terra (Roma) 29 (1995) 16-25 ; francese in Omnis Terra (Roma) 34 (1995) 29-38 ; spagnolo in Omnis Terra (Roma) 27 (1995) 392-396.

VI. DESENVOLVIMENTO HUMANO

A. MONOGRAFIAS
1. MUNONO MUYEMBE B., Église, évangélisation et promotion humaine. Le discours social des évêques africains. Etudes d’éthique chrétienne, Studien zur theologischen Ethik 63, Editions Universitaires Fribourg, Editions du Cerf, Parigi 1995.
2. MUSOPOLE A. C., Being Human in Africa. Toward an African Christian Anthropology, American University Studies, series 11, P. Lang, New York, Berlino 1994.

B. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
1. CHARLES E.T., From Adaptation to Incarnation: A Study of the Theology of Inculturation in the Teaching of the African Catholic Bishops (1969-1994) and Its Implications for Interreligious Dialogue and Human Promotion (Tesi dottorale inedita), PUG, Roma 1996.
2. SANO J.-B., La dignité de la personne humaine comme paramètre incontournable pour la mission évangélisatrice de l’Église en Afrique. Une relecture de l’Exhortation apostolique post-synodale Ecclesia in Africa, dissertatio ad Doctoratum in Facultate Theologiae, P.U.U., Roma 1997.

C. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS
1. ÉVÊQUES DU CONGO, Message aux chrétiens et aux hommes de bonne volonté «Église-Famille et développement”, in Weltkirche (Monaco) 1995, 163-165.
2. HENRIOT P.J., Development in the Light of the African Synod: An Alternative to the Structural Adjustment Program, in Catholic International 7 (1996) 6/7, pp. 285-294.
3. IKE O., La Dottrina sociale della Chiesa in Africa, in La Società (Verona) 6 (1996) 697-723.
4. LWAMINDA P., The African Synod and the Development, in African Ecclesial Review (Eldoret) 37 (1995) 278-291.
5. OPENIBO V., Ecclesia in Africa. Post-synodal Apostolic Exhortation of Pope John Paul II: an African Woman’s View, in Sedos Bulletin (Roma) 28 (1996) 3-9.
6. OTIENO A. O., The Role of the Church in Development in the light of the African Synod, in African Ecclesial Review (Eldoret) 37 (1995) 342-352.
7. SARRAF J., La liberté de la femme passe par sa liberté. Le Synode africain donne le ton, in Telema (Kinshasa) 21/3-4 (1995) 20-22.

VII. MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

ARTIGO
1. FANIRAN OLADEJO J., The Challenges of the African Synod to Catholic Journalists, in Vidyajyoti (Delhi) 59 (1995) 46-53.
VIII. AGENTES E ESTRUTURAS DE EVANGELIZAÇÃO

A. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
1. ANUSIONWU V., The Role of the laity in Missionary Activity of the Church in Igboland of Nigeria: A Historical And Pastoral Approach, Extractum ex dissertatione ad doctoratum in Facultate Missiologiae P.U.U., Roma 1994.
2. ATADANA J. A., The Diocesan Bishop as the Chief Administrator of a Particular Church with Particular Reference to Ghana, Dissertatione ad doctoratum in Facultate luris Canonici, P.U.U., Roma 1995.
3. FEMI OSEGBOUN R., The Catechist in The Church According to the Special Assembly for Africa of the Synod Of Bishops (1994).
Implications for Ekiti diocese in Nigeria, Tesi dottorale P.U.S., Roma 1996.
4. KIYINDA-MITYANA DIOCESE, Pastoral Co-Ordinator’s General Report on Building Basic Small Communities, Agosto 1997.
5. KIYINDA-MITYANA DIOCESE, Pastoral Co-Ordinator’s Report On Future Parishes 1997/1998, Ottobre 1997.

B. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS
1. ABENG N., La pastorale de la famille – l’inculturation – l’ecclésiologie.
Après le Synode des Évêques pour l’Afrique, in Revue Africaine de Théologie (Kinshasa) 18 (1994) 51-64.
2. IBWENWANNE F., Schools of Evangelization in Nigeria, in GBUJI A., New Evangelization in Nigeria, Kmensuo Educational Publishers, Onitsha 1994, pp.155-172.
3. KPODA D., Le Burkina à l’heure du Catéchisme catholique et du Synode, in Le Calao (Bobo-Dioulasso)100 (1995) 7-8.
4. LWAMINDA Peter, The African Synod and the family, in African Christian Studies (Nairobi) 11 (1995) 46-53.
5. MBUKA C., Chiesa Sinodo per l’Africa. Provocazioni alla vita religiosa, in C.I.S.M., Dal Sinodo per l’Africa: come si incultura il Vangelo, Roma 1995, p.69-75.
6. MRINGI A., Ecclesiology, Structures and Activities Within Small Christian Communities, in The Jurist 56 (1996) 200-240.
7. UZUKWU E.E., The Birth and Development of a Local Church, in AA. VV., The African Synod: Documents, Reflections, Perspectives, Orbis Books.
Maryknoll, New York 1996, pp.3-8.
8. ZAGO M., La vita consacrata al Sinodo sull’Africa, in Omnis Terra (Roma) 12 (1994) 134-140, inglese, in Omnis Terra (Roma) 28 (1994) 297-303, Francese, in Omnis Terra (Roma) 33 (1994) 293-299, spagmolo, in Omnis Terra (Roma) 26 (1994) 297-303.
9. ZAGO M., Religieux dans l’Église africaine à la lumière des Synodes sur l’Église en Afrique et sur la vie consacrée, in Omnis Terra (Roma) 31 (1997) 231-240 ; inglese, in Omnis Terra (Roma) 31 (1997) 231-237.
10. ZAGO M., Religieux dans l’Église africaine à la lumière des Synodes sur l’Église en Afrique et sur la vie consacrée, in Revue Africaine des Sciences de la Mission (Kinshasa) 3 (1996) 81-94.

IX. JUSTIÇA E PAZ

A. MONOGRAFIAS
1. K’ASHA N.N., Rôle de l’Église dans la démocratisation de l’Afrique subsaharienne: une étude juridique, P.U.L., Roma 1997.2.
MBYEMEIRE J.P., A Theological Analysis of the Problem of Justice and Peace: the Contribution of the Special Synod for Africa and the Church in Uganda, P.U.U., Roma 1997.

B. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
1. SSERUNJOGI J., Self-Support of the Local Church based on Canon 222§ 1-2 and the Apostolic Exhortation Ecclesia in Africa –With Special Reference to Uganda, Dissertatio ad doctoratum in Facultate luris Canonici, P.U.U., Roma 1998.
2. KITENGIE R., Les enjeux de la crise morale en Afrique. Propos social des Pères du Synode Africain, dissertatio ad Licentiam in Facultate Theologiae, P.U.S.C., Roma 1998.

C. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS
1. CHIROMBA F., The Life of the Church, in AA.VV., The African Synod: Documents, Reflections, Perspectives, Orbis Books.
Maryknoll, New York 1996, pp. 9-13.
2. HENRIOT P.J., Development in the light of the African Synod: An Alternative to the Structural Adjustment Program, in Catholic International 7 (1996) 6/7, pp.285-294.
3. KABANGU J. M., Les fondements théologiques des droits humains selon le S.C.E.A.M., in Revue Africaine des Sciences de la Mission (Kinshasa) 3 (1996) 69-79.
4. KPOGO L., Sur les traces des limites du Synode des Évêques pour l’Afrique.
Le problème de la justice et de la paix, in Revue de l’Institut Catholique de l’Afrique de l’Ouest (Abidjan) 7 (1994) 45-55.
5. LWAMINDA P., The African Synod and the Development, in African Ecclesial Review (Eldoret) 37 (1995) 278-291.
6. M’BOKOLO E., L’évolution démocratique de l’Afrique des Conférences nationales et le rôle des Églises, in Revue Africaine des Sciences de la Mission (Kinshasa) 2 (1995) 51-94.
7. NKAFU NKEMNIA M., La dottrina sociale della Chiesa al Sinodo per l’Africa, in La Società 4 (1994) 563-581.
8. OTIENO A. O., The Role of the Church in Development in the Light of the African Synod, in African Ecclesial Review (Eldoret) 36/5 (1994) 342-352.
9. UKPONG J. S., Option for the Poor: A modern Challenge for the Church in Africa, in African Ecclesial Review (Eldoret) 36/5 (1994) 350-365.
10. WALIGGO J-M., The Synod of Hope at a Time of Crisis in Africa, in AA.VV., The African Synod: Documents, Reflections, Perspectives, Orbis Books. Maryknoll, New York 1996, pp. 199-210.

X. SOLIDARIEDADE

A. ESTUDOS E TESES DE DOUTORADO
1. SSERUNJOBI J., Self-Support of the Local Church based on Canon 222§ 1-2 and the Apostolic Exhortation Ecclesia in Africa -With Special Reference to Uganda, dissertatio ad doctoratum in Facultate luris Canonici, P.U.U., Roma 1998.
2. KITENGIE R., Les enjeux de la crise morale en Afrique. Propos social des Pères du Synode Africain, dissertatio ad Licentiam in Facultate Theologiae, P.U.S.C., Roma 1998.

B. ARTIGOS E CONFERÊNCIAS
1. GRASSO E., Les défis que posent à l’Europe l’Exhortation apostolique Ecclesia in Africa, in Cahiers de Réflexions (Mbalmayo) 2 (1996) 70-76.
2. IKE O., La Dottrina sociale della Chiesa in Africa, in La Società (Verona) 6 (1996) 697-723.3.
KARAMAGA A., Selfhood of the Church in Africa, in Current Dialogue (Ginevra) 27 (1994) 41-48.
4. KAWEESA B. M., Will the Economic Factor Shrink or Thrive the African Church of the Year 2000?, in Catholic News Report 2/4 (1997) 23-25.
5. KEMBO G., Toute communauté ecclésiale doit tendre à la maturité. Problèmes d’autosuffisance des Églises africaines, in Telema (Kinshasa) 21/3-4 (1995) 7-11.
6. KIMARYO R., A Call to Africa to Shake off the Dependent Syndrome in African Ecclesial Review 39/1 (1997) 29-36.
7. SINODO DELLA DIOCESI DI KIYINDA-MITYANA II 1997, Structures of Administration, 1997.
8. SINODO DELLA DIOCESE DI KIYINDA-MITYANA, Social and Economic Development Department, General Report, Agosto 1997.
9. NWATU F., The Church’s Prophetic Role in Africa’s Search for Selfhood, in African Ecclesial Review (Eldoret) 38 (1996) 172-187.
10. SCHLICK J., Vers une autonomie financière des Églises catholiques romaines d’Afrique subsaharienne ? Réalisations pastorales et institutionnelles après Ecclesia in Africa, in Praxis juridique et Religion (Nordheim) 12-13 (1995-96) 5-58.
11. VANDAME C., Financement des Églises d’Afrique à partir de l’Église qui est au Tchad, in Telema (Kinshasa) 21/3-4 (1995) 16-19. 

RELATÓRIO ANTES DO DEBATE DO RELATOR GERAL, S.EM.R. CARD. PETER KODWO APPIAH TURKSON, ARCEBISPO DE CAPE COAST (GANA)

INTRODUÇÃO


Com o canto do “Te Deum...” e com toda a sala do sínodo onde ressoava este hino de ação de graça ao meio-dia do dia 7 de Maio de 1994, encerrou-se formalmente a Primeira Assembleia Especial para África do Sínodo dos Bispos. O Sínodo teve como tema principal: “A Igreja em África e a sua missão evangelizadora rumo ao ano 2000: ‘Vós sereis minhas testemunhas’ (At 1: 8)». Ele lançou uma mensagem à Igreja e ao mundo que reflectiu os pontos essenciais das acções do sínodo, e votou as várias resoluções, sob forma de Proposições. A partir desse ponto, os Padres sinodais, e toda a Igreja, aguardaram intensamente a Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Santo Padre, Presidente do Sínodo, que haveria de reunir os frutos do Sínodo em uma mensagem que marcaria a definitiva conclusão das actividades colegiais e consultivas do Sínodo. Foi o que o Santo Padre fez ao divulgar a Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Ecclesia in Africa” (“A Igreja na África”) e ao apresentá-la à África e ao mundo em Iaundé, nos Camarões, no dia 14 de Setembro de 1995, e depois em Joanesburgo, na África do Sul, no dia 17 de Setembro de 1995 e, por fim, em Nairobi, no Quénia, no dia 19 de Setembro de 1995. [1]

I. DA PRIMEIRA À SEGUNDA ASSEMBLEIA ESPECIAL PARA A ÁFRICA

O Papa João Paulo II descreveu o Sínodo, concluído com a publicação da sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia in Africa, como “o sínodo de ressurreição e de esperança”. [2] Aquela assembleia sinodal, que havia sido convocada segundo um espírito contrário à prevalecente visão pessimista do mundo em relação à África, e contra a visão segundo a qual a situação do continente é “deploravelmente desfavorável”, representando um desafio peculiar para a missão evangelizadora da Igreja nos últimos anos do século XX. Supunha-se, todavia, que fosse um momento decisivo na história do continente. [4]
Quando o Santo Padre e os Padres sinodais se reuniram para o primeiro sínodo, tiveram que considerar “elementos quer positivos quer negativos (luzes e sombras) nos ‘sinais dos tempos’”. [5] Contemplaram e celebraram os sucessos da evangelização e o crescimento das Igrejas locais no continente; mas ao mesmo tempo, lamentaram e deploraram uma série de misérias e males do continente. Eles tinham o heroísmo e o espírito pioneiro dos missionários a honrar; mas tinham também a criticar o pouco empenho e zelo pastoral da Igreja local, o surgimento de tendências sincréticas, a proliferação das seitas, a politização do Islão e a sua intolerância às críticas. Tinham a saudar com otimismo a formação de democracias e o despertar de uma profunda tomada de consciência cultural, social, económica e política no continente; mas também a lastimar os regimes despóticos e ditatoriais, o mau governo, a corrupção difundida e o preocupante aumento da pobreza. A situação do continente era extremamente ambivalente assim como paradoxal; e a rápida sucessão de acontecimentos tais como o colapso do apartheid e a triste deflagração do genocídio em Ruanda exemplificam muito bem este paradoxo.
Tendo em conta esta combinação paradoxal, na qual o mal e o sofrimento pareciam prevalecer sobre o bem e a virtude, o cenário pascal da Primeira Assembleia Especial para a África inspirou a mensagem de esperança para o continente. Com a publicação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia in Africa, a Igreja em África ganhou um novo impulso e um novo élan para a sua vida e actividade no continente, como Igreja Missionária, isto é, Igreja com missão. Com seu clima pascal e a Exortação Apostólica Pós-Sinodal, o Sínodo deu um novo impulso à Igreja em África, nomeadamente:
- esperança em Cristo ressuscitado, como novo estímulo para viver o seu “projecto” e a sua missão evangelizadora;
- um novo paradigma: a Igreja como Família de Deus, para oferecer uma perspectiva e um sistema de valores para viver o seu “projecto”, mas, sobretudo promover a unidade e a comunhão de todos, apesar das diferenças;
- um conjunto de prioridades pastorais: evangelização como Proclamação, evangelização como Inculturação, evangelização como Diálogo, evangelização como Justiça e Paz e evangelização como Comunicação, para guiar a implementação do seu “projecto” e missão numa África com uma combinação paradoxal de deploráveis misérias humanas e grandes heroísmos, dentro e fora da Igreja. [6]
O período que seguiu a publicação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal foi, portanto, como acreditava também o Papa João Paulo II [7], um tempo para aprofundar esta experiência sinodal e implementar Ecclesia in Africa com empenho perseverante e conjuntamente com o objectivo de recuperar novas forças e uma esperança com bases sólidas para o continente em dificuldade. Este período pós-sinodal encontra-se agora no seu décimo-quarto ano; e se, por um lado, a situação do continente, das suas ilhas e da Igreja ainda mantém algumas “luzes e sombras” [8] que ocasionaram o primeiro sínodo, por outro, a situação mudou bastante. Esta nova realidade requer uma análise meticulosa, que vise renovados esforços de evangelização, que implicam um exame mais aprofundado dos temas específicos, importantes para o presente e o futuro da Igreja Católica neste grande continente” [9].
De acordo com esta ideia, reunidos novamente na Segunda Assembleia Especial para a África quinze anos depois da primeira, devemos nos imergir profundamente no primeiro Sínodo [10], e analisar, com consciência e determinação,“os novos dados eclesiais e sociais do continente” [11], que influem hoje na missão da Igreja no continente e exigem que a Igreja Africana, para além de se ver como “testemunha de Cristo”, também se veja como “o sal da terra, a luz do mundo” e “ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz”.

OS NOVOS DADOS ECLESIAIS E SOCIAIS DO CONTINENTE

Dados eclesiais

a. Subsidia Fidei: é importante notar que o estímulo e o impulso dados pela Primeira Assembleia Especial para a África à Igreja em África no sentido de renovar suas forças e fundamentar com mais firmeza sua esperança no Senhor, foram muito acentuados graças a uma série de eventos eclesiais sucessivos e às actividades do Papa e da Cúria Romana, que podemos definir como “subsidia fidei” para a Igreja. Assim, o “Sínodo sobre a Eucaristia” reiterou a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja-Família de Deus, como símbolo da unidade. O Sínodo sobre “O Bispo: Servidor do Evangelho....” relembrou aos Bispos e Pastores o seu ministério essencial, isto é, ser anunciadores do Evangelho na Igreja-Família de Deus; e o Sínodo sobre “A Palavra de Deus” recordou à Família de Deus a eterna e imperecível semente da sua existência. Além disso, as Encíclicas do Papa “Deus caritas est”, “Spe salvi”, “Caritas in veritate”, as suas homilias e discursos na recente viagem à África (Camarões e Angola) proporcionaram catequeses de inestimável valor para a Igreja em África. Por fim, os Dicastérios da Cúria Romana organizaram seminários sobre:
- “Liturgia” (Kumasi 2007), com o objectivo de orientar a obra permanente de inculturação na liturgia.
- A “Doutrina Social da Igreja” (Dar-es-Salam 2008) para promover o conhecimento e a difusão dos ensinamentos sociais da Igreja.- “Imigração” (Nairobi 2008) para discutir a imigração e as novas formas de escravidão.
- O “Trabalho das Comissões Teológicas das Conferências Episcopais” (Dar-es-Salam 2009) para recordar aos Bispos a importância da sua obra magistral na Igreja, inclusive quando pedem ajuda a peritos.
Estes encontros aumentaram a consciência da Igreja em África relativamente à sua vida e ao seu ministério.

b. O crescimento extraordinário da Igreja em África: nas última décadas (inclusive nos anos seguintes à Primeira Assembleia especial para a África), tornou-se normal falar deste crescimento, cujos índices, como afirmado nos Lineamenta e no Instrumentum Laboris o comprovam. Todavia, as reais novidades nos sinais de crescimento da Igreja no continente e nas suas Ilhas são:
- A ascendência de membros africanos de congregações missionárias a posições de liderança e a funções tais como: membros de conselhos, vigários gerais, e até superiores gerais.
- Busca da auto-suficiência por parte das Igrejas locais, que realizam investimentos capazes de gerar lucro (bancos, uniões de crédito, companhias de seguro, agências imobiliárias e lojas).
- Aumento significativo de estruturas e instituições eclesiais (seminários, universidades católicas e institutos católicos de ensino superior, centros de formação permanente para religiosos, catequistas e leigos, escolas de evangelização), assim como o aumento de especialistas e pesquisadores nos campos da fé, missão, cultura e inculturação, história, evangelização e catequese.
Todavia, a Igreja em África enfrenta também enormes desafios:
- Quando se fala de uma Igreja próspera em África, esquece-se que em vastas áreas ao norte do Equador ela é pouco presente. O crescimento extraordinário da Igreja verificou-se sobretudo ao sul do Sahara.
- A fidelidade e o compromisso de alguns sacerdotes e religiosos à sua vocação.
- A necessidade de evangelizar (ou re-evangelizar), para obter uma conversão profunda e permanente.
- A perda de membros que passaram para novos movimentos religiosos ou para as seitas. Os jovens católicos vão para o exterior (Europa e América) e retornam não-católicos, porque nas Igrejas de fora não se sentem envolvidos.
- A queda dos índices de crescimento demográfico na Europa, tradicionalmente cristã, e na América.
c. O Sínodo para a África e o “Simpósio das Conferências Episcopais da África e do Madagáscar” (SECAM)”: o aprofundamento da experiência sinodal africana no continente e nas ilhas dependeu em grande parte de um organismo específico da Igreja continental, o “SECAM”. Durante o Concílio Vaticano II, os Bispos africanos, buscando meios idóneos de cooperação, criaram um secretariado para coordenar as suas intervenções e apresentar um ponto de vista (africano) comum ao Concílio. Após o Concílio, e na presença do Papa Paulo VI em Campala (1969), os Bispos africanos decidiram tornar permanente este organismo, com a criação do SECAM. Na época, o SECAM deveria ser uma associação ou instituição permanente que promovesse junto aos Pastores o exercício de uma solidariedade pastoral orgânica no continente. Deveria ser um “instrumento dos Bispos para promover no continente a Evangelização na co-responsabilidade” [12]; foi a este organismo que o Papa João Paulo II atribuiu a ideia originária de um Sínodo para a África [13].
Durante a II Assembleia Especial para a África, seria oportuno que os Pastores do continente examinassem novamente a necessidade da existência do SECAM e o engajamento dos mesmos em relação ao organismo.
Ao abordar “alguns pontos críticos da vida das sociedades africanas” [14], o Instrumentum Laboris identificou e discutiu muitos destes novos dados sociais. Queremos acrescentar poucas notas de rodapé que consideramos importantes e deixar à assembleia sinodal a tarefa de completar o quadro.
d. Notas Sócio-históricas ao Instrumentum Laboris: em 1963, durante um encontro da Organização para a Unidade Africana (OAU), os líderes africanos decidiram manter alguns dos vestígios da era colonial, confirmando as fronteiras e a descrição dos estados, independentemente do seu caráter artificial. Todavia, essa decisão não foi seguida por um equivalente aumento do nacionalismo, que valoriza as diferenças étnicas, privilegiando o bem comum da nação sobre os interesses étnicos regionais. Por esse motivo a diversidade étnica continua a representar focos de conflitos e tensões, que minam até mesmo o sentido de pertença comum à Igreja-Familia de Deus.
A escravidão e o escravismo, que o mundo árabe levou por primeiro à costa oriental africana, e que os europeus, com a colaboração dos próprios africanos, conheceram no século XIV
e estenderam a todo o continente, representou um movimento forçado de africanos. Hoje as migrações voluntárias dos filhos e das filhas da África em direção da Europa, América e Extremo Oriente por vários motivos, coloca-os em uma condição servil que exige a nossa atenção e o nosso cuidado pastoral.
e. Nota sócio-política ao Instrumentum Laboris; intimamente interligadas ao desenvolvimento das situações pós-coloniais do continente foram as celebrações de independência e o nascer de estados e nações africanas com governos geridos apenas por africanos. O exercício do poder político e de governo foi geralmente criticado e muitas vezes viciado por despotismos, ditaduras, politização da religião e da etnia, desprezo pelos direitos dos cidadãos, falta de transparência e de liberdade de imprensa, etc.
Mas o período sucessivo à I Assembleia para a África, isto é, mesmo no início do Terceiro Milénio, parecia ter coincidido, no continente, com um desejo emergente nos próprios líderes africanos de um “Renascimento africano” (Thabo Mbeki), “uma nova contemporânea auto-asserção africana para a construção de uma civilização africana em sintonia com os ditames dos nossos tempos, nomeadamente a prosperidade económica, a liberdade política e a solidariedade social”. [15]
Os líderes políticos africanos pareciam determinados a mudar o vulto da administração pública no continente; e realizaram uma auto-avaliação crítica da África que indicou o mau governo como a causa da pobreza e dos sofrimentos em África. Delinearam então projetos para o bom governo e para a formação da classe política, capaz de acolher a parte melhor das tradições ancestrais africanas e de a integrar com os princípios de governo das sociedades modernas. Adotaram um quadro estratégico (NEPAD) para orientar as ações e guiar a renovação da África através de lideranças políticas transparentes [16]. Consegue, a Igreja em África, reconhecer o compromisso político dos seus filhos e das suas filhas e dar-lhes o estímulo da mensagem evangélica, que os desafie para que sejam a “luz das (suas) nações” e o “sal das suas comunidades”, exercendo uma “liderança ao serviço dos outros”?
f. nota sócio-económica ao Instrumentum Laboris: a relação radical entre governo e economia é claro; demonstra que um mau governo produz uma má economia. Isto explica o paradoxo da pobreza de um continente que é, sem dúvida, um dos mais ricos de potencialidades do mundo. A consequência desta “equação governo-economia” é que quase nenhum país africano consegue respeitar as próprias obrigações de orçamento, quer dizer, os programas financeiros nacionais planificados, sem recorrer às ajudas externas sob forma de obrigações ou de empréstimos. Este financiamento contínuo dos orçamentos nacionais, recorrendo a empréstimos, não faz outra coisa senão aumentar uma dívida nacional que já é opressora. A Igreja universal junto com a Igreja Africana realizaram uma campanha para o cancelarem no ano do Grande Jubileu.
As relações económicas tradicionais dos estados africanos com os seus ex-colonizadores, por exemplo o “Commonwealth”, foram substituídos por outras poderosas alianças económicas entre os estados africanos individualmente ou em bloco com os Estados Unidos (Millenium Challenge Account), a Comunidade Económica Europeia (Lomé Culture, Yaoundé Agreement e o Cotonou Agreement) [17]) e o Japão (TICAD I-III). Recentemente, a China e a Índia, ávidas de recursos naturais, também entraram em cena e manifestaram interesse por cada aspecto possível e imaginável das economias nacionais africanas. No centro da maioria destes protocolos e acordos está o debate sobre “comércio e apoio”, que consideram os países que se desenvolveram, fizeram-no através do comércio (e não apenas de “matérias-primas”) e não graças a uma “síndrome de dependência das ajudas”. Por isso, são uma razão de grande interesse para as jovens economias comerciais africanas, as decisões e as condições impostas pela Organização Mundial do Comércio (WTO) e pelo mundo desenvolvido.
Como já dissemos, os líderes africanos criaram há pouco tempo uma estrutura estratégica (NEPAD) [18] com o objetivo de guiar as parcerias económicas da África e a emergência da pobreza, e os compromissos dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Como Dr. Uschi Eid coloca, “Só estimulos e esforços vindos da África levarão ao sucesso” [19]. Nesse sentido, As emergências da África que vem de suas dores econômicas devem ser trabalhadas por Africanos e lideradas por eles [20]. Seus corações devem ser convertidos e os olhos curados para apreciar novos caminhos para administrar a saúde pública em prol do bem-estar comum; e isto remete à missão evangelizadora da Igreja no continente e nas ilhas.

g. Notas sociais no Instrumentum laboris: Os efeitos das situações acima (históricos, políticos, económicos) determinam quão saudável é (estável, pacífica, próspera) a sociedade Africana; e eles também constituem as fontes tradicionais dos desafios para a missão evangelizadora da Igreja no continente e nas ilhas.
Existem também certos fenómenos globais e iniciativas internacionais, que causam impacto na sociedade Africana e em algumas das suas estruturas, que merecem ser avaliadas, e que criam novos desafios para a Igreja. Enquanto a importância, que se está a dar cada vez mais ao lugar e ao papel das mulheres na sociedade é um feliz desenvolvimento, as emergências globais dos estilos de vida, valores, atitudes, associações, etc., que desestabilizam a sociedade, é inquietante. Isso ataca as bases sobre as quais se apoia a sociedade (matrimónio e família), diminuem o capital humano (migração, tráfico de drogas e comércio de armas) e põem a vida do planeta em perigo.
O Matrimónio e a Família têm sofrido estranhas e terríveis pressões para redefinir sua natureza e funções na sociedade moderna. Matrimónios tradicionais, que fundam famílias, são desafiados por uma crescente proposta de uniões e relacionamentos alternativos, desprovidos de conceitos de uniões duradouras, não-heterossexual em caráter, e sem o intuito da procriação. Esses também encontram defensores dentro da Igreja em certas partes do continente. Esse ataque violento ao matrimónio e à família é impulsionado e apoiado por grupos que propõem um glossário que deseja que sejam substituídos os tradicionais conceitos e termos sobre matrimíonio e família com novos conceitos. O alvo é estabelecer uma nova ética global sobre o matrimónio, a família, a sexualidade humana e os temas relacionados do aborto, contracepção, aspectos de engenharia genética, etc.
Tráfico de drogas e tráfico de armas: Certas partes do continente tornaram-se atalhos estabelecidos para o tráfico de drogas para a América Latina e Europa. Na África Ocidental, o tráfico de drogas é citado como causa oculta da instabilidade e perturbação política na Guiné-Bissau, e agora, também na Guiné. Quando em Julho, os militares da Guiné declararam um estado de alerta máximo, foi por causa de tentativas de invasão, sustentadas por cartéis de drogas.
As drogas não só passam através de partes do continente e das ilhas, elas encontram usuários em qualquer lugar. O uso de drogas e o vício entre os jovens tornou-se rapidamente a maior fonte de dissipação do capital humano na África e nas ilhas, juntamente coma migração, conflitos e doenças, como HIV-SIDA e a malária.
Intimamente relacionado com o tráfico de drogas e ao aventurismo político está o tráfico de armas: em pequena e larga escala. A Igreja em África, reunida em Assembleia Especial associa-se com a Santa Sé para agradecer as bem-vindas iniciativas da ONU para deter o tráfico ilegal de armas, e para realizar todo comércio legal de armas mais transparente. Isso se refere particularmente aos estudos em andamento sobre a preparação de um acordo com força jurídica sobre a importação, exportação e a canalização de armas convencionais através da África.
Meio ambiente e Mudanças climáticas: A cobertura ocasional de “smog” que se lança sobre a maior parte da África Oriental, acompanhada pela diminuição das chuvas, a seca e fome são usualmente considerados um efeito do El niño. Mas, isso aponta quanto são duras as condições climáticas geralmente existentes no continente, e como ao contrário o precário equilíbrio ecológico em partes da África pode ser afectado pelas observadas “mudanças climáticas” no planeta. Então a ONU e cúpulas mundiais sobre as mudanças climáticas, emissões verdes de gás, degradação da camada de ozónio, como a que acontecerá em dezembro em Copenhagem deve incluir um pedido de apoio da África, enquanto ela assina para explorar e para desenvolver fontes alternativas de energia limpa (sol, vento, marés, biocombustível, etc.).
No fim dessa pesquisa, a qual se admite incompleta, está claro que, embora o continente e a Igreja no continente ainda encontram-se em situação difícil, podem modestamente ainda regozijar-se por suas conquistas e performance positiva, e começar a repudiar generalizações estereotipadas sobre os conflitos, a fome, a corrupção e má governação. As quarenta e oito nações que perfazem a África sub-saariana mostram grandes diferenças na situação das suas igrejas, seus governos e sua vida socioeconômica. Fora dessas quarenta e oito nações, somente quatro: Somália, Sudão, Nigéria e partes da República Democrática do Congo estão agora em guerra; e pelo menos duas estão em guerra por interferência externa: a República Democrática do Congo e Sudão. De facto, existem menos guerras na África que na Ásia.
De modo crescente, comerciantes da guerra e criminosos de guerra foram denunciados, acusados e processados. Um oficial da República Democrática do Congo foi processado, Charles Taylor, da Libéria, está diante do Tribunal internacional.
A verdade é que a África foi sobrecarregada por muito tempo pela mídia com tudo que é repugnante à humanidade; e esse é o tempo de “mudar a marcha” e ter a verdade sobre a África dita com amor, promovendo o desenvolvimento do continente que poderia ajudar o bem-estar de todo o mundo [21]. Os membros do G-8 e os países do mundo devem amar a África na verdade! [22] Geralmente considerada por ocupar a décima posição na economia mundial, a África, entretanto, é o segundo mercado emergente do mundo depois da China. Então, como logo após a cúpula do G-8 disse, é um continente de oportunidades. Isso precisa ser verdade também para o povo do continente. É esperado que a busca de reconciliação, justiça e paz, feita particularmente pelos cristãos por suas raízes no amor e misericórdia, possa restaurar totalmente a Igreja-Família de Deus no continente, e por fim, como sal da terra e luz do mundo, deveria curar os “corações humanos feridos, o último lugar oculto pelas causas de toda a desestabilização no continente Africano” [23]. Então, o continente e as suas ilhas irão realizar as oportunidades e os dons doados por Deus.

II. DO SER “FAMÍLIA DE DEUS AO SER SERVIDORES (MINISTROS=DIAKONOI) DE RECONCILIAÇÃO, JUSTIÇA E PAZ”

Como anteriormente observado, quando a primeira Assembleia para África reuniu-se para avaliar a evangelização no continente e nas suas ilhas na passagem do terceiro milénio da fé cristã, ela adoptou o tema Igreja-Família de Deus como princípio-guia para a evangelização da África [24]. A imagem da Igreja-Família de Deus evocava valores como o cuidado para com os outros, solidariedade, diálogo, confiança, aceitação e entusiasmo nas relações. Contudo, evocava também as realidades socioculturais de paternidade, geração e filiação, parentesco e fraternidade, bem como uma rede de relacionamentos que são gerados por essas realidades sociais e nas quais os membros se envolviam. Os relacionamentos constituem a vida de comunhão da família; mas também exigem algo dos membros, cujo cumprimento ao mesmo tempo constitui a sua justiça e torna a relação harmoniosa e pacífica. Quando, entretanto, as exigências dos relacionamentos não são realizadas, a justiça é interrompida e a vida de comunhão resulta ofendida, prejudicada e enfraquecida.
O Instrumentum laboris observa isso e aponta os muitos desafios à comunhão e à ordem social que a indiferença pelas justas exigências dos relacionamentos causa ao continente. A restauração da comunhão e da justa ordem nesses casos é o que a reconciliação espera; e ela toma a forma do restabelecimento da justiça, que por si mesma restitui paz e harmonia à Igreja-Família de Deus e à família da sociedade.
O que segue pretende contribuir para o debate do tema sinodal, fornecendo uma breve base bíblica dos conceitos referidos com a finalidade de reunir exemplos dos termos e da sua interacção nos relacionamentos humanos (na sociedade humana) principalmente na relação de Deus com o homem (humanidade).

a. Servidores (diakonoi) de Reconciliação como Restabelecimento da Justiça

Nas Escrituras. Reconciliação é uma iniciativa divina, uma acção livre e gratuita de Deus para com a humanidade; e o seu propósito é reparar e restaurar a comunhão que convém estabelecer, mas que o pecado ameaça e destrói.
O ensinamento de São Paulo aos Coríntios nessa matéria é muito instrutivo: “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério desta reconciliação. Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, já não considerando os pecados dos homens, e pôs nos nossos lábios a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o cargo de embaixadores em nome de Cristo, e é o próprio Deus que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!”
Reconciliação, portanto, é um acto divino, o qual nós (humanidade) experimentamos, e através dessa experiência tornamo-nos os seus instrumentos e embaixadores.

A Experiência de Reconciliação dos Apóstolos

Os Evangelhos apresentaram a vida e o ministério de Jesus como a obra de salvação do Pai para o género humano. Os discípulos de Jesus foram os primeiros a ser chamados para experimentar a oferta de salvação do Pai em Jesus e fizeram isso de várias maneiras, inclusive através do perdão e da reconciliação. A oferta de “paz” de Jesus aos discípulos na manhã da Ressurreição (Jo 20:19-21), por exemplo, era de perdão pela traição e abandono, bem como de restabelecimento da amizade.
Jesus não pediu uma admissão de culpa por parte de seus discípulos. Não há pedido de perdão; e nenhuma desculpa foi proferida. Simplesmente houve um benigno comentário sobre as suas faltas. Foram oferecidos um perdão gratuito e uma conciliatória saudação de paz.
A Reconciliação aqui é um gesto conciliatório livre e imerecido, no qual o ofendido (Jesus) vai até aos ofensores (os discípulos). Agora enviados a anunciar o Evangelho até aos confins da terra, os discípulos-apóstolos de Jesus desempenham a sua missão como “evangelizadores que foram evangelizados” e como “embaixadores da reconciliação que experimentaram a reconciliação”.

A Experiência de Reconciliação de Paulo

Sucessivamente, Paulo segue os discípulos-apóstolos de Jesus como um pregador da mesma oferta de salvação em Jesus. Contudo, tendo recebido a tarefa de anunciar Jesus nas particulares circunstâncias do seu encontro com o Senhor ressuscitado no caminho de Damasco, também Paulo entende a oferta de salvação em Jesus por parte do Pai como um acto de reconciliação do Pai. Por conseguinte, como ele mesmo admite: “eu que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância. E a graça de nosso Senhor foi imensa...” (1Tm 1:13-14).
Além disso, para Paulo a experiência da salvação foi também uma passagem da hostilidade e inimizade a Cristo e a sua Igreja para a fé em Cristo e a fraternidade com a sua Igreja. Esta passagem da inimizade para a amizade constitui reconciliação; e é uma experiência imerecida que só Deus pode impulsionar e conduzir a fazer. Nisto, Paulo considerou-se a si mesmo um exemplo para aqueles que mais tarde acreditariam em Cristo (cf. 1Tm 1:16).

Reconciliação com Deus (vertical) e entre os seres humanos (horizontal)

Em Jesus: na sua vida e no seu ministério, mas especialmente, na sua morte e ressurreição, Paulo vê Deus Pai que reconcilia o mundo (todas as coisas no céu e na terra) consigo mesmo, relevando os pecados da humanidade (cf. 2 Cor 5:19; Rm 5:10; Cl 1:21-22). Paulo vê Deus Pai que reconcilia judeus e gentios consigo mesmo num corpo através da cruz (Ef 2:16). Mas Paulo também vê Deus reconcilar judeus e gentios, criando um homem novo em lugar de dois (Ef 2:15; 3:6). Assim, a experiência da reconciliação estabelece comunhão a dois níveis: comunhão entre Deus e a humanidade; e através da experiência da reconciliação faz-nos também “embaixadores da reconciliação”. Isso restabelece inclusive a comunhão entre os homens.

Reconciliação entre Deus e a Humanidade

A criação da humanidade à imagem e semelhança de Deus, a eleição de Israel para ser “parte e herança de Deus”, e a redenção da humanidade em Cristo e o selo do Espírito Santo (cf. Ef 1:13; 4:30) direccionam a humanidade para a comunhão com Deus.
Quando a humanidade está alienada e afastada de Deus por causa do pecado (desobediência, idolatria, rejeição de Jesus), a reconciliação concretiza-se no perdão; esta é a obra de Deus [26]. É Deus quem inicia a reconciliação com Israel e a humanidade pecadora e afastada, trazendo-os de volta a Si (Sl 80:3, 7, 19; Os 11; 14) “para servirmos à celebração de sua glória” (Ef 1:12) e de acordo com a “imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade”. (Ef 4:24); e Jesus, “Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós” (2 Cor 5:21; Gl 3:13; Rm 8:5) permanece o nosso significado de reconciliação. Isto, entretanto, é a obra do amor de Deus.
Reconciliação com a Família Humana

Recordando brevemente a história de Jesus e Zaqueu (Lc 19), reconhecemos que o encontro entre eles não leva só a uma conversão que estabelece a comunhão entre Zaqueu e o Senhor. Este encontro leva inclusive a uma conversão que restabelece o relacionamento de Zaqueu com o seu povo. Nesse novo relacionamento, a sua visão do próprio povo também mudou: eram irmãos, não para serem explorados ou defraudados.
A reconciliação, portanto, não está limitada a um Deus que atrai a humanidade afastada e pecadora em Cristo através do perdão dos pecados e do amor. É a restauração dos relacionamentos entre as pessoas através da harmonização das diferenças e da remoção de obstáculos nos relacionamento com a experiência do amor de Deus. Com efeito, este é o factor distintivo da reconciliação no ministério de Jesus Cristo. Por outro lado, as Escrituras atestam muitas formas de reconciliação através de alianças, como:
- o ofensor admite o erro e pede perdão, reconhecendo assim que o ofendido está da parte do direito (rectidão) [28];
- o ofensor nega o erro e então inicia um julgamento para estabelecer quem tem direito;
- o ofendido perdoa unilateralmente e encontra a cessação das hostilidades, estabelecendo a paz e a reconciliação.
Em todos os casos citados, a reconciliação, como uma passagem da hostilidade para a paz, da alienação à comunhão, não é um sacrifício dos direitos e não substitui a justiça. Ao contrário, é o restabelecimento da justiça e o seu fruto.
Em suma, a reconciliação da humanidade ainda afastada pode tomar a forma da vinda dos Judeus e dos Gentios juntos como herdeiros do reino (Ef 2:13-15). Pode ter a forma dos membros de uma comunidade orante que harmonizam as próprias diferenças e restabelecem a paz uns com os outros (Mt 5:23-26; 1 Cor 3:3); e pode também ter a forma de uma comunidade composta por membros que se perdoam reciprocamente as ofensas (Mt 18:15; Lc 17:3-4), e não alimentam raiva e rancor (Ef 4:26). Através do perdão, os membros da família humana constroem uma comunidade de reconciliados (Ef 2: 16-19), cujo perdão mútuo reflecte o do nosso Pai do céu (Mt 6:12; Lc 11:4), o qual iniciou a nossa reconciliação com o seu amor e misericórdia.
Uma perspectiva para o Instrumentum laboris

Eis uma espiritualidade da reconciliação que pode inspirar o debate no Instrumentum laboris, e que se deve tornar a atitude do servidor da reconciliação. Por isso, numa Igreja que é uma família em comunhão, a reconciliação não se torna um estado ou um acto, mas um processo dinâmico, uma tarefa a ser realizada todos os dias, um objectivo a perseguir, uma tentativa sem fim para reatar, através do amor e da misericórdia, amizades interrompidas, vínculos fraternos, confiança e segurança.

B. Servidores (diakonoi) da Justiça (adesão aos princípios morais)

O fruto da reconciliação entre Deus e os homens e dentro da família humana (entre homem e homem), como já foi observado precedentemente, é o restabelecimento da justiça e a busca de uma relação. Ao mesmo tempo, é ética e religiosa, e é motivada pelo amor e pela misericórdia.

Falsas formas de justiça

O conceito de justiça tornou-se secularizado antes de significar:
- meramente “a lei do mais forte”;- um compromisso social para evitar males piores; e
- a virtude da imparcialidade na aplicação geral de uma lei, sem qualquer precaução pela justiça natural[30].
O surgimento do “Espírito do Capitalismo” também acrescentou à alienação do conceito de justiça de algumas raízes transcendentais [31]. A ética da economia, por exemplo, era racionalista e individualista. A principal preocupação era o lucro; e estava distante da necessidade de solidariedade, um “ordo amoris” e de todos os vínculos religiosos e éticos. Consequentemente, toda a noção de justiça social foi eliminada e a justiça foi aplicada às convenções de contratos negociados em conformidade com a lei da oferta e da procura, sem restrições para as empresas individuais. O Estado meramente reforçou a ordem pública e a execução dos contratos, enquanto permanecia rigorosamente neutro em relação ao conteúdo [32].
Ao contrário, a justiça da diaconia cristã é a ordem justa das coisas e a realização da busca equilibrada de relações. É a justiça e a adesão aos princípios morais de Deus e do seu reino (Mt 6:33).
Na actual situação de pecado da humanidade e de corações feridos, de qualquer modo, o Antigo Testamento é firme na visão da justiça que não pode chegar ao homem através da própria força mas é um dom de Deus; o Novo Testamento desenvolve completamente esta visão, fazendo da justiça a revelação suprema da graça salvífica de Deus.

O sentido da “Rectidão do Reino”

A rectidão ou a justiça do reino não é uma justiça suficientemente recompensada, não obstante isto às vezes seja o sentido da sua atribuição a Deus (Ap 15:4; 19:2, 11; 16:5-6; Hb 6:10; 2 Ts 1:6).
Não há sequer o sentido de “conformidade com uma norma ou com um conjunto de normas”. Pelo menos, não é este o significado principal e neste sentido nunca pode ser aplicado a Deus.
Apresentada diversamente como tsedaqah e tsedek, a justiça (rectidão) é o cumprimento da exigência de relação, relacionamento com Deus ou com os homens [34]; e quando Deus ou o homem cumprem as condições impostas sobre si mesmos pela relação, em termos bíblicos é “justo” (tsadiq/dikaios).
Fundamentalmente, três eventos explicam todas as relações entre Deus e os homens e entre homem e homem; são eles:
- a criação da humanidade “à sua imagem e semelhança” (Gn 1:26-27) que faz dos seres humanos criaturas de Deus. De qualquer maneira, o próprio acto da criação postula para a humanidade uma origem e uma paternidade comuns que liga profundamente todos os membros da família humana, uns aos outros, como irmãos e irmãs [35];
- a aliança-eleição de Israel por parte de Deus que faz de Israel “o primogénito de Deus”, “a sua herança”, “o seu dote”. Ele torna irmãos também os filhos de Israel (Dt 15:11-12);
- a nova aliança no sangue de Cristo, pelo qual todos os seus seguidores recebem o “selo do Espírito Santo” (Ef 1:13-14), que os torna “templos do Espírito Santo” e “moradas de Deus”.
Isso constitui a base do relacionamento entre Deus e a humanidade, em vários pontos da história; e essas iniciativas de Deus são actos do seu amor. Nesse sentido, a rectidão é uma radical e compreensiva justiça de caráter religioso, que requer que a humanidade se renda a Deus, em obediência e em fé, e que torna qualquer pecado uma “injúria”, uma injustiça e impiedade. Isso também requer que o homem cumpra as justas exigências de relacionamento-padrão homem/mulher por razões da criação e da fraternidade universal dos homens, e por razão de salvação e um chamado comum à santidade e filiação em Cristo.
Rectidão (Justiça) baseada na Criação

A questão sobre o pagamento de impostos a César (Mt 22:15-22; Mc 12:13-17; Lc 20:20-26) dá a Jesus a oportunidade para definir a relação básica entre Deus e o homem como justiça (rectidão).
Na resposta de Jesus, o denário pertencia a César, porque trazia a marca da propriedade de César, nomeadamente, a sua imagem e a sua inscrição. Por justiça, a propriedade de César da moeda deve ser reconhecida e sustentada; então, “dai a César o que é de César”.
A segunda parte da resposta de Jesus é dirigida ao tema mais fundamental se a Deus se dá o justo valor por aqueles que foram criados à sua “imagem e semelhança”, nomeadamente, o ser humano (Gn 1:26-27). A pertença da humanidade a Deus, por razão da sua criação à “imagem e semelhança de Deus” é a base da vida de comunhão entre Deus e a humanidade; e tem a forma de justiça: humanidade dando a Deus o seu justo valor. Nas Escrituras, a humanidade dá a Deus o justo valor quando o homem “obedece à voz de Deus”, “crê Nele”, “teme” e “ louva-O”; e onde isso falta, a humanidade precisa mostrar “arrependimento” (Act 17:30).
Analogamente a paternidade comum dos homens (Act 17:28-29) impõe a isso um “ordo amoris” de solidariedade e fraternidade universal, que é sustentada pela justiça nos seus relacionamentos.

Rectidão (Justiça) baseada nas Alianças de Deus

As diferentes alianças no Antigo Testamento estabeleceram várias relações entre Deus e
os indivíduos: Abraão (Gn 17:4), Isaac (Gn 17:19,21), Jacó (Ex 6:4), Davi (2 Cr 21:7);
a tribos e as famílias: Abraão (Gn 17:11), Davi (2 Sm 7); e
o povo de Israel (Dt 4:12-13); portanto, Êx 19-20; 24:8; Is 24;5).
Algumas das alianças do Antigo Testamento também expressam os relacionamentos entre os seres humanos:
Isaac e Abimeleque (Gn 26, 28-29), Jacó e Labão (Gn 31, 44), Davi e Jônatas (1Sm 20 , 16).
As alianças estabeleceram relações especiais que impuseram exigências aos envolvidos[36]; e justiça (rectidão) era a observância dessas exigências dos relacionamentos, os quais garantiam a fidelidade e a comunhão, verticalmente, entre Deus e a humanidade, e horizontalmente, entre as pessoas. Os termos opostos na Bíblia são “malvado (malfeitor)” e “perverso” (rasha); e denotam o mal cometido contra alguém, com quem se relaciona. Então, o “malvado” destrói a comunidade (comunhão) porque falha em cumprir exigências do relacionamento em comunidade [37]. As alianças entre Deus e as pessoas e com o povo de Israel representam iniciativas de Deus, que levam as pessoas, as famílias e o povo de Israel a um relacionamento especial e requerem que eles vivam as exigências dos relacionamentos com Deus e entre si. As exigências do relacionamento, por um lado, eram submissão na fé e confiança na oferta de Deus, expressas algumas vezes através da execução de um simples rito de circuncisão (Gn 17:10-11), mas, algumas vezes, através da observância das leis (torah) de Deus (Êx 19:5; Dt 7:9, etc). Por outro lado, os Israelitas deviam cumprir certas exigências entre si (justiça social) devido à sua relação de aliança com Deus.
Com os seus muitos pecados e violações das exigências da sua relação de aliança com Deus, Israel agiu injustamente (injúria) e colocou-se a si mesmo fora da relação. Já não pode clamar a Deus como um parceiro da aliança. Se Deus continuou a tratá-lo como um parceiro de aliança, foi porque ignorou as suas violações, “fazendo-o retornar” (Sl 80:3, 7, 19).
Israel, por sua vez, só podia confessar os seus pecados e deixar que Deus a trouxesse de volta. Este foi o tema principal de Oseias e dos profetas do pós-exílio. A rectidão de Deus agora consistia na sua justificação de Israel: trazendo Israel para uma aliança de relacionamento não obstante as suas falhas. Por sua vez, a rectidão de Israel consistia em confessar os seus pecados, reconhecendo as suas faltas e aceitando na fé a generosa oferta da salvação de Deus.

Rectidão (Justiça) baseada na Nova Aliança em Cristo

É nesta linha que João Baptista, iniciou o seu ministério; e o seu ministério cumpriu toda a justiça no sentido que o arrependimento e a confissão dos pecados que exigia eram a admissão de Israel (da Humanidade) que não conseguia ser fiel às exigências da Aliança, a sua experiência imerecida de receber de qualquer modo o perdão justificador e o favor e reconhecimento que Deus age só por amor e misericórdia. Quando, entretanto, Jesus se fez baptizar por João, ele uniu-se à humanidade para professar tudo o que disse como justiça de Deus. Por isso se diz que Jesus cumpriu toda a justiça!
Em Jesus e no seu ministério, vêem-se duas coisas:
- A revelação da justiça como graça justificante de Deus que ignora as justas exigências da relação da Aliança e introduz a humanidade por misericórdia [38] e amor num relacionamento de aliança. Porque, “gratuitamente fostes salvos mediante a fé. Isto não provém dos vossos méritos, mas é puro dom de Deus”. (Ef 2:8)
- O dom do Espírito de Jesus para a Igreja e os seus membros, habilitando-os a corresponder à justiça de Deus (rectidão) na fé e tornar-se “justiça de Deus em Cristo” (2 Cor 5:21), “justificando”, por sua vez, quem está fora da misericórdia e amor [39]: ignorando os seus pecados e violações aos seus direitos, os relacionamentos sociopolíticos, etc., e restaurando dessa forma a comunhão da família de Deus e da família da sociedade.
Este sentido de justiça e rectidão sugere que a exortação do Instrumentum laboris para ser servidores de justiça é antes de mais e sobretudo um convite a uma experiência espiritual: a experiência da justificação de Deus (graça justificante) na fé, e a testemunhá-la na Igreja e na sociedade, justificando os outros. De que modo as feridas e as muitas lacerações que o povo vive e experimenta no continente podem sarar e a comunhão ser restaurada?

c. Servidores/Ministros (diakonoi) de Paz: O Catecismo da Igreja Católica repete o ensinamento de Santo Agostinho que a “paz é a tranquilidade da ordem” [40]. Isso vai confirmar como o “respeito pelo desenvolvimento da vida humana requer isso”, e como é “o trabalho da justiça e o efeito da caridade” [41].

Paz como obra de justiça

Justiça, (Honestidade) como foi ressaltado, é um conceito de relação; o justo é aquele/aquela que atende às exigências do relacionamento no qual está inserido.
O caso de Israel corrompido e da humanidade decaída (Rm 5,6), que Deus justificou em Cristo atribuindo-Lhe a sua justiça (rectidão), consiste no reconhecimento desta necessidade para a graça justificante de Deus e a sua submissão a ela na fé. Este seria exactamente o comportamento para predispor a humanidade à paz de Deus no Evangelho. Porque quando, no nascimento de Jesus, o anjo anuncia o advento da Paz de Deus na terra, destinava-se somente àqueles “que Ele ama” (Lc 2,14).
Na terra, “a Paz” destina-se “aos homens que Ele ama” (Lc 2,14); e o significado da frase “aos homens que Ele ama”, segundo alguns autores, é “todo aquele que receberá a graça de Deus e responderá com fé” [42]. Esta interpretação da frase, como se recorda, coincide com o significado de “justo” e “recto”, como acima, e faz crer que os “justos”, como aqueles que estão dispostos a aceitar a obra de Deus na fé são também aqueles sobre os quais, na terra, repousa a “paz de Deus”. Ao que parece, aqueles que experimentam a paz de Deus são os que se dispõem a promover a paz na terra, cumprindo as condições das relações em que se encontram envolvidos.
Evidencia-se assim uma estreita relação entre paz e justiça (rectidão), na qual Isaías vê (Is 32,17), o Salmista canta (Sl 85,10) e Paulo vê em todo Cristão que caminha na recta via (justificado) com Deus em Cristo: “Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo...”. (Rm 5,1). Portanto, a paz provém do céu. É o dom de Deus, e está estreitamente relacionado com a sua justiça/rectidão (“os homens que ele ama”).

A paz como Caridade (o amor de Deus em Cristo)

Visto que a”paz” foi directamente relacionada com a aliança e com a vivência das suas exigências, quando o povo de Deus desrespeitou a aliança, a “paz” também foi expulsa. Foi necessária uma nova intervenção de Deus e a sua amorosa misericórdia para levar a paz ao seu povo. Por isso, as escrituras de Israel pós-exílio começaram a ver a “paz” gerada do castigo do servo de Deus:“O castigo que nos salva pesou sobre ele”(Is 53,5).
Na sua missão e no seu ministério, Jesus Cristo cumpriu a visão dos últimos profetas de Israel: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único” (Jo 3,16): e depois de “ser entregue por nossos pecados” (Rm 4,25), o Filho de Deus se tornou a nossa “paz”. Assim sendo, se a “paz” provém de Deus (Gl 1,3; Ef 1,2; Ap 1,4) e é de Deus, (Fl 4,7; Cl 3,15; Rm 15,33) Cristo é aquela “paz”; (Ef 2,14). É Ele que a proclama e a estabelece (Ef 2,17); e Ele é a presença de Deus, que traz aquela paz que o mundo não pode dar.

O significado da Paz de Cristo

A “Paz” não tem apenas um significado laico, por significar a ausência de conflitos, (Gn 34,21, Js 9,15; 10,1,4; Lc 14:32), a presença de harmonia em casas e famílias (Is 38,17, Sl 37,11, 1 Cor 7,15, Mt 10,34; Lc 12,51), a segurança e a prosperidade individual e nas comunidades (nações) (Jz 18,6; 2 Rs 20,19; Is 32,18). A “Paz” não existe só quando os seres humanos e as sociedades cumprem os seus deveres e reconhecem os direitos de outras pessoas e sociedades” [43] e nem é apenas um dos resultados da acção da justiça [44]. Essencialmente, a “Paz” transcende o mundo e os esforços humanos [45]. É um dom de Deus (Is 45,7; Nm 6,26) doado aos “honestos/justos”.
Normalmente é expressa como “shalom” (Antigo Testamento) e “eirēnē” (LXX & Novo Testamento), toda forma de “paz” é um conjunto determinado por Deus e “doado” aos homens que ele ama”, ou seja, os honestos e os justos.
Consequentemente, quando Deus perdoou o pecador (Lc 7,50) e curou os doentes (Mc 5,34), mandou-os embora “em paz”: “ide em paz”. “Ide em paz” não era apenas uma bênção de adeus, mas a concessão da paz. Os perdoados e os curados não tiveram apenas a sua saúde física restabelecida; foram pacificados com Deus através da sua fé, e tornaram-se perfeitamente saudáveis diante de Deus e da comunidade [46].
Este é também o significado da saudação de “paz” de Jesus a seus discípulos, na manhã da ressurreição (Jo 20,19-21). Era o perdão por o terem traído e um novo sinal de amizade. Jesus não precisava que os seus discípulos fizessem uma admissão de culpa. Não havia algum pedido de perdão; não foram proferidas desculpas. Ao contrário, deu-se um livre perdão e uma saudação conciliatória de “paz”.
A “paz” de Jesus é a nossa paz, pois ele foi castigado em virtude das nossas iniquidades (Is 53,5). Ela é, portanto, a restauração gratuita e imerecida da plenitude e da comunhão com Deus e com os homens; e é recebida por todos aqueles que a acolhem como graça de Deus e respondem com fé, ou seja, “aqueles que ele ama” (os justos, honestos).
Como justos portadores da paz de Cristo na terra, Paulo exorta as comunidades cristãs a perseguir a paz (Rm 14,19; Ef 4,3; Hb 12,14) e a estar em paz uns com os outros (Rm 12,18; 2 Cor 13,11), exactamente como o instrumentum laboris exorta que a Igreja faça com a África. Ainda em qualidade de portadores da paz de Cristo na terra, devemos recordar-nos, assim como o fizemos com a “justiça”, que a “paz” é um acto que vai além da justiça no sentido estreito da palavra, e requer amor [47]. Ela deriva da comunhão com Deus e tem como finalidade o bem-estar do homem (humanidade). Por isso, ao exortar a Igreja na África e nas ilhas a ser “ministra (servidora) de reconciliação, justiça e paz”, conforme o convite do primeiro sínodo à Igreja para viver na comunhão Igreja-família de Deus, o segundo sínodo convida a Igreja a experimentar as virtudes que fundamentam a nossa comunhão com Deus e a testemunhá-las/vivê-las - ou seja, a reconciliação, justiça e paz através do amor e da misericórdia - no continente. As implicações deste ministério são aquilo que o (tema do) sínodo explica agora com os símbolos do sal e da luz: sal da terra e luz do mundo.

III. DO SER “TESTEMUNHAS DE CRISTO” (At 1,8) A SER “SAL DA TERRA” E “LUZ DO MUNDO” (Mt 5,13.14)

Ao colher os frutos do primeiro sínodo na Ecclesia in Africa, o Papa João Paulo II exaltou o “testemunho” como elemento essencial da cooperação missionária e recordou à Igreja africana que Cristo não só apresenta aos seus discípulos na África o desafio de o testemunhar, mas confere-lhes o mesmo mandato confiado aos dois apóstolos no dia da Ascensão: “Sereis minhas testemunhas” (Act 1,8) na África [48].
Logo, comparando os discípulos de Cristo na África com o sal e a luz, o Santo Padre diz: “Na época actual, no contexto de uma sociedade pluralista, é sobretudo através do empenho dos católicos na vida pública que a Igreja pode exercer uma influência eficaz. Da parte dos católicos, sejam eles profissionais liberais ou professores, empresários ou funcionários, das forças de segurança ou políticos, espera-se que dêem testemunho de bondade, verdade, justiça e amor de Deus nas suas actividades quotidianas. “O dever do fiel leigo (...) é ser sal e luz do mundo (...), particularmente, lá onde ele é o único a poder intervir”.
“Sal da terra” e “luz do mundo”, portanto, foram as imagens/metáforas nas quais o Papa concentrou o seu olhar sobre as actividades missionárias da Igreja na África e nas ilhas. Hoje, este sínodo convida a Igreja na África a interpretar a actuação da sua obra de reconciliação, justiça e paz no continente como “sal da terra” e “luz do mundo”.

Servos (diakonoi) de Reconciliação, Justiça e Paz, como “sal da terra”

A metáfora “sal”, usada por Jesus nos Evangelhos sinópticos, (Mt 5,13; Mc 9,50; Lc 14,34) para descrever a peculiaridade da vida de seus discípulos, é polivalente; tem muitos significados. Assim como o “Mar Morto” é também chamado “mar do sal” (Gn 14,3), para aqueles que vivem próximos das águas do “Mar Morto”, “sal” pode significar “morte” (cf. Gn 19,26). Deus, Senhor da vida, tratará, todavia, as águas do “mar do sal” com a água do templo e dar-lhe-á vida (Ez 47). Por outro lado, o sal pode ser também conservativo. Ele tempera e conserva os alimentos (Job 6,6; Mt 5,13; Lc 14,34), e de maneira semelhante, como no caso da purificação de Eliseu das águas de Jericó (2 Rs 19,22), o sal tem também poder purificador.
O uso do sal para selar amizades e a aliança na época do Antigo Testamento (Esd 4,14) significa, provavelmente, que Deus empregava simbolismos para expressar a continuidade e estabilidade da subsistência dos sacerdotes no Antigo Testamento. “É uma aliança inviolável, perene, diante do Senhor...”(Nm 18,19). O uso do sal em ocasiões de aliança pode estar, talvez, na base do convite de Jesus a seus discípulos: “Tende sal em vós e vivei em paz uns com os outros”(Mc 9,50), um convite a observar a lealdade mútua de uma relação de aliança, e viver em paz.
O sal, porém, é símbolo também de “sabedoria” e de “força moral”; é algo que valoriza as coisas: é o que se verifica quando, por exemplo, é usado para adubar terrenos.
Consequentemente, quando Jesus se refere a seus discípulos como “sal da terra” e quando o sínodo exorta a Igreja na África a ser “servidora de reconciliação, justiça e paz”, como “sal da terra”, quer Jesus quer o sínodo utilizam um símbolo polivalente para expressar as diversas tarefas e exigências de ser discípulos e de ser Igreja (família de Deus) na África. Assim, como no caso dos profetas, negar a Igreja e o seu Evangelho equivale a expressar um juízo e transformar a terra numa “terra de sal” (Dt 29,23; Jr 17,6; Sl 107,34). Num continente em que algumas regiões vivem situações de conflito e de morte, a Igreja deve espalhar sementes de vida: iniciativas geradoras de vida. Ela deve preservar o continente e a sua população dos efeitos destruidores do ódio, da violência, da injustiça e do etnocentrismo. A Igreja deve cuidar e purificar as mentes e os corações de mentalidades corruptas e malignas, e difundir a sua mensagem evangélica, que gera vida, a fim de manter vivos o continente e seu povo, preservando-os no caminho da virtude e dos valores evangélicos, como a reconciliação, a justiça e a paz [50]. Ainda mais importante, porém, é o símbolo do “sal” que convida a Igreja-Família de Deus na África a aceitar dedicar-se (consumir-se) em favor da vida do continente e do seu povo.

Servidores (diakonoi) de Reconciliação, Justiça e Paz, como “luz do mundo”

A referência aos discípulos como “luz do mundo” utiliza uma simbologia cujas origens provêm do Antigo Testamento: a característica e a missão de Sião, a cidade sobre uma colina. Consequentemente, o Servo-Messias foi convocado para assumir esta vocação, realizando-a em Jesus. Logo, Jesus é a “luz do mundo”, aliás, a “luz verdadeira, que ilumina todo homem” (Jo 1, 9) e transforma também os seus discípulos em “luz do mundo”.

Sião, a cidade sobre a colina e Luz das Nações

Sião é a montanha da casa do Senhor (Is 2,2); é a morada da Arca da Aliança (2 Sm 6; 1 Rs 8,20-21) e o Nome do Senhor (Dt 12,5). A Arca da Aliança abrigava a Lei de Deus; a Lei era “uma lâmpada e o ensinamento, uma luz” (Pr 6,23; Sl 19,8; 119,105; Br 4,2).
Todavia, o nome de Deus representava a “presença de Deus” e a luz da presença de Deus pressupunha o poder e a acção salvífica de Deus (Is 10,17; Sl 27; 36,9) para salvar Jerusalém e seu povo [51]. Em virtude da posse da luz do conhecimento da Lei e da luz da salvação de Deus, Jerusalém tornou-se uma luz para as nações e os reis.[52].

A experiência em Sião se torna a vocação do Servo-Messias

Nas mãos de Isaías, a experiência de Jerusalém, luz das nações e dos reis, é apresentada como a vocação de um servo. O servo de Javé, dotado do Espírito de Javé para levar justiça às nações (Is 42,1; 51,4) é visto como a aliança do povo e a “luz das nações” (Is 42,6, 49,8 ss). Sua convocação para ser “luz das nações” implica numa experiência pessoal da salvação de Javé (Is 49,7), o que permitiu que a salvação de Javé alcançasse todos os cantos da terra. Nesses trechos, referentes ao servo, “luz” é o conhecimento da Lei e da salvação de Deus; é um dom destinado a chegar a todos os povos.
Jesus realiza a vocação do Servo-Messias

A imagem do Servo-Messias se realiza em Jesus. Mt 4,16 cita Is 9,2 e alude à estrela do nascimento de Jesus para destacar a realização e a continuação, em Jesus, do simbolismo revelador e salvífico da luz no Antigo Testamento. Jesus é a “luz da salvação de Deus”(Jo 1,5; 3,19; 8,12; 12,46) e é a “luz da Palavra/Lei/Sabedoria de Deus” (Jo 1,4; 9,5; 12,36,46). Jesus é a “luz do mundo” (Lc 2,32; Gv 1,9); morre e ressuscita para “anunciar a luz ao povo e aos gentios” (Act 26,23).

Os discípulos de Jesus e os Cristãos como luz do mundo

Consequentemente, a referência aos discípulos como “luz do mundo” nada mais é do que o modo pelo qual Jesus faz dos seus discípulos a sua extensão e representação no mundo. “Vós sois a luz do mundo” expressa, desta forma, a grande vocação dos discípulos de Jesus: um chamado a realizar, em Cristo, a vocação de Israel no Antigo Testamento a ser testemunha da luz do conhecimento da Lei de Deus (Evangelho) e da sua salvação no mundo.
Esta elevada vocação dos seguidores de Jesus é a proposta do Sínodo para a Igreja na África; ela tem início com o seu chamado (baptismal) que faz deles uma “raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo da sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa” (1 Pd 2,9). Respondendo ao chamado, eles se rendiam à iluminação da Palavra da verdade (Ef 1,17 ss), à luz do Evangelho da salvação (2 Cor 4,4) e a seu convite ao arrependimento. A vida que provém do estado de discípulo faz deles “luz no Senhor e filhos da luz” (Ef 5,8), “filhos da luz e filhos do dia”(1 Ts 5,5; cf. Rm 13,12). E Deus disse: “Do meio das trevas brilhe a luz!, foi ele mesmo quem reluziu em nossos corações, para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo” (2 Cor 4,6). Ela conduz à fé em Jesus e a receber o selo prometido pelo Espírito Santo (Ef 1,13) para viver uma vida sem manchas, porque “o fruto da luz é bondade, justiça e verdade” (Ef 5,9).

Conclusão: que terra? Que mundo?

Nos tempos de Jesus, a terra e o mundo para o qual os discípulos deviam ser “sal e luz” eram a terra e o mundo de fora do círculo dos doze, “pois aos que são de fora tudo se lhes propõe em parábolas” (Mc 4,11).
Neste sínodo, a terra e o mundo para os quais os Católicos do continente e das ilhas devem ser “sal” e “luz” como servos de reconciliação, justiça e paz é a África dos nossos dias, assim como descrito no Instrumentum laboris e mencionado acima [53]. É aqui que Jesus Cristo, depois de ter sido revelado através das Escrituras, como nossa reconciliação, justiça e paz, agora chama e autoriza os seus discípulos na África e nas ilhas a dedicarem-se, como sal e luz, na construção da Igreja na África como uma verdadeira família de Deus, através dos ministérios da reconciliação, justiça e paz, exercidas no amor, como seu mestre. 


NOTAS

[1] João Paulo II, Discurso na Catedral de Cristo Rei (17 de Setembro de 1995), Joanesburgo, África do Sul: “Aqui em Joanesburgo, na África do Sul, em união com a Igreja desta parte do continente, encontramo-nos para promulgar a Exortação Apostólica “Ecclesia in Africa”, que contém as propostas dos Padres Sinodais no final da sessão de trabalho realizada em Roma, em abril de e maio de 1994. Com a Autoridade Apostólica que cabe ao Sucessor de Pedro apresento a toda a Igreja de Deus na África e Madagáscar, a profunda reflexão e resoluções para o sínodo...”
[2] Cf. João Paulo II, Exortação Apostólica Pós-sinodal Ecclesia in Africa, # 13.
[3] Cf. João Paulo II, Discurso aos participantes do 12º Encontro do Conselho Pós-sinodal da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos para a Segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, em 15 de Junho de 2004.
[4] Primeira Assembleia Especial para a África, Instrumentum laboris, 1993 # 1. O mesmo documento afirmou: “Parece que a África esteja vivendo um momento favorável que convida os mensageiros de Cristo a se entregarem totalmente a Cristo”: Instrumentum laboris, 1993 # 24.
[5] Ibidem, # 22- 24. “Sinais dos tempos” referindo ao contexto africano, onde o Evangelho tem de ser proclamado.
[6] Cf. A heróica vida dos mártires e santos africanos, por um lado, e a heróica vida e o esforço pela independência dos africanos na África pós-colonial, na África do Sul, no Sudão, etc, por outro. 
[7] Cf. João Paulo II, Discurso aos participantes do 12º Encontro do Conselho Pós-sinodal da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, 15 de Julho de 2004.
[8] Cf. João Paulo II, Exortação pós-sinodal Ecclesia in Africa # 13-14, 39-42, 51; Segunda Assembleia Especial para a África , Lineamenta, # 6-8.
[9] Segunda Assembleia Especial para a África, Lineamenta, “Prefácio”.
[10] É o que o Instrumentum laboris refere para uma “continuidade dinâmica” e ilustra copiosamente. 
[11] Cf. João Paulo II, Carta do Arcebispo Eterovic por ocasião do Encontro do Conselho Especial para a África da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos (23 de fevereiro de 2005).
[12] Cf. João Paulo II, Exortação pós-sinodal Ecclesia in Africa # 4.
13] Cf. Ibidem., # 2-5. De facto, o SECAM “estudou caminhos e significados planejando este o encontro continental . A consulta da conferência episcopal e todos os Bispos da África e Madagáscar foi realizada, depois que eu convoquei a Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos. (Ecclesia in Africa # 5).
[14] Segunda Assembleia Especial para a África, Instrumentum laboris # 21-33.
[15] Nana Akuffo-Addo, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República de Gana (2001-2008) disse no encontro com o presidente Kikwete, da Tanzânia, “já existem na África alguns dirigentes fortes que estão prontos para seguir em frente; e nós desejamos estar ao seu lado” (Fraternidade Matin, sexta-feira 10/07/09, pág. 1)
[16] NEPAD significa Nova Parceria Económica para o Desenvolvimento da África . NEPAD exige que seja respeitado o governo democrático, e não aceita golpe de Estado. Existe a configuração do Peer Review Mechanism da antiquada performance do governo. Reconhecemos o ritmo de trabalho do African Union Parliament e a implementação dos pré-requisitos dos Estados membros do NEPAD que foi criticado pela sua lentidão. 
[17] Lomé Culture é o nome dado a uma série de acordos de cooperação ao desenvolvimento entre países da Comunidade Europeia (CEE) e suas ex-colónia. Entrou em vigor em 1957 com o tratado de Roma, que sancionou a CEE. Lomé I ‘ Lomé IV estabeleceu um regime de ajudas mediante o Comércio entre CEE e 46 países ACP (em relação aos direitos humanos, princípios democráticos e exercício da lei). A convenção de Iaundé foi assinada em 1975 entre a CEE e os países ACP para fornecer infra-estrutura ao desenvolvimento dos países francófonos. A Convenção de Cotonou, assinada entre a UE e os 70 países ACP, deveria durar vinte anos. Ela era finalizada à redução da pobreza, ao desenvolvimento sustentável e à gradual integração das economias ACP na economia mundial. 
[18] Os principais objectivos do NEPAD são: erradicar a pobreza, ajudar os países africanos rumo ao crescimento e ao desenvolvimento sustentável; acabar com a marginalização da África do processo de globalização, acelerar a tomada de consciência e de poder das mulheres.
[19] “Cooperação significa partilhar com as populações africanas um ponto de vista: a ideia de uma África que é moderna e independente, onde os homens e as mulheres africanas, confiantes em si mesmos, construam a própria vida e o próprio futuro, percorrendo o caminho do desenvolvimento sustentável e democrático. Somente os estímulos e os esforços realizados pela África levarão ao sucesso” (Discurso do Dr. Uschi Eid, Secretário de Estado Parlamentar do Ministério Federal para a Cooperação Económica e o Desenvolvimento da Alemanha, o TICAD III [Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento da África], Tóquio 2003)
[20] Barack Obama expressou o mesmo conceito aos governantes africanos no seu discurso ao Parlamento de Gana durante a visita ao país em Julho passado.
[21] Quando o ex-presidente Clinton em 2003 visitou Gana, o Herald Tribune escreveu: “Foi-nos dito que Clinton tinha ído para mudar a ideia que a América tem sobre a África: não mais de um continente desesperado, mas um lugar de oportunidade e esperança”.
[22] Cf. Bento XVI, Carta Encíclica Caritas in veritate, Vaticano, 2009.
[23] Segunda Assembleia Especial para a África, Instrumentum laboris, n. 11.
[24] Cf. João Paulo II, Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa n. 63.
[25] Cf. Confissão de Paulo: “Ouvistes certamente da minha conduta de outrora no judaísmo, de como perseguia sobremaneira e devastava a Igreja de Deus... quando, porém, aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim o seu Filho... (Gl 1, 13-16).
[26] Neste sentido, Deus é como o pastor que busca a ovelha perdida. É como a mulher que procura uma moeda perdida e como o pai cujo amor provoca o retorno do filho pródigo (cf. Lc 15). É como Jesus que encontra Zaqueu num sicômoro e diz-lhe para descer (Lc 19,5). 
[27] Cf. Pietro Bovati, Restabelecer a justiça, Analecta Bíblica 110, PIB Roma, 1986.
[28] Às vezes, a exigência de conciliação inclui e faz brotar um gesto concreto, como o reconhecimento da existência dos direitos, cuja negação e abuso fizeram aumentar a situação de conflito e hostilidade (cf. Abraão e Abimeleque em Gn 21, 25-34).
[29] Neste sentido, existem factores que favorecem a reconciliação e que os servos da reconciliação devem abraçar; existem outros factores que impedem a reconciliação e que os servidores da reconciliação devem evitar:
a. Factores que impedem: a impiedade e o desprezo pela relação com Deus; a negação dos direitos dos outros, o engano e os preconceitos, a hipocrisia e a paz aparente, a atenção selectiva, o silêncio da cumplicidade e a falência das estruturas do Estado.
b. Factores que a favorecem: o perdão, o amor fraterno, a comunicação, o diálogo, a educação para a paz e a reconciliação.
[30] Sacramentum Mundi 3, 235.
[31] Cf. Paulo VI, Carta Encíclica Populorum Progressio, nº 26.
[32]Sacramentum Mundi 3, 236.
[33] Cf. The Interpreter’s Dictionary of the Biblie, vol 4, 85-88.
91-99.
[34] A “justiça”, de qualquer forma se manifeste baseia-se sobre tudo aquilo que é devido a uma pessoa em virtude da sua dignidade e da sua vocação à comunhão com as pessoas (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja nº 3, 63).
[35] Isso constitui também a base do imperativo fundamental que impõe o respeito positivo pela dignidade e pelos direitos dos outros e também uma ajuda solidária em ir atender as necessidades (cf. Gaudium et Spes, n. 23'32, 63-72; Papa João XXIII, Carta Encíclica Mater et Magistra. A condição dos filhos, comum à humanidade exige que os homens sejam rectos, agindo segundo a vontade de Deus, unidos na solidariedade e pelo amor de Deus, como amor de Pai.
[36] Tamar era mais justa do que o sogro, porque ele não respeitava a tradição familiar (Gn 38, 26), Davi não deveria matar Saul, “porque é o consagrado do Senhor” (1Sm 24, 7, 11) e um “pai” para ele (1Sm 24, 12). Quando uma relação muda, mudam também as exigências. Aquele que cuida dos órfãos e das viúvas e defende-os, é justo (Job 29, 12 -16; Os 2, 19). Aquele que trata os servos com humanidade, vive em paz com o seu próximo, fala bem dos outros, é recto/justo (Job 31, 1-13; Pr. 29, 2; Is 35, 15; Sl 52, 3, etc). A rectidão/justiça como comportamento compete aos membros da comunidade, às vezes é tutelada e aplicada pelos magistrados, quando julgam os casos nos tribunais. Este é o significado da justiça; então quer Deus quer o rei desempenham um papel de juiz (Dt 25, 1; 1Rs 8, 32; Ex 23, 6ss; Sl 9, 4;5 0, 6, 96, 13). Os julgamentos rectos são considerados característicos do Messias-Rei.
[37] O malvado (עשר) é aquele que exercita a força e a falsidade, ignora os deveres que o parentesco e a aliança imporiam-lhes, pisa nos direitos dos outros (The Interpreter’s Dictionary of the Bible), vol 4, 81).
[38] O Papa João XXIII definiu a misericórdia um “especial poder do amor, que prevalece sobre o pecado e a infidelidade dos escolhidos” (Dives in Misericordia, 4.3).
[39] O Papa João XXIII ensina-nos que nas relações entre pessoas e grupos sociais etc., a “justiça não basta”. É necessário aquele “poder mais profundo que é o amor” (Cf. Dives in Misericordia, 12).
[40] Catecismo da Igreja Católica, 2304. Ver também Gaudium et Spes, nº 78.
[41] Ibidem.
[42] “Em todo o Evangelho de Lucas, a ‘paz na terra’ atinge os eleitos, os discípulos, os estrangeiros, aquele que acolheu a graça de Deus e responderá com fé” (Cf. Dictionary of Jesus and the Gospels, ed.
Joel B. Green et alii, Inter Varsity Press 1992 p. 605).
[43] João XXIII, Carta Encíclica Pacem in Terris, n. 174.
[44] Gaudium et Spes, nº 84.
[45] Embora isto seja uma tarefa, algo no qual se actuar, a “paz” é um dom de Deus, algo que nossa paz terrena só antecipa vagamente.
[46] No caso da mulher hemorroíssa (Mc 5, 24-34), por exemplo, Jesus não só curou sua impureza religiosa e social (o tema do sangue), mas também revelou o segredo e tornou pública a fé e a cura (Mc 5, 34; 2,5; 10,52) Tal cura representou o retorno total da mulher à saúde, à sua comunidade e ao Deus da sua fé.
[47] Gaudium et Spes, nº 78
[48] JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa, nº 86
[49] Ibidem., nº 108.
[50] Cf. SECAM, Seminário sobre o Sínodo, Abdjan, Costa do Marfim, 2009: Grupo Carrefour nº III.
[51] Assim a grande restauração e justificação que Javé realiza em relação a Jerusalém é descrita por Isaías como o retorno da luz de Javé: “Não terás mais necessidade de sol para te alumiar, nem de lua para te iluminar: permanentemente terás por luz o Senhor, e teu Deus por resplendor” (Is 60, 19-29).
[52] O Testamento de Levi extenderia a luz de Jerusalém a seus filhos, os Israelitas, e exorta-os dizendo: “Sede a luz de Israel, mais pura de todos os gentios... O que os gentios fariam se vós estivésseis nas trevas pelas transgressões?” (14,3).
[53] Cf. Páginas 20 - 25 acima.

RELATIO POST DISCEPTATIONEM

Às 16h30, terça-feira 13 de Outubro, com a oração do Adsumus guiada pelo Santo Padre, teve início a Décima Quarta Congregação Geral, para a Relatio post disceptationem (Relação após o Debate).

Presidente Delegado de turno S.Em. Card. Francis ARINZE, Prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (CIDADE DO VATICANO).

Durante o intervalo, o Santo Padre Bento XVI recebeu em audiência os grupos dos Círculos Menores Gallicus E e Lusitanus.

Nesta Congregação Geral que se concluiu às 19h com a oração do Angelus Domini estavam presentes 223 Padres.


RELATIO POST DISCEPTATIONEM

Interveio nesta Décima Quarta Congregação Geral o Relator-Geral, S.Em. Card. Peter Kodwo Appiah TURKSON, Arcebispo de Cape Coast (GANA), para a leitura da Relatio post disceptationem (Relação após o Debate). Na sua segunda relação, na conclusão do debate geral sobre o tema sinodal na Sala, o Relator-Geral sintetizou as várias intervenções feitas nos últimos dias nas Congregações Gerais e ofereceu algumas linhas de orientação para facilitar os trabalhos dos Círculos menores.


INTRODUÇÃO

A Segunda Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África oferece-nos uma oportunidade singular para aprofundar a noção da Igreja como Família de Deus e reflectir sobre o exercício da sua missão em África e nas suas Ilhas. Nesta linha, talvez fosse preferível ler a referência à “Igreja em África” do tema do Sínodo no sentido da “Igreja-Família de Deus em África”.Quando o Servo de Deus João Paulo II reconheceu, com discernimento apostólico, que o tempo estava maduro para passar da fase de implementação da “Ecclesia in Africa” à convocação de um segundo Sínodo para a África, ele referiu-se, uma vez mais, às “luzes e sombras” do continente e das suas ilhas, exortando o continente a um esforço de cooperação e ao fortalecimento da sua fé em Cristo: «A África», disse então, «enfrenta sempre terríveis flagelos como os conflitos armados, a pobreza persistente, as doenças e as suas consequências devastadoras, começando pelo drama social da SIDA, pela insegurança difundida e, por fim, a corrupção presente em numerosas regiões. Tudo isto enfraquece a África, esgota as suas energias, dizima as novas gerações e hipoteca o seu futuro. Para construir uma sociedade próspera e estável, a África precisa que todos os seus filhos unam os seus esforços...Que a futura Assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a África favoreça também um fortalecimento da fé em Cristo Salvador, nossa autêntica reconciliação!».[1]
Esta é aquela “futura assembleia especial para a África”, graças a sua Santidade, o Papa Bento XVI, o qual graciosamente confirmou o projecto do seu antecessor e formulou o seu tema.[2]
Os exemplos analisados e as reflexões sobre estas “luzes e sombras”, tal como os Padres sinodais as exprimiram, devem ser considerados, à luz da nossa fé em Cristo, a quem o primeiro Sínodo chamou “nossa esperança e nossa ressurreição” como desafios e oportunidades de conversão. A transformação destas “luzes e sombras” em Cristo deveria levar-nos ao fortalecimento da nossa fé em Cristo, nosso Salvador, nossa reconciliação, nossa justiça e nossa paz (cf. InstrLab. 46).

NOVAMENTE REUNIDOS NUMA ASSEMBLEIA ESPECIAL PARA A ÁFRICA DO SÍNODO DOS BISPOS

É claro que a maioria dos participantes da nossa Assembleia são africanos ou têm a ver com a África; mas isto não deve desvirtuar nem diminuir o carácter verdadeiramente universal e eclesial do nosso encontro e deste acto colegial. É um acto de comunhão eclesial, tal como nos foi recordado nesta assembleia por diversas vezes. Assim, este Sínodo, tal como todos os Sínodos, celebra o laço íntimo de união entre o Sumo Pontífice e os Bispos, assiste o Bispo de Roma no exercício da sua missão universal, estuda e reflecte juntamente com o Santo Padre sobre os problemas e os assuntos relacionados com as actividades da Igreja no mundo. Deste modo, quer estando presente para rezar com o Santo Padre e os Padres sinodais e para expressar os seus pontos de vista, quer estando ausente, mas unida em espírito e oração com a Assembleia sinodal, é a Igreja universal que está reunida em Sínodo debruçando-se sobre a sua presença em África (Igreja em África). Este é um acto universal de toda a família de Deus e do Corpo místico… na sua pertença mútua, compartilhando a sua vida comum em Cristo. Não se trata, pois, de um assunto exclusivamente africano ou de uma mera assembleia com participantes não-africanos. Trata-se antes do discernimento da Igreja universal sobre o modo de manter saudável o enorme pulmão espiritual da África em favor da humanidade (cf. Homilia do Papa, 4.X.2009), no cumprimento da sua missão de ser sal e luz.

OUTRAS ESTRUTURAS DE COMUNHÃO ECLESIAL

Partindo da natureza do “Sínodo” como um acto de comunhão eclesial, os Padres sinodais detiveram-se a examinar e a sublinhar a necessidade da união dos Bispos entre si (InstrLab. 110), a sua vida em comunhão eclesial e o testemunho de ambas a nível das diversas formas e órgãos de cooperação ministerial. A este propósito, muitos Padres sinodais mencionaram o SECAM, e a necessidade de uma colaboração dos pastores do continente com este órgão, que os seus predecessores fundaram há quarenta anos atrás, a fim de promover a “Evangelização em co-responsabilidade”. A CELAM, a FABCe a CCEE esperam estabelecer e continuar a estreitar laços com o SECAM como também com aUSCBC, etc.
Espera-se que o SECAM consiga obter o estatuto de observador na União Africana, estando a proceder de modo semelhante as conferências regionais em relação aos parlamentos regionais e parlamentos nacionais, tal como já acontece na África do Sul.
Um exemplo recente deste desejo de testemunhar e viver em comunhão eclesial activa é a decisão das Conferências Episcopais Regionais da África Ocidental de Língua Inglesa (AECAWA) e da África Ocidental de Língua Francesa (CERAO), até há pouco separadas, de formar uma única Conferência Episcopal Regional (RECOWA / CERAO).
Na mesma linha, os Institutos de Vida Consagrada e Religiosa confirmaram também a sua necessidade de viver em comunhão, estando-se a explorar a nível dos seus diversos corpos agregados (eg. MAC, COSMAM etc.) novos caminhos de colaboração ministerial no seio da Igreja continental, nacional e local.

O CENÁRIO DA SEGUNDA ASSEMBLEIA: MISÉRIAS OU DESAFIOS DE ÁFRICA?

Registaram-se muitas mudanças positivas quer na Igreja quer na maior parte da sociedade em África desde a primeira Assembleia Especial para a África.
Algumas destas mudanças positivas são directamente atribuíveis aos efeitos do Sínodo. No entanto, ainda há muitas sombras na Igreja e na sociedade, quinze anos após a conclusão da primeira Assembleia que, aliás, foi descrita como um Sínodo de ressurreição e de esperança, e do qual se esperava que assinalasse um momento decisivo na história do continente.[3]
Os Padres sinodais citaram muitos exemplos e reflexões relativas às “sombras” ao longo das diversas sessões desta Assembleia. Assim, a nível de
Igrejas locais:
Os Padres sinodais reconheceram francamente o apreço insuficiente pelo papel das mulheres e dos jovens nas comunidades locais, bem como a pobreza da sua formação no campo da fé. Os políticos e outros funcionários públicos nem sempre puderam desfrutar daquele acompanhamento e formação que lhes teria permitido testemunhar de forma conveniente a fé na sua vida e trabalho. O uso dos meios de comunicação social deve ser incrementado além do uso de estações de rádio locais. O testemunho da Igreja fica comprometido pela dificuldade que alguns agentes pastorais têm de ser fiéis aos seus votos, vocação e estados de vida.
Âmbito sciocultural:
Os Padres sinodais tiveram que deplorar numerosos pontos da sociedade africana. Além da menção especial ao nomadismo e aos conflitos por causa de águas e zonas de pasto, a maior fonte de pesar para os Padres sinodais tem a ver com o aparecimento de tendências na sociedade de carácter e conteúdo duvidoso que se afastam e opõem aos valores tradicionais. Foi sugerido que, em vez de falar num “conflito de culturas”, o Sínodo deveria considerar a experiência sobretudo como um “encontro de culturas”. Por outro lado, a maioria das observações recaiu sobre os agentes sociais.
Muitos Padres sinodais lamentaram a sorte da família em África, ou seja “a destruição de uma autêntica ideia de matrimónio e da noção de uma família sã” (Instr. Lab. 31), considerando que a instituição familiar está a ser seriamente submetida à ameaça de instabilidade e dissolução em virtude da pobreza, dos conflitos, das crenças e práticas tradicionais (feitiçaria) e de infecções, principalmente a malária e a SIDA. Foram relatadas diversas iniciativas para libertar as mulheres de práticas culturais negativas.
Os Padres sinodais também descreveram de diversas formas o ataque feroz à família e à instituição fundamental do matrimónio, com ela relacionada, que provém de fora da África, tendo-o atribuído a diversos factores: o ideológico (ideologia de género, nova ética sexual global, engenharia genética); o clínico (contracepção: planeamento da paternidade e educação sanitária da reprodução, esterilização); e a emergência de estilos de vida “alternativos” (matrimónios homossexuais, uniões de facto). Mas é também do exterior de África que procederam nobres iniciativas, tais como: a Fundação Jimmy Carter contra o verme-da-Guiné em África, a Fundação Tony Blair para a Acção inter-confessional contra p.e. a malária.
As mulheres, referidas na primeira Assembleia Especial para a África como “animais de carga”, começaram a emergir em certos países em lugares proeminentes, desempenhando papéis de chefia em direito, política, economia e engenharia. Mas elas também são “recursos sub-desenvolvidos” em certos países, sofrendo da exclusão de papéis sociais, de heranças, da educação e dos lugares de decisão do poder. Eles são vítimas indefesas em zonas de conflito: vítimas de matrimónios polígamos, vítimas de abusos, de tráfico para prostituição etc. Mas o NEPAD insta com os Governos para que apressem a dotação de poder às mulheres.
As crianças, “o sector sofrente da população africana” (Homilia do Santo Padre, 04/10/09) foram apontadas como vítimas de abuso (crianças-soldado, trabalho e tráfico de crianças) e privadas do direito à educação. Noutros lugares, porém, elas têm beneficiado de programas escolares de computorização enérgicos.
O tema da juventude foi abordado a partir da menção dos problemas de África por causa da sua exposição ao abuso das drogar, da infecção da SIDA, da gravidez precoce de adolescentes, das migrações, do tráfico de seres humanos e de viagens que os fazem chegar ao destino em condições servis. Estas misérias também indicam uma pobreza de políticas e programas governamentais a nível da educação e do emprego e a pobreza da sua relação com a Igreja, devido à deficiente qualidade da sua formação e da formação contínua, e da sua deriva para fora da Igreja. Mas também se deve mencionar que a Fundação Hewlett irá estabelecer centros de excelência em cidades africanas a fim de conter as migrações e fuga de cérebros.
O tema das “migrações” foi mencionado de forma especial por causa da emanação de legislações em países Ocidentais, que parecem destinar-se a não deixar entrar os africanos.
A Assembleia também foi convidada a reflectir sobre o tema “étnico”. Quando este se desenvolve assumindo traços de exclusivismo, destrói a convivência comunitária, torna-se intolerante em relação às outras culturas e grupos étnicos, tal como o racismo.
Âmbito sociopolítico:
Além da menção especial à estabilidade política do Senegal, ao governo democrático da África do Sul e ao sucesso crescente do Gana com um governo democrático, a maior parte das referências às políticas e governos no continente foi muito crítico por várias razões, tendo-se proposto que as Igrejas locais instituam capelanias e acompanhamento dos políticos juntamente com uma formação na “Doutrina Social da Igreja”. A necessidade mais urgente é a de ter Governos e políticos que exerçam uma “chefia servidora” no exercício transparente e responsável do poder, no respeito dos direitos humanos e na administração da riqueza nacional em favor do bem-estar público.
Mas também aqui, o NEPAD, subscrito por todos os estados componentes da União Africana, requer que se respeito o governo democrático, que não haja nenhuma tolerância em relação aos golpes de estado e que se institua um “Mecanismo de Revisão Paritária” que examine a acção dos governos.
Âmbito socioeconómico:“Pobre” e “pobreza” foram duas expressões recorrentes que, em geral, os Padres sinodais usaram acerca dos seus países, governos, povos e igrejas. Em muitas intervenções, ficou claro que a pobreza do povo tinha justificado projectos de desenvolvimento conduzidos pela Igreja. Ela inspirou iniciativas de autonomia financeira (bancos, propriedades, companhias de seguro, etc.) e proporcionou uma ocasião de generosa troca de experiências sobre o assunto. Mas foi, também, motivo para os Padres sinodais solicitarem apoio.
A Assembleia criticou, em relação aos níveis nacional e governamental, a incidência da corrupção e do suborno, mas, também, da negociação de contratos com investidores, particularmente de indústrias extractivas, sem qualquer benefício para a população, mas que, antes, causam conflitos e degradam o meio ambiente.
A taxa de industrialização é baixa na maioria dos países africanos e as suas economias são agrícolas e produtoras de matérias-primas. As condições de comercialização estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio e pelos países ocidentais significam morte à vista para muitas economias africanas.
As economias baseadas na produção de matérias-primas são pouco lucrativas, necessitam de ajuda externa, de governos estrangeiros, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional para financiar os seus orçamentos e implementarem projectos de desenvolvimento. Esta é a causa mais comum (“les origines calamiteuses”, como diz o Sínodo) do fardo da dívida que foi mencionado na Assembleia.
Aqui, também, se pode observar que os objectivos primordiais da NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento de África), como quadro ou projecto estratégico de desenvolvimento económico, são para erradicar a pobreza, colocar os países africanos na rota do crescimento e do desenvolvimento sustentáveis, para pôr fim à marginalização de África do processo da globalização.
Evidentemente, a África ainda não saiu das sombras. Ela ainda está nelas. Mas já teve alguns êxitos. “Embora a situação do Continente, das suas Ilhas e da Igreja ainda comporte algumas das “luzes e das sombras” que motivaram o primeiro Sínodo, tal situação mudou consideravelmente.[4] Portanto, como declarou o primeiro sínodo, as sombras, apesar de tudo, nunca apagaram as esperanças de África; porque “a nossa esperança não decepciona” (Rom 5, 5). Evidentemente, é “na esperança (que) somos salvos” (Rom 8, 24), porque conhecemos Aquele em quem cremos (cfr. 2 Tim 1, 12). É a nossa fé no Senhor Ressuscitado que nos dá esta esperança.
Deste modo, a Igreja pode ver as presentes e persistentes sombras em África como desafios e oportunidades para crescer em intimidade com o Senhor. Os desafios referidos acima e os demais que foram mencionados na Assembleia (por exemplo, meio ambiente, tráfico de armas, etc.) convidam-nos a uma verdadeira conversão dos corações: “corações humanos feridos, o último lugar escondido de todas as causas de tudo o que desestabiliza o continente Africano”.[5] Assim, seremos agentes efectivos do Espírito Santo e servos da reconciliação, da justiça e da paz.

O REFORÇO DA FÉ EM CRISTO

Os Padres sinodais reunidos em Assembleia lembraram-se de que “um Sínodo dos Bispos não pode ser entendido como uma sessão especial das Nações Unidas para a África, com suas declarações públicas”. Esta foi uma forte chamada de atenção para a Assembleia Sinodal como Igreja reunida e como Assembleia de fé, que no poder do Espírito Santo professa a fé em Deus e em Cristo, seu Filho, e que está reunida para descobrir a vontade de Deus e a direcção para a sua família em África.
Isto foi seguido por outro convite da Assembleia para nos vermos como “filhos de Deus em Cristo”(confiliação) com toda a humanidade.
A Primeira Assembleia Especial, como deve ser recordado, encarregou a Igreja em África de inculturar-se, entendendo-se a si mesma como família de Deus. Enquanto Igreja, no entanto, esta identidade é realizada somente em Deus, que é comunhão (“família”), e através de Jesus que no-la revela pela proclamação do seu Evangelho. Como “primogénito de muitos irmãos”, é Jesus, o Filho de Deus, que partilha a sua filiação connosco, constituindo-nos a todos como filhos (Nele) e introduzindo-nos na vida da Trindade como família de Deus.
A referência à Igreja como família de Deus não é, portanto, uma mera aplicação de determinados conceitos antropológicos. É uma expressão da verdade da Igreja e da sua identidade que partilha da vida do Deus Uno e Trino através de Cristo. A missão de Cristo, que se torna na vida e no ministério da Igreja, deriva, portanto, da vida do Deus Uno e Trino; ora, reconciliação, justiça e paz, devem ser vistas como derivadas da vida de Deus. Pertencem ao Reino de Deus; e são vividas através da fé em Cristo, por meio de quem nos tornamos filhos (e filhas) do Reino.
Portanto, nas suas intervenções, os Padres sinodais, várias vezes, afirmaram a centralidade de Cristo (Cristocentrismo) no tema do Sínodo, e a necessidade de entende-lo e de vivê-lo centrados em Cristo. OInstrumentum Laboris começou a sua discussão sobre o tema do Sínodo com um capítulo de “Reflexões Teológicas sobre o Tema do Sínodo” (nn. 15-19) e seguiu com uma secção sobre “Haurir a força da Fé em Cristo” (nn. 75-86). A apresentação do tema do Sínodo na Relatio ante disceptationemfoi, do mesmo modo, fortemente centrada em Deus e em Cristo. Nas suas apresentações, os Padres sinodais e os outros participantes, de várias maneiras, chamaram à atenção para uma consideração Cristológica, Eucarística e Pneumatológica do tema do Sínodo.
Os actores do tema, de acordo com a Assembleia, devem ser evangelizados, convertidos, formados na fé e serem testemunhas vivas numa vida de discípulos de Cristo (como Charles de Fouchauld); porque é a nossa comum filiação em Cristo que é a base da nossa justiça e da nossa reconciliação.
Portanto, todas as formas de experiência e de prática do tema do Sínodo (reconciliação, justice e paz) devem ser “evangelizadas” (impregnadas) pelo Evangelho.

CRISTO NOSSA RECONCILIAÇÃO

Foi observado na Assembleia (Relatio ante disceptationem) que “numa Igreja, que é uma família em comunhão, a reconciliação não se torna nem um estado nem um acto, mas um processo dinâmico, uma tarefa a ser cumprida todos os dias, um objective pelo qual lutar, um imparável recomeçar, através do perdão e da misericórdia, da amizade sem limites, de laços fraternais e da confiança”. Isto é tão importante que é exigido pela nossa natureza e pela nossa identidade: o que somos com Deus e diante de Deus em Cristo. É a nossa relação em Cristo com Deus e com os outros que exige reconciliação; e a sua razão de ser é reparar e restaurar a comunhão que a aliança com Deus e a nossa filiação em Cristo estabelecem, mas que o pecado ameaça e destrói.
É em Cristo, pois, que estamos em comunhão com Deus; e é nele que alcançamos a nossa reconciliação com Deus. Na verdade, Ele é a nossa reconciliação; e é por Ele e Nele que oferecemos e recebemos reconciliação.
Pois, nas palavra de S. Paulo,
1. “Se estamos em Cristo somos uma nova criação”. A relação e a comunhão estabelecidas entre Deus e a pessoa humana pela criação da mesma pessoa humana à semelhança e à imagem de Deus, é suplantada pela sua redenção e pela sua filiação. A relação entre Deus e a pessoa humana pertence pois ao regime da graça (acção gratuita de Deus): redenção em Cristo. “Somos salvos pela graça por meio da fé em Cristo” (Ef 2, 8).
2. Em Cristo Deus reconciliou-nos consigo não nos imputando os nossos pecados. Reconciliação é um acto de perdão não merecido; e é um exercício de misericordioso amor.
3. Deus confiou-nos a sua mensagem de reconciliação a nós… isto é, aqueles que fizeram uma experiência da reconciliação de Deus. “Na tua luz, ó Deus, nós vimos a luz”. É na experiência da reconciliação de Deus que nos tornámos ministros da reconciliação, sentindo a urgência de reparar as relações com misericórdia e amor.
Os Padres sinodais ouviram os testemunhos da acima referida urgência de reconciliar inimigos, e observaram a sua experiência como um exercício na verdade e no amor misericordioso. A liturgia e o sacramento da Penitência oferecem momentos privilegiados para a sua celebração.
Os Padres sinodais também falaram de muitos métodos tradicionais de reconciliação, e se interrogaram sobre se elementos destas celebrações tradicionais não poderiam enriquecer as formas de celebração dos Sacramentos na Igreja. Fazendo isto não deverá haver nenhuma confusão sobre a eficácia da celebração; pois, como foi dito na Assembleia, é “a boa nova do precioso sangue de Cristo, dado para a redenção de toda a humanidade que transforma o cálice do sofrimento de muitas vítimas de carnificinas no continente”. Isto exige uma espiritualidade e não uma estratégia!

CRISTO NOSSA JUSTIÇA

A reconciliação, como foi sublinhado também na Assembleia, é a restauração da justiça e são as justas exigência de relações (Relatio ante disceptationem). Paulo também descreve os frutos da nossa reconciliação com Deus por meio de Cristo como transformar-se em justiça de Deus (2 Cor, 5, 21).
No presente estado de pecaminosidade humana e de corações feridos, no entanto, o Antigo Testamento é forte no seu ponto de vista de que a justiça não pode vir à humanidade por meio da sua simples força. Ela pode apenas vir como um dom de Deus. E o Novo Testamento desenvolve este ponto de vista mais plenamente, tornando a justiça na revelação suprema da graça salvífica de Deus.
Mais uma vez, como sublinhado na Assembleia, o sentido desta justiça de Deus não é apenas o de justiça retributiva, ainda que este seja, muitas vezes, o sentido da sua atribuição a Deus (Apo 15, 4; 19, 2,11; 16, 5-6; Heb 6,10; 2Tes 1,6), e muitas intervenções na Assembleia reflectiram este sentido de justiça. Ela também não tem o sentido de “conformidade com uma norma ou com um conjunto de normas”. Pelo menos, este não é o seu sentido primordial; e não pode ser aplicado a Deus neste sentido.
A justiça (rectidão) de Deus e do seu reino é uma revelação de Deus, que é destinada a ser a rectidão dos seres humanos. É a revelação da justiça/rectidão de Deus que justifica, tornando o pecador recto e digno, mais uma vez, de comunhão e de relação de aliança com Deus”.[6] É a revelação de Cristo, “que quando éramos ainda pecadores morreu por nós (Rom.5:9)” que prova o amor de Deus para connosco. É, pois, a revelação de Cristo como nossa justiça/rectidão. justiça do homem, neste caso, consiste na sua confissão dos pecados, na admissão da sua falha, e na aceitação, na fé, da oferta de Deus de comunhão, isto é, na salvação em Cristo.
Em Jesus e no seu ministério, vemos a graça justificadora de Deus em acção, cuidando dos pedidos justos da relação de aliança e re-estabelecendo a humanidade com misericórdia[7] e amor, numa relação de aliança. Também vemos a constituição de uma nova aliança comunitária, a Igreja, dotada com o Espírito Santo e capacitada, consequentemente, a responder à rectidão de Deus na fé pela confissão dos pecados.
justiça da diakonia Cristã e a justiça do nosso viver Cristão na Igreja em África é a justiça do reino; e a sua característica principal é ser justiça exercida no amor e na misericórdia.[8]
É este sentido de justiça que os Padres sinodais sugerem que deve ser cultivado, primeiro na família, como uma virtude familiar antes de se tornar uma virtude social. Aqui, tudo o que é devido a uma pessoa em razão da sua dignidade e da sua vocação para a comunhão de pessoas[9] é sustentado e mantido na misericórdia e no amor.
A Comissão de Verdade e Reconciliação da África do Sul, a Comissão Nacional de Reconciliação do Gana e outras (Nigéria, Serra Leoa, Togo), que os Padres sinodais mencionaram, buscam primariamente este sentido de justiça. Compensação não é o seu objectivo principal. Elas buscam a cura através da admissão da culpa e do perdão.

CRISTO NOSSA PAZ

Paz é um termo cuja definição (como “educação”, como “desenvolvimento” e como “justiça”) foi popularmente citada pelos Padres sinodais. Reconhecendo que, tanto o respeito como o desenvolvimento da vida humana requerem-na,[10] e que é a “condição necessária para o verdadeiro progresso dos homens e da sociedade”[11] os Padres sinodais e os outros participantes rogaram para a “cultura da paz” nas Igrejas, nas casas, nas comunidades e nas nações. Particular menção foi feita às estruturas institucionais para a paz como a “Comissão Nacional da Paz” do Gana e a “Comissão de Verdade e Reconciliação” da Serra Leoa e do Togo; e a sua difusão foi advogada.
Nas mulheres e nas crianças, que são as vítimas fáceis da violência doméstica e da privação da paz, devido aos conflitos, os participantes no Sínodo viram substância para a organização de formidáveis grupos de promoção da paz em todo o Continente e nas suas Ilhas. E onde a ausência da paz é devida a costumes e práticas tradicionais opressivas, a Assembleia rogou para a criação de “Centros de Estudos da Cultura” como pontas-de-lança para a sua revisão e a sua reforma.
Mas a Paz, que emergiu da Assembleia Sinodal como a mais desejada condição da vida humana e de qualquer actividade no Continente e nas suas Ilhas está, ironicamente, para além do alcance do ser humano e do seu mundo. O Instrumentum Laboris, por isso, interroga a Assembleia Sinodal, sobre a paz que ela procura! (n. 46).
A sua visão é a de que “a paz que o mundo oferece é frágil e insegura”; uma vez que a paz não é primariamente fruto de estruturas e ela não se realiza fora da pessoa. A Paz nasce primeiramente de dentro, isto é, no interior do indivíduo, e dentro das comunidades que eles constroem.
Paz, portanto, seria o fruto da “disposição espiritual” de uma pessoa; e se ela floresce onde existejustiça, então, como a justiça e a reconciliação, ela é também o fruto do amor.
Quando Tomás de Aquino ensinou que a paz e a harmonia eram preservadas pela justiça, também sublinhou que, para preservar a paz e a justiça entre os homens, as prescrições da justiça não são suficientes. É fundamental que haja amor entre eles.[12] Do mesmo modo, o “Catecismo da Igreja Católica”, haurindo da Escritura e da rica tradição da Igreja, também ensina que “a paz é obra da justiça e fruto da caridade”;[13] e é neste sentido que Cristo é identificado pelas Escrituras como a nossa paz.
A “paz” que é Cristo não tem somente um sentido secular, sendo a ausência de conflito (Gn 34, 21; Jos9,15; 10,1,4; Lc14,32), a existência de harmonia em casa e no seio da família (Is 38,17; Sal 37,11; 1Cor7,15; Mt10,34; Lc12, 51), harmonia individual, segurança e prosperidade comuns (nacional) (Jz18, 6; 2 Re 20,19; Is 32,18). “Paz”, não é ou não existe apenas quando os seres humanos e as suas sociedades cumprem os seus respectivos deveres e reconhecem os direitos de outras pessoas e sociedades”;[14] e não é apenas um dos resultados do trabalho pela justiça.[15] “A Paz”, essencialmente, transcende o mundo e os esforços humanos.[16] É uma plenitude determinada por Deus e outorgada ao homem/mulher de justiça. É um dom de Deus (Is 45,7; Nm 6,26) para o “recto/justo”: “aqueles em quem a sua vontade permanece” (Lc 2,14).
É como a portadores de rectidão na terra e da paz de Cristo que Paulo nos exorta através das suas comunidades Cristãs a buscar a paz (Rm14,19; Ef 4,3; Heb12,14) e a estar em paz com os outros (Rm12,18; 2 Cor13,11). Mas é também como portadores de rectidão na terra e da paz de Cristo que devemos recordar-nos, como fizemos com a “justiça”, que a “paz” é uma actividade que vai para além da simples justiça e exige amor.[17] Ela deriva da comunhão com Deus e orienta-se para o bem-estar do homem (humanidade).
O primeiro Sínodo convidou a Igreja de Deus em África e nas suas Ilhas a viver na comunhão da Igreja-Família de Deus. Ora, este segundo Sínodo convida a Igreja-Família de Deus, em todos os detalhes da sua composição, a fazer uma experiência daquelas virtudes que estabelecem a nossa comunhão com Deus e a testemunhar e a viver a mesma reconciliação, justiça e paz no amor e na misericórdia no Continente e nas suas Ilhas.
O que segue é a apresentação de algumas componentes da Igreja-Família de Deus que servem àreconciliação, à justiça e à paz no Continente, tais como os Padres sinodais as perspectivaram; e as implicações do seu ministério são as que se estabelecem nos simbolismos do sal e da luz: sal da terra e luz do mundo.

DISCÍPULOS, SERVIDORES DA RECONCILIAÇÃO, DA JUSTIÇA E DA PAZ

Iluminada e transformada pelo mistério pascal de Cristo e cumulado do Espírito Santo, a comunidade dos discípulos é enviada com a missão de anunciar em toda a parte e a todos, tudo aquilo que eles contemplaram, ouviram e apalparam acerca da Palavra de Vida... (cf. 1 Jo 1, 1). Esta missão consiste em tornar Cristo visível em todas as circunstâncias e em todos os lugares onde o «Espírito» os impelir (cf. Act13, 2). Eles estão conscientes de que são uma comunidade de partilha de bens espirituais e materiais sem qualquer discriminação étnica ou cultural.
Impelido pelo «Espírito do Senhor», o diácono Filipe converteu um funcionário etíope que, também ele, se tornará missionário junto dos seus (cf. Act 8, 26-39). Isto confirma a África como pátria de Cristo, que permaneceu presente sem descontinuidade de tempo no seio da comunidade eclesial ali nascida, e cujo Patriarca já pôde ser ouvido na sua pregação pelos Padres sinodais. A Igreja-Família de Deus na África tem orgulho das suas raízes apostólicas e sente-se orgulhosa dos seus antepassados na fé, enquanto é chamada a tirar dos seus exemplos a coragem para continuar a anunciar o Evangelho da reconciliação, da justiça e da paz.
Ela fundamenta a sua acção na contemplação do seu Mestre, Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo 14, 6), «que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos» (Mc 10, 45). O seu aniquilamento eleva-nos, introduzindo-nos na família de Deus numa humanidade renovada, reconciliada e animada pelo seu Espírito (cf. Fl 2, 6-11).
Para assegurar a sua missão de reconciliação, de justiça e de paz, a Igreja-Família de Deus na África deve tomar consciência da sua identidade, pensar no seu modo de ser e de agir com solicitude pela verdade e em fidelidade a esta esta sua missão: ela deve reconciliar-se consigo mesma e modelar-se em Cristo-Servo. A comunhão entre os pastores, o seu testemunho de vida, os relacionamentos com os seus colaboradores e o tratamento dos empregados são campos que devem também ser explorados.Os Padres sinodais dedicaram tempo à escuta recíproca e à consideração dos diferentes aspectos desta missão e dos diferentes protagonistas que nela estão envolvidos: as pessoas individualmente, a família, as crianças, os jovens, as Comunidades eclesiais vivas, os leigos, os religiosos, as religiosas, os clérigos...
Além dos sectores sociais, propostos e enumerados no Instrumentum laboris, que devem ser submetidos a um exame atento (a família, a dignidade da mulher, a missão profética, as comunicações e as novas técnicas de informação e de comunicação, e a auto-suficiência), sobressaiu a partir de numerosas intervenções dos Padres sinodais um novo sector: o sócio-religioso.

A FAMÍLIA

Os Padres sinodais sentiram como primeira tarefa da Igreja-Família de Deus na África a reabilitação da família africana na sua dignidade e na sua vocação, uma vez que ela é ameaçada por ideologias perigosas (ideologia de género). A grande estima pela instituição familiar é notável em todas as culturas africanas, e não é sem razão que a Igreja em África define como «Igreja-Família de Deus», terminologia consagrada pelo precedente Sínodo, mas que adquire ainda maior riqueza, conferindo à «Família» uma base antropológica cristã sólida, susceptível de melhor manifestar a sua identidade e de a abrir à dimensão da Igreja universal. Os Padres sinodais denunciaram claramente as ideologias e os programas internacionais que são impostos aos nossos países, com motivações falazes ou condicionando a ajuda ao desenvolvimento. Elas são nocivas para a família. É necessário formar pessoas competentes, capazes de informar oportunamente as associações de famílias católicas e outros movimentos laicos, a fim de que defendam o bem da família e o apresentem em debate público (conferências, transmissões radiofónicas...). Introduzir nos seminários, nos noviciados e em outras casas de formação, análises sociopastorais contextuais, a fim de identificar, de criticar e de prevenir todo o risco e toda a ameaça que possam pesar sobre a instituição «família».
Enfim, é urgente redefinir a família ainda como «igreja-doméstica» e primeiro lugar de educação para o amor, a reconciliação, a justiça e a paz. Assim, as famílias cristãs serão a base estável das Comunidades eclesiais vivas, que então serão «comunidades-Famílias», verdadeiras escolas de evangelização. A pastoral familiar deve integrar estes elementos.

DIGNIDADE DA MULHER E O SEU PAPEL AO SERVIÇO DA RECONCILIAÇÃO, DA JUSTIÇA E DA PAZ

A mulher está ao serviço da vida e da humanização dos demais membros da família. No entanto, no seu desenvolvimento ela continua a ser frustrada pela cultura tradicional (mutilações genitais) e espezinhada na sua dignidade pela modernidade (pornografia, prostituição, violação e outros tipos de humilhação na sociedade).
Os Padres sinodais ouviram o clamor das mulheres, às vezes repercutidos por algumas dentre elas... A Igreja-Família de Deus é interpelada no que se refere às graves injustiças que lhes são perpetradas. Elas têm necessidade de ser reconhecidas tanto na sociedade como na Igreja, como membros activos comprometidos na vida da Igreja. A sua contribuição para o desenvolvimento e a salvaguarda da família humana, também em tempos de conflito, deve se reconhecida e apreciada no seu justo valor.
Como mães, elas asseguram à criança a primeira educação: amor e sociabilidade. Como esposas, são parceiros fiáveis dos maridos... Os Padres sinodais são chamados a dirigir os seus olhares e os seus pensamentos para a mulher, e ter a audácia de apostar nas suas potencialidades, já demonstradas na gestão da vida familiar... elas hão-de fazer mais pela Igreja.
Por conseguinte, uma profunda evangelização da cultura tradicional ajudará a libertá-las de certos comportamentos e costumes contrários ao Evangelho, e sempre em prática em muitas sociedades (poligamia, violências domésticas, discriminação na partilha da herança, matrimónios forçados... primeiras vítimas do SIDA...).
O seu desenvolvimento pessoal (amor, respeito e reconhecimento dos seus direitos...), tornará a sua contribuição mais efectiva e mais eficaz, nomeadamente no nascimento e na promoção de uma cultura da paz. Elas sentem-se naturalmente dispostas para isto no génio que lhes é próprio e nos seus dons de paciência, de capacidade de acolhimento, de escuta e de educadora.

O ÂMBITO SOCIORELIGIOSO

O medo e as incertezas que caracterizam a vida de fé em numerosas populações africanas (desconfiança, suspeita, autodefesa, agressão, charlatanismo, adivinhação, ocultismo, sincretismo...). Uma análise atenta demonstra que é o desejo insaciável de possuir egoisticamente que se encontra na raiz dos grandes dramas presentes em diversas regiões da África. Por outro lado, as seitas exercem uma grande atracção sobre os fiéis católicos face aos problemas sociais e desejosos de soluções rápidas para os seus problemas físicos ou psíquicos. As seitas abusam das debilidades ou da ignorância dos fiéis. Certos grupos atacam a Igreja com práticas ocultas.
Os Padres sinodais foram convidados por vários deles voltar ao ensino das bases fundamentais, a fim de oferecer aos fiéis elementos essenciais da fé cristã, para lhes permitir levar uma vida de fé em coerência com os acontecimentos da vida quotidiana.
Uma espiritualidade equilibrada pode ajudar os cristãos a resistir à pressão das seitas.
No campo das injustiças graves padecidas (conflitos armados, violências...) os Padres sinodais ouviram os testemunhos comovedores de pessoas que fizeram a experiência do Perdão; daqui resulta que Justiça – Perdão – Verdade são inseparáveis. Aquilo que foi violado não pode ser reconstruído, a não ser que o mal seja reconhecido e admitido. O perdão pedido e concedido após a admissão liberta a vítima e o verdugo, estabelecendo um relacionamento novo e mais vigoroso. Esta força de amar e de perdoar é um dom de Deus (cf. Testemunho ouvido na sala).
Os fiéis hão-de aprender a fundar os seus relacionamentos e os seus comportamentos na:
- a certeza que Cristo dá da sua presença permanente no meio deles: «Eis que Eu estarei convoco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20);
- vida em abundância que somente Ele pode oferecer, sacrificando a sua (cf. Jo 17, 2-3);
- paz que unicamente Ele pode doar, e n o como o mundo a dá (cf. Jo 14, 27);
- justiça que ultrapassa toda a justiça humana (cf. Mt 5, 38).
Os sacramentos e, de modo particular, a Eucaristia e a reconciliação constituem o manancial inesgotável de forças para construir a Igreja-Família de Deus. Deus é a única nascente da vida, «Cristo... Primogénito dentre os mortos, reconciliou-nos com Deus pelo sangue da sua cruz...» (cf. Cl 1, 15 ss.). Nós estamos unidos através de um vínculo de sangue com Cristo, que nos introduz numa grande família, da qual Ele é o Primogénito.
É urgente convencer os fiéis de Cristo que os laços fraternos estabelecidos por Cristo mediante a água do baptismo e o seu sangue são mais fortes que o sangue biológico. Ele é o Primogénito de uma multidão de irmãos, tendo estabelecido assim uma co-filiação que restabelece a dignidade do homem africano, o reconcilia consigo mesmo e com os outros curando-o pessoal, social, cultural, política e economicamente.
Por conseguinte, a dignidade e o carácter sagrado de cada pessoa sejam reconhecidos e respeitados, quem quer que ela seja, e independentemente da situação em que ela se encontra. Isto exige: solidariedade, partilha, respeito mútuo, hospitalidade, agregação e reconciliação mediante uma justiça restabelecedora...
A Eucaristia como fonte e ápice da vida cristã deveria ser o lugar da melhor expressão da reconciliação e da paz (cf. Prece eucarística, n. 3). É o próprio Corpo de Cristo que nos satisfaz, e o próprio Sangue de Cristo que corre nas nossas veias.
Uma catequese de aprofundamento dos sacramentos pode ajudar os fiéis a viver a Eucaristia com mais profundidade e proveito, pois em muitas comunidades a «missa» permanece um parêntese no dia ou na semana: a Eucaristia ainda não impregnou a vida e o agir quotidiano de numerosos fiéis... como demonstra o momento de troca da paz, que passa despercebido ou é desvirtuado. A Eucaristia é a ocasião de enviar cada membro participante com uma missão particular de reconciliação e de cura, de justiça e de paz para o seu ambiente.
A dúplice dimensão pessoal e comunitária da celebração do sacramento da reconciliação deve ser vigorosamente realçada. A celebração comunitária da reconciliação é, em determinados casos, bem identificada para cuidar e curar as feridas das sociedades e das famílias dilaceradas por situações de violências, de conflitos e de guerras. O pecado tem uma dimensão social; por isso, também a reconciliação deve abranger toda a comunidade.

A MISSÃO PROFÉTICA DA IGREJA-FAMÍLIA DE DEUS NA ÁFRICA

A Igreja-Família de Deus, pela sua natureza, pela sua doutrina social coerente, pela sua repartição geográfica e pela sua solicitude pelo bem singular do homem, está melhor situada que qualquer outra organização para fazer face aos desafios da reconciliação, da justiça e da paz na África.
Os Padres sinodais reconheceram a necessidade de uma presença activa da Igreja em fórums a níveis nacional, regional ou continental nas instâncias de decisão onde se abordam as questões relativas ao desenvolvimento humano (socioeconómico), o estabelecimento de boas relações entre os grupos em conflito (mediação) e o restabelecimento de relações que possam garantir um porvir de paz.
Para falar sobre a reconciliação, a justiça e a paz, e garantir um compromisso mais sensível e mais coordenado, é necessário que os bispos falem em uníssono no seio de uma mesma conferência episcopal (nacional, regional ou continental). É preciso criar uma sinergia entre todas as instituições eclesiais (SECAM, COSMAM, associações e organizações laicas continentais) para abranger conjuntamente todos os diferentes aspectos da vida e dos compromissos da Igreja ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz.
Instâncias especializadas (observatórios) devem ser criados, se forem necessários para enfrentar os novos desafios, para desenvolver acções ou seguir a evolução de certas situações ou questões como a dependência externa, a sede de bens materiais, o etnicismo... causas potenciais de conflitos étnicos. Todas as raízes dos conflitos nas sociedades africanas devem ser abordadas sem receio nem condescendência, e devem constitui o objecto de planos de acção continental ou de directrizes pastorais específicas.
Os episcopados africanos têm igualmente grande interesse em revigorar a sua presença nas organizações continentais (UA), em harmonia com a acção da Santa Sé (diplomacia vaticana), a fim de estimular, de encorajar e de garantir iniciativas destinadas a promover a reconciliação, a justiça e a paz.
O desastre provocado pela pandemia do SIDA não foi perdido de vista pelos Padres sinodais. Eles encorajam todos aqueles que envidam esforços para cuidar, para incutir esperança nas pessoas infectadas e atingidas, a fim de que resistam às tentações do desespero. A missão da Igreja-Família de Deus na África, de levar os fiéis do Evangelho de Cristo a assumir o compromisso na luta para reduzir o estigma social das pessoas infectadas, assim como para substituir a violência com o restabelecimento de pontes de reconciliação, de justiça e de paz, para interpelar os poderes públicos, para falar em nome dos «sem-voz». Foi dirigido um apelo para uma maior sinergia e solidariedade, a fim de que os doentes da África recebam os mesmos tratamentos dos enfermos da Europa.
Na luta pela preservação das vidas humanas e para assegurar mais a paz entre os homens, levantaram-se várias vozes para pedir o fechamento das indústrias que fabricam armas e alimentam os conflitos na África. Depois dos conflitos pelos espaços vitais e pelas explorações mineiras, é a guerra da água que agora se está a delinear-se no horizonte. É necessário preveni-la, permanecendo vigilantes no que diz respeito à degradação do meio ambiente, sob o efeito do aquecimento climático.
Os Padres sinodais reconhecem que as causas dos conflitos armados na África não são apenas um facto de tribalismo, mas é a cobiça das multinacionais e o seu desejo de apropriação exclusiva dos jazigos estratégicos (petróleo, urânio, cobalto...) que geram tais conflitos. Eles encorajam a definição de quadros jurídicos internacionais, em ordem a garantir um controle das multinacionais e das indústrias de extracção transnacionais.

OS LEIGOS

Os conflitos em África não deixam de evocar a história recente (perigo da exacerbação dos nacionalismos e da noção de raça que são anti-cristãos). A presença dos cristãos na administração pública, na vida política e nas instâncias de decisão (Parlamento) é numerosa. Mas, apesar disso, leis contrárias à moral cristã são votadas sobretudo no âmbito relativo à vida familiar. É necessário, pois, formar os homens políticos cristãos, assegurando-lhes uma sólida formação cristã (Bíblia, teologia moral, doutrina social da Igreja, História da Igreja...) e os instrumentos jurídicos para a defesa dos valores cristãos (a família em particular), contribuindo assim positivamente na elaboração de textos legislativos respeitadores da moral cristã. Os Padres sinodais reconheceram que não basta formar fiéis leigos para os postos de chefia política nos nossos países, mas que também é necessário acompanhá-los no seu compromisso... para fazer deles agentes transformadores da sociedade (boa gestão familiar, assim como das responsabilidades sociais e políticas).
Os movimentos de apostolado dos leigos podem contribuir no serviço da reconciliação, da justiça e da paz. A Igreja, através das suas instituições especializadas, também se pode comprometer com a sociedade civil e com as ONG’s sérias ou com outras confissões religiosas para erguer uma frente comum na luta em favor da promoção integral dos direitos humanos.

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

O empolamento dos conflitos africanos e a sua instrumentalização por parte dos meios de comunicação social constitui um desafio para a Igreja-Família de Deus em África. Os Padres sinodais foram informados sobre o esforço de muitas dioceses para se dotar com rádios diocesanas. Estas permitem promover os ideais da fraternidade, da coabitação pacífica, da reconciliação, da justiça e da paz entre as populações. O poder dos meios de comunicação social também pode servir para a difusão da Boa Nova num continente marcado ainda maioritariamente pela cultura oral.
Uma boa formação técnica e religiosa dos comunicadores católicos (doutrina social da igreja em particular) é prioritária. Ao mesmo tempo é necessário formar os próprios pastores e os agentes pastorais na linguagem e no bom uso dos meios de comunicação social. Os fiéis leigos em geral aprenderão a exercitar o seu discernimento e espírito crítico em relação às ideologias que estes meios veiculam.
Particular atenção deve ser dada aos jovens. Eles são as primeiras vítimas do efeito devastador da globalização sobre os costumes e os sistemas de valores. Daí decorre a exigência de uma educação integral e integradora a todos os níveis (infância, juventude, idade adulta) em ordem à prática dos valores sociais indispensáveis a uma convivência harmoniosa: a promoção da vida humana, a unidade do género humano e a dignidade igual de todas as pessoas, o respeito pelo bem comum e o direito de todos a dele poder desfrutar.
Isto começa logo na família e prossegue nas instituições e escolas católicas que continuam a ser o lugar por excelência de educação para os valores da vida cristã, nomeadamente a cultura de tolerância, da convivência, do serviço aos outros, da reconciliação, da justiça e da paz.

OS CLÉRIGOS

Deve-se curar a formação dos seminaristas e uma boa harmonização entre a filosofia e a teologia que permita responder criteriosamente às interrogações do mundo. É necessário redigir uma ratio nationalis intitutionis sacerdotalis a fim de promover o discernimento e uma formação espiritual e emocional adaptada às circunstâncias e às pessoas... O discernimento rigoroso e uma formação espiritual e afectiva adaptada às situações que façam deles pessoas solidamente enraizadas na sua cultura e fiéis ao ensinamento da Igreja.
A preocupação pela criação de formadores competentes dotados de uma boa formação deve ser prioritária. A implicação da família e da comunidade cristã no testemunho da prática dos conselhos evangélicos ajudá-los-á a fundar a sua vida sobre a sua pertença exclusiva a Cristo.

A VIDA CONSAGRADA

A vida consagrada está a crescer rapidamente na Igreja-Família de Deus em África. Tal como nas vocações sacerdotais, notam-se deficiências no campo do discernimento e dos formadores(as).
Os Padres sinodais são chamados a ajudar a vida consagrada a perseverar na sua missão profética, apoiando-a na realização da sua missão ad gentes e encorajando-a por um testemunho de comunhão. Aqueles foram informados sobre a prática de enviar jovens africanas para a Europa para se formar para a vida religiosa... o que às vezes acabou mal, chegando algumas a recusar regressar às suas terras de origem e a passar por diversos problemas. Espera-se deles uma palavra a este respeito.
COSMAM é já uma realidade no continente, formando uma estrutura de enquadramento da vida consagrada em África e constituindo um espaço de diálogo com os bispos do continente (SECAM).


UMA SÓ IGREJA-FAMÍLIA DE DEUS COM MUITOS ROSTOS

A Igreja-Família de Deus do norte ou do sul do Saara tem a mesma missão de serviço. Ela ainda não está suficientemente integrada no Igreja-Família de Deus em África. É uma Igreja “lugar de cruzamento e de passagem” (Carrefour), mas com a vocação se transformar numa “Igreja do Pentecostes” porque passa a ser uma Igreja multicultural por causa da presença importante de estudantes do sul do Saara. Estes aprendem a viver a sua fé num contexto novo, enfrentando corajosamente o seu futuro sem se desencorajar perante certas injustiças.
Apesar de seu estatuto de minoria cristã em ambiente muçulmano, ela mantém uma relação de diálogo com o Islão, estando comprometida com diversos tipos de serviço à sociedade: social, cultural e educacional.
Os bispos Padres sinodais provenientes destas Igrejas apelaram os seus conterrâneos a ir ao encontro e a entrar em diálogo com as outras religiões, sem complexos nem medos, ultrapassando os receios e o peso do passado (relação entre o mundo árabe e a África negra)... e a estabelecer relações de parceria com os muçulmanos de boa vontade, neutralizando as tensões.
Eles desejam:
- enquanto minoria cristã vivendo num ambiente islâmico, ser associados ao Sínodo dos Bispos de 2010 (Médio Oriente);
- que se organize um simpósio continental de partilha e troca de experi ncias sobre a diversidade de situações nas relações com o Islão (de Tunis a Johannesburg).
- Celebrar a memória: santos, beatos e mártires da Igreja-família de Deus em África
Além dos santos e dos beatos de África que o Santo Padre nunca deixa de nos recordar em todas as ocasiões, os Padres sinodais evocaram a memória dos bispos, dos padres, dos religiosos e religiosas, dos leigos e dos seminaristas que permaneceram firmes no seu posto até ao dom da própria vida à semelhança de Cristo.
Outras pessoas que nós conhecemos morreram tragicamente ao serviço do bem comum.
É necessário celebrar a sua memória “juntamente” com a dos nossos. Todos estes heróis do serviço e da reconciliação merecem ser apresentados aos jovens como modelos.
Interpelar a consciência da comunidade internacional a respeito das injustiças e violências que se cometem em África, convidando-os a uma maior solidariedade. A comunidade internacional deve ser interpelada a comprometer-se com a reconstrução dos países destruídos pela guerra.

CONCLUSÃO

“Sal” e “Luz” são as metáforas / imagens com que o Servo de Deus, Papa João Paulo II descreveu a missão do crente em Cristo, na multiplicidade e diversidade da sua identidade e papéis em África e nas suas ilhas. Ele disse: “Na época actual, no contexto de uma sociedade pluralista, é sobretudo através do empenhamento dos católicos na vida pública que a Igreja pode exercer uma influência eficaz. Espera-se que os católicos, sejam eles de profissão liberal ou professores, homens de negócios ou funcionários públicos, autoridades judiciárias ou políticos, dêem testemunho de bondade, de verdade, de justiça e do amor de Deus nas suas actividades quotidianas. A missão do fiel leigo é ser sal da terra e luz do mundo, especialmente nos lugares onde só os leigos podem fazer presente a Igreja”.[18]
A referência no tema deste Sínodo ao convite de Cristo para que os seus discípulos sejam “sal da terra e luz do mundo” não só refere apenas ao testemunho que o Igreja-Família de Deus em África, tal como os discípulos de Jesus (Atos 1,8), deve dar no continente, nas suas ilhas e no mundo. É também referência a um método de evangelização credível e de missão apostólica prescritas pelo Senhor segundo o estilo da sua própria missão.
“Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu único Filho” (Jn 3,16); e a missão do Filho encarnado de Deus no mundo foi descrita por Paulo como o aniquilamento pessoal do Filho de Deus para se fazer o homem: “Embora fosse de condição divina.... ele aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de um escravo” (Fil 2,6-7). Foi desta forma que Jesus levou a cabo a sua missão na terra, fazendo chegar o seu aniquilamento pessoal trazendo à sua mais alta expressão no seu sofrimento dele e morte de cruz, cumprimento as profecias do Servo de Deus no Antigo Testamento (Is 52-53, etc.).
Tal é o carácter do encargo de servo que o tema de Sínodo evoca para que se possa trazer areconciliação, a justiça e a paz ao continente e às suas Ilhas: “ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz”, como o tema de nosso Sínodo, convida a Igreja-Família de Deus na África a uma existência pascal enquanto agentes de reconciliação, de justiça e de paz; e é para isso mesmo que se recorre às metáforas do sal e da luz . É a radicação do nosso método de acção apostólica ao serviço dareconciliação, da justiça e da paz no sacrifício que fazemos das nossas vidas e no sacrifício de Cristo. Porque devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (cf. Fil 2,5).
Neste Sínodo expressou-se de muitas formas que a Igreja-Família de Deus em África deve ser transformada a partir de dentro; e que ela deve transformar o continente, as suas ilhas e o mundo enquanto sal e enquanto luz. Ela visa uma missão apostólica que os seus pastores e outros agentes de pastoral formularam de modo diferenciado nesta Assembleia:
-liberando as pessoas do continente de medo de todos os tipos;
- assegurando uma profunda e constante conversão e uma formação “sólida” a todos os níveis (fé, catequética, moral, em comunicações sociais, cultura de amor, paz, justiça, reconciliação, boa acção governativa, administração, etc.);
-diálogo a todos os níveis, incluindo o ambiente;
-funções de advocacia no campo das diversas preocupações e necessidades sociais, especialmente no que se refere ao lugar da mulher na sociedade, à educação das crianças e à juventude;
- migrações e diversas formas de movimento de populações, as quais requerem o nosso cuidado pastoral,
-o ministério exigente da mudança de atitudes e mentalidades, libertando-as dos efeitos de um passado de colonialismo, de exploração, etc.
-pondo o continente e as suas gentes em condições de resistir à investida da globalização e aos desafios de uma ética global, de condições comerciais injustas, do etnocentrismo, de fundamentalismos, etc.
O símbolo polivalente que é o sal traduz de muitos modos a existência pascal sob cujo signo a Igreja-Família de Deus em África tem que servir a reconciliação, a justiça e a paz (e agora também a verdade, que esta Assembleia intimamente lhes associou); e é a luz do Evangelho a guiar-nos.


[1]João Paulo II, Carta ao Arcebispo Nikola Eterović por ocasião da reunião do Conselho Especial do Sínodo dos Bispos para a África, Vaticano, 23 Fev. 2005.
[2]No dia 26 de Junho de 2006, numa Conferência de Imprensa do Vaticano, feita pelo Card. Francis Arinze, o Conselho Especial para a África do Secretariado Geral do Sínodo dos Bispos tornou públicos os Lineamenta da Segunda Assembleia Especial para a África e a 19 de Março de 2009, em Yaoundé, o Santo Padre apresentou o Instrumentum Laboris da Segunda Assembleia Especial para a África.
[3]Primeira Assembleia Especial para a África, Instrumentum laboris, 1993, 1.
[4]Segunda Assembleia Especial para a África, Lineamenta, “Prefácio”.
[5]JOÃO PAULO II, Exortação Pós-Sinodal: Reconciliatio et Poenitentia, n. 2.
[6]O “perverso” (רשע) é o oposto do recto. Ele destrói a comunhão e a comunidade não respondendo às exigências das relações comunitárias. (The Interpreter’s Dictionary of the Bible, vol. 4, 81).[7]O Papa João Paulo II define “misericóridia” como “um poder especial do amor, que prevalece acima do pecado e da infidelidade do povo escolhido” (Dives in Misericordia, n. 4.3).
[8]Portanto, o Papa João Paulo II ensina que nas relações entre indivíduos e grupos sociais, etc., “a justiça não é suficiente”. É necessário aquele “poder profundo, que é o amor”. (cfr. Dives in Misericordia, n. 12).
[9]Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 3, 63.
[10]Catechismo della Chiesa Cattolica, 2304.
[11]Bento XVI, HOMILIA, Basílica de S. Pedro, Domingo 4/10/09.
[12]Contra Gentes 1. III, c. 128.
[13]Ibidem.
[14]Pacem in Terris, n. 172.
[15]Gaudium et Spes, 84.
[16]Embora seja uma tarefa, algo pelo qual devemos trabalhar, a “paz” é um dom de Deus, algo que a nossa paz terrena só tenuamente antecipa.
[17]Gaudium et Spes,78.
[18]Ecclesia in Africa, 108.


LISTA FINAL DAS PROPOSIÇÕES


Por benévola decisão do Santo Padre Bento XVI a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos está autorizada a tornar conhecida a versão não oficial das Proposições da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos sobre o tema A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz “Vós sois o sal da terra ... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13.14).


LISTA FINAL DAS PROPOSIÇÕES

INTRODUCTIO

Propositio 1

Documentos a apresentar ao Sumo Pontífice

Os Padres sinodais apresentam à consideração do Sumo Pontífice a documentação sobre «A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz. “Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13.14)», relativa a este Sínodo. Tal documentação inclui os “Lineamenta”, o “Instrumentum laboris”, as Relações “ante” e “post disceptationem” e os textos das intervenções, quer os apresentados em aula, quer “in-scriptis”, as Relações dos Círculos Menores e as suas discussões e algumas propostas específicas, que os Padres consideraram de capital importância.
Os mesmos Padres pedem humildemente ao Santo Padre que disponha sobre a oportunidade de oferecer um documento sobre a Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz.

I - ECCLESIA IN SYNODO

Propositio 2

O Sínodo como um Novo Pentecostes

Se a Primeira Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos foi declarada “Sínodo da Ressurreição e da Esperança” (EIA, 13), os Padres Sinodais, em comunhão com o Santo Padre, o Papa Bento XVI, vêem esta Segunda Assembleia Especial como o Sínodo de um “Novo Pentecostes”.
Com gratidão a Deus, agradecem ao Santo Padre pela auspiciosa iniciativa em convocar este sínodo.
Os Padres Sinodais sentem-se felizes por testemunhar o carácter universal da assembleia sinodal na presença do Santo Padre, dos seus colaboradores mais próximos e dos representantes da Igreja vindos de outros continentes.
Rezam para que o Espírito do Pentecostes renove o nosso compromisso apostólico em fazer com que a reconciliação, a justiça e a paz prevaleçam em África e em todo o mundo. Que Ele não permita que os imensos problemas que pesam sobre África nos vençam e para que sejamos “sal da terra” e “luz do mundo”.
Que este exercício de comunhão eclesial e de responsabilidade colegial inspire outras estruturas e formas de colaboração ministerial na Igreja – Família de Deus.

Propositio 3

Comunhão eclesial

Pela sua própria natureza a Igreja é uma comunhão que supõe a solidariedade pastoral orgânica. Os Bispos, em comunhão com o Bispo de Roma, são os principais promotores da comunhão e da colaboração no apostolado da Igreja, de que participam os padres, os diáconos, as pessoas consagradas e os fiéis leigos. Esta comunhão da Igreja é particularmente visível na colegialidade efectiva e afectiva com os outros Bispos na Província Eclesiástica e a nível nacional, regional, continental e internacional.Por isso, o Sínodo recomenda que os Bispos, os sacerdotes, os diáconos e os religiosos continuem a estreitar a sua colaboração a nível diocesano, nacional, continental e inter-continental. Exorta ainda a que se continue a incrementar uma constante colaboração entre o “Simpósio das Conferências Episcopais de África e do Madagáscar” (SECAM) e a “Confederação das Conferências dos Superiores Maiores de África e do Madagáscar” (COSMAM).
Desta maneira, a Igreja é torna-se um sinal mais eficaz e promotora da reconciliação, da justiça e da paz.

Propositio 4

Comunhão Eclesial a nível Regional e Continental

Os Padres Sinodais dão graças a Deus pelo trabalho desenvolvido pelo SECAM/SCEAM (Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar), a primeira instância de comunhão eclesial a nível continental, durante os últimos quarenta anos da sua existência (1969-2009).
Eles desejam que, mantendo o Espírito do Pentecostes, as Conferências Episcopais nacionais e a Assembleia da Hierarquia Católica renove os seus compromissos com a SECAM, de modo a que se desenvolva um ministério pastoral mais frutuoso em África, especialmente no que se refere à reconciliação, à justiça e à paz.
Consequentemente, apelam aos Bispos em África a reavivarem as estruturas de comunhão eclesial existentes, especialmente a COMSAM (Confederação das Conferências dos Superiores Maiores de África e do Madagáscar) e a promover outras, tais como:
- um conselho continental para o clero;
- um conselho continental para o laicado; e
- um conselho continental para as mulheres católicas.
Pedem ao SECAM/SCEAM que procure e elabore os modos e os meios passíveis para se assegurar uma colaboração frutuosa entre as ditas estruturas.

II - SYNODALIA THEMATA

A) Reconciliatio

Propositio 5

O sacramento da reconciliação

É a graça de Deus que nos dá um coração novo e nos reconcilia com Ele e com os outros. Um elemento essencial da “reconciliação” é o sacramento da reconciliação, o qual se deve celebrar de acordo com as normas canónicas e o espírito da exortação apostólica pós-sinodal “Reconciliatio et poenitentiae”. Dê-se novamente toda a importância à celebração do sacramento da reconciliação na sua dúplice dimensão: pessoal e comunitária.
A reconciliação a nível social contribui para a paz. Após um conflito, a reconciliação restabelece a união dos corações e a vida em comum. Graças à reconciliação, as nações que se encontravam já há muito tempo em guerra reencontraram a paz e os cidadãos arruinados pela guerra civil reconstruíram a unidade; as pessoas ou comunidades que pediram e deram o perdão curaram a sua memória, as famílias divididas puderam conviver novamente em harmonia. A reconciliação ultrapassa a crise, restabelece a dignidade pessoal e abre o caminho ao desenvolvimento e à paz duradoira entre as pessoas a todos os níveis.
Os Padres sinodais querem dirigir agora um cordial apelo a todos os países que se encontram em guerra em África, fazendo sofrer tanto o seu próprio povo: “Parai com as hostilidades e reconciliai-vos!”.
Pedem a todos os cidadãos e governos africanos que reconheçam os valores da fraternidade e promovam todo o tipo de iniciativas de todo o tipo que contribuam para a reconciliação e a incrementem de forma estável e permanente em todos os níveis da sociedade.
Convidam a comunidade internacional a apoiar firmemente o combate às manobras que desestabilizam o continente, causando nele de forma persistente conflitos.
Propõem que os países africanos celebrem um Dia anual da Reconciliação.

Propositio 6
Forma não-sacramental da celebração da reconciliação

Deve favorecer-se prudentemente a forma não-sacramental da celebração da penitência de tal modo que revele o carácter eclesial da penitência e da reconciliação. Ela também é importante para os cristãos cuja situação pessoal os priva dos sacramentos, de forma a inseri-los num processo penitencial no interior da Igreja. No início dos tempos litúrgicos penitenciais, tal como o Advento e a Quaresma, mesmo para as comunidades que dispõem de padre, como uma etapa em ordem a uma recepção mais frutuosa do sacramento (cf. Reconciliatio et poenitentia, 37).

Propositio 7

Inculturação do sacramento da reconciliação

Grande número de cristãos africanos adopta uma atitude ambígua em relação à administração da reconciliação. Se, por um lado, têm um respeito escrupuloso pelos rituais ancestrais de reconciliação, por outro dão pouco crédito ao sacramento da penitência.
É assim necessário levar a cabo um estudo sério e aprofundado sobre as cerimónias tradicionais africanas de reconciliação, tais como a “palaver” (onde um grupo de sábios arbitra publicamente os casos) e a arbitragem dos conflitos por um “grupo de mediadores”. Orgãos semelhantes poderiam ser instituídos nas Comissões Justiça e Paz, a fim de ajudar os fiéis católicos a entrar num processo sério de conversão através da celebração do sacramento da reconciliação.
A graça do sacramento da penitência celebrado com fé é suficiente para nos reconciliar com Deus e com o próximo, não requerendo mais nenhum rito tradicional de reconciliação.

Propositio 8

Práticas Pastorais de Reconciliação

Para promover o desenvolvimento da cultura da reconciliação, as Igrejas locais poderão levar a cabo iniciativas pastorais tais como:
1. Um Dia ou Semana de Reconciliação anual, especialmente no Advento e na Quaresma, um Ano da Reconciliação a nível do continente, para pedir perdão a Deus, em especial por todas as lesões e feridas infligidas aos outros e reconciliar as pessoas e grupos ofendidas dentroda Igreja e da comunidade mais alargada. Poderiam ser organizados actos comuns de reconciliação e de perdão; e
2. um Ano Jubilar Extraordinário no qual a Igreja em África e nas suas Ilhas dê graças a Deus juntamente com a Igreja universal e reze a pedir os dons do Espírito Santo. Este período de reconciliação seja assinalado por uma:
a. conversão pessoal e a confissão sacramental individual com absolvição;
b. um Congresso Eucarístico continental;
c. celebração de ritos de reconciliação na qual as pessoas se perdoem uns aos outros;
d. renovação das promessas baptismais na qual o carácter de discípulos de Jesus suplante todas as outras formas de sujeição ao clã ou a um partido político;
e. vida eucarística renovada.

Propositio 9

Espiritualidade da reconciliação

"Foi Deus quem reconciliou o mundo consigo, em Cristo, não imputando aos homens os seus pecados, e pondo em nós a palavra da reconciliação... Exercemos portanto as funções de embaixadores" (2 Cor 5,19.20). A reconciliação implica uma atitude de vida (espiritualidade) e uma missão. Para levar à prática a espiritualidade da reconciliação, justiça e paz, a Igreja tem necessidade de testemunhas profundamente enraizadas em Cristo, alimentadas pela sua Palavra e sacramentos. Assim, progredindo na santidade, graças a uma contínua conversão e a uma intensa vida de oração, elas dedicam-se à obra de reconciliação, justiça e paz no mundo, podendo mesmo chegar ao martírio, seguindo o exemplo de Cristo. Pela sua corajosa adesão à verdade, pela sua abnegação e a alegria, elas dão testemunho profético de um estilo de vida coerente com a própria fé. Maria, Mãe da Igreja-Família de Deus, que soube acolher a Palavra de Deus, escutar as necessidades dos homens e, na sua compaixão, ser mediadora, será o seu modelo.
Os Padres sinodais recomendam:
- que a memória das grandes testemunhas que deram a sua vida ao serviço do Evangelho, que promoveram o bem comum e defenderam a verdade e os direitos humanos, seja preservada e fielmente recordada;
- que os membros da Igreja desenvolvem o sentido de responsabilidade nas suas acções e uma contínua “metanóia”, que pode ser regularmente celebrada no sacramento da reconciliação;
- que a Igreja, Família de Deus, se enraíze profundamente no Senhor através da celebração da celebração e adoração eucarística, da oração e da meditação da Palavra de Deus, para assim poder ser “sal da terra” e “luz do mundo”.

Propositio 10

Diálogo Ecuménico

No serviço da reconciliação, da justiça e da paz no continente, e em união com a Igreja universal, a Igreja em África compromete-se, mais uma vez, ao serviço do diálogo ecuménico e da cooperação. Um Cristianismo dividido continua a ser um escândalo, porque é contrário aos desejos do Mestre Divino, que pediu para que os seus discípulos fossem um (cf. Jn 17, 21). O objectivo do diálogo ecuménico é, portanto, dar testemunho do seguimento de Cristo e, simultaneamente, ir ao encontro da unidade cristã com aqueles com quem partilhamos a mesma fé, através da escuta da Palavra de Deus e na colaboração no serviço dos irmãos e das irmãs “num só Senhor… num só Baptismo, num só Deus e Pai de todos” (Ef 4, 5-6). Consequentemente, o Sínodo louva os esforços feitos pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos em iniciar e manter o diálogo com outras Igrejas e comunidades eclesiais.
O Sínodo sabe que, embora a unidade dos Cristãos ainda não seja uma realidade, os Cristãos em vários países africanos juntaram-se em várias associações (como a Associação Cristã da Nigéria, o Conselho Cristão da Libéria, etc.) para realizarem obra se caridade em comum e salvaguardarem os interesses dos cristãos num estado pluralista moderno. O Sínodo louva tais esforços e recomenda que se faça o mesmo noutros países, onde semelhantes associações poderiam trabalhar pela paz e pela reconciliação. Do mesmo modo, o Sínodo convida a Igreja em cada Diocese ou região a assegurar que a semana dedicada à oração pela unidade dos cristãos seja assinala pela oração e por actividades comuns que promovam a unidade dos cristãos, “para que todos sejam um” (Jn 17, 21).

Propositio 11

Diálogo inter-religioso

A paz em África e noutras partes do mundo depende muito das relações entre as religiões. Por isso é tão importante promover o valor do diálogo, de modo que os crentes trabalhem juntos em associações dedicadas à paz e à justiça, num clima de confiança e apoio mútuos, e as famílias sejam educadas para os valores da escuta paciente e do respeito mútuo.
O diálogo com as outras religiões, especialmente com o Islão e a religião tradicional africana, é uma parte integrante da proclamação do Evangelho e da acção pastoral da Igreja em nome da reconciliação e da paz. Em conformidade com a iniciativa do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, é altamente recomendado que se estabeleça diálogo com as diferentes religiões não-cristãs.
No entanto, porque a religião é frequentemente politizada, tornando-se causa de conflitos, é necessário e urgente um diálogo inter-religioso com o Islão e as religião tradicional africana a todos os níveis. Este diálogo será autêntico e fecundo na medida em que cada religião partir da profundidade da sua própria fé e vá ao encontro do outra com verdade e abertura.
Os Pdres sinodais rezam para que a intolerância religiosa e a violência sejam minimizadas e eliminadas por meio do diálogo inter-religioso. O importante encontro ecuménico e inter-religioso de Assis (1986) apresenta-nos um modelo a seguir.

Propositio 12
Islão

Com o Concílio Vaticano II a Igreja-Família de Deus “olha também com estima para os muçulmano, que adoram o Deus único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, Criador do céu e da terrra, que falou aos homens” (“Nostra aetate”, 3).
Para o serviço da reconciliação, da justiça e da paz todas as formas de discriminação, intolerância e fundamentalismo religioso devem ser ultrapassadas. Sempre que se toca na liberdade religiosa, o direito de culto deve ser sublinhada.
Na relação com os muçulmanos devemos:
- dar prioridade a um diálogo de vida e à parceria em questões sociais e de reconciliação;
- considerar a variedade de situações e de experiências;
-confrontar honestamente os nossos mal-entendidos e dificuldades;
- favorecer um melhor conhecimento do Islão na formação dos padres, dos consagrados e consagradas e dos fiéis leigos; e
- tomar iniciativas que promovam o respeito, a amizade, a colaboração e a reciprocidade.

Propositio 13

Religião Tradicional Africana (RTA)

Uma vez que a Igreja-Família de Deus em África continua a conviver com adeptos da Religião Tradicional Africana, os Padres sinodais recordaram o sábio conselho do Vaticano II que trata da Religião Tradicional Africana e das outras religiões do seguinte modo: “Desde os tempos mais remotos até aos nossos dias, encontra-se nos diversos povos uma certa percepção daquela força oculta presente no curso das coisas e nos acontecimentos humanos…” (“Nostra Aetate”, 2)
Reconhecidas pessoas convertidas de Religião Tradicional Africana podem guiar a Igreja para um maior e mais preciso conhecimento das culturas e das religiões africanas, tornando, assim, mais fácil o discernimento sobre os verdadeiros pontos de oposição. Isto ajudará na necessária distinção a fazer entre o cultural e o religioso e especialmente entre o cultural e aqueles programas malévolos de feitiçaria que provocam rupturas e arruínam as nossas famílias e as nossas sociedades.
Por isso, com o Concílio Vaticano II, os Padres Sinodais não rejeitam nada “do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo…. A Igreja exorta, por isso, os seus filhos a que, com prudência e caridade, pelo diálogo e colaboração com os seguidores doutras religiões, dando testemunho da vida e fé cristãs, reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores sócio culturais que entre eles se encontram” (ivi).
Por isso, este Sínodo propõe:
- que a Religião Tradicional e as culturas africanas sejam objecto de pesquisa científica qualificada e consistente nas universidades católicas de África e nas faculdades das Universidades Pontifícias de Roma;
- que um respeitoso diálogo seja conduzido com as Religiões Tradicionais Africanas, que devem também ser estudadas nas nossas faculdades de teologia e comparadas com a Palavra de Deus;
- que os Bispos nas suas dioceses tomem acções pastorais enérgicas contra todos os que estiverem envolvidos na bruxaria e decidam sobre as meninas disciplinares necessárias; e
- que cada Bispo nomeie um exorcista onde não haja nenhum.
No que se refere à bruxaria e aos cultos,
- que a Igreja local possa contar com uma abordagem equilibrada que estude este fenómeno à luz da fé e da razão, de maneira a libertar os africanos deste flagelo; e
- uma equipa diocesana multidisciplinar deve traçar um programa pastoral que se baseie na racionalidade, libertação e reconciliação.

B) Iustitia

Propositio 14

Justiça

“A Igreja... dá testemunho ao homem, em nome de Cristo, da sua dignidade e vocação à comunhão entre as pessoas. Ela ensina-lhe as exigências da justiça e da paz em conformidade com a sabedoria divina” (“Catecismo da Igreja Católica”, 2419).
No estado presente de pecaminosidade da humanidade, ferida no seu coração, o Antigo Testamento é pertinente ao considerar que a justiça não pode ser alcançada pelas meras forças humanas, mas é um dom de Deus. O Novo Testamento desenvolve mais plenamente esta perspectiva ao considerar a justiça como a suprema revelação da graça salvífica de Deus. Assim, a justiça é antes de mais e em primeiro lugar um dom de Deus. De facto, é Deus quem nos justifica através de Cristo. Isto quer dizer que só Deus “torna o pecador digno da relação de comunhão e de aliança com Ele” e o torna capaz de praticar a justiça (cf. “Relatio post disceptationem”, pp. 12-13).
Na realidade, o fruto da reconciliação entre Deus e o género humano e no seio da própria família humana, é a restauração da justiça e a exigência de relações humanas justas. É Deus quem justifica o pecador, não levando em conta os seus pecados. E também só justificamos quem nos tenha ofendido, perdoando as suas faltas. Foi porque Deus nos justificou, perdoando os nossos pecados a fim de nos reconciliar com ele, que também podemos criar relações e estruturas justas entre nós e nas nossas sociedades, perdoando e não levando em conta as faltas dos outros por um acto de amor e de misericórdia. Senão como poderíamos nós viver em comunidade e em comunhão uns com os outros?
A esta luz, os Bispos da Igreja-Família de Deus em África reunidos em Sínodo, em união com os sacerdotes, diáconos, consagrados e fiéis leigos, comprometem-se a:
- buscar em oração a justiça/justificação de Deus, graças à qual somos capazes de justificar e perdoar os outros com amor e misericórdia; e
- ser arquitectos de estruturas justas nas nossas sociedades, à luz da justiça que vem de Deus.

Propositio 15

Segurança em sociedade

O Sínodo apela a todos os membros da Igreja em África a promoverem a justiça para todos e o respeito dos direitos humanos através da educação cívica e da construção de uma cultura de justiça e de paz. Para tal, as Dioceses e as Paróquias deveriam estabelecer Comissões de Justiça e Paz, em colaboração com líderes comunitários locais, que poderiam agir como intermediários.
A presente mobilização dos países africanos para a redução da pobreza e a busca de uma paz definitiva abre a porta a grandes esperanças. Por isso, em prol da justiça, o Sínodo advoga o bem comum e o bem-estar dos povos. O Sínodo apela aos governos a oferecerem segurança aos seus cidadãos e meios de vida básicos para os mais vulneráveis, partindo de uma justa distribuição dos frutos do desenvolvimento.
Este Sínodo relembra os nossos governantes africanos deste facto e apela a que assegurem a vida e os direito de propriedade. A vida é sagrada e deve ser protegida e assegurada. Os governos deveriam criar mecanismos que acabassem com as mortes, os raptos, etc., no continente. A falta de segurança, inclusive para a propriedade, e a falta de uma boa ordem aumentam a migração e a fuga de cérebros, o que resulta num aumento da pobreza.

Propositio 16

Fuga de cérebros

Os países e as famílias africanos investem grandes somas de dinheiro na formação de profissionais que venham a contribuir para a melhoria das condições de vida dos seus povos. Infelizmente, muitos deles partem logo depois de formados na esperança de encontrarem melhores condições de trabalho e melhores salários.
O Sínodo propõe:
- que os países africanos tomem medidas urgentes para melhorar as condições de vida e de trabalho no continente de modo a contrastar a “fuga de cérebros” e de pessoas que venham a ser absorvidas pelos países desenvolvidos;
- que os profissionais demonstrem um sentido de sacrifício e de serviço para com os seus povos, com os recursos de quem foram formados; e
- que os países desenvolvidos apoiem a África a enfrentar esta questão através do desenvolvimento de centros de excelência académica que correspondam às necessidades reais de desenvolvimento integral das sociedades.
Propositio 17

Justiça social e Erradicação da Pobreza

Os Padres sinodais advogam a favor de uma economia ao serviço dos pobres e denunciaram fortemente a ordem económica injusta que levou à perpetuação da pobreza.
Por isso propomos que:
1. a Igreja, Família de Deus em África, renove o seu compromisso ao serviço dos pobres, dos órfãos e dos marginalizados imitando a Igreja dos primórdios;
2. como na Igreja primitiva, a Igreja em África e ilhas adjacentes deve desenvolver um sistema interno para cuidar das suas necessidades. Em situações de emergência (catastrófes), é imperativo desenvolver relações de solidariedade entre as diferentes dioceses diferentes e no seio das próprias Conferência episcopais. Por isso, há urgente necessidade de estabelecer um fundo de solidariedade a nível continental por meio da rede da CARITAS. Ao mesmo tempo, a Igreja deveria promover e inculcar uma visão holística do trabalho como uma expressão de gratuidade e de solidariedade. Deste modo, o talento humano será reconhecido e empregado como é necessário para o bem de todos.e 3. os chefes tomem medidas adequadas (acesso à terra, acesso à água, infra-estruturas, etc.), para resolver o problema da pobreza e fomentar políticas que garantam a auto-suficiência da produção alimentar e programas de educação orientados à produção;
4. advogue-se o ulterior cancelamento das dívidas em condições favoráveis e a eliminação do prática da usura;
5. os governos africanos sejam mais prudentes quando recorrem a ajudas e empréstimos, de forma a não comprometer o seu próprio povo com ulteriores dívidas. Os pobres e os marginalizados procurem ganhar autonomia graças a iniciativas tais como o micro-crédito, programas agrários e outros semelhantes como sinal concreto da solidariedade da Igreja com os pobres e os marginalizado;
6. a África participe activamente como importante accionista nos processos decisórios do comércio internacional e nos itens socioeconómicos que a afectam; e
7. os supracitados esforços se inspirem e sejam governados pela promoção de um desenvolvimento humano integral e por autênticos valores humanos.

Propositio 18

Doutrina Social da Igreja

A missão evangelizadora da Igreja-Família de Deus em África bebe de diversas fontes, entre as quais sobressai em primeiro lugar a Sagrada Escritura. Mas, tal como foi observado no Sínodo (“Relatio ante disceptationem”, p. 6), a acção e o carácter do ministério eclesial são também ajudados por diversos “programas e materiais de apoio”, “subsidia fidei”, tais como o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”, uma guia muito completo da missão da Igreja e da sua expressão no mundo e sua ordem social enquanto “mestra” e “fermento”.
Por conseguinte, os Padres sinodais, reconhecendo a utilidade do “Compêndio” na obra de evangelização do continente e ilhas adjacentes, propõe que cada Conferência Episcopal nacional e regional:
- reveja todos os materiais catequéticos a todos os níveis (crianças, jovens, casais jovens, famílias) de forma a incluir elementos da Doutrina Social da Igreja e traduza o “Compêndio” nas línguas locais;
- requeira que a Doutrina Social da Igreja seja obrigatória na formação dos seminários e nos programas de formação permanente para padres, consagrados e consagradas e também na formação e actividades dos leigos ao serviço da Igreja e da sociedade;
- reúna em colecções, onde elas ainda não existam, com as mensagens e as cartas pastorais do seu próprio ensino social;
- crie uma equipa de investigadores que esbocem um resumo para o ensino e para dar a conhecer os valores sociais e cristãos. Tal resumo, assim concebido, deveria ser ensinado desde o ensino primário até ao universitário; e
- dê a conhecer e induza a amar o Evangelho e os valores africanos de solidariedade, generosidade e bem comum.
Propositio 19

A Educação

Os Padres sinodais revêem-se na preocupação expressa muitas vezes pelo Santo Padre acerca da educação. Em África, como em todo o mundo, há uma crise da educação. Precisamos de uma educação integral onde haja uma estreita união entre a fé e a razão, de modo que os fiéis estejam adequadamente preparados para enfrentarem todas as circunstâncias da vida, evitando orientar-se por critérios dualistas e relativistas nas suas escolhas quotidianas. De facto, a educação não pode ser reduzida apenas a um percurso formal escolástico, mas deve iniciar os jovens no sentido profundo da vida. Deve-se reconhecer à família o primado da educação e ajudá-la nesta missão. Os Padres sinodais reafirmaram também a prioridade e a defesa da liberdade de educação que não pode nem deve ser unicamente monopólio do Estado.
Onde as Igrejas tiverem escolas que queiram entrar em parceria com o Estado para assegurar a educação, é necessário que seja respeitado o direito de a Igreja dirigir essas escolas. Também seria desejável que o Estado manifestasse a sua parceria com a Igreja na educação apoiando as Escolas.

Propositio 20

Protocolo de Maputo

Os Padres Sinodais consideraram os efeitos problemáticos do Protocolo de Maputo sobre as mulheres e sobre a vida humana, por exemplo, no que respeita à saúde reprodutiva das mulheres. Acima de tudo, acham que é inaceitável a sua promoção do aborto no artigo 14.2.c: “Proteger os direitos reprodutivos das mulheres, autorizando o aborto clinicamente assistido nos casos de violação e incesto e sempre que a continuação da gravidez ponha em risco a saúde mental e física da mãe ou a vida da mãe ou a do feto”.
De acordo com o ensinamento da Igreja, o aborto é contrário à vontade de Deus. Além disso, o mesmo artigo está em contradição com os direitos humanos e com o direito à vida. Ele banaliza a gravidade do crime do aborto, desvalorizando o valor da procriação humana. A Igreja condena esta posição sobre o aborto e proclama que o valor e a dignidade da vida humana devem ser protegidos desde o momento da concepção até à morte natural.
Os Padre sinodais apelam à Igreja em África e ilhas adjacentes a comprometer-se, usando todos os meios e estruturas necessárias para ajudar e acompanhar as mulheres e os casais tentados à prática do aborto. Além disso, louvam a coragem dos governos cuja legislação combate o aborto.

C) Pax

Propositio 21

Paz

A paz é em primeiro lugar um dom de Deus e só depois fruto dos nossos esforços. É por isso que a paz deve começar no coração do homem como uma graça que lhe é concedida (cf. Jo 14,1). “Dou-vos a minha paz”, disse Jesus (Jo 14,27). Sendo a paz um bem universal e dependendo do respeito pelos direitos humanos e de toda a criação, devemos por todas as nossas forças ao seu serviço.
Por isso, o Sínodo propõe que:
- se constitua uma Iniciativa Africana para a Paz e a Solidariedade que intervenha com acções de solidariedade e assista a Igreja local na resolução de conflitos e na construção da paz em todo o continente com a seu conselho sábio nos campos da justiça, paz e reconciliação. Esta iniciativa deve ser composta por pessoas da nossa Igreja que tenham experiência, sejam íntegros e gozem do respeito dos outros. Peça-se ao Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz para se manter em contacto com a SECAM para promover esta iniciativa;
- se criem conselhos diocesanos, nacionais e regionais para a promoção da paz na Comissão Justiça e Paz, com uma estrutura análoga a nível continental, instituída para estar em contacto com a “Iniciativa Africana para a Paz e a Solidariedade” na SECAM;- tais conselhos para a promoção da paz sejam dotados de recursos pessoais e materiais suficientes para poderem formar (train) o clero e os leigos na prática da promoção da paz, do diálogo e da mediação;
- as Comissões Justiça e Paz constituam a nível nacional e regional um observatório para a prevenção e resolução dos conflitos;
- fomentem-se pequenos grupos e programas formativos adaptados a todos os níveis de formação (primário, secundário, superior e universitário) a fim de difundir uma real cultura da paz;
- os formadores dos seminários sigam um curso que inclua estudos sobre a paz e a resolução de conflitos;
- haja uma organização permanente para o diálogo inter-étnico em prol de uma paz durável;
-se reze pela paz e as eleições.

D) Argumenta adnexa

Propositio 22

Protecção do meio ambiente e reconciliação com a criação

A nossa fé cristã diz-nos que Deus Criador fez todas as coisas boas (cf. Gn 1), tendo-nos dado a terra, a nós, seres humanos, para que a cultivássemos e dela cuidássemos enquanto bons administradores (cf. Gn 2,15). Notamos que muitos seres humanos continuaram a abusar da natureza e a destruir este mundo tão belo que é de Deus, explorando os seus recursos naturais muito além do que é sustentável e útil. Está em curso uma degradação irresponsável e uma destruição insensata da terra que é “nossa mãe”.
Em cumplicidade com os que detêm a chefia política e económica em África, alguns negociantes, governos, grupos de multinacionais e companhias transnacionais recorrem a operações que poluem o meio ambiente, destroem a flora e a fauna, a natureza e as florestas, incluindo mamíferos, causando uma erosão até agora inaudita e a desertificação de grandes superfícies de terra arável. Tudo isto ameaça a sobrevivência do género humano e o ecossistema global. Isto suscitou nos cientistas e accionistas a consciência dos efeitos prejudiciais das alterações climáticas, do aquecimento global e das catástrofes naturais (tais como terramotos, maremotos e suas consequências, como os tsunamis).
Para fazer com que a terra possa ser habitável para além da actual geração e para garantir uma protecção da natureza que seja sustentável e responsável, apelamos que as Igrejas particulares
- promovam uma educação e consciência ambientais;
- persuadam os governos local e nacional a actuar políticas ambientais, a criar disposições legais destinadas à protecção do ambiente e a promover fontes alternativas e recicláveis de energia; e
- encorajem todos a plantar árvores e a lidar com a natureza e os seus recursos em respeito pela sua sacralidade e pelo bem comum, com transparência e respeito pela dignidade humana.

Propositio 23

Comércio de armas

Em virtude do predomínio de armamento e minas anti-pessoais no Continente e ilhas adjacentes, a Igreja em África, reunida em Sínodo, associa-se à Santa Sé e acolhe com alegria as iniciativas da ONU, da União Africana e das organizações regionais inter-governamentais, tais como a ECOWAS- Embargo de armas ligeiras, para pôr fim ao tráfico ilegal de armas e tornar transparente e completamente legal o comércio de armas. O Sínodo recomenda que o Pontifício Conselho “Justiça e Paz” actualize o seu documento sobre o comércio de armas.
Os Padres sinodais exortam os governos nacionais a apoiar o estudo que está a ser feito e a preparação do Tratado de Comércio de Armas (ATT) no âmbito da ONU, com padrões universais obrigatórios para o comércio global de armas convencionais que devem respeitar os direitos humanos e o direito humanitário internacional.
Os Padres sinodais, fazendo seu o apelo do profeta Isaías ao amor de Deus e do próximo, a “converter as suas espadas em enxadas e as suas lanças em foices” (cf. Is 2,4), propõem que a criação e produção de todos os tipos de armas sejam drasticamente reduzidas em benefício da educação e de um desenvolvimento agrícola que respeite o meio ambiente.
Mais ainda: os Padres condenam em absoluta a produção de armas nucleares, biológicas, minas anti-pessoais e todo o tipo de armas de destruição de massa. Pedem que tais armas sejam completamente banidas da face da terra.
As Conferências Episcopais dos países produtores de armas são convidadas a intervir junto dos seus governos para que aprovem leis que limitem a produção e a distribuição de armas em prejuízo dos povos e nações africanas.

Propositio 24

Boa governação

O bem comum deverá encontrar uma expressão legal na Constituição e requerer o exercício de uma boa governação. A sua prática exige que se respeitem os princípios da democracia: a igualdade entre todos os seres humanos, soberania do povo, e o respeito pela lei; caso contrário, ea democracia perde a sua vitalidade, acabando por morrer.
Os Padres sinodais apelam aos nossos chefes para que administrem a nação de forma consciente, apoiando o bem comum acima dos interesses de família, clã, grupo étnico ou partido político, protegendo e promovendo os direitos sociais, económicos, políticos e religiosos de todos os cidadãos, tal como estão consagrados na Declaração Universal dos Direitos humanos das Nações Unidas e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.
Os Padres sinodais insistem com as Conferências episcopais a todos os níveis para que estabeleçam corpos de advogados que possam influenciar os membros do parlamento, dos governos e das instituições internacionais, de forma que a Igreja contribua de forma eficaz na elaboração de leis justas e de políticas favoráveis ao bem das pessoas.
Em ordem a desempenhar plenamente a sua missão e a contribuir para uma cultura da paz e dos direitos humanos, a Igreja em África pede para poder estar presente nas instituições nacionais, regionais e continentais em África. O Sínodo exorta as Conferências episcopais a apoiar o Mecanismo de Revisão Entre Pares da NEPAD no seio da União Africana (AU). O Sínodo exorta ainda os países africano a submeterem-se ao Mecanismo de Revisão Entre Pares.

Propositio 25

Política

Os Padres sinodais reconhecem o desenvolvimento positivo no campo político e socioeconómico daqueles países africanos onde se defendem os direitos humanos, a paz e a justiça e existe um governo constitucional. Os Padre sinodais apreciam a maturidade cada vez maior da sociedade civil em alguns países africanos, a qual começa a afirmar-se e a influenciar as decisões que dizem respeito ao futuro da nação. Eles felicitam e encorajam os agentes políticos que se dedicam ao serviço do seu povo.
No entanto, o Sínodo também notou o triste facto de que em muitos países de África há flagrantes violações dos direitos humanos, injustiças, corrupção e impunidade, as quais acabam por atear golpes de estado, conflitos violentos e guerras. Nestes lugares, os princípios da democracia estão viciados nas suas próprias raízes - igualdade entre todos os seres humanos, soberania do povo e respeito universal pela lei.
Nestes casos, o processo democrático é cada vez mais desvirtuado, uma situação que acaba por comprometer a paz, o desenvolvimento e a estabilidade destas nações. Os sistemas anti-democráticos como o despotismo, regimes de partido único e governos militares estão em expansão e põe-se a gerir os estados como se de saque de guerra se tratasse. Estes países estão endividados, são saqueados e super-explorados.
Face a tudo isto, a Igreja tem a missão de promover uma cultura que se preocupe com o primado da lei e o respeito universal pelos direitos humanos. Por isso, os Padres sinodais convidam todos os pastores a emprenharem-se por assegurar aos agentes políticos e económicos de hoje e do amanhã uma formação doutrinal, pastoral e prática e uma assistência espiritual (erecção de capelanias). Eles pedem a criação de faculdades de ciências políticas nas Universidades Católicas. A doutrina social da Igreja é um instrumento precioso que merece uma difusão tão grande quanto possível.
Pedimos a todas as Conferências episcopais para promover programas multidimensionais de educação cívica; implementar programas que fomentem a formação de uma consciência social a todos os níveis; encorajar a participação de cidadãos competentes e honestos nos partidos políticos.

Propositio 26

Eleições

É votando que os cidadãos exprimem livremente a sua opção política. Assim, as eleições democráticas são a garantia de legitimidade no exercício do poder em África. Em nenhum caso pode aceitar-se uma falta de respeito pela Constituição do país e pelo veredicto ou resultados de eleições livres, equitativas e transparentes.
Assim, os Padres sinodais convidam as Igrejas locais a sensibilizar os candidatos aos diferentes escrutínios eleitorais para o respeito pelas regras do jogo (transparência das eleições, neutralidade dos diversos observadores, respeito pelos adversários políticos, a Constituição, o resultado eleitoral, assim como a aceitação democrática da derrota eleitoral) e a contribuir através da oftlineComissão de Justiça e Paz para a fiscalização (monitoring) das eleições livres, transparentes, equitativas e pacíficas. Os Padres sinodais animam todos os cristãos a participar na vida política, enquanto que a Igreja continuará, na sua missão profética, a denunciar os abusos e todas as formas de chantagem no processo eleitoral.
Os chefes religiosos também são convidados a manter a sua imparcialidade. Em nenhum caso devem assumir uma posição partidária. Eles deverão ser a voz crítica, objectiva e realista dos que não têm voz, sem comprometer a sua imparcialidade.

Propositio 27

Liberdade religiosa

A liberdade religiosa (que pressupõe a possibilidade de professar a própria fé em privado e publicamente) e a liberdade da busca pessoal de Deus como Criador e Salvador são direitos humanos fundamentais.
Consequentemente, os Padres Sinodais urgem que todos os países de África reconheçam e protejam a liberdade religiosa e a liberdade de culto e erradiquem todas as formas de intolerância, perseguição e fundamentalismo religioso. Também pedem a devolução das Igrejas e das suas propriedades, assim como das propriedades de outras instituições religiosas, que lhes foram confiscadas em alguns países.

Propositio 28

Migrantes e refugiados

O continente africano tem cerca de 15 milhões de migrantes em busca de uma pátria e de um lugar pacíficos. O fenómeno deste êxodo revela a face de injustiças sociais e políticas e as crises de algumas zonas de África. Milhares tentaram, e ainda continuam a tentar, atravessar desertos e mares para alcançar “pastagens verdejantes”, onde crêem que vão obter melhor educação, ganhar mais dinheiro e, em alguns casos, gozar de mais liberdade. Infelizmente este fenómeno aflige muitos países do continente. Mesmo agora muitos refugiados estão a definhar nas cadeias e centenas entretanto já morreram.
A situação precária de tantos estrangeiros deveria despertar a solidariedade de todos; mas, ao invés, provoca medo e ansiedade. Muitos consideram os imigrantes um fardo, olham-nos com suspeita e consideram-nos, de facto, como um perigo e uma ameaça, o que dá muitas vezes lugar a expressões de intolerância, xenofobia e racismo.
Entre alguns desenvolvimentos recentes preocupantes contam-se: leis que penalizam todas as entradas clandestinas em países estrangeiros, consulados e autoridades policiais migratórias que discriminam nos aeroportos os passageiros vindos de África.
Não haja dúvidas de que as migrações dentro e fora do continente são um drama multi-dimensional, que afecta todos os países, causa desestabilização, destruição de famílias e desperdício do capital humano de África.
Os Padres sinodais crêem, antes de mais, que o princípio do destino universal dos bens criados e o ensino da Igreja sobre os direitos humanos, a liberdade de movimento e os direitos dos trabalhadores migrantes são cada vez mais violados pelas políticas migratórias mundiais restritivas e as leis contra os africanos.
Por isso, o Sínodo está convencido de que é necessário e urgente:
- pedir que os governos apliquem as leis migratórias internacionais de forma correcta e imparcial, sem discriminar os passageiros africanos;
- um cuidado pastoral especial para os sectores vulneráveis da população africana, num esforço conjunto entre as Igrejas-de-origem e as Igrejas-de-acolhimento para estender o cuidado pastoral aos migrantes;
- advogar um tratamento justo dos refugiados, em colaboração com o Conselho Pontifício das Migrações e dos Povos Itinerantes, a Comissão Católica Internacional das Migrações e as Comissões de Justiça e Paz em todos níveis da Igreja;
- estabelecer “Comissões” para a movimentação das pessoas nos secretariados das Conferências Episcopais, encarregues de trabalhar em conjunto com o Pontifício Conselho das Migrações e Povos Itinerantes;
- desenvolver programas de cuidado pastoral para os migrantes e suas famílias.
O Sínodo apela também aos governos africanos a criarem um clima de segurança e de liberdade; a implementar programas de desenvolvimento e criação de lugares de trabalho; a dissuadir os seus cidadãos de deixarem os seus países, fazendo-se passar por refugiados; a tomar iniciativas para encorajar os refugiados a regressar, tendo programas para os acolher.

Propositio 29

Os recursos naturais

A terra é um dom precioso de Deus à humanidade. Os Padres sinodais dão graças a Deus pelas abundantes riquezas e recursos naturais de África.
Mas estes também permitiram que os povos de África, em vez de os poder desfrutar como uma bênção e fonte de real desenvolvimento, sejam vítimas de má administração pública, por parte das autoridades locais, e de exploração, por parte de forças estrangeiros.
Existe actualmente uma ligação directa entre a exploração dos recursos naturais, o tráfico de armas e a insegurança mantida artificialmente.
Algumas corporações multinacionais exploram os recursos naturais dos países africanos frequentemente sem qualquer preocupação pelas populações ou respeito pelo meio ambiente, com a cumplicidade de muitos habitantes privilegiados desses locais.
Os Padres sinodais condenam a cultura do consumismo, que é esbanjadoura e advogam por uma cultura da moderação. O Sínodo apela à comunidade internacional que incite à redacção de uma legislação nacional e internacional a favor de uma justa distribuição dos benefícios gerados através dos recursos naturais em benefício das populações locais e para assegurar legalmente a sua administração em favor dos países que possuem tais recursos, impedindo simultaneamente a exploração ilegal. O Sínodo também pretende dirigir-se ao sistema económico global que continua a marginalizar a África.
Recomendamos fortemente à Igreja - Família de Deus em África que faça pressão junto dos nossos governos para que se adoptar um quadro jurídico satisfatório que leve em conta os interesses dos nossos países e das suas populações.
Pedimos às instituições da Igreja presentes nestas sociedades que façam pressão para que se permita às populações desfrutar da administração dos seus recursos naturais.
Para sua parte, a Igreja procurará estabelecer departamentos em vários países do continente para supervisionar a administração dos recursos naturais.

Propositio 30

A Terra e a água

Tendo em conta que grandes extensões de terras férteis e de recursos hídricos em muitos países de África são ocupados por investidores sem escrúpulos, tanto estrangeiros como locais, provocando o deslocamento e a expropriação de pessoas pobres e das suas comunidades, tantas vezes incapazes de resistir a estes “assaltos”, o Sínodo apela urgentemente a todos os governos a garantirem que os seus cidadãos sejam protegidos contra a alienação injusta das suas terras e o acesso à àgua, bens essenciais para a pessoa humana.
Os Padres Sinodais pedem que:- a Igreja em África se informe e forme nas questões da terras e da água de modo a educar o Povo de Deus e a capacitá-lo para contrastar as decisões tomadas sobre estas questões;
- todas as negociações sobre questões de terras sejam conduzidas com total transparência e com a participação das comunidades locais que possam vir a ser afectadas;
- a alienação das terras não seja contratada nem firmada sem o prévio consentimento livre e informado das comunidades locais afectadas, nem o povo deve dispensar as suas terras sem uma adequada compensação;
- aos trabalhadores agrícolas sejam pagos salários;
- se promova a formação profissional dos jovens no domínio agro-pecuário como forma de evitar a fuga descontrolada do campo;
- os modelos de produção agrícola respeitem o meio ambiente e não contribuam para a mudança climática, o empobrecimento dos solos e a exaustão das reservas de água natural;
- a produção de alimentos para exportação não perigue a segurança alimentar nem as necessidades das futuras gerações;
- os direitos consuetudinários (tradicionais) sobre as terras sejam respeitados e reconhecidos pela lei; e
- a água não seja tratada como um bem económico sem a devida atenção aos direitos da população.

Propositio 31

Globalização e ajuda internacional

A Igreja em África deveria estar consciente da ambiguidade da globalização e das suas consequências. Ela deve estar pronta para responder aos desafios que a globalização acarreta e para confrontá-los responsavelmente. A melhor globalização deve ser a globalização da solidariedade.
A globalização da solidariedade algumas vezes toma a forma de ajuda internacional por partes de agências internacionais. Infelizmente, tais ajudas nem sempre chegam às populações para as quais foram pensadas e, muitas vezes, elas chegam em condições que não correspondem às necessidades reais da população.
Os Padres Sinodais apelam os governos africanos e as agências intermediárias para uma administração mais responsável e mais transparente desta solidariedade internacional em atenção ao bem comum. Os Padres Sinodais insistem em que estes valores sejam apreciados e que as Igrejas locais sejam reconhecidas como parceiras no desenvolvimento.

Propositio 32

Respeito pela diversidade étnica

A Igreja, enquanto serva da reconciliação, tem a missão de Areconciliar todas as coisas em Cristo@ (2 Cor 5,19) para Aque todos possam ser um@ (Jo 17,11). Levando a cabo esta missão, a Igreja reconhece e respeita a rica diversidade étnica, cultural, política e religiosa dos povos africanos, buscando antes a unidade na diversidade do que na uniformidade, insistindo mais no que os une do que no que separa e os considerando os valores positivos desta diversidade como uma fonte de força para criar harmonia social, paz e progresso.

Propositio 33

Inculturação

É preciso fazer um estudo completo sobre as tradições e culturas africanas à luz do Evangelho, para enriquecer a vida cristã, pôr de lado os aspectos contrários à doutrina cristã, animar e sustentar o trabalho de evangelização dos povos africanos e das suas culturas.
A Igreja em África está a ver crescer constantemente o número dos seus membros e dos que servem no ministério clerical. Não obstante, há uma inconsistência entre algumas práticas tradicionais culturais africanas e as exigências do Evangelho.
Para ser pertinente e credível, a Igreja tem de empenhar num discernimento profundo para identificar esses aspectos culturais que promovem e aqueles que impedem a inculturação dos valores do Evangelho.Por isso o Sínodo propõe que:
- os valores culturais positivos sejam promovidos e inculcados por todas as instituições escolares e formativas;
- se estimule e promova o trabalho de verdadeiros teólogos africanos;
- as escolas católicas existentes, primária e secundárias, as faculdades e universidades, os seminários, noviciados e institutos de teologia em África sejam fortalecidas para aprofundar e coordenar os estudos e o modo prático de inculturação;
- elementos positivos das culturas tradicionais africanas sejam incorporados nos ritos da Igreja;
- os agentes de pastoral aprendam as línguas locais e as culturas, de forma que os valores do Evangelho possam tocar o coração das pessoas, ajudando-as a chegar a uma autêntica reconciliação que conduza a uma paz duradoura;
- os documentos do Magistério sejam traduzidos nas línguas locais;
- a troca de documentos entre as Conferências episcopais seja facilitado;
- as disposições canónicas e litúrgicas relativas ao ministério dos exorcismos sejam usados num ministério de compaixão, justiça e caridade; e
- a simonia seja denunciada entre um certo número de padres que abusam dos sacramentais a fim de contentar os pedidos de crentes apegados a símbolos religiosos tais como o incenso, a água benta, o azeite, o sal, as velas, etc.
A transmissão da cultura condiciona o desenvolvimento integral dos indivíduos e dos grupos. Por isso, os africanos deveriam promover a herança cultural da sua região. Eles deveriam apreciar certos valores e, ao mesmo tempo, abrir-se a um encontro com outras culturas e valores, tais como o respeito pelos anciãos e pelas mulheres como mães; respeito para solidariedade, ajuda mútua e hospitalidade; unidade; respeito pela vida; honestidade, verdade e a palavra de honra.

III - PROMOTORES

A) Ecclesia

Propositio 34

Evangelização

Os Padres sinodais sublinharam a urgência e necessidade de evangelização, a qual é a missão e a identidade própria da Igreja (EN, 14).
Os Padres Sinodais enfatizam que esta evangelização consiste essencialmente em dar testemunho de Cristo na força do Espírito, primeiro, pela vida e, depois, pela palavra (cf. “Evangelii Nuntiandi”, 21), num espírito de abertura aos outros, de respeito e de diálogo com eles sobre os valores do Evangelho.
Este Sínodo apela a Igreja – Família de Deus em África a ser testemunha no serviço da reconciliação, da justiça e da paz, como “sal da terra” e “luz do mundo”.

Propositio 35

Pequenas Comunidades Cristãs

O Sínodo renova o seu apoio à promoção de Pequenas Comunidades Cristãs (PCC), que edificam de forma sólida a Igreja-Família de Deus em África. As PCC assentam-se na partilha do Evangelho, onde os cristãos se reúnem para celebrar a presença do Senhor nas suas vidas e no meio delas, através da celebração da Eucaristia, a leitura da Palavra de Deus e o testemunho da sua fé no serviço de amor uns aos outros e nas suas comunidades. Sob a guia dos seus pastores e catequistas, procuram aprofundar a sua fé e amadurecer no testemunho cristão, enquanto vivem concretamente a experiência da paternidade, da maternidade, de relações humanas, de franca amizade em que cada um cuide do outro. Esta Família de Deus vai para além dos laços de sangue, de etnia, de tribos, de culturas e de raça. Desta maneira, as PCC abrem caminhos para a reconciliação com famílias mais alargadas que têm a tendência de impor às famílias cristãs nucleares os seus hábitos e costumes sincréticos.

Propositio 36
Os desafios lançados pelos novos movimentos religiosos

À luz dos desafios vindos dos novos movimentos religiosos (cultos, movimentos exotéricos, etc.), as Igrejas Locais são chamadas a inventar novas formas de evangelização que possam ir melhor ao encontro dos problemas concretos dos fiéis.
As Paróquias devem promover nas suas Pequenas Comunidades Eclesiais uma vida fraterna de solidariedade. Os agentes da actividade apostólica devem também desenvolver o ministério da escuta espiritual e do apoio para ajudarem os fiéis a viverem cada dia mantendo a sua fé.
Além disso, o Sínodo recomenda que a catequese conduza a uma genuína experiência de conversão e inclua uma formação para a perseverança na fé em tempos de tentação (cf. Rom 5, 3-5), do mesmo modo que a iniciação tradicional prepara os jovens a enfrentarem toda e qualquer situação. Os fiés devem receber formação bíblica e doutrinal profundas. Os grupos de oração, os movimentos eclesiais e as novas comunidades devem também tornar esta preocupação parte dos seus programas.

Propositio 37

Leigos

Os cristãos leigos partilham da tripla missão de Cristo, sacerdote, profeta e rei, porque são membros do Povo de Deus. Por isso, são chamados a viver a sua vocação e a sua missão em todos os níveis da sociedade, especialmente nas esferas sócio-política, sócio-económica e sócio-cultural. Deste modo, tornam-se o “sal da terra” e a “luz do mundo”, servindo a reconciliação, a justiça e a paz nestas esferas da sociedade.
Consequentemente, a Igreja deve-se proporcionar-lhes uma catequese inicial e permanente para a conversão do coração, ajudada por uma formação espiritual, bíblica, doutrinal e moral adequadas.
Neste sentido, talvez um dos instrumentos providenciais para o crescimento nesta experiência de conversão e de fé são os novos movimentos eclesiais. Estes movimentos e comunidades de fé e de comunhão existem na Igreja como verdadeiros laboratórios de fé, lugares de formação e de fortalecimento pelo Espírito em ordem a uma vida de testemunho e de missão. Assim equipados como discípulos do Senhor, eles agem no mundo como fermento.
Para com os que estão envolvidos em cargos de direcção política, económica e cultural, a Igreja deve ter um cuidado especial preparando um programa de formação baseado na Palavra de Deus na Doutrina Social da Igreja (cf. Compêndio). Tal programa deverá incluir formação em liderança, que transforme a vida pela acção (formação em liderança para a acção transformadora).
Ao mesmo tempo, a Igreja deverá encorajar a formação de associações de leigos e de sistemas de acompanhamento em diferentes áreas profissionais (médica, jurídica, parlamentar, académica, etc.) para assisti-los nas suas diferentes actividades apostólicas na sociedade e na Igreja. Ela deverá reforçar ainda mais os Conselhos de Leigos e apoiá-los em todos os níveis proporcionando-lhes capelãs.

Propositio 38

A família

Enquanto instituição, a família é de origem divina. É o “santuário da vida” e a célula da sociedade e da Igreja. É o lugar apropriado para aprender e praticar a cultura do perdão, da paz, da reconciliação e da harmonia.
Por causa da sua importância capital e das ameaças que esta instituição enfrenta, nomeadamente, a banalização do aborto, a desvalorização da maternidade (procriação humana), a distorção da própria noção do casamento e da família, a ideologia do divórcio e de um novo relativismo ético, a vida familiar e humana devem ser protegidas e defendidas.
Os Padres sinodais convidam as Igrejas locais a adoptar as seguintes medidas:
- tornar conhecida a Carta da Santa Sé às Famílias;
- proporcionar uma adequada catequese sobre a visão cristã da família;
- proporcionar programas concretos de pastoral integral, que promovam a vida de oração e a escuta da Palavra de Deus (“lectio divina”) nas famílias;
- educar os casais para crescerem no amor conjugal e numa paternidade responsável;- oferecer apoio pastoral aos pais para as suas responsabilidades de primeiros educadores;
- proporcionar acompanhamento espiritual aos casais (por exemplo, as Equipas de Nossa Senhora, a Fraternidade de Caná, etc.);
- considerar o serviço dos casais cristãos como um ministério e fazer desto o fundamento da família
- considerar o serviço dos casais cristãos como um ministério de oração, evangelização, caridade {
softlinee vida;
- celebração de jubileus (bodas de prata e de ouro) do matrimónio, com outorga de certificados de honra;
- apoiar os casais jovens com casais exemplares bem identificados;
- proporcionar aconselhamento pastoral (counselling) matrimonial e e criar institutos para a família;
- proporcionar educação e formação para o matrimónio e os valores familiares através dos meios de comunicação social (rádio, televisão, etc.); e
- criar e apoiar associações diocesanas e nacionais de famílias a nível continental.

Propositio 39

Sacerdotes

Cada presbítero pela ordenação sacerdotal é configurado com Cristo, a Cabeça e o Bom Pastor, é chamado a ser uma imagem viva e autêntica de Cristo, que veio para servir, não para ser servido (Mc 10, 45).
Consequentemente, os sacerdotes devem cultivar uma profunda vida espiritual que incluiu fidelidade à oração, a escuta da Palavra de Deus, celebrando a Eucaristia, na fidelidade à oração, especialmente da Liturgia das Horas. Devem comprometer-se firmemente com uma vida comunitária evangélica e fraterna, protegida das pressões familiares, numa vida modesta de disciplina e de negação de si mesmos (“Apostólica vivendi forma”), com especial amor pelos pobres. Devem ser exemplos de uma administração responsável, de fiabilidade e transparência. Devem imitar a coragem dos profetas perante as enfermidades sociais. Assim serão “sal da terra” e “luz do mundo”.
A vocação presbiteral também inclui um compromisso com as virtudes evangélicas da pobreza, castidade e obediência. Elas são a sua grande profissão de amor a Cristo, à Igreja e ao próximo. Desta forma, os Padres sinodais urgem com todos os sacerdotes de Rito Latino a viver generosamente o seu celibato com amor.
De acordo com a exortação apostólica Pastores dabo vobis, “o celibato é para ser acolhido... como um dom inestimável de Deus, como um estímulo à caridade pastoral, como singular participação na paternidade de Deus e na fecundidade da Igreja, e como testemunho do Reino perante o mundo”(n. 29).
Além disso, este tempo de graça que é o “Ano sacerdotal” convida todos os sacerdotes a imitar o zelo de S. João Maria Vainney pelo ministério do sacramento da penitência.
Tendo isto perante os olhos e por causa dos ministérios que os sacerdotes exercem em Cristo e em favor dos fiéis cristãos, por vezes em condições muito difíceis, os Padres sinodais não deixam de dar graças a Deus por ele e de os trazer presentes a Deus na oração invocando o seu auxílio. Mas os Padres sinodais também querem assegurar aos seus sacerdotes uma sólida formação permanente nas áreas apropriadas da sua vida e ministério. A fim de sustentar a sua vida e crescimento espiritual, recomendam-lhes:
- retiros anuais e dias mensais de recolecção espiritual;
-vida de oração regular e leitura da Sagrada Escritura;
- formação permanente, especialmente dos mais jovens, que precisam de ser acompanhados com amor, uma formação que deve incluir a Doutrina Social da Igreja; e
- plena segurança e meios que assegurem uma vida honesta aos padres doentes e os idosos.
Além disso, para os padres que trabalham fora das suas dioceses, o Sínodo especifica que se deve estabelecer um acordo (ou contrato) entre a diocese de origem e a diocese que o acolhe, definindo claramente as condições de vida e de trabalho e a duração da missão. Além disso, padres devem ser considerados pastores plenos, com toda a justiça e caridade cristãs, e como membros de pleno direito no presbiterado.

Propositio 40

Seminaristas
Para a formação dos seminaristas que se preparam para o sacerdócio católico é necessário que se adopte uma visão holística. Enquanto a importância de uma sólida formação intelectual, moral, espiritual e pastoral deve ser reconhecida, o crescimento humano e psicológico de cada candidato deve ser incluído como uma base para o desenvolvimento de uma autêntica vida sacerdotal. Os formadores devem assegurar a renovação espiritual dos seminaristas, que não se devem conformar com as limitações étnicas e culturais (cf. Rom 12), mas, ao contrário, tornar-se aqueles “novas criaturas em Cristo” (2 Cor 5, 17).
Desta maneira, os nossos futuros sacerdotes poderão fundamentar-se mehlor no entendimento dos seus valores culturais e das virtudes evangélicas e reforçar-se no compromisso e lealdade para com a pessoa de Cristo e para com a missão da Igreja de reconciliação, justiça e paz.
O pessoal académico do seminário e a equipa especial de formação devem trabalhar juntos para que seja facilitada esta formação integral. Os seminaristas devem ser preparados para a vida comunitária de modo que a vida fraterna entre eles garanta que no futuro venham a fazer uma verdadeira experiência do sacerdócio como como “fraternidade sacerdotal unida”.
Na selecção e na formação dos candidatos, os bispos e a equipa de formadores devem discernir cuidadosamente sobre as motivações e atitudes dos seminaristas de modo a assegurar que aqueles que forem eventualmente ordenados sacerdotes venham a ser verdadeiros discípulos de Cristo e servos da Igreja.

Propositio 41

Diaconado permanente

Este Sínodo identificou o serviço à reconciliação, à justiça e paz como senda a faceta mais urgente e a forma de missão apostólica da Igreja-Família de Deus em África e nas suas Ilhas. Ao fazê-lo este Sínodo também apontou diversos agentes desta missão apostólica da Igreja, incluindo diversos componentes do laicado, mas incluindo também ministros ordenados, entre os quais se contam os diáconos permanente que “servem a reconciliação, a justiça e a paz” como ministros dedicados de Deus, do seu amor misericordioso e da sua Palavra. “Robustecidos pela graça sacramental... eles servem o povo de Deus no diaconado da liturgia, da palavra e da caridade” (“Lumen gentium”, 29).
Por isso, este Sínodo recomenda que estes servidores de Deus tenham uma formação adequada nas ciências sagradas e na doutrina social da Igreja. Uma vez que a finalidade de quaisquer exercícios espirituais é descobrir uma melhor forma de servir, os Padres sinodais, apelam aos diáconos que todos os dias procurem contemplar a face do Senhor, para que assim também possam encontrar um modo cada vez mais credível de servir a reconciliação, a justiça e a paz.

Propositio 42

Vida consagrada

A Igreja reconhece o valor inestimável da vida consagrada, uma forma peculiar de discipulado de Cristo que desempenha um papel fundamental na vida e na missão da Igreja ao serviço do Reino de Deus.
A Igreja dá particular valor ao testemunho das pessoas consagradas na vida de oração e na vida comunitária, na educação, na saúde, na promoção humana e no serviço pastoral.
A missão profética das pessoas consagradas deve ser sublinhada no processo de reconciliação, de justiça e de paz. De facto, os consagrados estão frequentemente muito próximos das vítimas da opressão, da repressão, da discriminação, da violência e de sofrimentos de todo o género. Colaborando estreitamente com o clero no ministério pastoral, a dignidade da mulher consagrada, a sua identidade religiosa e os seus carismas devem ser protegidos e promovidos. Os Bispos devem assistir as congregações religiosas mais jovens a alcançar uma auto-suficiência económica. 
A Igreja espera muito do testemunho das comunidades religiosas, caracterizadas por uma diversidade racial, regional e étnica. Pela sua vida em comum, elas proclamam que Deus não faz distinção entre as pessoas e que todos nós somos seus filhos, membros da mesma família, vivendo em harmonia na diversidade e na paz.
Para apoiar e encorajar as pessoas consagradas, os Padres sinodais recomendam que:- se faça um discernimento criterioso dos candidatos (irmãos, irmãs e sacerdotes) ao longo de todo o curso da sua formação;
- recebam uma sólida formação humana, espiritual, intelectual (bíblica, teológica, moral) e profissional;
- permaneçam fiéis à sua vocação e carisma; e 
- a sua formação inicial (postulantado e noviciado) seja normalmente feita na África.
O Sínodo saúda a criação da Conferência de Superiores Maiores da África e Madagáscar (COMSAM), que é uma estrutura de apoio para a vida consagrada em África e um foro para o diálogo com os Bispos do continente (SECAM).

Propositio 43

Catequese

O ensino do catecismo tem sido o meio mais habitual para introduzir as pessoas na fé e para as iniciar na Igreja através do baptismo, da Eucaristia e da Confirmação. É também o meio de preparar as pessoas para receber os outros sacramentos. Desta forma é necessário manter um nexo vital entre o catecismo memorizado e a catequese vivida, de tal modo que aquele possa levar a uma conversão de vida profunda e permanente. Por isso, os Padres sinodais exigem que uma atenção especial seja prestada à iniciação para o Sacramento da Reconciliação. Trata-se pois de formar para uma vida cristã adulta que possa fazer frente aos desafios da vida social, política, económica, política e cultural.
Deve ser feito um uso adequado do Catecismo da Igreja Católica na catequese.

Propositio 44

Catequistas

Os catequistas permanentes ou não são os arautos vitais do Evangelho junto das nossas pequenas comunidades cristãs, onde desempenham o papel de animadores da oração, de conselheiros e de mediadores. Têm necessidade de apoio e encorajamento no seu zelo pela missão, sobretudo para a missão de reconciliação, justiça e paz, de uma sólida formação e também do necessário apoio material que lhes permita assumir efectivamente o seu papel de guias espirituais no seio destas comunidades.
Do mesmo modo, aos catequistas voluntários deve ser dada uma adequada formação, apoio no seu ministério e materiais de ensino apropriados.

B) In Christo roborati

Propositio 45

Eucaristia fonte de Comunhão e Reconciliação

No início do terceiro milénio de Cristianismo, o nosso maior desafio não consiste em repisar nas diferenças de origem ou de cultura, mas em construir uma unidade que respeite a diversidade. Homens e mulheres de origem, carácter, cultura e religiões de origem diferentes podem construir uma intensa e profunda comunhão, uma união ao ponto de chegarem a dar a sua própria vida uns pelos outros e uns com os outros, pela mesma pessoa, isto é, o Deus-feito-homem, Jesus Cristo, que viveu entre nós, derramou o seu Sangue por nós na expressão mais sublime de solidariedade e que se dá a si mesmo como alimento na nossa vida quotidiana.O Sangue de Cristo, derramado por nós, é o laço e o fundamento de uma comunidade nova que se opõe a todos as sugestões de tribalismo, racismo, etnocentrismo, nepotismo, fetichismo, etc.
O Sínodo desaprova vivamente certos desvios na prática sacramental que vão contra os sacramentos do Baptismo e da Eucaristia.
Insistemos em que a Eucaristia permanece a fonte e o ápice da reconciliação e de toda a vida cristã e que a santidade é o meio mais eficaz para construir uma sociedade de reconciliação, justiça e paz. Participe-se com atenção na celebração da Eucaristia e organizem-se tempos e lugares para a adoração eucarística (individual e comunal) em todas as dioceses e paróquias. Cuide-se para que as Igrejas e as capelas sejam reservadas normalmente para a celebração da Eucaristia, evitando no máximo possível que se tornem meros espaços sociais. Os Padres sinodais pedem que, em diálogo sincero com os bispos locais, as organizações de ajuda apoiem as dioceses na construção de lugares de culto, reconhecendo que estes são essenciais para a visibildiade da Igreja e uma garantia do sentido do sagrado e do desenvolvimento humano autêntico e integral.

Propositio 46

O poder da Palavra de Deus

“A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” (S. Jerónimo). O Sínodo sobre os Bispos, no espírito do Evangelho… lembrou os Bispos, os padres e os diáconos acerca do seu ministério essencial como pregadores do Evangelho para a Igreja – Família de Deus e para o mundo. Ler a Palavra de Deus e meditá-la enraíza-nos mais profundamente em Cristo e guia o nosso ministério como servos da reconciliação, da justiça e da paz.
Por isso, este Sínodo recomenda que o Apostolado Bíblico seja promovido em cada comunidade cristã, família e movimento eclesial. O Sínodo recomenda também que todos os fiéis cristãos adoptem a prática da leitura diária da Bíblia.

C) Ecclesia agens

Propositio 47

A mulher em África

As mulheres em África, com os seus múltiplos talentos e recursos, prestam um enorme contributo à família, à sociedade e à Igreja. No entanto, não só a sua dignidade e contributo não foram ainda completamente reconhecidos e apreciados, mas também são frequentemente privadas dos seus direitos. Apesar do grande progresso feito na educação e desenvolvimento da mulher, em alguns países de África o desenvolvimento das raparigas e das mulheres é geralmente desproporcionado em relação ao dos rapazes e dos homens; as raparigas e as mulheres são geralmente tratadas injustamente.
Os Padres sinodais condenam todos os actos de violência contra as mulheres, por exemplo, o maltratamento da esposa, a negação às filhas do direito à herança, a opressão das viúvas em nome de tradição, os casamentos forçados, a excisão, o tráfico de mulheres e tantos outros abusos, tais como a escravidão sexual e o turismo sexual. Todos os outros actos desumanos e injustos contra a mulher são igualmente condenados.
Os Padres sinodais propõem:
- a formação humana integral das meninas e das mulheres (intelectual, profissional, moral, espiritual, teológica, etc.);
- a criação de “casas de abrigo” para as meninas abusadas e mulheres que buscam um refúgio e desejam ser aconselhadas pastoralmente (“counselling”);
- uma estreita colaboração entre as Conferências episcopais em ordem a parar com o tráfico das mulheres;
- a constituição de comissões a nível diocesano e nacional para tratar dos assuntos das mulheres e para as ajudar a levar melhor a cabo a sua missão e na Igreja;
- a constituição de uma comissão de estudo sobre as mulheres na Igreja no interior do Conselho Pontifício para a Família.

Propositio 48

Os jovens
ine Os jovens constituem a maioria da população de África hoje. Eles são um dom e um tesouro da parte de Deus de que a África está muito agradecida. Merecem ser amados, apreciados e respeitados. Além disso, os jovens são a força e a esperança da Sociedade e da Igreja. Em muitos países africanos os jovens enfrentam muitos problemas e muitos desafios que os tornam particularmente vulneráveis, devido à educação e à formação pessoal inadequadas, ao desemprego, à exploração política, ao abuso das drogas, etc. Isto torna os jovens frustrados e rejeitados.
Os Padres Sinodais estão profundamente preocupados com o presente e o futuro dos jovens recomendaram:
- que sejam providenciados recursos e centros de formação profissional e humana para os jovens por parte das igrejas locais em colaboração com outras instituições;
- que seja providenciados aconselhamento vocacional (de carreira) e formação para a criação de empresas, bem como criados empregos para os jovens; 
- formação catequética e bíblica permanente dos jovens para que se tornem agentes de reconciliação, justiça e paz entre eles e se tornem críticos em relação aos meios de comunicação social;
- estudo dos problemas e desafios dos jovens através dos movimentos juvenis das paróquias diocesanas;
- organização de celebrações juvenis diocesanas, nacionais, regionais e continentais;
- que sejam estabelecidos centros de reabilitação para jovens traumatizados (crianças-soldados, abusados, dependentes da droga, etc.), e
- os sistemas nacionais de educação devem estar mais abertos a pessoas menos dotadas, a fim de providenciar oportunidades para todos.

Propositio 49

As crianças

As crianças, que são um dom de Deus à Humanidade, devem merecer um cuidado particular da parte da família, da Igreja, da sociedade e dos governos. As crianças são as portadoras da novidade da vida: elas são apóstolos nos seus meios e a esperança das suas famílias, bem como da sociedade e da Igreja.
Infelizmente, as seguintes categorias de crianças estão sujeitas a tratamentos intoleráveis:
- as crianças “não nascidas” (“abortos”)
- os órfãos
- os albinos
- as crianças de rua
- as crianças abandonadas
- as crianças-soldados
- as crianças presas
- as crianças sujeitas ao trabalho infantil
- as crianças deficientes (física e mentalmente)
- as crianças ditas feiticeiras
- as crianças vendidas como escravos sexuais;
- as crianças traumatizadas e sem qualquer orientação cristã 
nem enquadramento humano;
- etc.
Os Padres sinodais convidam as Igrejas locais a dedicarem, no quadro da “Pastoral da criança”, uma atenção especial a estas crianças em situação de grande vulnerabilidade e que nas escolas católicas recebam a Palavra de Deus, apoio psicológico, a cultura da justiça e da paz, e aprendam uma profissão de modo que possam vir a ser membros bons e saudáveis da sociedade.

Propositio 50

Pessoas portadoras de deficiência

Muitas pessoas nas nossas sociedades que são portadoras de deficiências físicas ou mentais e são, muitas vezes, marginalizadas.
Este Sínodo, recordando o direito à vida das pessoas portadoras de alguma deficiência, propõe:
- que sejam feitos todos os esforços para a assegurar a sua plena integração na sociedade e nas nossas comunidades eclesiais, para que possam exercer os seus dons, usar o seu potencial e experimentar plenamente a presença reconciliadora de Cristo na comunidade; e 
- que sejam estabelecidos programas para encorajar a sua integração na planificação pastoral das nossas dioceses e das nossas comunidades eclesiais locais.

Propositio 51


VIH/SIDA
A SIDA é uma pandemia que, juntamente com a malária e a tuberculose, está a dizimar as populações africanas, atingindo duramente a sua vida económica e social. Não pode ser encarada como um mero problema médico ou farmacêutico, nem apenas como uma matéria de mudança do comportamento humano. Ela tem realmente a ver com o desenvolvimento integral e a justiça, requerendo uma abordagem e uma resposta integral (holística) por parte da Igreja.
Os que sofrem de SIDA em África são vítimas de injustiças, porque frequentemente não recebem a mesma qualidade de tratamento do que noutras partes do planeta. A Igreja pede que os fundos destinados aos doentes de SIDA sejam realmente usados para esta finalidade e recomenda que os pacientes africanos recebam a mesma qualidade de tratamentos que se recebe na Europa.
A Igreja condena veementemente todas as tentativas deliberadas por parte de indivíduos ou grupos de difundir o vírus, quer como arma de guerra, quer com o seu próprio estilo de vida pessoal.
O Sínodo encoraja todas as Instituições e movimentos eclesiais que trabalham neste sector sanitário, especialmente no da SIDA e pede às agências internacionais que os reconheçam e apoiem, respeitando a sua especificidade. A Igreja recomenda urgentemente que a actual investigação científica de tratamentos possa ser alargada de forma a se poder erradicar esta terrível calamidade.
Além disso, este Sínodo propõe:
- que se evite tudo o que contribui para a difusão da doença, tal como a pobreza, o descalabro da vida familiar, a infidelidade conjugal, a promiscuidade e um estilo de vida desprovido de valores humanos e virtudes evangélicas;
- uma cura pastoral que permita que os que vivem com o VIH ou a SIDA possam ter acesso a medicamentos, a alimentos e a um aconselhamento pastoral (counselling) que promova uma mudança de comportamentos e uma vida sem o estigma da doença;
- uma cura pastoral que ofereça às crianças órfãs, às viúvas e viúvos uma genuína esperança de vida sem o estigma da doença e discriminação social; e
- uma assistência pastoral que ajude os cônjuges que vivem com um parceiro infectado a informar e formar a sua consciência, para que possam optar pelo que é recto, com plena responsabilidade pelo maior bem de cada um, da sua própria união e da sua família; e
- que o SECAM elabore um manual de pastoral da HIV/SIDA para todos aqueles que trabalham no ministério da SIDA (sacerdotes, consagrados, médicos, enfermeiras, conselheiros, catequistas, professores), aplicando a doutrina moral e social da Igreja nas diversas situações onde o Povo de Deus em África está a enfrentar diversos desafios da pandemia.

Propositio 52

Malária

A malária continua a ser a maior causa de morte em África e ilhas adjacentes, contribuindo grandemente para o agravamento da pobreza. Por isso, apreciamos todas as iniciativas de combate a esta doença. Todavia, reconhecemos que deve ser feito muito mais se quisermos atingir melhores resultados. Consequentemente, o Sínodo propõe que:
- a malária seja tida em conta pela Igreja em todos os seus trabalhos de promoção da saúde;
- sejam tomadas iniciativas concertadas para informar as populações sobre a malária e evitar a ocorrência da doença;
- os governos sejam levados a desenvolver políticas e programas mais consistentes e sustentados para a erradicação da malária;
- as fábricas de medicamentos tornem-nos acessíveis de maneira a salvarem-se mais vidas; e
- apoiem todos os esforços para o desenvolvimento de vacinas contra a malária.

Propositio 53

Drogas e álcool

A difusão e o comércio de drogas são um desperdício do capital humano da África. Do mesmo modo, o abuso do álcool leva a muitos e sérios problemas, destruição de famílias, deterioração da saúde, desperdício de recursos de si já escassos, conflitos e aceleração da propagação do VIH/SIDA.
A Igreja vê isto como uma ameaça às pessoas, sobretudos aos jovens, e uma causa de crises nas instituições de educação, nas famílias, bem como da moral pública.
Por isso:- a Igreja deve empenhar-se na luta contra a produção, o comércio, o tráfico e o consumo de drogas em África;
- a Igreja deve encorajar as instituições governamentais e privadas na sua luta contra o abuso da droga nos nossos países;
- na formação dos jovens, a Igreja deve orientar para o uso moderado e consciente do álcool, senão mesmo da sua abstenção;
- os agentes de pastoral devem proporcionar cuidados aos alcoólatras, aos consumidores de drogas e às suas famílias promovendo programas de recuperação e reconciliação com as suas famílias;
- os presbíteros e os religiosos e religiosas devem estar atentos mostrando exemplos de uso moderado do álcool;
- formar sacerdotes, religiosos e leigos para o aconselhamento; e
- oferecer cuidados pastorais a consumidores de droga e assistência para os libertar da “toxicodependência”.

Propositio 54

Cuidado para com os presos

Os Padre Sinodais expressam uma profunda preocupação com o aumento dos crimes e com os efeitos das acções criminais nas sociedades africanas, que afectam cidadãos inocentes e suas famílias. Louvamos as forças de segurança e os órgãos encarregues da aplicação da lei que procuram proteger os cidadãos e garantir a sua segurança.
Também expressamos o nosso grande respeito aos sistemas judiciais que procuram manter a lei e a ordem. Consideramos infelizes os vários exemplos de má aplicação da lei e da justiça, que levam ao aumento da violação dos direitos humanos de vítimas que venham a ser encarceradas.
A Igreja em África como Família de Deus reconhece a sua missão profética para com todos afectados por crimes e para com as suas necessidades de reconciliação, de justiça e de paz. Todavia, ela denuncia também todos os exemplos de má aplicação da justiça e de maltratamento de prisioneiros.
Por isso, recomendamos:
- os governos e as partes envolvidas procedam a uma revisão do direito penal, incrementem a prevenção do crime e apliquem as normas internacionais para o tratamento dos prisioneiros, inclusive um tratamento mais humano a nível da comida, dos alojamentos, da roupa e do cuidado sanitário, reconhecendo os direitos dos prisioneiros e garantindo-lhe condições decentes de detenão;
- que as leis sejam judiciosamente aplicadas e os direitos humanos respeitados ao máximo;
- que o cuidado pastoral das prisões seja organizado e apoiado pelas Comissões de Justiça e Paz, com um escritório a nível regional, nacional, diocesano e paroquial, em que as Pequenas Comunidades Cristãs tomem parte;
- que um enquadramento holístico seja adoptado do cuidado pastoral dos presos por pessoas bem formadas que trabalhem em equipa;
- que os que trabalham na pastoral das prisões se comprometam a estudar e a praticar a justiça restaurativa como um meio e um processo para o aprofundamento da reconciliação, da justiça e da paz e para a reintegração de ofensores, vítimas e ex-ofensores no seio das comunidades, e
- que sejam estabelecidos “centros de reabilitação” para ajudar os presos a reentrar na sociedade.

Propositio 55

Abolição da pena de morte

«A Igreja vê como sinal de esperança a aversão cada vez mais difusa na opinião pública à pena de morte – mesmo vista só como instrumento de “legítima defesa” social –, tendo em consideração as possibilidades que uma sociedade moderna dispõe para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, não lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir» (“Compêndio de Doutrina Social da Igreja Católica”, 405).
A dignidade da pessoa requer os seus direitos fundamentais sejam respeitados até mesmo quando ela não respeita os direitos dos outros. A pena de morte frustra tal objectivo. Às vezes, a pena de morte é usada para eliminar os políticos da oposição. Além disso, quase sempre quem a sofre são os pobres que não se podem defender.Este Sínodo apela a uma plena e universal abolição da pena de morte.

Propositio 56

Meios de comunicação social

Por sua própria natureza, a pessoa humana é sempre (e foi criado para ser) um “ser-em-comunicação”, com vocação para comunhão. Assim, a comunicação é uma prioridade em ordem ao desenvolvimento da pessoa humana e da evangelização.
Além disso, num mundo globalizado, o uso cada vez mais perfeito e a maior disponibilidade dos diversos meios de comunicação social (visual, áudio, Internet e impressos) é indispensável para a promoção da paz, da justiça e da reconciliação em África. Por isso este Sínodo apela a:
- uma maior presença da Igreja nos meios de comunicação social;
- a ligação em rede das produtoras de audio-visuais, editoras e instituições de comunicação social (Media centers);
- a formação profissional e ética de jornalistas que promovam uma cultura de diálogo que evite a divisão, o sensacionalismo, a desinformação e a banalização ofensiva do sofrimento humano, que podem prejudicar a harmonia e a paz da sociedade e das comunidades.
- o uso dos actuais meios de comunicação social para uma maior difusão do Evangelho e dos frutos do presente Sínodo, para a educação dos povos africanos na verdade, na reconciliação, na promoção da justiça e da paz.
- o desenvolvimento de uma rede satelitar, sob a coordenação do CEPACS (o órgão de comunicação social do SECAM) para servir a Igreja, Família de Deus em África; e
- a constituição de Comissões diocesanas, nacionais ou regionais de comunicação com pessoal competente para ajudar a exercitar o ministério profético da Igreja na sociedade.
Em resumo, nós deveríamos assegurar meios de comunicação social educativos e formativos que possam transmitir valores culturais moralmente sãos e os valores evangélicos.

Propositio 57

Maria, Nossa Senhora de África

O Sínodo confia todos os aspectos do seu trabalho à solícita intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora de África e Rainha da Paz.
Maria é o nosso modelo no ministério da reconciliação, da justiça e da paz. Pela sua obediência ao Pai e docilidade ao Espírito Santo, ela cooperou na missão do seu Filho até à sua morte na cruz, pela qual toda a humanidade foi definitivamente reconciliada com Deus. Como mãe compassiva, Maria é, pela sua misericórdia e amor, um modelo do ministério de reconciliação da Igreja-Família de Deus. No céu Maria continua a interceder pela Igreja para que leve a cabo a sua permanente missão de transformação da África e das suas Ilhas.
O Sínodo urge por isso com os Bispos e todos os agentes pastorais da Igreja em África e nas suas Ilhas a que confiem o seu ministério à piedosa intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, para que ela lhes alcance a graça de sermem testemunhas credíveis do Senhor ressuscitado e para que, pelo seu serviço de reconciliação, justiça e paz, possam ser “sal da terra” e “luz do mundo”.

MENSAGEM AO POVO DE DEUS

Na Décima Oitava Congregação Geral desta manhã, sexta-feira, 23 de Outubro, os Padres Sinodais aprovaram o Nuntius (Mensagem) no final da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos.


INTRODUÇÃO

1. Foi um dom especial da graça e como que uma última vontade pessoal e testamento para a África, que o Servo de Deus, o Papa João Paulo II, já perto do termo da sua vida, no dia 13 de Novembro de 2004, anunciou a sua intenção de convocar a Segunda Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África. Esta intenção foi confirmada pelo seu sucessor, o Santo Padre Papa Bento XVI, no dia 22 de Junho de 2005, numa das primeiras grandes decisões do seu pontificado. Reunidos aqui neste Sínodo, vindos de todos os países de África, do Madagáscar e das Ilhas adjacentes, com os nossos Irmãos Bispos e colegas vindos de todos os continentes, com e sob a cabeça do Colégio Episcopal, com a participação de delegações fraternas doutras tradições cristãs, damos graças a Deus por esta oportunidade providencial para celebrar as bênçãos de Deus sobre o nosso continente, para avaliar o nosso serviço como pastores do rebanho do Senhor e para buscar uma nova inspiração e encorajamento para as tarefas e desafios que nos esperam. Já passaram quinze anos desde a primeira assembleia, em 1994. Os ensinamentos e orientações da Exortação Apostólica Pós-sinodal Ecclesia in África não deixaram de ser um guia ainda válido para as nossas lides pastorais. Mas na actual assembleia, o Sínodo foi capaz de se concentrar num tema de grande urgência para a África: o nosso serviço à reconciliação, à justiça e à paz num continente que tem urgente necessidade destes dons e virtudes.

2. Iniciámos os nossos trabalhos com uma celebração inaugural da Santa Eucaristia, presidida por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, pedindo ao Espírito Santo para “nos conduzir à plenitude da verdade” (Jo 16,13). Nessa ocasião, o Papa recordou-nos que o Sínodo não é em primeiro lugar uma sessão de estudo. É antes uma iniciativa de Deus que nos chama a escutar: a escutar a Deus, uns aos outros e o mundo que nos rodeia, num clima de oração e de reflexão.

3. No momento em que nos preparamos para regressar com renovado ardor e coragem às Igrejas que nos foram confiadas, desejamos dirigir esta mensagem a toda a Igreja?Família de Deus em todo o mundo, e, de modo especial, à Igreja em África: aos nossos irmãos Bispos, em cujo nome estamos aqui; aos padres, aos diáconos, aos religiosos, a todos os fiéis leigos e a todos aqueles a quem Deus abrir o coração para escutar as nossas palavras.

PARTE I
OLHANDO PARA A ÁFRICA DE HOJE

4. Vivemos num mundo cheio de contradições e profundas crises; a ciência e a técnica dão passos gigantescos em todos os aspectos da vida, dotando a humanidade com tudo o que seria necessário para fazer do nosso planeta um lugar mais belo para todos nós. No entanto, a situação trágica dos refugiados, uma pobreza escandalosa, as doenças e a fome continuam a matar diariamente milhares de pessoas.

5. A África é a mais atingida por estes males. É rica em recursos humanos e naturais, mas grande parte do nosso povo continua a arrastar-se no meio da pobreza e de misérias, de guerras e conflitos, de crises e desordens. Estas raramente são consequência de desastres naturais, mas devem-se em grande parte a decisões e acções humanas levadas a cabo por pessoas que não se interessam pelo bem comum e muitas vezes numa trágica e criminosa cumplicidade de dirigentes locais com interesses estrangeiros.

6. No entanto, a África não deve cair no desespero. As graças de Deus continuam a derramar-se abundan-temente, à espera de ser recta e prudentemente aproveitadas para bem dos seus filhos. Onde as condições sociais são propícias, os seus filhos têm provado que são capazes de atingir – e de facto, atingiram – um elevado grau de empenho e competência. Há muitas boas notícias que chegam de muitas partes da África. Mas os actuais meios de comunicação social com a sua predilecção por más notícias, parecem interessar-se mais pelas nossas desgraças e deficiências do que pelos nossos esforços positivos. Há nações que tendo saído de longos anos de guerra, estão a progredir gradualmente pelos caminhos da paz e da prosperidade. Uma boa acção governativa está a criar um impacto bastante positivo em algumas nações africanas, desafiando outras a rever os maus hábitos do passado e do presente. Há numerosos sinais de múltiplas que buscam soluções eficazes para os nossos problemas. Este Sínodo, exactamente por causa do seu tema, espera fazer parte dessas iniciativas positivas. Por isso, apelamos a todos e a cada um para darem as mãos e enfrentarem os desafios da reconciliação, da justiça e da paz em África. São muitos os que sofrem e morrem, não há tempo a perder!

PARTE II
À LUZ DA FÉ

7.O nosso múnus episcopal leva-nos a considerar tudo à luz da fé. Pouco depois da publicação da Ecclesia in Africa, os bispos de África, através do Simpósio das Conferências Episcopais de África e do Madagáscar (SCEAM), publi-caram uma carta pastoral intitulada: “Cristo, nossa Paz” (cf. a Declaração da Assembleia Plenária do SCEAM em Rocca di Papa, 1-8 de Outubro de 2000, publicada em Accra, 2001). Ao longo desta assembleia, recordamos com fre-quência que toda a iniciativa de reconciliação e de paz vem de Deus. Como diz o apóstolo S. Paulo: “Era Deus que reconciliava o mundo consigo em Cristo”. Isto acontece graças ao dom gratuito e incondicional do seu perdão, “sem levar em conta as nossa faltas”, fazendo-nos assim entrar na sua paz (cf. 2 Cor 5, 17-20). De igual modo a justiça também é obra de Deus, por meio da sua graça justificadora em Cristo.

8. Na mesma passagem, S. Paulo continua, afirmando que Deus “nos confiou a mensagem da reconciliação e nos escolheu como embaixadores de Cristo, exortando por nosso intermédio”. Tal é o sublime mandato que recebemos do nosso Deus misericordioso e compassivo. A Igreja em África, quer enquanto Família de Deus, quer ao nível individual dos seus membros crentes, tem o dever de ser instrumento de paz e de reconciliação, segundo o coração de Cristo, nossa paz e reconciliação. E ela será capaz de o fazer na mesma medida em que ela própria se tiver reconciliado com Deus. As suas estratégias de reconciliação, justiça e paz na sociedade devem ir mais além e chegar mais fundo do que o modo usual de agir do mundo. Tal como S. Paulo, o Sínodo apela a todos os povos de África: “nós vos exortamos em nome de Cristo: reconciliai--vos com Deus” (2 Cor 5,20). Por outras palavras: apelamos a todos que se deixem reconciliar com Deus. Só assim se poderá abrir caminho a uma autêntica reconciliação entre as pessoas. Só assim se poderá quebrar o círculo vicioso da ofensa, vingança e retaliação. Para tal, a virtude do perdão é de crucial importância, mesmo antes de qualquer reconhecimento da culpa. Aqueles que dizem que o perdão nada faz, experimentem optar pela vingança e vejam o que ela traz consigo. O verdadeiro perdão promove a justiça do arrependimento e da reparação que conduzem a uma paz verdadeira, tocando a raiz dos conflitos e transformando as vítimas e os inimigos em amigos, irmãos e irmãs. Como é só Deus que torna possível este tipo de reconciliação, devemos dar um lugar privilegiado à oração e aos sacramentos no exercício deste ministério, especialmente ao sacramento da reconciliação.

PARTE III
À IGREJA UNIVERSAL

9. Este Sínodo estende o seu interesse e solidariedade a todo o continente africano. Agradecemos ao Santo Padre por acompanhar a África nas suas lutas e por defender a sua causa com todo peso da sua grande autoridade moral. Tal como os seus predecessores, também ele demonstra ser um verdadeiro amigo de África e dos africanos. Confrontados com os nossos desafios, fomos enriquecidos e guiados pelos tesouros de sabedoria do magistério pontifício em questões socio-políticas. A este respeito, o Compêndio da Doutrina Social Igreja é um vademecum e um recurso material que vivamente recomendamos a todos os nossos fiéis leigos, especialmente àqueles que desempenham altos cargos nas nossas comunidades.

10. A Santa Sé levou a cabo muitas iniciativas directamente relacionadas com o bem e o desenvolvimento de África. Um exemplo concreto é a Fundação do Sael, que luta contra a desertificação das regiões do Sael. Também não podemos desvalorizar o grande serviço que os representantes pontifícios prestam às nossas Igrejas locais. Actualmente a Santa Sé tem Núncios em 50 dos 53 Países da África. Isto indica claramente o grande empenho da Santa Sé ao serviço deste continente. O Sínodo exprime por isso o seu profundo reconhecimento.

11. Saudamos com afecto fraterno a Igreja que está para além da costa africana, membros como nós da mesma Família de Deus espalhada pelo mundo inteiro. A presença e a participação activa nesta assembleia dos delegados oriundos dos outros continentes, confirmam o nosso vínculo de colegialidade afectiva e efectiva. Um sincero agradecimento a todas as Igrejas locais que, estendendo a mão, prestam serviços em África e à África, tanto no campo espiritual como no material. No que se refere à reconciliação, à justiça e à paz, a Igreja em África continua a contar com a solidariedade dos responsáveis da Igreja nos países ricos e poderosos, cuja política, acções ou omissões, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a difícil situação da África. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a África há uma peculiar relação histórica. Por isso deve-se fortalecer e aprofundar a relação actualmente existente entre os dois órgãos episcopais continentais, o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e o SCEAM. Apreçamos também com agrado as relações fraternas que se começam a instituir entre a Igreja de África e a Igreja do continente americano.

12. Muitos filhos e filhas de África deixaram a sua casa em busca de melhores condições de vida noutros continentes. Muitos deles saíram-se bem, tendo contribuí-do positivamente para o desenvol-vimento dos países para aonde emigraram, mas outros ainda se debatem na luta pela sua própria sobrevivência. Recomendamos ambos ao atento cuidado pastoral da Igreja?Família de Deus, seja qual for o lugar onde se encontrem. “Era estrangeiro e vós me acolhestes” não é apenas uma parábola sobre o fim do mundo, mas também um dever a cumprir hoje. A Igreja em África agradece a Deus por muitos dos seus filhos e filhas que são missionários noutros continentes. Nesta profícua partilha de dons é importante que todos os seus beneficiários continuem a trabalhar por um relacionamento cristão transparente, justo e digno. Durante as sessões do Sínodo, a Igreja em África aceitou o desafio de se interessar pelos descendentes de africanos que vivem noutros continentes, especialmente nas Américas.

13.A este propósito, este Sínodo sente o dever de exprimir um profundo reconhecimento aos muitos missio-nários, clérigos, religiosos e fiéis leigos de outros continentes que semearam a fé na maior parte dos países de África. São muitos os que ainda hoje aí trabalham, com uma dedicação e zelo heróicos. Um agradecimento muito especial àqueles que permaneceram junto do seu povo, mesmo em tempos de guerra e de graves crises. Alguns chegaram mesmo a pagar com a vida a sua fidelidade.

PARTE IV
A IGREJA EM ÁFRICA

14. Recordamos, com justificado orgulho, que o cristianismo se encontra em África desde os seus primórdios. Primeiro no Egipto e na Etiópia estendendo-se, pouco depois, a outras regiões do norte de África. Esta Igreja antiga enriqueceu a Igreja universal com prestigiosas tradições teológicas, litúrgicas e espirituais, com ilustres santos e mártires, tal como o Papa João Paulo II sublinhou tão eloquentemente na Ecclesia in Africa, 31. As Igrejas do Egipto e da Etiópia, que sobreviveram a nume-rosas perseguições e dificuldades merecem uma alta consideração e uma estreita colaboração com as Igrejas muito mais jovens do resto do continente. Tal colaboração é particularmente importante se considerarmos os milhares de emigrantes e jovens estudantes do sul de Saara que fazem os seus estudos superiores no Magrebe. Muitos deles são católicos que trazem consigo o seu apego à fé, o que muito tem contribuído para fortalecer a Igreja local do seu lugar de residência. A Igreja destes e doutros lugares, constituída principalmente por estrangeiros, conta com a solida-riedade das Igrejas-irmãs de África para o envio de sacerdotes Fidei Donum e doutros missionários.

15.A Igreja continuará a fazer o seu caminho em todo o continente, solidária com o seu povo. As alegrias e tristezas, as esperanças e aspirações do nosso povo, são também as nossas (cf. GS 1). Enquanto Igreja, estamos convencidos que o nosso primeiro e mais específico contributo ao povo africano é a proclamação do Evangelho de Cristo. Por isso comprometemo-nos a continuar a proclamar com vigor o Evangelho ao povo africano, já que, tal como diz o Papa Bento XVI na Caritas in veritate, “a vida em Cristo é o primeiro factor e o principal factor de desenvolvimento” (n. 8). De facto, a dedicação ao serviço do desenvol-vimento procede da transformação do coração e a transformação do coração só pode vir da conversão ao Evangelho. Neste sentido, aceitamos a nossa responsabilidade de ser instrumentos de reconciliação, de justiça e de paz nas nossas comunidades, “embaixadores de Cristo” (2 Cor 5,20), nossa paz e reconciliação. Neste sentido, todos os membros da Igreja clérigos, religiosos e fiéis leigos devem-se mobilizar para trabalhar juntos. A união faz a força! Somos interpelados e animados pelo provérbio africano que diz: “um exército de formigas bem organizado é capaz de abater um elefante”. Não nos devemos intimidar, nem desanimar perante a magnitude dos problemas do nosso continente.

16. A Igreja em África acolhe com alegria o apelo lançado na aula sinodal para uma colaboração efectiva “Sul-Sul”. Muitos problemas e tensões existentes em África também se podem encontrar na Ásia e na América Latina. Cremos que temos muito a ganhar não só com a troca de impressões, mas também dando-nos as mãos. Queira Deus mostrar-nos o caminho a seguir.

17. O SCEAM é a instituição de solidariedade pastoral orgânica da hierarquia da Igreja em África (EIA, 16). Infelizmente este órgão insubstituível não recebeu o apoio que deveria, mesmo por parte dos Bispos de África. Agradecemos a Deus porque este Sínodo foi uma feliz oportunidade para destacar a importância do SCEAM. Temos todos os motivos para acreditar que o apelo lançado por muitos Padres sinodais em ordem a um maior compromisso com o SCEAM não tenha soado à porta de ouvidos surdos. Enquanto nos preparamos para regressar a casa, comprometemo-nos a dar ao SCEAM o mínimo de que precisa para levar a cabo a sua missão. Estabelecida por iniciativa do SCEAM e trabalhando lealmente em comunhão com ele, a Confederação dos Superiores Maiores da África e do Madagáscar (COSMAM) está a crescer e a tornar-se a nível continental num instrumento eficaz de promoção de uma solidariedade pastoral na vida e do apostolado dos religiosos em África.

18. Como bispos, assumimos o desafio de trabalhar em comunhão nas nossas Conferências episcopais e assembleias, oferecendo aos nossos países um modelo de uma instituição nacional justa e reconciliada e disponibilizando-nos para sermos agentes de paz e de reconciliação, em qualquer situação e lugar. Felicitamos aqueles bispos que desempenharam este papel, sobretudo no campo do diálogo ecuménico e inter-religioso, tal como presenciámos em lugares tais como o Mali, na República Democrática do Congo, no Burquina Fasso, o Senegal, o Níger e outros. A união do episcopado é fonte de uma grande força, enquanto a sua ausência faz desperdiçar energias, frustra os esforços e oferece ocasião a que os inimigos da Igreja possam neutralizar o nosso testemunho. Uma área importante onde esta cooperação nacional e coesão é muito útil é nos meios de comunicação social. Desde que a Ecclesia in Africa foi publicada, houve uma verdadeira explosão de rádios católicas em África: de apenas 15 rádios em 1994, contamos agora com mais de 163 em 32 nações africanas. Louvamos as nações que estimularam o seu desenvolvimento. Apelamos às nações que ainda têm reservas nesta matéria a rever a sua posição para o bem da sua própria nação e do seu povo.

19. Cada bispo deve pôr os assuntos relacionados com a reconciliação, a justiça e a paz num lugar prioritário da agenda pastoral da sua diocese. Ele deve garantir que se criem Comissões Justiça e Paz a todos os níveis. Devemos continuar a trabalhar dedicadamente na formação das consciências e transformação dos corações através duma catequese eficaz a todos os níveis. Isto deve ir além dum “simples catecismo” de preparação das crianças e dos catecúmenos para os sacramentos. Precisamos de organizar programas de formação contínua para todos os nossos fiéis, especialmente para aqueles que desempenham altos cargos de responsabilidade. As nossas dioceses devem ser modelos de bom governo, transparência e boa gestão financeira. Temos de continuar a fazer o nosso melhor para combater a pobreza, que é o maior obstáculo no caminho da paz e da reconciliação. A este respeito devem considerar-se com particular atenção as propostas de micro-crédito. Finalmente, o bispo, enquanto cabeça da sua Igreja local, tem o dever de mobilizar os seus fiéis e, de acordo com a sua missão, de os implicar na planificação, formulação, implemen-tação e avaliação das orientações diocesanas e dos programas em favor da reconciliação, da justiça e da paz.

20. O padre é o “colaborador necessário e mais próximo do bispo”. Neste Ano do Sacerdócio, caros irmãos no sacerdócio, dirigimo-nos a vós que ocupais uma posição chave no apostolado da diocese. Vós representais a face do clero mais visível ao povo, em ambos os lados, dentro e fora Igreja. O vosso exemplo de viver uns com os outros em paz, ultrapassando as fronteiras tribais e raciais, pode ser um exemplo particularmente forte para os outros. Isto verifica-se, por exemplo, no modo como acolheis com alegria aqueles que a Santa Sé escolhe como vossos Bispos, sejam eles quem forem, independentemente do lugar do seu nascimento. A implementação dos planos pastorais diocesanos em favor da reconciliação, da justiça e da paz depende muito de vós. A catequese, a formação dos leigos, a cura pastoral de pessoas com altos cargos de responsabilidade, não irão avante sem um empenho total nas vossas paróquias e nos diversos lugares que vos foram confiados. O Sínodo exorta-vos a não negligenciar o vosso dever neste campo. Tereis mais sucesso se apostardes numa pastoral de comunhão, envolvendo todas as pessoas e sectores da paróquia: diáconos, religiosos, catequistas, leigos, homens e mulheres, e os jovens. Em muitos casos, o padre conta-se entre as pessoas mais instruídas da comunidade local e, por vezes, espera-se que desempenhe um certo papel de chefia nos assuntos da comunidade. Devereis estar atentos para prestardes os vossos serviços de maneira imparcial, animados de espírito pastoral e evangélico. A vossa fidelidade às promessas sacerdotais, em especial à vida celibatária em castidade, assim como ao desapego das coisas materiais é um testemunho eloquente para o povo de Deus. Muitos de vós deixaram a África para partirem em missão para outros continentes. Quando trabalhais com respeito e ordem, projectais uma boa imagem de África. O Sínodo elogia o vosso compromisso com a tarefa missionária da Igreja. Que possais receber a recompensa prometida a todos os “que deixaram a casa... por amor do Reino” (Lc 18,28).

21. Em anos recentes, a África transformou-se num campo muito fértil para as vocações de especial consagração: sacerdotais e religiosas, masculinas e femininas. Damos graças a Deus por tão grandes bênçãos. Felicitamos-vos, caros irmãos consa-grados, homens e mulheres, pelo testemunho da vossa vida religiosa na prática dos conselhos evangélicos da castidade, pobreza e obediência, os quais não raro fazem de vós profetas e modelos de reconciliação, justiça e paz em situações de extrema tensão. O Sínodo exorta-vos a chegar à maior eficácia possível do vosso apostolado através duma comunhão leal e comprometida com a hierarquia local. O Sínodo congratula-se de modo particular convosco, religiosas, pela vossa dedicação e zelo apostólico nos campo da saúde, da educação e em outras áreas do desenvolvimento humano.

22. Este Sínodo volta-se agora com profundo afecto para os fiéis leigos de África. Vós sois a Igreja de Deus nos lugares públicos da sociedade. É em vós e por vosso intermédio que a vida e o testemunho da Igreja se fazem visíveis no meio do mundo. Por essa razão participais do mandato da Igreja enquanto “embaixadores de Cristo”, trabalhando em prol da reconciliação do povo com Deus e entre si. Isto implica que deixeis que a vossa fé cristã impregne todos os aspectos e facetas da vossa vida: a família, o trabalho, o exercício das mais variadas profissões, a política e a vida pública. Não se trata de uma missão fácil. Por isso deveis frequentar assiduamente os meios da graça através da oração e dos sacramentos. A passagem bíblica do tema do nosso Sínodo, dirigida a todos os discípulos de Cristo, refere-se em especial a vós: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13.14). Neste sentido, gostaríamos de renovar a recomendação da Ecclesia in Africa sobre a importância das Pequenas Comunidades Cristãs (n. 93). Para além da oração, deveis munir-vos de um conhecimento suficiente da fé cristã a fim de poderdes “dar provas da esperança que tendes em vós” (1 Ped 3,15) nos lugares de intercâmbio de ideias. Aqueles que ocupam lugares de relevo entre vós, têm o dever de obter um nível proporcional de cultura religiosa. Recomendamos-vos com insistência as fontes básicas da fé católica, a Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica e, como relevante para o tema do Sínodo, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Todos estes livros estão disponíveis a um preço acessível. Por isso, não há desculpa para continuar a ser ignorantes no campo da fé. A este respeito, a Ecclesia in Africa recomenda calorosamente a criação de Universidades católicas. Damos graças a Deus por terem surgido muitas destas instituições nos últimos 15 anos, estando muitas outras a caminho. Este é um projecto de capital importância, que implica um grande investimento. Mas é necessário investir no futuro de um laicado católico bem formado, especialmente de intelectuais, prepa-rado e capaz de se levantar para testemunhar a fé no meio do mundo de hoje. Esta é um campo onde certamente é muito necessária a solidariedade universal da Igreja como Família de Deus.

23. O Sínodo tem uma mensagem muito importante e especial para vós, caros africanos católicos que desempenhais cargos na vida pública. Louvamos muitos de vós que, não se deixando dissuadir pelos perigos e incertezas da política em África, se entregaram generosamente ao serviço público do vosso povo, como sendo um apostolado para promover o bem comum e o reino de Deus de justiça, de amor e de paz na linha dos ensinamentos da Igreja (Gaudium et spes, 75). Podeis contar sempre com o alento e apoio da Igreja. A Ecclesia in Africa manifestou a esperança de que apareçam políticos e chefes de Estado santos em África. Este não é um desejo fútil. É muito animador saber que a causa de beatificação de Júlio Nyerere da Tanzânia já está em andamento. A África precisa de santos nos altos cargos da política: políticos santos que limpem o continente da corrupção, trabalhem para o bem do povo e galvanizem outros homens e mulheres de boa vontade, que estão fora da Igreja, a fim de que todos dêem as mãos na luta comum contra os males que assolam as nossas nações. O Sínodo recomendou vivamente que as Igrejas locais intensifiquem o seu apostolado no cuidado espiritual das pessoas que exercem cargos públicos, criando capelanias específicas para eles e organizando centros de coordenação de alto nível para evangelizar as câmaras parlamentares. Nós vos exortamos, a todos vós, fiéis leigos que estais na política, a tirar pleno partido de tais instrumentos onde eles existirem. Muitos católicos que ocupam altos cargos infelizmente não souberam desempenhar correcta-mente o seu serviço. O Sínodo exorta-os a arrependerem-se ou a deixar a praça pública, deixando de escandalizar o povo e denegrir a imagem da Igreja.

24. Queremos voltar agora a nossa atenção para as nossas queridas famílias católicas de África. Congratulamo-nos convosco pela vossa fidelidade e firme perseverança na observância dos ideais da família cristã e na manutenção dos melhores valores da família africana. Mantende-vos vigilantes no confronto com algumas ideologias virulentas e venenosas, vinda do exterior e camufladas como “cultura moderna”. Continuai a receber os filhos como dom de Deus e a educá-las no conhecimento e temor de Deus, de modo a que também eles sejam, no futuro, agentes de reconciliação, de justiça e paz. Somos conscientes de que muitas das nossas famílias vivem sob uma grande pressão. A pobreza torna frequentemente os pais incapazes de cuidar dos seus filhos, com conse-quências desastrosas. Queremos recordar aos governos e às autoridades civis que um país que destrói com as suas leis as suas próprias famílias, hipoteca o futuro da própria nação. Muitas famílias pedem apenas o suficiente para sobreviverem. E elas têm direito a viver.

25. O Sínodo tem uma palavra especial para vós, mulheres católicas. Muitas vezes vós sois os pilares da Igreja local. Em muitos países, as Organizações de Mulheres Católicas são uma grande força de apostolado da Igreja. A Ecclesia in Africa recomendou que na Igreja, “as mulheres, uma vez convenien-temente formadas, participem, a um nível apropriado, da actividade apostólica da Igreja” (121). Em muitos lugares fizeram-se muitos progressos nesse sentido. Mas ainda há muito a fazer. O contributo específico das mulheres, não só em casa, enquanto esposas e mães, mas também no campo social, deveria ser universalmente reconhecido e promo-vido. O Sínodo recomenda às nossas Igrejas locais que vão além das afirmações gerais da Ecclesia in Africa, e criem estruturas concretas que assegurem uma real participação da mulher “a um nível apropriado”. A Santa Sé deu-nos aqui um bom exemplo indigitando mulheres para altos cargos. Fala-se muito em toda a África dos direitos da mulher, em especial nos planos de acção de algumas agências das Nações Unidas. Muito do que dizem está certo e na linha do que a Igreja sempre afirmou. Mas tem de se ter cuidado quanto a alguns projectos concretos que tantas vezes prosseguem intenções ocultas. Mulheres católicas, nós vos exortamos a comprometer-vos de alma e coração nos programas das mulheres das vossas nações, embora mantendo sempre bem despertos os olhos da vossa fé. Munidas de uma boa informação e da Doutrina social da Igreja, deveis procurar evitar que as boas ideias não sejam conta-minadas por ideologias estrangeiras, moralmente venenosas, referentes ao género e à sexualidade humana. Que Maria, nossa Mãe, Sede de sabedoria, vos guie neste sentido.

26. O Sínodo apela igualmente a todos vós, homens católicos, a que desempenheis o vosso insubstituível papel de pais responsáveis e maridos fiéis. Segui o exemplo de S. José (cf. Mt 2, 13-23), cuidando da família, protegendo a vida desde o primeiro momento da sua concepção e cooperando na educação dos filhos. Procurai organizar-vos em associações e grupos de Acção Católica que vos permitirão melhorar a qualidade da vida cristã e do vosso compromisso com a Igreja. Isto pôr-vos-á em melhores condições para desem-penhardes funções de chefia na sociedade, para serdes testemunhas cada vez mais eficazes e promotores da reconciliação, da justiça e da paz, como sal da terra e luz do mundo.

27. Dirigimo-nos agora a vós, filhos e filhas do nosso continente, jovens das nossas comunidades. Vós não sois apenas o futuro da Igreja; vós já pesais no presente com a força dos números. Em muitos países da África mais de 60% da população tem menos de 25 anos de idade. A percentagem no interior da Igreja não será muito diferente. Vós devíeis encontrar-vos na linha da frente das mudanças sociais positivas enquanto instrumentos de paz. Devemos prestar particular atenção aos jovens adultos. Muitas vezes são transcurados, deixados à deriva como alvo fácil para todo o tipo de ideologias e seitas. São eles que muitas vezes são recrutados e instrumentalizados para a violência. Por isso urgimos junto de todas as Igrejas locais para que dêem a máxima prioridade ao apostolado dos jovens.

28.Jesus disse: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino de Deus” (Mt 19,14). Este Sínodo não esqueceu as nossas queridas crianças. Eles devem ser objecto dos nossos mais ternos cuidados e atenção. Mas devemos também reconhecer e aproveitar o seu entusiasmo e eficácia como agentes activos de evangelização, especial-mente entre os seus companheiros. Deveria ser-lhes dado um espaço adequado, meios e orientação para se organizarem no apostolado, especial-mente através da Organização das Sociedades Missionárias Pontifícias, a Associação da Santa Infância.

PARTE V
APELO À COMUNIDADE INTERNACIONAL

29. A família de Deus vai além dos limites visíveis da Igreja, abrangendo toda a humanidade. Quando se trata dos temas da reconciliação e da paz, todos nós nos encontramos no nível muito profundo da nossa humanidade comum. Como tal este projecto diz respeito a todos e requer uma acção conjunta. Por isso erguemos a nossa voz, dirigindo-nos a todos os homens e mulheres de boa vontade, apelando, de forma especial, a todos os que professam a mesma fé em Jesus Cristo e também aos membros que têm outra profissão de fé.

30. No seu conjunto, as agências das Nações Unidas estão a realizar um bom trabalho em África em favor do desenvolvimento, da manutenção da paz, na defesa dos direitos da mulher e da criança, no combate à pobreza e às doenças, ao HIV/SIDA, malária, tuberculose e ainda noutros campos. O Sínodo aprecia o belíssimo trabalho que estão a desenvolver. Contudo, apelamos a que sejam mais coerentes e transparentes na implementação dos seus programas. Instamos junto dos países da África para que avaliem criteriosamente os serviços que são oferecidos ao nosso povo, a fim de se certificarem que são realmente bons. O Sínodo denuncia em particular todas as tentativas sub-reptícias de destruir e minar os preciosos valores africanos da família e da vida humana (por exemplo o inaceitável artigo 14 do Protocolo de Maputo e outras propostas do mesmo género).

31. A Igreja não se deixa relegar a um segundo plano na luta contra a SIDA e na assistência às pessoas infectadas e afectadas por esta doença em África. O Sínodo agradece a todos aqueles que se comprometeram generosamente neste difícil apostolado de amor e carinho. Apelamos para que se dê uma ajuda continuada que vá ao encontro da necessidade que tantos têm de assistência (EIA, 31). Em união com o Santo Padre, o Papa Bento XVI, este Sínodo adverte seriamente que o problema não pode ser resolvido com a distribuição dos profiláticos. Apelamos a todos os que estão sinceramente interessados em travar a transmissão da SIDA por via sexual a que reconheçam o sucesso já alcançado pelos programas que propõem a abstinência entre os solteiros e a fidelidade nos casais. Tal modo de agir não só garante a melhor protecção contra a difusão desta doença, mas também está em plena consonância com a moral cristã. Dirigimo-nos em particular a vós, jovens. Não vos deixeis enganar por aqueles que dizem que não sois capazes de vos controlar. Sim, vós podeis fazê-lo, com a graça de Deus.

32. Às grandes potências deste mundo apelamos: tratai a África com respeito e dignidade. A África tem solicitado uma mudança da ordem económica mundial, cujas estruturas injustas continuam a pesar gravemente sobre ela. A recente crise financeira mundial mostrou a necessidade de uma mudança radical das regras. Mas seria trágico se as correcções fossem uma vez mais feitas apenas no interesse dos ricos à custa dos pobres. Muitos dos conflitos, guerras e pobreza em África derivam em grande parte destas estruturas injustas.

33. A humanidade tem muito a ganhar se escutar as sábias advertências do nosso Santo Padre Bento XVI na Caritas in veritate. Uma nova ordem mundial justa não só é possível, mas também necessária, para o bem de toda a humanidade. Uma mudança é exigida em relação ao peso da dívida das nações pobres, matando literalmente as crianças. As multinacionais devem parar com a devastação criminosa do ambiente na exploração insaciável dos recursos naturais. É uma tática de curta visão fomentar guerras para acumular rapidamente lucros graças à desordem provocada, mas à custa da vida e do sangue humanos. Não existirá ninguém que queira e seja capaz de travar tais crimes contra a humanidade?

PARTE VI
AFRICA, ACORDA!

34. Diz-se que o berço da espécie humana está algures em África. O nosso continente tem uma longa história de grandes impérios e ilustres civilizações. A história futura do continente ainda está por escrever. Deus abençoou-nos com enormes recursos naturais e humanos. Embora nas estatísticas internacionais relativas aos índices de materiais e desenvolvimento os países africanos ocupem frequentemente o fundo da tabela, ainda não há razões para desesperar. Houve actos brutais de injustiças históricas, tais como o tráfico de escravos e o colonialismo, cujas consequências negativas ainda hoje se fazem sentir; mas isto não é desculpa para não fazermos nada. Há tantas coisas a acontecer nos nossos dias. Felicitamos o esforço de todos os que lutam para libertar a África da alienação cultural e da sujeição política. A África deve encarar agora o desafio de dar às suas crianças um nível mais digno de condições de vida humana. Verificam-se progressos no campo político do processo de integração continental, tais como a Organização de Unidade Africana (OUA) ter evoluído para a União Africana (UA). A UA e outros grupos regionais, por vezes em colaboração com as Nações Unidas, têm tomado diversas iniciativas para resolver conflitos e manter a paz em muitas situações de crise. No plano económico, a África tem procurado traçar um projecto estratégico para o seu próprio desenvolvimento, chamado NEPAD (Nova Parceria Económica para o Desenvolvimento de África). Ela tomou certas disposições em ordem a um Mecanismo de Revisão Parcerária Africana (APRM), que supervisio-nasse e medisse a submissão das diversas nações. O Sínodo louva tais esforços, porque tais programas associam claramente a emancipação económica de África com a existência de um bom governo. Infelizmente é aqui que reside o ponto crítico. Infelizmente, na maioria dos países africanos, os documentos mais belos da NEPAD ainda são letra morta. Nós, porém, continuamos a esperar num melhora-mento geral da governação em África.

35. O Sínodo congratula-se com alguns países africanos que decidiram enveredar pelo caminho de uma autêntica democracia. Elas já estão a testemunhar os dividendos que resultam de uma boa governação. Algumas acabam apenas de sair de muitos anos de guerras e de conflitos, estando gradualmente a reconstruir as suas nações devastadas. Esperamos que tão bom exemplo possa induzir outras nações a alterar os seus maus hábitos.

36. O Sínodo nota com tristeza que a situação em muitos países é vergonhosa. Pensamos em particular na triste situação da Somália, envolvida em virulentos conflitos há mais de duas décadas, que já começam a afectar os países vizinhos. Também não esquecemos a trágica condição de milhões de pessoas na região dos Grandes Lagos e as crises persistentes no norte do Uganda, no sul do Sudão, em Darfur, na Guiné-Conakry e noutros lugares. Os governantes que controlam o poder nestes lugares devem assumir a plena responsabilidade das suas acções deploráveis. A maior parte das vezes encontramo-nos perante uma avidez insaciável de poder e enriquecimento próprio à custa do povo e da próprio país. Qualquer que seja a responsa-bilidade imputável a interesses estrangeiros, também há sempre um vergonhoso e trágico conluio com os chefes locais: políticos que traem e vendem as suas nações, homens de negócios sujos coniventes com multinacionais vorazes, africanos que vendem e traficam armamento, prospe-rando com o negócio de pequenas armas que porém provocam a destruição de vidas humanas, e alguns agentes locais de algumas organizações internacionais que são pagos para difundir ideologias nocivas em que eles mesmos não acreditam.

37. A consequência negativa de tudo isto está aí, bem patente a todo o mundo: pobreza, miséria e doenças; refugiados dentro e fora do país e no estrangeiro, a busca de pastagens fresca, a fuga de cérebros, as migrações clandestinas, tráfico de seres humanos, guerras, derrama-mento de sangue, não raro sob comissão, a barbaridade das crianças soldado e indizíveis violências contra as mulheres. Como é que alguém se pode orgulhar de “governar” em semelhante situação? Onde pára o nosso senti-mento tradicional africano de vergonha? Este Sínodo proclama-o claramente, alto e bom som: é tempo de mudar de atitudes para o bem da geração presente e futuras.

PARTE VII
JUNTANDO AS NOSSAS FORÇAS ESPIRITUAIS

38. Gostaríamos de recordar novamente o que o Papa Bento XVI disse na homilia da missa inaugural deste Sínodo: que a África é “o pulmão espiritual” da humanidade de hoje. Este é um bem precioso, muito mais valioso do que os nossos minérios e petróleo. Mas ele também nos advertiu que este pulmão corre o risco de ser infectado pelo duplo vírus do materialismo e do fanatismo religioso. Na sua determinação em proteger o nosso património espiritual contra todos os ataques e infecções, o Sínodo apela aos irmãos e irmãs de outras tradições cristãs a uma colaboração ecuménica cada vez maior. Estendemos o nosso apelo ao diálogo e cooperação também ao Islão, aos membros das religiões tradicionais africanas (RTA) e aos adeptos de outras crenças religiosas.

39. O fanatismo religioso alastra por todo o mundo, estando a causar destruição em muitas regiões da África. Pela nossa cultura religiosa tradicional, os africanos, estão imbuídos de um profundo sentido de Deus Criador. Eles mantiveram-no consigo na sua conversão ao Islão e ao Cristianismo. Quando este fervor religioso é mal orientado por fanáticos ou manipulado pelos políticos, geram-se conflitos que afectam a todos. Mas se for bem orientado, torna-se uma força poderosa ao serviço do bem, especialmente em prol da paz e da reconciliação.

40. O Sínodo ouviu o testemunho de muitos Padres sinodais que percorreram com sucesso o caminho do diálogo com os muçulmanos. Eles são o exemplo de que o diálogo funciona e a colaboração é possível, sendo muitas vezes efectiva. Os temas da reconciliação, da justiça e da paz são uma preocupação comum a todas as comunidades, independentemente do credo que professam. Partindo dos valores partilhados por ambos os credos, os muçulmanos e os cristãos podem contribuir muito para a restauração da paz e da reconciliação nas nossas nações. Foi o que aconteceu em muitos casos. O Sínodo louva estes esforços, recomendando-os também aos outros.

41. O diálogo e a colaboração aumentarão sempre que houver respeito mútuo. Como Bispos católicos, recebemos da nossa Igreja orientações claras para o diálogo, permanecer firmes na nossa fé, mas deixando ao outro a liberdade de escolha. O Sínodo recebeu boas notícias de comunidades islâmicas que permitem a liberdade da Igreja e do culto, tendo beneficiado com a obra social da Igreja que acolheram com alegria. Enquanto louvamos este facto, insistimos na afirmação de que só isso não basta. A liberdade de religião inclui a liberdade de propagar a própria fé pessoal, de a propor e não de a impor, de aceitar e acolher os convertidos. As nações que por lei proíbem os seus cidadãos de abraçarem a fé cristã, estão a negar aos seus próprios cidadãos o direito humano fundamental de decidir livremente sobre o credo a que querem aderir. Apesar de a realidade ter sido esta por muito tempo, chegou a hora de rever a situação à luz do respeito pelos direitos humanos fundamentais. O Sínodo adverte que tal restrição de liberdade subverte o diálogo sincero, frustrando igualmente uma autêntica colabo-ração. Uma vez o mundo muçulmano acolhe com prazer os cristãos que decidem mudar de religião, também deveriam salvaguardar a reciprocidade neste campo. No mundo que está a surgir, o respeito mútuo é o caminho a seguir, sendo necessário que cada um de nós dê espaço a que cada uma das confissões religiosas contribua plenamente para o bem da humanidade.

CONCLUSÃO

42. Caríssimos irmãos no Episco-pado, queridos filhos e filhas da Igreja-Família de Deus em África, homens e mulheres de boa vontade em e fora de África: partilhámos convosco a convicção mais forte deste Sínodo: a África não está abandonada ao fracasso. O nosso destino continua a estar nas nossas mãos. A África apenas pede espaço para respirar e para se desenvolver. A África já se pôs em movimento e a Igreja acompanha-a com a luz do Evangelho. Pode ser que as águas sejam turbulentas. Mas tendo fixo o nosso olhar em Cristo Senhor (cf. Mt 14,28-32), atracaremos sãos e salvos ao porto da reconciliação, da justiça e da paz.

43.Confiamos esta mensagem e todos os nossos compromissos à intercessão materna da Santíssima Virgem Maria, Rainha da Paz e Nossa Senhora de África.

África, levanta-te,pega na tua enxerga
e anda! (Jo 5,8)
“De resto, irmãos, alegrai-vos.
Procurai crescer na perfeição,
animai-vos uns aos outros.
Permanecei unidos, vivei em paz
e o Deus do amor
e da paz estará convosco”
(2 Cor 13,11).
Amen.





1 comment:

Julio-Debate Popular said...

Esperemos bem ser que a África não é apenas um continente, mas a esperança dos pobres. Com fé, tudo é possível. Encaminhar África.