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Wednesday, February 23, 2011

A COERÊNCIA DOS NOSSOS BISPOS

Desta vez, gostaria de partilhar com todos os amigos e amigas que frenquentam este nosso singelo Blogger, qual seria a nossa impressão das intrvenções de qualidade da C.E.A.S.T. ( Conferencia Episcopal de Angola e São Tomé ), e qual seria o impacto antropologico e social (cultural, religioso, politico e económico) destes eventos: como a IVª semana social nacional, democracia e participação  (11 a 15 de Janeiro de 2011) e mais recentemente a reunião da  U.N.I.A.P.A.C. ( União Internacional Cristã de Gestores e Empresários ). Quero acreditar que estes acontecimentos têm a sua cronologia, quero dizer que tiveram um determinado inicio e têm, logicamente, a sua finalidade. Se falamos da IVª Semana Social Nacional, è porque esistiu a Iª Semana Social Nacional, se como Igreja, tivemos este encontro dos Gestores e Dirigentes Cristãos Africanos reunidos na nossa Capital, é porque teve princípio: criada em Fevereiro de 2010.
Nesta argomentação, não nos esqueçamos d’outros eventos que, não foram de pouca qualidade, a saber: A II Assembleia Anual da CEAST, que decorreu de 20 a 27 de Outubro 2010, em Luanda, aprovou a mensagem pastoral referente ao primeiro ano do triénio pastoral 2011-2013, com o tema «Família - Matrimonio». E os recentes incontros da IMBISA, com temas muito sugestivos e importantes, assim como: boa governação dentro e fora da Igreja nos nossos países, a família, reconciliação, justiça, paz ... A IMBISA integra Bispos de Angola e São Tomé, África do Sul, Botswana, Lesotho, Moçambique, Namíbia e Suazilândia. É um órgão de comunhão e cooperação, única associação das conferências dos bispos em África composta por grupos de duas línguas ( inglês e português). Todos estes inventos ganham fondamento, ou melhor, têm como pedra angolar os dois últimos Sinodos para a Igreja em Africa, mas vamos falar do II° Sinodo que, è continuação do I° Sinodo. Partindo, è claro, dos interventos dos nossos Bispos, e cada um de nós pode muito bem reflectir, meditar e dar o seu parecer construtivo ( quem quizer escrever comentando pode faze-lo, este blog tem espaço para tal ), eu darei o meu parecer no fim ( conclusao ) deste trabalho.
QUARTA CONGREGAÇÃO GERAL, TERÇA-FEIRA, 6 DE OUTUBRO DE TARDE

INTERVENÇÕES NA SALA (CONTINUAÇÃO)

Às 16h30, terça-feira, 6 de outubro, memória facultativa de São Bruno, monge, com a Oração pela IIª Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, teve início a Quarta Congregação Geral, para a continuação das intervenções dos Padres Sinodais na Sala sobre o tema sinodal A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da pazVós sois o sal da terra ... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13.14).]

Presidente Delegado de turno S.Em. Card. Wilfrid Fox NAPIER, O.F.M., Arcebispo de Durban (ÁFRICA DO SUL).

Nesta Congregação Geral, que se concluiu às 19.00 com a oração do Angelus Domini, estavam presentes 225 Padres.

S.E.R. Mons. Emilio SUMBELELO, Bispo do Uige (Angola), A justiça deve caminhar de mãos dadas com o perdão.

No nosso contexto angolano, a justiça deve caminhar de mãos dadas com o perdão. Sem perdão, não pode haver reconciliação e consequentemente a Paz, porquanto desenvolvimento de qualquer povo ou Nação fica indefinidamente adiado, quando faltam mecanismos de perdão.
Nos últimos 30 anos, uma boa parte dos Países Africanos, e Angola não foge à regra, sofreu profundas modificações. As imensas e múltiplas convulsões populacionais, relacionadas com a guerra, transformaram a sociedade Africana. Presentemente mais de metade da população vive em zonas urbanas. Uma das primeiras consequências: a da sua identidade étnico-tribal; povos de diferentes origens e respaldos sociais, que agora vivem juntos num mesmo meio urbano, dando origem a uma fusão cultural. Segunda consequência: conflitos inter-étnicos, gerados pelas condições de mal-estar económico e grande desigualdade social.
O verdadeiro perdão deve incluir a busca da verdade. Faz parte dessa verdade o reconhecer o mal feito e, se possível, repará-lo. Com efeito, o perdão não elimina nem diminui a exigência da reparação, que é própria da justiça, mas que pretende reintegrar as pessoas e os grupos na sociedade. Passos concretos: 1. através das CJP, Pro Pace, promover oportunas investigações, a propósito das prevaricações de grupos étnicos ou de injustiças, para acertar a verdade como primeiro passo para a reconciliação. 2. Apostar na "reconstrução humana", que passa pela modificação do comportamento da personalidade que foi mal construída, e/ou sofreu algum abalo nas suas estruturas, e/ou nas estruturas da sua sociedade. A "reconstrução humana" é, portanto, um trabalho que se espera da Igreja, a fim de que o "indivíduo destruído" volte a torna-se pessoa e aceitar-se a si mesmo e fazer com que ele aprenda a criar novos impulsos, e que estes se transformem em capacidade de aceitar os outros.

S. E. R. Dom José NAMBI, Bispo de Kwito-Bié (ANGOLA), A diferença entre ricos e pobres continua enorme.

A cultura democrática vai dando passos, embora timidamente. Em Angola ainda não se realizam eleições com aquela periodicidade desejável. Há políticos desejosos de uma verdadeira mudança da situação, mas outros resistem, são insensíveis e procuram apenas os próprios interesses. Os ventos de democracia fazem-se sentir mais na capital do que noutros pontos do país e com poucos meios de comunicação social. Verifica-se a falta de uma verdadeira educação cívica dos cidadãos o que favorece a manipulação. Tudo isto aliado ao analfabetismo no meio rural torna a situação muito precária. A consciência crítica das pessoas é fraca. Para alguns tudo o que é dito pelos meios de comunicação social é visto como verdadeiro. Deste modo pensa-se que é urgente que se promova a educação cívica dos cidadãos e se fortaleça a consciência crítica dos mesmos. Isto significa também promover a defesa da liberdade de expressão e de opinião como apanágios da democracia e lugares de desenvolvimento. Os leigos que militam nas diversas instituições civis, nos partidos políticos, no Parlamento, são chamados a dar um verdadeiro testemunho da reconciliação, da justiça e da paz. Por isso, consideramos fundamental continuar a apostar na formação dos mesmos a todos os níveis.
O continente africano é considerado rico, mas os seus povos continuam pobres. Algo de positivo está sendo feito para reduzir a pobreza. Em Angola nota-se um grande esforço para se sair da pobreza. Foram concebidos grandes e pequenos projectos para o efeito. Todavia, a diferença entre ricos e pobres continua enorme. A acumulação de riquezas nas mãos de poucas pessoas é gritante, o que gera e pode gerar sempre conflitos. A população dos meios rurais está a ser atraída pela vida das cidades o que traz consigo vários problemas sociais. A imigração a partir de países vizinhos está agudizar-se e traz consigo várias consequências sociais. Existe a questão das terras ocupadas em prejuízo dos pequenos camponeses, o que tem gerado conflitos.
 
DÉCIMA CONGREGAÇÃO GERAL, SÁBADO, 10 DE OUTUBRO DE MANHÃ

Às 09h00, sábado 10 de Outubro, com o canto da Hora Terça, começou a Décima Congregação Geral, para a continuação das intervenções na Sala sobre o tema sinodal A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz “Vós sois o sal da terra ... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13.14).

Presidente Delegado de turno S.Em. Card. Wilfrid Fox NAPIER, O.F.M., Arcebispo de Durban (ÁFRICA DO SUL).

A esta Congregação Geral, que se concluiu às 12h30, com a oração do Angelus Domini, estavam presentes 211 Padres.

S. E. R. Dom Gabriel MBILINGI, C.S.Sp., Arcebispo Coadjutor de Lubango, Presidente do "Inter-regional Meeting of Bishops of Southern Africa" (I.M.B.I.S.A.) (ANGOLA), O lema da a Associação Cristã de Gestores e Dirigentes (ACGD) é: "Virtude, Ética e Missão".

Propõe-se aprofundar e aplicar na prática a Doutrina Social da Igreja Católica relativa à vida empresarial e às instituições empenhadas na promoção da paz social, no desenvolvimento harmonioso, no bem-estar social e individual, com base nos princípios da Ética geral e da Ética económica e empresarial em particular, à luz do direito Canónico e da Legislação Civil.
O lema da a Associação Cristã de Gestores e Dirigentes (ACGD) é: "Virtude, Ética e Missão". Está a estender-se a todas as Dioceses de Angola e S. Tomé e Príncipe. A Associação representa um desafio lançado pela Igreja de Angola e S. Tomé ao seu laicado e um desafio que o laicado angolano e santomense lança às Dioceses e seus Pastores na obra da evangelização das nossas terras numa colaboração que se espera cada vez mais fecunda.Espera-se que, desta forma, os seus membros participem activa e responsavelmente da vida e da missão da Igreja local, prestando serviço à pessoa humana, à cultura, à economia e à politica, visando mudar, paulatinamente, as mentalidades, as instituições e estruturas sociais, as leis injustas e tudo o que ofende e oprime a dignidade da pessoa humana: a miséria, a exploração, o racismo, o tribalismo, os abusos dos poderosos, as desigualdades sociais, etc.
É neste contexto que se inscreve o empenho que, em nome do Evangelho, o fiel leigo deve prestar ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz. Esta missão do leigo no mundo exige dele uma boa preparação científica, doutrinal e espiritual. Para o efeito, os leigos da ACGD contam com assistentes eclesiásticos para o seu acompanhamento doutrinal e espiritual. Têm encontros de formação nos vários domínios da sua actividade profissional, realizam retiros espirituais e convívios fraternos, apoiados na sua fé e procurando viver a comunhão na diversidade.
Contamos com a ACGD como fermento para iniciativas de autonomia financeira das Dioceses e sobretudo para uma boa governação dentro e fora da Igreja nos nossos países, um dado que constitui um sonho para a nossa região da IMBISA e para todo o continente africano.
Esta categoria de fiéis leigos espera, certamente, da presente Assembleia sinodal uma palavra encorajadora especificamente dirigida a eles.
 
DÉCIMA TERCEIRA CONGREGAÇÃO GERAL, TERÇA-FEIRA, 13 DE OUTUBRO DE MANHÃ

INTERVENIENTES NA SALA (CONTINUAÇÃO)
AUDITIO DELEGATORUM FRATERNORUM (III)

Às 09h00, terça-feira 13 de Outubro, com o canto da Hora Terça, começou a décima tereceira Congregação Geral, para a continuação das Intervenções na Sala sobre o tema sinodal A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz “Vós sois o sal da terra ... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13.14).

Presidente Delegado de turno S.Em. Card. Francis Arinze Prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (CIDADE DO VATICANO).

A esta Congregação Geral, que se concluiu às 12h30, com a oração do Angelus Domini, estavam presentes 222 Padres.

Nesta Décima Terceira Congregação Geral intervieram os seguintes Padres:

S. E. R. Dom Manuel António MENDES DOS SANTOS, C.M.F., Bispo de São Tomé e Príncipe (SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE), Levar os cristãos a lerem a Sagrada Escritura a partir de Jesus Cristo como Centro da revelação nela contida e luz que ilumina cada página do Livro Sagrado.

Como tornar a Palavra de Deus conhecida, amada e operativa na Igreja?
- Necessitamos, em primeiro lugar, de criar meios que levem todos os cristãos
a terem acesso à Sagrada Escritura. Para isso torna-se necessária a tal "vasta solidariedade" que permita reduzir substancialmente o preço das Bíblias.
- Há que apostar no desenvolvimento da pastoral bíblica.
- Levar os cristãos a lerem a Sagrada Escritura a partir de Jesus Cristo como Centro da revelação nela contida e luz que ilumina cada página do Livro Sagrado.
- Alimentados pela Palavra de Deus os nossos fiéis podem mais facilmente resistir às seduções dos novos grupos religiosos, muitos deles servindo-se exactamente de urna leitura fundamentalista da Bíblia para propagarem as suas ideias.
- A partir da fé em Jesus Cristo ressuscitado, vencedor do Reino do mal, podemos apresentar ao mundo caminhos de esperança, de paz, de libertação; caminhos que levem à libertação de medos ancestrais, como o do feitiço que tanto sofrimento semeia entre os nossos povos.
- A Palavra de Deus, lida e rezada, pode, sem dúvida, ajudar a construir urna cultura de família já que leva os cristãos a confrontarem-se com a Verdade e a necessidade de uma conversão de vida que os leve a viverem de acordo com os caminhos do Senhor.
- A Palavra de Deus dá significado à nossa luta contra a pobreza ao alimentar-nos da certeza de que o que fazemos ao irmão fazemo-lo ao próprio Cristo.
- A Palavra de Deus torna-nos instrumentos de reconciliação, de justiça, de paz.

S. E. R. Dom Filomeno DO NASCIMENTO VIEIRA DIAS, Bispo de Cabinda (ANGOLA), Hoje, alcançada a paz, o grande desafio que se coloca é o da reconciliação nacional.

Quando da primeira assembleia Sinodal, em 1994, o meu país era ainda uma Nação em guerra. Na altura, a nossa Conferência Episcopal não deixou de apelar através de cartas pastorais, com determinação, à paz e à reconciliação entre os irmãos desavindos, mesmo se incompreendida por alguns. Neste longo processo destacamos os bons ofícios dos bispos da região (IMBISA) que propositadamente se deslocaram a Angola como facilitadores do processo. Internamente, a Conferência Episcopal lançou um movimento, ainda hoje activo, em favor da paz, o "Pro Pace", vocacionado a promover uma cultura de paz, desarmar as consciências, e formar agentes de paz. Por todo pais se sentiu a acção deste movimento. Com as outras denominações cristãs criou-se o comité Inter-Eclesial para a Paz em Angola (COIEPA), com o mesmo intuito. Assim, em muitas ocasiões, as Igrejas e comunidades cristãs em Angola puderam falar a uma só voz à Nação e ao mundo do drama da guerra e da urgência da paz.
Hoje, alcançada a paz, o grande desafio que se coloca é o da reconciliação nacional que não podemos identificar ou resumir com o fim da guerra, o período de vigência do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, resultado dos acordos de Lusaka e a realização, o ano passado, de eleições legislativas. Estas são etapas de um processo que por si só não realizam a reconciliação. A reconciliação tem outras dimensões e é necessário percorre-las com a mesma audácia: a psicológica e a cultural, a económica e a politica, a social e a religiosa. Sim, são aspectos que não devem ser ignorados sob pena de nos enganarmos a nós mesmos e de estarmos a adiar ou preparar futuros conflitos.
Por isso, sentimos ser nossa tarefa, como Igreja, continuarmos a encorajar, favorecer e a trabalhar com os demais actores da vida pública por um verdadeiro estado de direito, mediante o necessário reforço das instituições democráticas, a promoção da boa governação, o combate às assimetrias entre cidadãos e entre as regiões, o funcionamento isento das instituições de administração da justiça e pela melhor distribuição da renda pública.

- Rev. Pe. Zeferino ZECA MARTINS, S.V.D., Provincial da Angola da Sociedade do Verbo Divino (ANGOLA)

A Conferência episcopal de Angola e São Tomé levou a cabo junto com a Comissão
de Justiça e Paz, a Rádio Ecclesia, emissora Católica de Angola e a Universidade Católica, a sua missão de mãe e educadora, de mediadora e de Conciliadora. Elaborou programas de Educação cívica, concretizados em encontros "Pró Pace".
Os encontros tiveram como destinatários a sociedade Civil, os actores políticos, pessoas de outras confissões religiosas e todo o povo de boa vontade. Foi, na verdade, um momento privilegiado, uma autêntica forja de diálogo; lançou-se a semente de reconciliação entre os irmãos desavindos. Como resultado, o processo eleitoral decorreu num ambiente de tolerância e paz.
Proponho que cada Conferência episcopal dos países africanos junto com as respectivas Comissões de Justiça e Paz e outras instituições ecclesiais elaborem um Programa "Pró Pace" a nível das Arquidioceses e Dioceses e que seja implementado no período que antecede as eleições.
Queria referir-me também aos trabalhadores Chineses que se encontram um pouco por toda a África. Certamente para o Estado chinês são trabalhadores que são enviados além-fronteiras para o aumento da sua hegemonia no panorama económico mundial. Para os nossos Estados, que os recebem não passam de mão-de-obra necessária para uma rápida reconstrução das infra-estruturas destruídas ao longo da guerra.
Proponho, por conseguinte, que as Conferências episcopais junto das dioceses onde se exije uma pastoral migrante se elabore um programa pastoral para aproximação do Evangelho de Cristo aos trabalhadores chineses e não só, nos Países africanos.
 
INTERVENÇÕES “IN SCRIPTIS” DOS PADRES SINODAIS

Os nossos Padres sinodais entregaram intervenção escrita:

S. E. R. Dom António Francisco JACA, S.V.D., Bispo de Caxito (ANGOLA), Ajudar a reconstruir o tecido humano fortemente ferido pelos longos anos de guerra civil.

A guerra civil e fratricida que assolou Angola nos últimos trinta anos, para além do seu cortejo de mortes, deixou traumas profundos no nosso povo: milhares de famílias destroçadas e desestruturadas; milhares de viúvas e órfãos, milhares de ex-militares, não suficientemente assistidos e alguns votados ao abandono, e uma grande parte do nosso povo vivendo ainda no limiar da pobreza, etc.
Se por um lado há um investimento significativo, o que é louvável, em vistas a reconstrução das infra-estruturas destruídas pela guerra, por outro lado, pouco ou quase nada ainda se tem feito no sentido de ajudar a reconstruir o tecido humano fortemente ferido pelos longos anos de guerra civil. As consequências já se fazem sentir, sobretudo com o aumento assustadoramente a criminalidade protagonizada por jovens e adolescentes.
É notória hoje a preocupação da sociedade angolana. O desespero vai tomando conta das famílias mais pobres que não têm o necessário para viver e muitos pais já não sabem como educar os seus filhos. As nossas Igrejas e Santuários tornam-se assim, muitas vezes, locais de refúgio, para solicitar ajuda, chorar as penas e procurar uma palavra de consolo. Uma palavra de consolo que as famílias nem sempre encontram, pois, e digo isto com muita tristeza, muitos dos nossos sacerdotes, ocupados em muitas outras coisas, não estão disponíveis para as atender e não prestam a necessária atenção pastoral mormente no sacramento da reconciliação e no ministério da escuta).
O êxodo populacional das aldeias para a cidade, provocou mudanças profundas no modus vivendi das populações. A família, mais uma vez, foi afectada, sobretudo no que diz respeito a educação dos filhos. A título de exemplo: as crianças, sobretudo nas grandes cidades, permanecem sozinhas em casa, enquanto os pais, obrigados a sair de madrugada para o trabalho, deixam os filhos a dormir, e voltando à casa, tarde à noite, os encontram a dormir. Quem cuida destas crianças durante todo o dia? Abandonadas à sua, sorte, têm como companhia outras crianças, a rua, a Televisão etc. Vemos assim, crianças cuidando de outras crianças, educadas na rua, à mercê de tudo e de todos.
Assiste-se também à invasão silenciosa da Televisão na vida das famílias. É inegável a influência negativa nas crianças e jovens de certos programas difundidos pelos canais de televisão nacionais e internacionais: telenovelas, filmes de violência, vídeo-clips, músicas com linguagem imprópria (também largamente difundidas pelas Rádios), exibindo um modus vivendi alheio à nossa realidade, incentivando à violência e outros comportamentos anti-sociais. Também convém aqui assinalar certos conteúdos difundidos via Internet ou via telemóvel por SMS e vídeo mensagens, estes meios modernos de comunicação de que a nova geração faz grandemente uso. Neste último campo são os próprios adolescentes e jovens os protagonistas da transmissão de mensagens indecorosas de uns para outros.
Em muitos bairros da periferia, sobretudo nas grandes cidades, existem "salas" de cinema precárias improvisadas onde crianças e adolescentes "consomem" inocentemente filmes de violência e outros não aconselháveis a menores.
 
DÉCIMA QUINTA CONGREGAÇÃO GERAL, QUINTA-FEIRA, 15 DE OUTUBRO DE MANHÃ

- RELATÓRIOS DOS CÍRCULOS MENORES
- AUDITIO DELEGATORUM FRATERNORUM (IV)
- AUDITIO AUDITORUM (VI)

Às 9h00, quinta-feira 15 de Outubro, memória de s. Teresa de Jesus, virgem, doutora da Igreja, carmelita desclaça, na presença do Santo Padre, com o canto da Hora Tertia teve início a Décima quinta Congregação geral, para a leitura em Sala dos Relatórios dos Círculos Menores.

Presidente Delegado de turno S.Em. Card. Wilfrid Fox NAPIER, O.F.M., Arcebispo de Durban (ÁFRICA DO SUL).

Durante o intervalo, o Santo Padre Bento XVI recebeu em audiência os grupos Anglicus B e Anglicus E.

Nesta Congregação geral, que se concluiu às12h30 com a recitaçãodo Angelus Domini, estavam presentes 224 Padres.

RELATÓRIOS DOS CÍRCULOS MENORES

Fruto do debate dos Círculos Menores são os Relatórios redigidos como coleta das opiniões da maioria e da minoria, que exprimem com transparência as opiniões convergentes e as eventualmente contrárias. Esses Relatórios, que são submetidos à aprovação dos Círculos Menores ao reunir todas as sugestões e reflexões dos Membros de cada Círculo, constituem deste modo uma projecção fiel das opiniões da maioria, e também aquelas da eventual minoria. Esses relatórios revestem a máxima importância dado que são a expressão mais evidente e elaborada do pensamento dos Padres sinodais envolvidos no debate dos Círculos Menores e contêm inclusive em embrião os elementos para o consenso geral do próprio Sínodo. Todos os relatórios considerados no seu conjunto representam de qualquer maneira a primeira síntese do trabalho sinodal.
 
Foram apresentados na Décima quinta Congregação Geral esta manhã, seguindo a ordem de apresentação do pedido de intervenção, os Relatórios dos Círculos Menores, preparados pelos Relatores dos Círculos Menores: Lusitanos, Gallicus e Anglicus.
 
Lusitanus: S. E. R. Dom Gabriel MBILINGI, C.S.Sp., Arcebispo de Lubango, Presidente do "Inter-regional Meeting of Bishops of Southern Africa" (I.M.B.I.S.A.) (ANGOLA)

A. Alguns temas pouco desenvolvidos:
- A Vida Consagrada, o papel dos Bispos, dos sacerdotes, dos catequistas, como agentes qualificados de reconciliação;
- a administração da justiça como um elemento essencial para uma sociedade reconciliada, sabendo nós os problemas que existem neste campo nos nossos países;
- a Palavra de Deus como luz que ilumina os caminhos da Reconciliação, da Justiça e da Paz;
- a liturgia como centro da vida do cristão e por isso essencial num caminho de reconciliação;
- o papel da escola e da família como lugares de formação para a reconciliação;
- a inculturação sem a qual os esforços de reconciliação podem ser inúteis;
- a dimensão pneumatológica e mariana;
- o tribalismo e a xenofobia como causa de conflitos violentos e de violação dos direitos da pessoa humana;
- o feiticismo como elemento gerador de sofrimento, de medos, de conflitos e de exploração de pessoas;
- os jovens, os adolescentes e as crianças como protagonistas de reconciliação e paz e não apenas vítimas;
- a fome, expressão da falta dos meios básicos para uma vida digna, corno elemento gerador de conflitos e de injustiças.

B. Algumas sugestões:
- uma referência explícita à Doutrina Social da Igreja como devendo fazer parte do conteúdo da nossa doutrina evangelizadora e catequética;
- que a catequese assuma o modelo catecumenal, que leve a pessoa a fazer a sua opção pessoal por Cristo;
- referir o papel fundamental da Vida Consagrada na vida e missão da Igreja, salientando sobretudo o seu trabalho no campo da reconciliação, justiça e paz através da oração, da presença na escola, nos hospitais, nos meios de comunicação social, da promoção da mulher, etc.
- salientar o papel da mulher no campo da reconciliação a partir do seu próprio génio feminino;
- valorizar o campo da política como serviço à sociedade, ajudando os políticos cristãos a assumirem os seus compromissos a partir da sua própria fé. Procurar apostar na formação e acompanhamento dos leigos nos vários sectores da sua vida, com a possibilidade até de nomear capelães para sectores específicos: professores, polícia, militares, etc.
- no que se refere aos clérigos, insistir na vivência do ministério sacerdotal como um serviço ao povo de Deus e não como autoridade. Que os sacerdotes estejam de verdade no meio do povo, com tempo para o ministério da escuta e da reconciliação. Que sejam capacitados para ajudar na cura de feridas e traumas. Que sejam também conscientes do seu papel social, fazendo-se autênticos instrumentos de reconciliação, mesmo entre os não-cristãos;
- ao denunciarmos situações gravosas dos direitos da pessoa humana, fazê-lo com vigor,
clareza e precisão;
- ter a coragem de fazer também um caminho de reconciliação e purificação da memória a nível interno da Igreja.
 
Metodologia do Sinodo:


Lineamenta (apresenta as linhas mestras sobre o tema a desenvolver e contem uma série de questões para a discussão e a oração no âmbito local),


Instrumentum laboris (documento contendo a agenda da assembléia sinodal),


Relatio ante disceptationem (pretende ilustrar um pouco a Lineamenta. Sob o caminho de preparação dos Lineamenta, Instrumentum laboris, antes e depois - sem pretensão de exaustividade, mas sem evitar os principais problemas - que serve apenas para abrir o diálogo entre os padres sinodais),


Relatio post disceptationem (é o resumo da primeira fase orgânica do sínodo, intervenções em sala de aula e auditiones de peritos),


Propostas ou proposições (é o resultado do trabalho dos círculos menores),


Mensagem do Sínodo (elaborado por uma comissão especial, aprovado e tornado público imediatamente) e


O texto final (Exortação Apostólica pós-sinodal
     ou Declaração), ainda não publicado.
 
Conclusão:

De acordo com o primeiro (1994) e segundo (2009) do Sínodo Especial dos Bispos para a África, a teologia Africana, é desenvolvida principalmente em duas maneiras: a primeira como uma teologia inculturada, isto è: estudo desenvolvido da teologia da Religião Tradicional Africana ou o diálogo entre a herança pré-cristã Africana religiosa e a fé cristã. A outra forma é baseada no tema “A Igreja em África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz”, diz respeito à promoção da teologia africana, cujo tema básico é semelhante e diverso ao da teologia de libertação, que, no processo de evangelização, a Igreja è vocacionada e envolvida na emancipação da ignorância, da pobreza, fome, doenças, corrupção, bruxaria, guerra, tratar dos problemas dos refugiados, deslocados, à subjugação das mulheres, enfim, de todo tipo de discrminação social e não só. Esta teologia da promoção tem como objetivo de incorporar o tema da promoção de todo o património cultural de África.
Rumo a uma evangelização integral do ser humano, todavia, o processo de inculturação deve abraçar todas as dimensões: humana, religiosa, política, económica e social, é o homem todo que deve ser inculturado, com novos métodos e estratégias.
O grande mérito do primeiro Sínodo para a África é de ter desenvolvido uma ideia-chave para a evangelização da África, intendendo a teologia de inculturação da Igreja como família de Deus, mas não perde os valores fundamentais e necessários em uma família humana como um normal-cristão, assim como o amor, fé, esperança, solidariedade, fraternidade, abertura, diálogo, fraternidade, justiça e paz. A nova evangelização, será orientada para o desenvolvimento da Igreja como uma família.
Fazendo um pouco exercicio da nossa memoria, nos recordamos muito bem, que o argomento Sinodo, significa uma assemblea de cristãos convocados em nome de Jesus Cristo, que se junta para fazer o mesmo caminho, tem origem, fondamentalmente no primeiro colegio apostolico, com Cristo ao centro da comunidade dos apostolos, e mais tarde Pedro ( Bento XVI ), no seio do colegio apostolico ( Bispos ). O primeiro Sinodo tido como original e prototipo é o Sinodo/Concilio de Jerusalem (Actos 15, 6-29), cerca do ano 50, para discutir questoes graves que afectam a divisao e a doutrina da Igreja. Durante este Sinodo ecumenico, o apostolo Pedro, tem o primado entre os apostolos, mas orientado pelo apostolo Tiago, uma vez que, os apostolos estavam divididos em dois grupos: uma parte de apostolos com o apostolo Pedro e outra parte de apostolos com o apostolo Paulo. Sinodo significa também o local ou o lugar onde  encontra-se a assemblea reunida. Esse «caminhar juntos», ocorre em diferentes escalas de participação do povo de Deus, tendo em conta a instituição do Sínodo dos Bispos: geral  (ordinario e estraordinario), especial ( particular, regional e continental ), provincial, nacional, diocesano, paroquial e os detalhes podem ser resumidos no equilíbrio entre a comunhão hierárquica e a comunhão das/de igrejas (ecclesial).

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