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Friday, October 21, 2011

Sola "fede" ou sola Scrittura?

O problema  teológico das bênçãos de uniões do mesmo sexo
Na Igreja “protestante” ou Evangélica

         Baseando-me e adaptando o artigo de Damiano Bondi  (icn-news) que,ao saber a notícia do para-casamento homosexual celebrado a 27 de junho de 2011, na Igreja Valdeza, em Milão, eu me perguntei se esta decisão tivesse sido pensada teologicamente. O problema é simples: a bênção religiosa de um "casamento gay" (e não o reconhecimento legal da mesma, que é outro problema) não è, talvez, incompatível com o princípio de “Sola Scriptura” da teologia protestante, ou somente a Bíblia, como um lugar único e replecto do Apocalipse de Deus?
Paradoxalmente, se a Igreja Católica consentisse, para aprovar as relações homosexuais ou do mesmo sexo, seria menos incoerente, uma vez que, considera a Tradição, como uma segunda fonte de revelação, não estreitamente sujeita à Palavra. Se o único critério, padrão, para a fé, é a Escritura, então como agir diante dessas etapas, a partir do Levítico  as Epístolas Paulinas, condenam esplicitamente, a prática homossexual?  é licito, como ocorreu no penúltimo Sínodo valdeze, ignorar o problema e permitir que, os casamentos gay, sejam abençoados, «la onde a igreja local, chegou a um consenso maduro e respeitoso»? O consentimento dos homens é, portanto, o primeiro que, o consentimento de Deus? Claro, poderia-se argumentar, ainda é válida, a idéia da justificação pela Sola Fide, somente a fé: o homem não pode salvar-se porque ele faz o bem, mas sim, porque ele acredita em Deus, o Bem Supremo. Deus não olha muito pelas as obras, como na fé, não a lei, como à disposição de aceitar a redenção em Jesus Cristo, não a moralidade, como no reconhecimento, de sua distância, de Deus, cheia de graça de Deus, através da encarnação do Seu Filho. Já Lutero, radicalizava esse conceito, em seu famoso princípio: “Pecca fortiter, sed crede fortius” ou seja, peca mesmo com entusiasmo, porque, como ser humano é inevitável. Mas a tua fé, deve ser mais forte. Mesmo um pecador endurecido – e o pecador mais endurecido, é o que afirma ser livre de pecado - pode ser salvo, se aceitar pela fé, a redenção da Cruz. Mas, enquanto Lutero acreditava que, a existência do pecado, no ser humano, faz parte de sua condição de criatura limitada. Os valdezes hoje, parecem já não acreditar nisso. A prática homossexual, para eles, longe de ser considerada (de acordo com as Escrituras) um pecado mais ou menos "forte" de que a redenção por meio da fé, é "ainda mais forte", torna-se passível, de ser abençoada por Deus. E a fé, em consequência, não é mais invocada como a salvação, só se apega a tempestade de tentações mundanas, mas apenas utilizada, como um selo, para ser afixada a qualquer acto, para ser, decretada arbitrariamente, compatível com a vontade divina: a fé não compromete mais, pelo contrário descompromete. Acredita em Deus, e faz o que quiseres. Deus não quer, outra coisa.
Não se trata aqui, de um critério de Kierkegaard, no qual, o estádo moral, deve ser superado, pela fé: pelo contrário, neste caso, não faz sentido, falar do estádo moral, nem de angústia. Fé, aqui, não é uma conquista heróica, daqueles que ousaram arriscar um salto no vazio, mas uma mera adição do rótulo "cristão" a aparência ou ao estado estético. A mesma justificação pela fé, desta forma, torna-se a desculpa, para justificar a não imoralidade, como poderia-se, ainda, estar na concepção luterana, mas, a uma moralidade, ou a ausência de qualquer preocupação moral. Não tem mais sentido perguntar: Deus quer isso de mim? Se eu, sinceramente cristão, quero isso, seja ele qual for, então eu tenho mesmo o direito de esperar que, Deus abençoe a minha escolha.
Em uma inspeção mais próxima, no entanto, tal posição, vazia de sentido, de qualquer noção de justiça divina, e, portanto, também da justificação pela fé. Para Lutero, de facto, a fé, foi o meio pelo qual, o homem, poderia redimir-se do pecado, ou tornar-se, justo, diante de Deus, após a injustiça cometida "na origem"; mas, se não existe um quadro normativo, contra o qual, podemos ser mais, ou menos justos, diante de Deus, então até mesmo a fé, não pode, mais, ser invocada para compensar a nossa injustiça, porque seria desprovida de qualquer "função". Acaba, sendo reduzida, a inclinação sentimental, uma dimensão do espírito, que não é incorporada, em qualquer prática, ou realmente, não tem efeito directo, soteriológico. Uma "fé" entre aspas. Claro, os valdese, não vão para tanto. Na verdade, tentar justificar as suas acções, teologicamente, nas seguintes duas linhas principais: por um lado, tentando desesperadamente, encontrar apertos escriturasticos, que permitem (ou negar, pelo menos não abertamente) a possibilidade de abençoar cristãmente as uniões homossexuais, por outro lado,  reduzindo  a moral cristã ao único mandamento do amor, entendido de maneira geral. Assim, a pastora valdeza, Gabriella Hall, trata de argumentar que, todas as lesões (mais de vinte), que Paulo lança, para aqueles homens que, "deixando a relação natural com uma mulher, se inflamaram, em sua sensualidade libidinosa, uns para com os outros", na verdade, seria direcionada, para aquile, que cultivam os relacionamentos, que, vão "contra a natural orientação sexual"; então, paradoxalmente, o Apóstolo dos gentios, decidiria, a favor dos relacionamentos homossexuais modernos, la onde eles são, segunda a natureza. Por outro lado, em nome do Conselho das Igrejas de Trapani e Marsala, Pastor Alexander Edwards, afirma categoricamente que, "Deus quer o amor, não o julga". O problema, neste caso, o amor é o que Deus quer, ou melhor, se o que chamamos de "amor" coincida, au menos, com a Agape cristã, que é justamente considerada superior, a qualquer lei. Mas este problema é contornado, mesmo endossando a idéia de que, qualquer relacionamento, seja "amor", pode ser abençoado por Deus: sendo assim, não percebe-se, por que, não deve-se celebrar, cristãmente, relações adúlteras ou incestuosas.
É claro que acabamos por fazer do amor (como da fé) nada mas, um impulso interior, uma afectividade desencarnada, que pode acompanhar qualquer acção, e não um acto, que é o resultado concreto, de uma escolha consciente que, envolve compromisso, responsabilidade pessoal e habilidades interpessoais. Um "amor" entre aspas. Mas o ponto crucial é outro. Tanto a posição hermenêutica (aquela que se compromete a interpretar "correctamente" a Escritura), seja aquela reducionista (que reduz o conteúdo normativo do cristianismo, a regra de ouro do amor), neste caso, acabam por minar a própria substância do Sola Scriptura, isto é, não só visam conter, apenas para diluir a substãncia, e evitar o absolutismo (com razão) o perigo do literalismo extremista, mas, assim, matam o núcleo mais profundo, derrubando a natureza. Visto que, forçar a Escritura, para dizermos aquilo que queremos, é equivalente, a não faze-la falar mais, equivale a substituí-la: é apenas o que, os valdezes, criticam, reprovando a postura da Igreja Católica.
Da mesma forma, exclui-se a maioria dos textos bíblicos, a partir da plenitude da verdade revelada - em nome do espírito crítico, a vontade de considerar o contexto de "histórico" ou de uma hierarquia presumida, entre o conteúdo doutrinário da Palavra de Deus - leva necessariamente a dizer, como argomenta Paulo Ricca, que "a Bíblia é a Palavra de Deus, contém a Palavra de Deus": o que poderia ser, teologicamente, correcto também, desde que, com esta fórmula, serve apenas, para dizer que, Cristo é o Verbo de Deus feito carne (e não do texto), e que, consequentemente, toda a Escritura, contém o testemunho da Palavra de Deus, sem ser-lo directamente. Mas a afirmação è, teologicamente, incorrecta, se, como no nosso caso, endossar práticas, de selecção de pessoas, de algumas partes das Escrituras, que contêm a Palavra de Deus, mais do que outras.

Os nossos defeitos são muito bons em encontrar oportunidades de crescimento: as palavras das Escritura têm sido usadas ao longo dos séculos, a fim de promover ou justificá-las. São Paulo, em Romanos, tenta remover alguma ilusão prejudicial. Ele disse que, a salvação nos é dado pela graça e não pelas nossas obras, mas agora exorta aos cristãos, como na escravidão da carne, foram produzidas maldades e impurezas, agora, libertados do pecado e servos de Deus, devemos dar frutos de santidade para a vida eterna. É a novidade absoluta, das obras da fé, que encontram a sua fonte em Jesus Cristo. Por isso, é evitado, por Paulo, o perigo de que a verdade da salvação pela graça é distorcida para justificar a má conduta.
Infelizmente, esta verdade não foi sempre recebida correctamente, como disse Lutero, pela graça de Cristo, como coberta por um cobertor, ainda em estado de pecado, porque o mérito de Cristo, cobre os nossos pecados diante do Pai. Não é verdade. Os cristãos não podem estar em estado de pecado e ter a graça: há uma escolha a fazer.

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