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Monday, September 19, 2011

O BUNKER*



 


Quando uma era termina quem a vive pode considerar como o fim dos tempos e rejeitar o evento ou olhar por cima. É óbvio que o modelo capitalista, com base no lucro sem limites, ao crescimento e consumo do planeta falhou, mesmo se os governos não querem reconhecer. A guerra do petróleo começou, pelo menos, com a primeira invasão do Iraque de Bush pai e continua até hoje, com a ocupação do Afeganistão e do ataque à Líbia, não será novidade futuros ataques aos países produtores de petróleo ao sul do sáara,  é apenas o sintoma mais evidente da  auto-destruição dos modelos econômicos do ocidente. O modelo baseado na mobilidade individual e transporte de mercadorias em todo o mundo, como por exemplo as pêras chilenas na Grã-Bretanha, os tomates chinêsis na Italia,ovos namibianos em Angola, não tem nenhuma motivação lógica ou econômica. Ninguém pára para perguntar: "Será que faz sentido do dito crescimento, e o que isso significa exactamente?" O crescimento é um tabú novo, um culto moderno, com os seus sacerdotes modernos: o FMI, a OMC, o BCE (Banco central europeu)… e os seus templos: os palácios das bolsas, os escritórios imponentes de bancos, as novas igrejas, nas cidades e nas zonas mais reconditas. Estamos tão mergulhados no mito do crescimento, como um acto de fé.
Mas quando o espelho está quebrado e a verdade não pode ser adiada, então, como escreve Slavoj Zizek, fliosofo esloveno e psicanalista, em seu livro "Viver para o fim dos tempos" é uma especie de elaboração de um processo de luto que ocorre em cinco fases. Para explicar a combinação do conhecimento do colapso do modelo económico e social do ocidente, para a descoberta de uma doença terminal. O primeiro estágio é a negação: não há crise, e nem mesmo o buraco de ozônio existe, as montanhas de gelo sempre recuaram ciclicamente, o aquecimento global é uma invenção da mídia, os carros são necessários para o desenvolvimento da civilização, o PIB é o alfa e o ômega das nações, as manifestações violentas são sempre culpa da oposiçao. O segundo passo é a raiva:  movimentos anti-globalização são os novos bárbaros nas fronteiras, quem não consome é um pessimista e quem consome é um patriota, governos e multinacionais que vêem crolar os alicerces do seu poder, pensam: "Não me pode acontecer tal desgraça". A fase do paciente. O paciente, então, prevendo o crolamento do poder, opta por métodos não democráticos , retorno aos célebres truques: não clareza econômica ou financeira da dívida pública, cortes nos serviços sociais, o aumento da tributação de qualquer espécie, perda de pensões, não clareza nas propostas para coptação, nomeação ou eleição das lideranças politicas (lideres de proveniencia duvidosa),  fuga de divisas e investimentos no exterior. Em seguida, a fase da depressão, em que, para aqueles que estão no poder, tudo é lícito e permitido: comportamentos estranhos de xenofobia, arrogância, alianças com poderes criminais, corrupção generalizada, novas guerras e guerrilhas. Pensar em desfrutar a vida que resta. A última etapa é a aceitação no qual o poder se resigna, a ser contido dentro de um bunker e esperar pelo fim. O mundo em geral, está localizado entre a primeira e a segunda fases, ou seja, a negação e a raiva. Em Angola, estamos a transitar da terceira para a quarta fase? Em que fase nos encontrámos? chegando a um acordo com a realidade em que vivemos e a depressão: excluindo elementos que não esistem nossa terra. 
 (*) Argomento inspirado, no bunker, do jornalista Grilo.

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