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Thursday, June 16, 2011

Gramsci, lavagem cerebral e o aborto


O filósofo marxista Antonio Gramsci (1891-1937) foi uma das referências essenciais do pensamento da esquerda no século XX e um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Entre suas obras de maior relevância encontra-se Maquiavel, a política e o Estado moderno, um clássico do pensamento da esquerda no século XX.
Em 1926 ele foi preso acusado de participar de atos subversivos contra o governo fascista. implantado na Itália, sua terra natal, e só foi libertado oito anos depois em 1934. Durante o período em que esteve preso Gramsci, como é mais conhecido, escreveu mais de 30 cadernos de história e análise sócio-cultural. Estes cadernos ficaram conhecidos como Cadernos do Cárcere e Cartas do Cárcere.
Nos Cadernos do Cárcere, uma obra monumental que foi editada em seis volumes, Gramsci descreve como foi sua dura vida nas prisões do regime fascista na Itália. Entretanto, estes Cadernos tornaram-se famosos por outro motivo. O fato é que neles Gramsci desenvolve técnicas para que a esquerda pudesse conquistar o poder. Ele não abandona as tradicionais táticas de terrorismo empregadas pela esquerda, tais como: seqüestro de empresários, assassinato de políticos e altos funcionários públicos e destruição do patrimônio público. Entretanto, ele introduz uma nova e sofisticada técnica para conquistar o poder. Essa técnica é a lavagem cerebral.
Segundo ele, ao invés da esquerda lutar diretamente contra o Estado e a sociedade, ela deve procurar convencer as pessoas que sua ideologia está correta e é a única possibilidade da espécie humana atingir a prosperidade e a felicidade. Para tanto, deve apresentar suas idéias, por mais absurdas e desumanas que sejam, de forma atraente e procurar, sempre que possível, desqualificar as idéias dos oponentes. Ele recomenda que se use a técnica de modificar o sentido original das palavras. Dessa forma, algo que é ruim pode passar a ser bom e algo bom passar a ser visto como ruim. Essa técnica deve ser utilizada em toda a população, mas principalmente dentro das escolas e com o púbico jovem. Justamente o jovem que ainda está formando o seu caráter e conhecendo as normas e o funcionamento correto da vida social. Em outras palavras, o que Gramsci propõe, nosCadernos do Cárcere, é que seja utilizada em ampla escala dentro da sociedade o processo de lavagem cerebral. Só assim o que antes era percebido como negativo, ruim, mau, pecaminoso e odioso, pode passar a ser percebido como positivo, bom, agradável e saudável.
De acordo com o jornalista italiano Alex Sardenha, que escreveu um livro chamado Gramsci: uma biografia, “Gramsci promoveu o casamento das idéias de Marx com as de Maquiavel, considerando o Partido Comunista o novo "Príncipe", a quem o pensador florentino renascentista dava conselhos para tomar e permanecer no poder.
Para Gramsci, mais ainda do que para Maquiavel, os fins justificam os meios e qualquer ato só pode ser julgado a partir de sua utilidade para a revolução comunista. Nesse sentido, certamente, Gramsci é um dos maiores teóricos do totalitarismo [do regime político autoritário] de todos os tempos”.
Como é público a esquerda totalitária e autoritária representada por Gramsci nunca conseguiu impor sua ideologia ao mundo. Essa ideologia é o regime socialista.
Entretanto, apesar do fracasso da ideologia do socialismo as idéias de Gramsci continuam obtendo adeptos em todo mundo. Na sociedade contemporânea a mídia é um desses adeptos. Constantemente ela utiliza as técnicas de lavagem cerebral desenvolvidas por Gramsci para conseguir vender produtos, idéias e serviços que, a princípio, a população considera ruim, de baixa qualidade e desnecessários.
Outra corrente adepta das idéias de Gramsci é o movimento favorável ao aborto ou pró-aborto, ou seja, o movimento que defende que um feto, um bebê ainda no ventre da mãe seja assassinado.
A idéia de assassinar um feto é terrível. Dificilmente um cidadão, gozando de suas plenas faculdades mentais, concordaria com ela. O mesmo se dá com a sociedade. Ela tende a rejeitar totalmente essa idéia.
Para tornar essa macabra idéia agradável e aceitável, tanto pelo cidadão como também pela sociedade, entra em cena, mais uma vez, as técnicas de lavagem cerebral de Gramsci.
O movimento favorável ao aborto ou pró-aborto se utiliza, basicamente, de duas grandes técnicas desenvolvidas por Gramsci. A primeira técnica é o esquecimento. Essa técnica se dá da seguinte forma: como esse movimento possui alta penetração na mídia, ele consegue lentamente retirar a imagem da gravidez e do feto de circulação. Nos diversos meios de comunicação como, por exemplo, TV, cinema, jornal e revistas, a imagem da gravidez e do feto está, cada vez mais, desaparecendo. É comum aparecer apenas indivíduos adultos. Se um extraterrestre chegasse ao planeta terra e tivesse contato com a programação da mídia, pensaria que os seres humanos nascem todos adultos e que são gerados por árvores ou algum outro objeto. Este extraterrestre jamais pensaria que um ser humano nasce de outro ser humano e que leva nove meses para crescer no ventre de sua mãe antes de nascer.
Atualmente, existe em curso um grande processo que tem por objetivo fazer a população esquecer que existe a gravidez e o feto, ou seja, o bebê no ventre da mãe. A gravidez e o feto estão deixando de ser algo natural, para se transformar em algo estranho e desconhecido pelas pessoas.
A segunda técnica utilizada é procurar modificar o sentido original das palavras.
Uma palavra que antes tinha um sentido positivo, após passar pela técnica de lavagem cerebral torna-se negativa e ruim. Para tanto, utiliza-se do procedimento de substituição de palavras. Uma palavra “X” passa a ser substituída por outra “Y”. O movimento favorável ao aborto ou pró-aborto se utiliza largamente dessa técnica.
Por essa técnica a palavra “feto”, o bebê no ventre da mãe, justamente uma palavra carregada de sentidos positivos e otimistas passa a ser substituída por palavras que tenham sentidos contrários, ou seja, negativos e pessimistas. Entre as palavras que o movimento favorável ao aborto ou pró-aborto utiliza para substituir a palavra “feto” encontram-se “amontoado de células”, “indesejado”, “pedaço de carne”, “massa”, “bife”, “alienígena”, “tumor”, “estrangeiro”, “estranho”, “monstro”, “vírus”, “doença”, “erro”, “resto”, “sobra”, “castigo” e “pacote”. Já imaginou o estrago mental que ocorre na consciência de uma adolescente quando ela ouve na escola, na TV ou em qualquer ambiente social que um feto é um “amontoado de células”, um ser “indesejado”, um “erro”, um “tumor”, um “pedaço de carne” ou qualquer uma das palavras acima citadas?
Além da palavra “feto” o movimento favorável ao aborto ou pró-aborto procura modificar o sentido de outras palavras. Entre elas estão à palavra “gravidez”, “casamento”, “aborto” e as expressões “movimento favorável ao aborto ou pró-aborto” e “movimento em defesa da vida e contra o aborto”.
No tocante a palavra “gravidez” o movimento favorável ao aborto ou próaborto procura modificá-la para “imprevisto”, “inconveniente”, “doença”, “erro”, “acidente”, “punição” e “irregularidade”. Imagine o estrago causado na consciência de uma jovem ao saber que gravidez é um “acidente”, um “inconveniente”, uma “irregularidade” ou uma “punição”?
Já a palavra “casamento”, uma das mais odiadas pelo movimento favorável ao aborto ou pró-aborto, é substituída pela palavra “morte”, “sepultura”, “tumulo”, “depressão”, “decadência”, “submissão”, “infelicidade”, “erro”, “prisão” e “castigo”
Além dessas palavras são utilizadas as seguintes expressão para se referir ao casamento: “instituição social”, “valor masculino e machista”, “valor social superado” e “punição social”. Imagine um jovem casal de namorados após ter contato com essas palavras e expressões, esse casal vai querer se casar e ter filhos(as)? Uma adolescente vai querer se casar e ter filhos(as)?
A expressão “movimento favorável ao aborto ou pró-aborto” é substituída por palavras e expressões, tais como: “inovador”, “consciente”, “liberal”, “livre escolha”, “transgressor”, “transformador” e “libertador”. Qual é o jovem ou o cidadão que após anos ouvindo essas palavras e expressões vai pensar que o movimento favorável ao aborto ou pró-aborto é um movimento que defende o assassinato em massa de fetos? É um movimento que promove o genocídio de fetos?
Já a expressão “movimento em defesa da vida e contra o aborto” é ridicularizada e sofre todas as formas de preconceito. Isso fica patente nas palavras e expressões que são atribuídas a esse movimento. Entre elas citam-se: “conservador”, “antiquado”, “alienado”, “quadrado”, “ignorante”, “analfabeto”, “iletrado”, “defensor de valores sociais superados”, “submisso”, “infeliz”, “selvagem”, “retrogrado” e “superado”. Qual é o cidadão que vai querer aderir a um movimento social que possua características tão negativas? Como se pode ver a técnica da substituição de palavras é muito eficiente.
Outra palavra que o movimento favorável ao aborto ou pró-aborto procura desesperadamente substituir é a palavra “aborto”, ou seja, o assassinato do feto ainda no ventre da mãe. Historicamente, a palavra “aborto” tem um forte teor negativo. Em algumas regiões do planeta ela é até proibida de ser pronunciada. Entretanto, o movimento favorável ao aborto ou pró-aborto procura lhe dá um sentido positivo, afável e agradável. Para tanto, propõe substituir a palavra “aborto” por "esvaziamento do conteúdo do útero" (Qual é o conteúdo do útero, senão a criança por nascer?), "antecipação terapêutica do parto", “terapia”, "regulação menstrual" (Aborto nos primeiros dias de gravidez. Este tipo de aborto geralmente é feito por aspiração), “livre escolha”, “ato de liberdade”, “cura de uma doença”, “libertação social”, “ato transformador”, “independência da mulher”, “proteção social”, “avanço social” e “projeto de sociedade”, “qualidade de vida” e “bem-estar”.
Qual é a pessoa que após anos ouvindo na TV, lendo nos jornais e tendo contato, em diversos ambientes sociais, com essas palavras e expressões vai pensar que por traz de um sentido tão positivo e otimista há em curso um massacre de fetos? Um genocídio de fetos? Quem pensará o contrário? Quem pensará que por traz da palavra ou expressão como, por exemplo, “terapia”, "antecipação terapêutica do parto", "esvaziamento do conteúdo do útero”, “livre escolha” e “ato de liberdade” encontra-se o assassinato de bebês inocentes?
É possível ter uma visualização melhor da técnica de substituição de palavras no quadro que se encontra logo abaixo, cujo título é: “Lavagem cerebral. Técnica de substituição de palavras”.
* fragmento da obra Aborto: discursos filosóficos / Ivanaldo Santos. - João Pessoa: Idéia, 2008. Disponível em www.providafamilia.org.br%2Fsite%2F_arquivos%2F2008%2F370__aborto_-_discursos_filosoficos.pdf.
SEX, 17 DE JUNHO DE 2011 10:05 IVANALDO SANTOS

Por que querem legalizar o aborto?

Atualmente, vêem-se no Brasil e no mundo uma nova onda de manifestações, projetos e outras formas de clamor social reivindicando a legalização do aborto. Um dos argumentos centrais dessa nova onda pró-aborto é que a defesa da vida nascedoura, ou seja, do feto ainda no ventre da mãe, é uma questão de moral e especialmente de moral religiosa. E como a sociedade e o Estado moderno são leigos e seculares, ou seja, não possuem vinculação religiosa, então essa defesa perde quase totalmente o seu poder moral.

O raciocínio do movimento pró-aborto é o seguinte: numa sociedade secular, onde o ser humano não é regido por normas religiosas, o indivíduo poder fazer o que quiser, inclusive matar o(a) próprio(a) filho(a) ainda no ventre da mãe. Aparentemente este raciocínio faz sentido. A moral de fundamento religioso estaria atrapalhando o desenvolvimento do Estado e da sociedade secular. Entretanto, é preciso refazer uma pergunta que já foi realizada diversas vezes, sendo ela: por que querem legalizar o aborto? É preciso realizar esta pergunta por três razões. Primeira, estudos recentes demonstram que a maioria da população mundial é contra o aborto. Segunda, uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, publicada com exclusividade no jornal Folha de São Paulo de 07 de outubro de 2007, constatou que nos últimos anos aumentou de 61% para 71% o número dos brasileiros que acham que a prática do aborto é “muito grave” e que hoje apenas 3% dos brasileiros pensam que o aborto é moralmente aceitável.
Terceira e última razão, de 14 a 18 de novembro de 2007, realizou-se em Brasília, capital do Brasil, a 13ª Conferência Nacional de Saúde, reunindo 4.500 pessoas. Dentre elas, tinham direito a voto 2.275 delegados estaduais e nacionais eleitos em conferências de saúde regionais - 50% deles são usuários do SUS, 25% trabalhadores do sistema e 25% gestores (secretários estaduais e municipais e representantes do Ministério da Saúde). Contrariando as expectativas do próprio Ministério da Saúde brasileiro e dos diversos grupos pró-aborto existentes no país, o resultado foi surpreendente: 70% dos delegados votaram contra a proposta de legalização do aborto no Brasil (POR AMPLÍSSIMA MAIORIA, 2007). Isto é, a maioria absoluta dos representantes do povo dentro do setor saúde é contra a legalização do aborto. Apesar da conferência de saúde ser uma questão nacional e não internacional, ela é um pequeno exemplo de como a opinião pública mundial percebe esse problema.
Oficialmente, a sociedade moderna é democrática. Se os princípios democráticos realmente fossem prevalecer à discussão sobre o aborto estaria concluí a, pois a maioria democrática do mundo e também do Brasil é contrária a essa discussão.
O problema é que o movimento pró-aborto procura desqualificar essa maioria democrática. Para este movimento a maioria da população mundial, incluindo a população brasileira, ainda esta presa a moral religiosa, especialmente a moral cristã que defende a vida em todos os casos. Segundo a ideologia desde movimento fora da moral religiosa não há qualquer argumento contrário ao aborto. E que à medida que a população mundial passar por um processo de secularização da fé religiosa e de adesão ao ateísmo, à aceitação do aborto será automática.
De acordo com essa ideologia, fora da moral religiosa não há um único argumento que possa condenar o aborto. Todavia, será que essa ideologia está correta? Fora da moral religiosa não há argumentos contrários ao aborto?
Para esclarecer essa questão é preciso desenvolver quatro argumentos.
O primeiro é o desenvolvimento econômico. Desde o final da segunda guerra mundial, em 1945, o mundo passa por um processo de crescimento econômico. Este processo foi acelerado a partir da década de 1990. Países pobres como a China (VIEIRA, 2006), que antes amargavam graves índices de pobreza, passaram a ser o motor da nova economia mundial. Até Angola, país pobre da África, que amargou décadas de ditadura socialista-marxista e uma brutal guerra civil, hoje passa por um surto de crescimento econômico. Este país deve crescer economicamente em 2007 aproximadamente 15%. Um recorde para qualquer economia. Fundamentado por Harberler (1976), afirma-se que este crescimento econômico traz em seu seio a necessidade do aumento da população. Pois, com um número maior de bens e serviços sendo produzidos pela sociedade, passa a haver uma necessidade maior de consumidores. Logo, a ideologia pró-aborto não tem fundamento, pois se as mulheres abortarem seus filhos haverá uma redução do consumo e, por conseguinte, uma crise econômica mundial.
Já imaginou países pobres como, por exemplo, China e Angola terem seu crescimento econômico e, por conseguinte, a melhoria dos índices sociais prejudicados pela prática do aborto? Do ponto de vista estritamente econômico o aborto é prejudicial à sociedade.
O segundo argumento é a arrecadação de impostos. Todos sabem que na sociedade moderna o Estado é a organização social responsável em manter a estrutura social (escola, segurança, previdência, lazer e outras) necessária à vida dos indivíduos. Ele realiza e mantém esta organização por meio da arrecadação de impostos. Sem entrar na discussão se o Estado moderno arrecada mais impostos do que deveria, é preciso perceber que essa arrecadação é diretamente proporcional ao número de habitantes de um país. Quando menor a população, menor será a arrecadação de impostos.
Fundamentado em autores como, por exemplo, Lula (2007) e Harberler (1976), afirmasse que se as mulheres abortarem, então haverá uma diminuição na arrecadação de impostos e, por conseguinte, o Estado moderno terá sérias dificuldades para gerenciar a sociedade.
Já imaginou o aumento da criminalidade, da pobreza e outras mazelas sociais porque o Estado não consegue arrecadar impostos devido ao aborto? Do ponto de vista da arrecadação de impostos pelo Estado, o aborto é prejudicial à sociedade.
O terceiro argumento é a democracia. Não é intenção desse ensaio discutir a chamada crise da democracia. Apenas enfatiza-se que a democracia é o grande paradigma político da sociedade moderna. Fundamentado em autores como, por exemplo, Lipson (1966) e Miguel (2001), afirma-se que para a democracia existir é preciso que haja uma massa de eleitores. Os partidos e as demais agremiações políticas estão sempre em busca da maioria de votos, ou seja, de eleitores, que lhes garantam a vitória nas diversas eleições realizadas. O problema é que se as mulheres abortarem o número de eleitores cairá drasticamente e a própria democracia, enquanto paradigma político, estará em perigo.
Já imaginou a democracia que é defendida por diversos segmentos sociais, inclusive pelo movimento pró-aborto, entrando numa séria crise e até correndo risco de desaparecer devido à sucessiva prática do aborto? Do ponto de vista da democracia, aborto é prejudicial à sociedade.
O quarto e último argumento é a era da TV e da mídia. Não é intenção desse ensaio discutir os desdobramentos morais dessa era. Apenas enfatiza-se que a sociedade atual é marcada pela constante presença dos meios de comunicação na vida das pessoas.
Fundamentado em teóricos como, por exemplo, Abrecrombre (1996) e Bogart (1972), afirma-se que um dos objetivos principais da TV e dos demais seguimentos de mídia (jornais, revistas e outros) é a obtenção de constantes e crescentes índices de audiência. É por meio do crescimento da audiência que os seguimentos da mídia podem negociar patrocínios, pagar os impostos e funcionários e auferir lucro. Sem audiência não existe a mídia. O problema é que se as mulheres abortarem o número de espectadores dos diversos programas midiáticos cairá drasticamente e, por conseguinte, a média de audiência também. Com um índice menor de audiência os segmentos da mídia não poderão negociar melhores patrocínios e, com isso, haverá uma diminuição dos investimentos nesta área. A conseqüência é que haverá uma paralisia econômica, desemprego e outros problemas sociais.
Já imaginou uma crise no setor midiático ocasionada pelo aborto? Uma crise que gere desemprego e outros problemas sociais? Do ponto de vista da mídia, o aborto é prejudicial à sociedade.
Então, se existem argumentos não religiosos que contrariam a ideologia do aborto, porque esses argumentos não são difundidos? Por que este movimento ainda encontra amplo apoio na mídia e em setores da classe média? Por que continuar tentando legalizar o aborto?
Respondem-se estas perguntas de forma objetiva por meio de duas questões: uma ideológica e outra econômica.
A questão ideológica é o avanço nos meios midiáticos e da classe média da cultura secular ou neopagã. A ideologia neopagã afirma que grande parte ou todos os problemas do Ocidente são causados pelo cristianismo, por suas convicções morais e todas as ações sociais decorrentes dessas convicções.
O grande teórico da ideologia neopagã é o filósofo alemão Fridrich Nietzsche. Para ele, o cristianismo foi a pior criação do ser humano e está criação conduziu-o a um estado de opressão e medo. Alicerçada pelas idéias de Nietzsche, a ideologia neopagã pretende destruir o cristianismo e toda a cultura que emane dele. Como o cristianismo é uma religião que defende a vida em todas as situações, principalmente a vida em perigo como, por exemplo, a vida do bebê no ventre da mãe, a ideologia neopagã ataca a vida com a contraproposta do aborto.
É preciso lembrar que o aborto é uma prática do velho paganismo gregoromano. Na sociedade grego-romana quando uma criança nascia com alguma deficiência era imediatamente assassinada. Esta prática foi abolida com o advento do cristianismo e da moral da caridade e do perdão pregada por Jesus Cristo. Entretanto, o neopaganismo pretende restabelecer está prática.
O movimento pró-aborto não passa de um subproduto da ideologia neopagã. Por trás da aparente defesa da liberdade e dos direitos humanos, esconde-se um dos atos mais antidemocráticos já perpetrados pelo ser humano. Grande parte da sociedade ocidental é cristã e, como já foi demonstrado por várias pesquisas, à maioria da população não apenas do Ocidente, mas mundial é contra o aborto. O que o movimento pró-aborto pretende, alicerçado pela ideologia neopagã, é de forma antidemocrática, autoritária, ignorar os valores religiosos da população e instaurar uma ditadura ideológica, onde as mulheres que não praticarem o aborto serão discriminadas e poderão até sofrer sanções penais.
A segunda questão é a problemática econômica. No atual modelo social o ser humano é, cada vez mais, incentivado e impulsionado a trabalhar para consumir.
Baudrillard (2007) enfatiza o alto grau de escravidão que o ser humano está submetido, principalmente a escravidão do consumismo. Na sociedade contemporânea existe um constante apelo, na grande maioria realizado pelos aparelhos midiáticos (TVs, jornais, rádios e outros), para que as pessoas sejam magras, bonitas, tenham o corpo perfeito, troquem de carro, de casa e até de cônjuge. Tudo para realimentar a indústria e o consumo. Dworkin (2007) afirma que atualmente o ser humano é submetido a uma “felicidade artificial”, onde as exigências do consumo é que determinam o estado de felicidade. André (2007) demonstra como no atual modelo social o consumo, e as exigências decorrentes dele, constroem a identidade do ser humano. As pessoas são o que consumem.
A conseqüência desse processo é que ter filhos(as) se transformou em uma maldição. Ao invés da gravidez e, por conseguinte, do nascimento de um bebê, ser visto como a manifestação natural da vida, a continuidade da família e da espécie humana e um fator de grande alegria para um casal, é visto de forma contrária. Ou seja, vê-se o nascimento de uma nova vida como um prejuízo: a mulher vai engordar e não terá mais o corpo perfeito exigido pelas atuais normas sociais, o casal terá que gastar dinheiro com a criação do novo ser humano e não poderá investir num carro novo, jóias, roupas e qualquer outra futilidade imposta pela sociedade. Este fato é o que Gauthier (1998) classifica de “sociedade do egoísmo”, isto é, quando o ser humano abandona a dimensão da humanidade, da caridade e vive em função de seus instintos e convicções pessoais. Esse abandono pode chegar ao extremo de se rejeitar o próprio filho.
Além disso, o novo ser humano, o bebê, exige muito tempo por parte dos pais. Eles terão que levar o bebê ao médico, para passear, para a escola e todas as demais atividades que são atribuídas aos pais. A decorrência disso é que os pais não terão tempo para se dedicar às outras atividades que a sociedade neopagã e do consumo considera essencial como, por exemplo, fazer turismo, ir para bares e boates, ir para as academias de ginástica e fazer cirurgias plásticas.
Por tudo o que foi exposto, conclui-se que assim como não há argumentos religiosos para fundamentar o aborto, também fora desses argumentos, ou seja, numa possível moral extra-religiosa, não é possível fundamentar ou explicar a proposta da legalização do aborto. Por trás dessa proposta o que realmente existe é a ideologia neopagã e o egoísmo do homem moderno que abdica de ter filhos para poder desfrutar de uma vida, muitas vezes, fútil e presa a um consumo alienante.
Referências
ABRECROMBIE, Nicholas. Television and society. Polity Press: Cambridge, 1996.
ANDRÉ, Maristela Guimarães. Consumo e identidade. São Paulo: FGV, 2007. AUMENTOU O NÚMERO DE PESSOAS QUE ACHAM O ABORTO MUITO GRAVE. IN: Folha de São Paulo, 07 de outubro de 2007.
BAUDRILLARD, Jean. A sociedade do consumo. Lisboa: Edições 70, 2007.
BOGART, L. The age of television. New York: Frederick Unger, 1972.
DWORKIN, Ronald W. Felicidade artificial. São Paulo: Planeta, 2007.
GAUTHIER, David. Egoísmo, moralidad y sociedad. Madri: Paidos, 1998.
HARBERLER, G. Crescimento econômico e estabilidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1976.
LIPSON, Leslie. A civilização democrática. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1966.
LULA, Edla. Crescimento econômico explica arrecadação recorde em outubro, diz coordenador da receita. Disponível em www.agenciabrasil.gov.br. Acessado em 24/11/2007. POR AMPLÍSSIMA MAIORIA: REJEITADA A PROPOSTA DE DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO. Disponível em http://blogdafamiliacatolica.blogspot.com/. Acessado em 08/12/2007.
VIEIRA, Flávio Vilela. China: crescimento econômico de longo prazo. IN: Revista de 10 Economia Política, vol. 26, n 23, São Paulo, jul/set 2006.
* fragmento da obra Aborto: discursos filosóficos / Ivanaldo Santos. - João Pessoa: Idéia, 2008. Disponível em www.providafamilia.org.br%2Fsite%2F_arquivos%2F2008%2F370__aborto_-_discursos_filosoficos.pdf.
SEG, 13 DE JUNHO DE 2011 11:35 IVANALDO SANTOS

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