Total Pageviews

There was an error in this gadget

Thursday, December 01, 2011

50 anos da convocação do II Concílio Vaticano


João XXIII surpreendia a Igreja Católica, interna e externamente, convocando um Concílio. Foi o início de uma renovação, ainda em curso.

No próximo dia 25 de Janeiro, festa da conversão de São Paulo, completam-se 50 anos sobre o anúncio que na Basílica de S. Paulo Extramuros, o Beato João XXIII fez aos Cardeais, que era seu propósito convocar um concílio ecuménico. De facto, durante o Pontificado de Pio XII (1939-1958), chegavam de muitos sectores da Igreja fortes apelos de mudanças profundas na vida da própria Igreja; uma inversão no caminho da centralização romana, muito acentuada após o Concílio Ecuménico Vaticano I. Entretanto, e porque as teses conciliaristas estavam definitivamente superadas pela proclamação da infalibilidade pontifícia, propunha-se, sem receios, maior autonomia dos bispos, mais pluralismo no interior da Igreja, maior responsabilidade laical, uma teologia e uma liturgia mais participada e mais em contacto com as fontes litúrgicas e patrísticas. Em relação à sociedade, pedia-se o reconhecimento da autonomia das actividades humanas e a legítima liberdade de consciência, de culto e de propaganda para todas as confissões. Devia em suma, ultrapassar-se de vez as dificuldades de relação Igreja-Mundo que o Sillabus deixou manifestar.
O ambiente vivido pela II Guerra Mundial, as fortes transformações da sociedade, a grande transformação económica, pela passagem de uma economia predominantemente agrícola para uma economia fortemente industrializada, fizeram com que o Pontificado de Pio XII preferisse deixar amadurecer mais estes movimentos de renovação. Pio XII manteve-se fiel ao princípio de que na Igreja todas as decisões devem partir do vértice e não das bases. A eclesiologia de Pio XII via a Igreja como o Corpo Místico de Cristo, apesar de acentuar a dimensão vertical do seu ministério e isolar o Papa do resto da Igreja, o pastor do rebanho. Ao ser autor de muitas reformas, Pio XII nunca descentralizou o seu ministério.
João XXIII (1958-1963) emerge imprevisivelmente neste contexto. A sua decisão de convocar o Concílio Ecuménico Vaticano II fez dele uma personalidade profética. No seu conceito, a assembleia conciliar deveria desenvolver-se durante alguns meses. Jamais pensou que a assembleia conciliar faria a enorme obra renovadora que conhecemos. Podemos concluir que os tempos estavam maduros. As bases do Povo Cristão e os teólogos desde há muito desejavam a renovação da Igreja para que os católicos pudessem acompanhar, sem complexos, as grandes mutações de que o século XX foi abundante.
A 17 de Maio de 1959, João XXIII constituiu uma comissão antepreparatória do Concílio, presidida pelo Cardeal Tardini, que a 18 de Junho de 1959 escrevia uma carta a todos os Cardeais, Arcebispos, Bispos, Congregações romanas, Gerais de Ordens Religiosas, para pedir sugestões e temas para o Concílio, às quais responderam 77% dos interrogados, com 1.998 respostas, que foram catalogadas, impressas e sintetizadas em preposições formuladas em poucas palavras.
A 29 de Junho de 1959, João XXIII dá indicações sobre os fins do Concílio, através da encíclica Petri Cathedram. Ficou assim convocado o período preparatório do Concílio que decorreu de 1960 a 1962. O Concílio foi aberto solenemente a 11 de Outubro de 1962, com um discurso do papa.
A 3 de Junho de 1963 morria João XXIII, tendo-se encerrado a primeira etapa do Concilio a 8 de Dezembro de 1962, mas ainda sem a proclamação de nenhum documento.
Foi o seu sucessor, Paulo VI (1963-1978) quem concretizou e conduziu o Concílio convocado pelo corajoso Papa João XXIII. Paulo VI ficou com o enorme mérito de o ter concluído, conduzindo as grandes reformas, sobretudo a reforma litúrgica. A sua lúcida inteligência, a sua abertura e a sua moderação fizeram dele o Papa do Concílio Vaticano II. Paulo VI terminou o seu Pontificado num clima de incertezas face às aplicações do Concílio. Por um lado, as contestações do "Maio de 1968" exigiam ainda maiores aberturas por parte da Igreja, por outro lado, o movimento encabeçado pelo arcebispo Mons. Marcel Lefebvre (1905-1991) pedia que se regressasse aos moldes da Igreja anterior ao Concílio Vaticano II. O elevado número de presbíteros e até de alguns bispos que pediram dispensa dos ministérios ordenados para quase sempre contraírem Matrimónio fizeram com que a contestação ao celibato crescesse e este fosse apresentado pela opinião pública como ultrapassado, desadequado e vazio de sentido no mundo contemporâneo. No final da sua vida, Paulo VI viu a exaltação da chamada Teologia da Libertação que, sobretudo na América Latina, fazia a leitura das realidades temporais e actualizava a leitura do Evangelho, servindo-se da hermenêutica marxista, ainda fortemente acreditada como ideal de uma das potências intervenientes na então dita "Guerra Fria", disputada entre a União Soviética e os Estados Unidos da América.
Foi ainda neste contexto, que surgiu o breve Pontificado de João Paulo I, o qual deveria consumar o trabalho dos seus dois grandes antecessores, João XXIII e Paulo VI. O Pontificado de Albino Luciani (1978), para além de uma nova postura do Sumo Pontífice junto dos fiéis, marcada pela simplicidade, naturalidade e proximidade das suas catequeses, trouxe a intuição da junção dos nomes de João XXIII e de Paulo VI, no nome duplo de João Paulo, indicando a necessidade de que o novo Papa consumasse a missão dos dois Papas do Concílio Vaticano II. Esta missão coube de facto a João Paulo II, seu sucessor.
Karol Wojtyla recebeu o Concílio já quase totalmente aplicado na sua reforma litúrgica através do Missal aprovado por Paulo VI. Coube-lhe ainda aprovar o novo Código de Direito Canónico (1983), revisto segundo os critérios conciliares, conduzir a elaboração, aprovação e publicação do novo Catecismo da Igreja Católica (1992) e aprofundar, com a ajuda do seu rico magistério, várias matérias importantes da vida interna da Igreja, da sua pastoral e da sua vivência moral face aos desafios do mundo moderno e globalizado.
Concluímos, com a certeza que o Concílio Vaticano II surge como o grande Dom do Espírito Santo à Igreja do século XX e permanece como desafio para o nosso século XXI, para que as suas propostas de renovação se tornem espigas maduras na seara de Cristo, a sua Igreja que somos nós. 

Pe. Senra Coelho, Professor de História da Igreja no ISTE



Vaticano II: Destruição, sofrimento e reforma marcaram Concílio, diz português que esteve nos bastidores

Manuel Oliveira assinala que assembleia foi «uma experiência humana e de fé»

Lisboa, 03 dez 2011 (Ecclesia) – O sofrimento causado pelo abalar de convicções defendidas durante anos e a renovação da Igreja Católica marcaram o Concílio Vaticano II (1962-1965), assinala o português Manuel Oliveira, que participou nos bastidores da assembleia.
O primeiro convidado do ciclo de conferências sobre o Concílio promovidas pelo Colégio Pontifício Português, em Roma, referiu em entrevista a este organismo que assistiu à “destruição do trabalho de preparação que tinha sido feito” até ao encontro.
“O Concílio começou a ser dirigido noutra direção, muito mais ampla, universal e católica, e não, simplesmente, segundo a tradição histórica da Igreja, no sentido de usos, costumes e maneiras de ser tinham deixado de ser atuais”, explicou-se.
O responsável assistiu ao “sofrimento das pessoas que tiveram de aceitar essa mudança e, por outro lado, daquelas que propunham as alterações mas sabiam que estavam a causar sofrimento a outros”.
O cardeal italiano Alfredo Ottaviani, então responsável pelo Santo Ofício, que em 1965 passou a chamar-se Congregação para a Doutrina da Fé, sentiu-se “completamente destruído na sua visão geral do que deviam ser as resoluções do Concílio”, referiu.
De acordo com o relato do responsável português, a assembleia decidiu-se também por uma “grande mudança” na “colegialidade”, conceito que antes do Concílio causava “oposição” e que constituiu uma “novidade radical” ao realçar que o Papa deve governar a Igreja “junto com os bispos, em comunhão”.
Manuel Oliveira diz que guarda memória “de praticamente tudo”, desde a “preparação” até à “emoção” que sentiu “ao entrar na sala conciliar”: “Foi “uma experiência humana e de fé” testemunhar “a parte humana da Igreja, por um lado, e, por outro, ver o Espírito Santo a trabalhar”.
A próxima sessão do ciclo que marca os 50 anos da convocação do Concílio Vaticano II está prevista para 8 de março, com a presença do presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o cardeal italiano D. Gianfranco Ravasi.
A conferência conclusiva, “Algumas reflexões com o ‘sentir do depois’ sobre a reforma litúrgica conciliar”, vai ser proferida por monsenhor Crispino Valenziano, a 3 de maio.
“Apesar da distância”, as atividades do Colégio Pontifício Português “são sempre realizadas de olhos postos na Igreja de Portugal e os textos das conferências serão transcritos e traduzidos de forma a que sejam editados como subsídios às comemorações que se realizarão também nas dioceses portuguesas”, indica a instituição.
RJM



O tempo

Há, na juventude eclesial do nosso país, verdadeiros profetas da comunicação a que importa dar asas nos novos tempos

D.R.
Tinha praticamente acabado de ser ordenado Padre quando surgiu o Decreto do Concílio sobre os Meios de Comunicação Social. O próprio título era novo e pensávamos que longo e pouco fácil de divulgar e assimilar. E foi afinal o grande batismo do cinema, da imprensa, da rádio e da televisão no século XX. A expressão latina Media surge quase cinquenta anos depois quando se dá o fantástico cruzamento com as plataformas digitais que prolongam quase até ao infinito as autoestradas da comunicação do nosso tempo. Na narrativa diária do Concílio, foi meu companheiro e mais tarde colega, um jornalista e escritor espanhol, que me ensinou a ver, julgar, agir e contar factos e dizeres muito complexos, numa linguagem simples e próxima. Agradeci-lhe, por escrito, em pleno Concílio. Mais tarde cruzaram-se as nossas vidas como repórteres da mesma aventura missionária: voltados para o mundo sem ficarmos de costas para a Igreja e narrar, para além da frieza da doutrina, o acontecimento da Igreja e do mundo, ambos de Deus, recetores do Espírito, impulsionadores da história, narradores do divino no humano e do humano no divino. José Luis Martín Descalzo era o seu nome. Para mim o mais subtil e apaixonado narrador da Igreja e do mundo, o melhor cronista do Concílio que conservo religiosamente em quatro volumes, dia por dia, hora por hora. Ele já partiu mas continua testemunha do maior acontecimento da Igreja no século XX. Soube narrá-lo em análise e síntese, com os olhos e alma de quem tem uma liberdade limitada apenas pelo amor.
Lembro, já no fim dos anos sessenta, ter sido convidado para integrar o que seria o esboço duma equipa, mais tarde comissão, para as comunicações sociais. E nomes como Magalhães Mota, Avelino Pinto, Mota Amaral, Miguel Trigueiros e outros. Daí para cá não descolei desse projeto e exerci, chamado, muito convictamente a minha vocação sacerdotal com todas as maravilhas e turbulências em que a comunicação é fértil. E passado esse tempo, cá estou. Senti que era bom nalgumas áreas passar testemunho operativo aos mais novos, mesmo consciente que a criatividade nunca parte de adultos ou jovens mas da nossa atenção aos sinais dos tempos. E há, na juventude eclesial do nosso país, verdadeiros profetas da comunicação a que importa dar asas nos novos tempos. Aí estão nas frentes de vários projetos ECCLESIA com capacidade para oferecer ao Reino de Deus e ao mundo mediático o melhor do seu engenho e arte. E na barca vão timoneiros ágeis e seguros.
Nesta causa há um tempo para chegar e um tempo para partir.
António Rego



Vaticano II: Convocação oficial recebida como momento histórico

Concílio foi visto como oportunidade de mudança para a Igreja, num mundo em «transformação»

D.R.
Lisboa, 06 dez 2011 (Ecclesia) – A convocação oficial do Concílio Vaticano II, feita por João XXIII a 25 de dezembro de 1961, foi vista como “Uma data para a história” pelo Boletim de Informação Pastoral (BIP), do Patriarcado de Lisboa.
No primeiro número publicado após o anúncio do Papa, o BIP, dirigido pelo então cónego Manuel Falcão, hoje bispo emérito de Beja, assinalava, em editorial, que o ano de 1962 iria ficar “na história da Igreja”, marcando “o termo de uma época e o início de outra”.
“Não cremos haver exagero ao atribuir extraordinária importância histórica a este acontecimento, desde que o vejamos como expoente máximo e símbolo do esforço em que a Igreja há muito está empenhada por marcar presença, sempre operante, num mundo em transformação”, podia ler-se.
A Igreja enfrentava a “tarefa ingente de presidir ao aparecimento de um mundo novo, pronto a batizá-lo medida que for surgindo”.
“Nós, cristãos de 1962, temos a responsabilidade e a honra de viver uma das grandes horas da vida da Humanidade e da vida da Igreja”, indicava a publicação, hoje citada na mais recente edição do semanário Agência ECCLESIA, numa nova secção sobre os 50 anos de convocação do Concílio Vaticano II (1962-1965). O semanário refere, ainda, a primeira das três conferências promovidas em Roma pelo Pontifício Colégio Português, celebrando esta data.
A intervenção inaugural coube a Manuel Oliveira, portuense radicado em Roma desde 1960, apresentado como um dos “contemporâneos” do Concílio, como estudante que prestava auxílio aos participantes.
Manuel Oliveira diz que guarda memória “de praticamente tudo”, desde a “preparação” até à “emoção” que sentiu “ao entrar na sala conciliar”: “Foi uma experiência humana e de fé” testemunhar “a parte humana da Igreja, por um lado, e, por outro, ver o Espírito Santo a trabalhar”.
Os textos das conferências serão transcritos e traduzidos para que sejam editados como subsídios às comemorações que se realizarão também nas dioceses portuguesas, revela o padre Nuno Folgado, do Pontifício Colégio Português, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
OC



Vaticano II: Concílio reunia Igreja diante de uma «era nova»

Bispos de Aveiro e Macau contrapunham avanços tecnológicos à falta de progresso moral a meio do século XX

Lisboa, 13 dez 2011 (Ecclesia) - A convocação do II Concílio Ecuménico do Vaticano pelo Papa João XXIII, em finais de 1961, levou vários bispos portugueses a escreverem aos católicos das suas dioceses sobre os desafios da Igreja e da sociedade, numa “era nova”.
Uma semana antes da sua morte, a 21 de janeiro de 1962, o bispo de Aveiro, D. Domingos da Apresentação Fernandes, publicou uma nota, falando em "tempos conturbados e cheios de apreensão que desorientam a humanidade contemporânea", contrastando com a realidade eclesial.
"A Santa Igreja prepara-se com serenidade e confiança para um dos maiores acontecimentos da sua existência duas vezes milenária", podia ler-se no documento, hoje citado pelo semanário Agência ECCLESIA, na secção sobre os 50 anos de convocação do Concílio Vaticano II (1962-1965).
Para o prelado, "situando-se no momento histórico verdadeiramente dramático para todo o mundo", o anúncio de João XXIII manifestava "confiança na ação da Igreja em face dos problemas angustiosos que se deparam por toda a parte".
"Enquanto a humanidade se encontra na viragem de uma era nova, tarefas de gravidade e amplitude imensas esperam a Igreja, como nas épocas mais trágicas da sua história", escrevia D. Domingos da Apresentação Fernandes.
O falecido bispo de Aveiro deixava um alerta contra a "existência de um ateísmo militante que atua em escala mundial", que contrapunha à "Igreja plena de vitalidade, renovada interiormente e socialmente fortalecida para todas as provações".
A exortação apelava à oração de todos, pedindo aos padres que se explicasse aos fiéis do que é o Concílio e apelando a reuniões de estudo sobre os problemas da unidade da Igreja, a serem feitas pelos organismos da Ação Católica.
Em Macau, D. Paulo José Tavares comentava o "grave estado de indigência espiritual do mundo", insistindo na ideia de que as suas "descobertas maravilhosas não são acompanhadas de igual progresso moral e religioso".
O prelado, natural dos Açores, apelava à preparação para o Concílio: "Os seus frutos na nossa Diocese hão de depender da maneira como nos dispusermos desde já o aceitar, com fé e docilidade, as suas decisões e normas".
"Demos a Macau um novo vulto, neste ano jubilar do Concilio Vaticano II. Intensifiquemos a atividade missionária nas paróquias e nas escolas, trabalhando mais em profundidade no ministério da palavra e no ensino da doutrina cristã", pedia.
Entre outras iniciativas, o falecido bispo de Macau determinou que em todas as escolas, nas aulas de Religião, fossem dadas "algumas lições sobre os Concílios Ecuménicos e o que eles representam para a vida da Igreja".
OC

Vaticano II: Concílio foi convocado há 50 anos

João XXIII lançava Igreja no desafio de «contribuir mais eficazmente na solução dos problemas da idade moderna»

D.R.
Lisboa, 24 dez 2011 (Ecclesia) – O dia de Natal de 1961 foi a data escolhida pelo Papa João XXIII para anunciar ao mundo que tinha chegado a “hora de convocar o Concílio Ecuménico Vaticano II”.
O beato italiano assinava, há 50 anos, a constituição apostólica ‘Humanae Salutis’, quase três anos depois de ter anunciado a intenção de convocar um concílio [25 de janeiro de 1959], o 21.º da história da Igreja.
“Nós, desde quando subimos ao supremo pontificado, não obstante nossa indignidade e por um desígnio da Providência, sentimos logo o urgente dever de conclamar os nossos filhos para dar à Igreja a possibilidade de contribuir mais eficazmente na solução dos problemas da idade moderna”, escrevia.
Para o Papa Roncalli, que viria a falecer antes da conclusão deste evento eclesial, “a jubilosa repercussão que teve seu anúncio, seguida da participação orante de toda a Igreja e do fervor nos trabalhos de preparação, verdadeiramente encorajador, como também o vivo interesse ou, pelo menos, a atenção respeitosa por parte de não-católicos e até de não-cristãos demonstraram, da maneira mais eloquente, como não escapou a ninguém a importância histórica do acontecimento”.
João XXIII desejava uma “demonstração da Igreja, sempre viva e sempre jovem, que sente o ritmo do tempo”.
“Ao mundo perplexo, confuso, ansioso sob a contínua ameaça de novos e assustadores conflitos, o próximo concílio é chamado a oferecer uma possibilidade de suscitar, em todos os homens de boa vontade, pensamentos e propósitos de paz”, podia ler-se.
Angelo Guiseppe Roncalli, João XXIII, tinha sido eleito a 28 de outubro e investido a 4 de novembro de 1958, pelo que esta decisão causou “surpresa”, como refere o historiador e padre Senra Coelho, do Instituto Superior de Teologia de Évora, num texto publicado no semanário Agência ECCLESIA.
O investigador lembra que “o Concílio Vaticano I fora adiado sine die, devido às dificuldades políticas surgidas com os movimentos promotores da unificação de Itália”, em 1870.
Segundo o padre Senra Coelho, “com a realização do Concílio Vaticano II mudou o olhar da Igreja para o mundo e muitos dos que estiveram sob suspeita, foram depois referência e assumiram atuações de primeira ordem”.
Paulo Rocha, diretor da Agência ECCLESIA, sublinha os contributos enviados para Roma nos três anos anteriores à realização das sessões conciliares, quando foram pedidos temas para debate e sugestões para o desenrolar dos trabalhos: “A Roma chegaram quase 2 mil respostas, onde estavam mais de 9 mil propostas”.
“Depois, os anos de reunião, no Vaticano: 2500 participantes no Concílio, observadores, peritos, consultores teológicos, tradutores e muitas outras pessoas para concretizar uma ideia do Papa João XXIII, expressão de procuras e interrogações de mulheres e homens dos meados do séc. XX na tentativa de adequar verdades eternas a novos contextos”, acrescenta.
O arcebispo emérito de Braga, D. Eurico Nogueira Dias, recorda ainda hoje o “entusiasmo” com que recebeu a convocação e elogia o momento em que “a Igreja resolve encarar os problemas no seu conjunto”, permitindo que o Concílio se tornasse “um lugar de discussão clara, pública e sem reservas”.
A Agência ECCLESIA publica, durante os próximos meses, um conjunto de conteúdos que assinala os 50 anos deconvocação do Concílio Vaticano II
OC

No comments: