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Monday, November 14, 2011

Crime e Hipocrisia


O ocidente habituou-nos a ver os seus crimes como um mal menor, devido ao que considera ser a sua superioridade cultural e civilizacional. Efectivamente as instituições dominantes no mundo de hoje tais como Nacões Unidas, Tribunal Penal Internacional, Banco Mundial foram todas criações do ocidente.
 

Mas não só; no mercado de consumo embora haja hoje em dia maior opção de escolha, dado a concorrência de paises produtores como a China e Japão, India, Brasil e outros, os produtos de patente ocidental salvo algumas excepções, continua a manter maior impacto, junto ao consumidor. Ora este capital transmutado a politica internacional, confere ao ocidente um grau de persuasão que por enquanto os outros povos não adquiriram,… Digo por enquanto, porque dado a crise económica e finançeira que afecta o ocidente, a tendênçia é uma mudança de atitude, e a percepção doravante vigente é que o centro de gravidade tem-se deslocado gradualmente para outro lado especialmente o oriente.

Com um naipe de lideres mediocres desfilando nas capitais europeias e América do Norte, o assassinato do lider libio era uma questão de tempo. Na verdade todos eles haviam concluido que o assassinato era a via mais eficaz de aligeirar o fim do diferendo; várias vezes o assassinato foi ensaiado até que este foi consumado, para o gáudio dos politicos e da tribo dos media. Agora basta juntar a certidão de óbito como trunfo ao TPI, e dessa forma evitandando-se um julgamento que por falta de provas poderia resultar em fiasco. O TPI tem sido protagonista e pivot das intervenções militares ocidentais. Fica assim depois do Iraque consumada a ocupação atraves da criação demais um protectorado, e desta vez britanico e francês. Neste jogo de bastidores de justiça chegou-se ao ponto de haver ditadores amigos e outros a abater ….

Os lobies maçonico/sionistas que controlam a politica ocidental não têm uma ideologia definida. Para eles a dicotomia esquerda direita torna-se irrelevante. Apenas pretendem o poder global.
Se na Libia ali tão perto o objectivo era democracia, o envolvimento da NATO transcendeu o razoável. Se as mudanças de regime são a via para estabelecimento de sociedades que protejam a diversidade e a inclusão social, o futuro o dirá, mas até ao momento esssa premissa apenas tem permitido a permanência de tropas ocidentais, em territorios árabes.
Nao se sabe ao certo desde quando a Nato decidiu abraçar a questão do derrube de Muhamar Khadafi como um compromisso de honra, mas as alianças de governos conservadores de direita tornou fácil construir os consensos para a investida militar.
Tirando proveito das evasivas da resolução 1973 (usar todos os meios à diposição) para proteger civis, pelos dados recolhidos de fontes seguras , durante 7 meses foram mortos 60 mil civis, depejadas mais de 40.000 bombas cada uma no valor de cerca de 375M euros, a um pais a que nem sequer foi declarado guerra! Para que?
Assassinaram o chefe de estado, e mudaram o regime secular para instalar um regime fundamentalista regido pela (Sharia). Violaram a convenção de Genebra, Cartada ONU, Declaração dos direitos do Homem, e básicos principios de decência… Digam-me onde está a obra do homem civilizado? Permitiram a limpeza étnica dos negros e dos touaregs.
A Nato colocou o diferendo num patamar de irreconciliação irreparável de guerra.
Usou mísseis e drones norte-americanos a caças franceses; usou tropas especiais para capturar um presidente que havia derrubado. Depois permitiu a sua humilhação pública, até ser sodomizado e executado a sangue-frio em total violação da Convenção de Genebra.

Houve muitas execuções de rua; tudo isto a ser videografado, filmado por jornalistas estrangeiros… e omitido. A imprensa ocidental foi de um cinismo e hipocrisia sem precedentes… hoje está do lado do CNT , asim como ontem do lado do regime deposto. Na “Líbia libertada” é a justiça pelas próprias mãos que vai fazendo caminho. Às suspeitas de execuções sumárias em Sirte, somam-se represálias contra as cidades que estiveram quase até ao fim ao lado de Khadafi. A Human Rights Watch denunciou que milícias de Misurata estão a “aterrorizar” habitantes que fugiram da localidade vizinha de Tawarga. A Reuters noticiou que da cidade partiram também brigadas que são suspeitas de terem detido e torturado jovens em Jemel, pequeno entreposto no deserto. E em Bani Walid, a poderosa tribo Warfala está já a organizar milícias para se defender dos rebeldes vindos de Zauia (Oeste).
Khadafi teve os seus erros sendo o maior deles e talvez o mais significativo, não ter lido atempadamente todos os contornos de uma traição. Os seus amigos ocidentais mal identificaram o diferendo que lhe opunham os seus adversários politicos, viram logo uma mina de diamantes, como bengala para lidar com o défice público que assola os governos da zona euro;uma oportunidade para se desvencilharem de um aliado incómodo, rico mas fragilizado. É verdade que em politica não existem amizades e os gestos de apertos de mãos e troco de abraços diplomáticos muitas vezes omitem o sentimento desleal da diplomacia secreta.
Khafadi era um nacionalista africano, tendo contribuido na edificação de uma Libia moderna e mundialmente admirada devido ao nivel de progresso existente no pais.
Um dos seus maiores feitos foi o seu papel na integração e participação da mulher na sociedade libia. Ele também contribui enormemente na luta contra o apartheid, conforme Nelson Mandela e Jacob Zuma reconheceram. Como lider politicamente pouco maleável,teve um fim, obra de uma conspiração com ramificações entre Africa e uma Europa economicamente em crise. Com ele a venda de petróleo e gaz natural não havia empresas ocidentais intermediárias ,…ora isso para o ocidente constituia um impecilho.


Há muitos dirigentes africanos vistos como demasiado ricos para realidade social, e económica dos seus paises. Num momento em que a boa governação , direitos humanos, justiça social e económica, imperam como elemento superlativo de uma governação, uma embirracão ideologica ou ponto de vista divergente pode ser fatal. Abundam em Africa , América Latina e Médio oriente agentes de inteligência nacionais e estrangeiros ao servico de interesses politicos economicos do ocidente…

Mas a culpa é de todos os estados africanos, porque incapazes de funcionar quando necessário, como grupo homogéneo no plano internacional.

A Nato depois do derrube do regime e assassinato do ex-presidente Anders Fogh Rasmussen, Secretario Geral da Nato diz que foi uma missão bem sucedida. Essa e uma perspectiva da Nato e daqueles que apoiaram a missão. Não tardará muito a que tenhamos nas salas de cinema do bairro, aquelas fitas sobre as bravatas na Libia, qual John Wayne a dar sova nos nativos americanos ,com alguns de nós a aplaudir.

Para terminar saúdo o ingresso dos palestinianos na comunidade de nações através da UNESCO e manifesto o meu desgosto pelo voto contra do Canada. Longe vão os tempos de Pierre Trudeau quando o Canada alcançou por direito o seu espaço de intervenção no plano internacional.

Inacio Natividade (noticiaslusofonas)



Perfil dos Dirigentes Políticos


Por definição, a Política visa a promoção do bem comum. Nesse sentido, os políticos desempenham um papel determinante na sociedade na medida em que se colocam efetivamente ao serviço do bem-estar dos indivíduos e dos grupos enquanto coletivo social. Quando tal acontece os políticos gozam de autoridade pública. Quando não se verifica esta autoridade, pode-se depreender que não estão a exercer devidamente a sua função social e que, consequentemente, não possuem os traços atitudinais e as competências essenciais para essa função.
Tendo em consideração o contexto sociopolítico atual, apresento de seguida três competências transversais essenciais de quem assume a função de liderança ao nível político. Dessas competências emerge um conjunto de características personológicas e de atitudes comportamentais que constituem indicadores seguros para a formação dos políticos e para a avaliação do grau de excelência do seu desempenho profissional.


Cooperação: a capacidade de trabalhar em equipa


Antes de mais, exige-se de um político capacidade de agir em conjunto com vista à realização de um propósito comum. A cooperação refere-se ao modo pelo qual os indivíduos conjugam as suas forças e os seus saberes para atingirem objetivos comuns, envolvendo-se cognitiva, afetiva e comportamentalmente com o grupo em questão.
Num tempo em que se fala tanto em colaboração, precisa-se de políticos que deem exemplo de trabalho em equipa. A ação de colaborar evidencia uma intenção de “acrescentar valor”, criando algo novo ou diferente através de um processo colaborativo deliberado e estruturado, o qual se distingue de uma simples troca de informações ou da mera execução de tarefas.
Quando o partidarismo, o individualismo e a competição desmesurada se sobrepõem à capacidade de trabalhar em equipa, impõe-se apontar aos dirigentes políticos a premência de desenvolverem a capacidade da cooperação. Só assim quem é pago para estar ao serviço do bem comum se focalizará nas tarefas mais urgentes para a resolução consistente das problemáticas emergentes. O atual clima de insatisfação individual e coletiva, os índices de desemprego e de pobreza, a crise financeira e económica exigem destes dirigentes a capacidade de construírem interações inteligentes, tanto ao nível intrapartidário como interpartidário.


Liderança: a capacidade de influenciar e orientar


Mesmo os mais distraídos em relação à evolução social, apercebem-se da revolução recente no tipo de liderança que vigora nas mais diversas organizações, desde as empresas às escolas, desde a família à política. Os líderes de sucesso de ontem podem não ser os líderes adequados para hoje. Um líder competente no mundo contemporâneo dá atenção às pessoas e aos resultados, aponta o caminho e percorre o itinerário com o grupo, alia a capacidade de visão à capacidade de ação, comunica tanto com uma linguagem técnica como através de uma linguagem mais poética, ao estilo de um contador de histórias.
Perante estas transformações na “arte” de liderar, impõe-se a pergunta: será que os nossos dirigentes políticos são efetivamente bons líderes? Uma coisa é certa: o sucesso de um grupo, de uma sociedade, de uma empresa, de uma escola depende muito dos seus líderes. A situação atual aponta para graves problemas na formação dos nossos líderes em geral.
Precisa-se de dirigentes capazes de garantir que a sociedade está focalizada na definição, execução e a avaliação dos objetivos prioritários do mundo hodierno. Para isso, urge ter dirigentes que apontem para as melhores estratégias, para os métodos e recursos mais eficientes. Os bons líderes fazem-no de um modo exímio.


Empreendedorismo: a capacidade de ter iniciativa


Qualquer político na atualidade precisa de assumir alguns dos traços dos empreendedores. Estes são excelentes na arte de pensar criativamente, de resolver efetivamente problemas, de analisar objetivamente uma ideia sob a forma de projeto, de comunicar eficazmente as suas ideias, de trabalhar em grupo, de liderar pessoas e equipas, de avaliar a viabilidade dos seus projetos.
Se se pretende que a utopia da organização das sociedades em democracias positivas e construtivas seja uma realidade, precisamos de políticos com as características supracitadas. Onde a maioria não vê qualquer hipótese de trabalho, de solução, de saída, aqueles deixam-se questionar, perguntam, analisam e resolvem efetivamente.
Faltam sinais que apontem para o facto do empreendedorismo, da liderança e da cooperação fazerem parte do modo de ser dos nossos políticos. Daí também a sua falta de autoridade para dirigirem construtivamente a sociedade na sua globalidade.
Como afirma Albert Einstein: “No meio da dificuldade vive a oportunidade.” Esperamos que os desafios atuais sejam autênticos laboratórios de um novo perfil de dirigente político e que as gerações vindouras de políticos beneficiem da aprendizagem adquirida neste período da nossa história.

Jacinto Jardim
Professor Instituto Piaget
agencia.ecclesia.pt

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