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Thursday, December 01, 2011

Da convocação à realização do II Concílio Vaticano


«Ninguém naquele momento podia avaliar o alcance de uma tal decisão» sublinha o historiador David Sampaio

No dia 9 de Outubro de 1958 falecia o papa Pio XII. Para trás deixava uma Igreja prestigiada, forte, bem organizada e economicamente consolidada. A questão judaica ainda não se colocava. O conclave que se seguiu, com apenas 51 cardeais, elegeu, no dia 28 de Outubro, o patriarca de Veneza, cardeal Ângelo Roncalli que escolheu o nome de João XXIII. A eleição papal, acompanhada pelos novos meios de comunicação social, teve impacto enorme nos meios católicos. A televisão encurtava distâncias e aproximava o espectador do que em Roma se estava a passar. A informalidade, o sorriso constante, as saídas inesperadas do papa para fora do Vaticano cativavam os romanos e entusiasmavam os que de longe acompanhavam essa nova forma de exercer o pontificado. O papado humanizava-se, a Igreja reflectia e vozes inquietas pediam outras formas de ser Igreja e estar no mundo.
É neste contexto de início de pontificado que João XXIII, em 1959, no último dia da semana de oração pela unidade dos cristãos, na festa da conversão de São Paulo, 25 de Janeiro, na basílica do mesmo nome, anuncia a celebração de um concílio ecuménico. O mundo surpreendia-se, os teólogos desconcertavam-se; as igrejas locais regozijavam-se; a cúria romana inquietava-se. Ninguém naquele momento podia avaliar o alcance de uma tal decisão. O dinamismo eclesial, por séculos direccionado pelas instâncias romanas, parecia ser agora devolvido à Igreja universal.
Importava nesse momento saber dos objectivos a alcançar e a modalidade de celebração ecuménica que se pretendia. De facto, problemas graves de contestação ou desvios doutrinais não se observavam no fim daquela década de cinquenta. Detectavam-se apenas grupos dispersos na Europa central a pedir inovação no campo litúrgico, pastoral e ecuménico; de resto, a sensibilidade conservadora era notória na cúria romana, nos países mediterrânicos e latino-americanos. O que pretendia, de facto, o papa João XXIII?
O tempo que medeia entre o anúncio do concílio (1959) e o início da celebração (1962) foi dedicado à preparação e organização do evento. Uma comissão central coordenava os trabalhos. João XXIII, por gestos e intervenções pontuais, ia dando a conhecer os objectivos do concílio. Tudo indicava que os padres a reunir em breve deveriam falar para dentro (Igreja) e para fora (mundo). A linguagem devia ser outra. Uma multiplicidade de sinais (dos tempos) pedia mudança de direcção; na feliz expressão de João XXIII, importava proceder a uma actualização, a um “aggiornamento”.
O discurso do papa na abertura do concílio (11-10-1962) condensou linhas programáticas e orientação de trabalho que deveria ocupar os padres conciliares. O texto espelhava um espírito aberto, optimista, universal, digno de um grande acontecimento que se iria iniciar. De facto, o optimismo, a bondade e a simplicidade de um homem, com as responsabilidades do supremo pontificado, eram o início de uma nova era. O discurso inicial podia ter sido desmentido pela dinâmica conciliar que se seguiu. Tal não veio a acontecer. Circunstâncias imprevistas no decurso da 1ª sessão obrigaram a demoras em debates sobre matérias pouco consensuais; o esquema “De fontibus” estava a ser pouco consensual; lentamente, o episcopado universal despega-se de algumas propostas anteriormente preparadas pelas comissões romanas e “agarra” o concílio; importava dar tempo ao tempo para esclarecer doutrina e orientação pastoral. Foi nessa conjuntura que João XXIII intuiu ser necessário evitar pressas desnecessárias pondo em causa os objectivos pretendidos. Ele próprio abandona a ideia inicial de poder clausurar o concílio na noite de Natal de 1962.
Foi gesto profético deixar liberdade aos padres conciliares para reflectir, estudar e decidir as melhores propostas doutrinais e pastorais para a Igreja e para o mundo. João XXIII acompanhou toda a primeira sessão; a morte surpreendeu-o no início do mês de Junho de 1963; outras três sessões se seguiram com Paulo VI. Ao longo da celebração, a Igreja tornou-se mais colegial, comunitária e dialogante com as outras Igrejas e com o mundo. Era uma Igreja que se rejuvenescia, reavivava a esperança, assumia compromissos e dava lugar à misericórdia. A era tridentina conhecera o seu fim. Uma nova forma de ser Igreja e estar no mundo e com o mundo passou a ser desafio permanente que tem prevalecido até aos nossos dias. 

David Sampaio Barbosa, Professor de História da Igreja da UCP




Vaticano II, via aberta para a renovação da ética teológica

A Gaudium et Spes propõe que as questões éticas, sejam tratadas "à luz do Evangelho e da experiência humana"

A relevância do segundo Concílio do Vaticano para a vida da Igreja, a todos os níveis, é indiscutível. Para a ética de carácter teológico, vivida e reflectida, é-o de maneira particular. Referimo-nos aos seus fundamentos e aos aspectos mais concretos, como os temas do matrimónio, da sexualidade e das questões sociais. Verificamos dois aspectos que se complementam: o corte consciente com a tradição, a que se chama habitualmente "moral dos manuais" e "moral casuística", e a proposta de nova metodologia e de novos parâmetros. "A antiga moral casuística praticamente desapareceu. Adquiriu-se uma expressão nova dos imperativos da fé na linha da Escritura, do dogma e da vida da Igreja" (Ph. Delhaye). Nos textos conciliares encontramos uma forma diferente de desenhar a ética teológica.
Propõe-se uma metodologia na reflexão e na elaboração de critérios de acção. Pede-se expressamente um "especial cuidado em aperfeiçoar a teologia moral"; a nenhuma outra disciplina teológica há uma referência semelhante. Requer-se uma "exposição científica", ou seja, mais apoiada em argumentos verificáveis, e menos apologética. Indicam-se como pilares uma melhor fundamentação bíblica, a relação à cristologia e à pneumatologia, que enfatize a perspectiva da plenitude da vida em Cristo, a inserção na vida dos fiéis e da comunidade eclesial, e a projecção para a transformação do mundo.
Particular relevância é dada à consciência moral, entendida como instância pessoal onde se faz o discernimento e de onde brota a orientação da vida, decorrente do reconhecimento do que se é como pessoa, da escuta de Deus, da comunhão eclesial e do diálogo com outros saberes. É esse o caminho indicado para a descoberta da verdade nos assuntos morais.
A Constituição Gaudium et Spes propõe que as questões éticas, que inquietam todas as pessoas, sejam tratadas "à luz do Evangelho e da experiência humana", isto é, da revelação, no que tem de permanente e na busca de novas compreensões, e da experiência da vida, da cultura dos povos e dos saberes científicos, sobretudo das ciências humanas.
À luz destes critérios, deixa orientações para redimensionar os conceitos de "natureza" e de "lei natural", expressões que na economia dos textos conciliares, são pouco relevadas. O "natural" não aparece desligado do cultural, não se entendendo um sem o outro.
Neste enquadramento se situa a proposta de um paradigma inovador nos âmbitos da sexualidade e do matrimónio, em que se parte da dimensão da pessoa e do casal, da sua realidade existencial, em substituição de outro, de tradição milenária, aliás, elaborado a partir de visões biológicas ultrapassadas, dualis-mos, pessimismos e muito devedor de concepções de carácter jurídico.
Fala-se não de "contrato matrimonial", mas de "aliança de amor e de fidelidade", e nesse contexto se situa a sexualidade conjugal, superando a perspectiva centrada nos actos, conjugais no caso, que não deviam ser tornados intencionalmente inaptos para a geração de prole. Propõe-se uma harmonização mais equilibrada entre a dimensão unitiva e procriativa da sexualidade, e não de cada relação em si, deixando para traz a clássica hierarquização de fim primário, a procriação e educação, e de fim secundário, a ajuda mútua e o remédio da concupiscência. Abrem-se perspectivas novas para abordagens diferentes de temáticas como a relação entre os cônjuges, a sexualidade em geral, o planeamento familiar.
No que concerne à moral sobre temas sociais, na linha da Doutrina Social da Igreja, sublinha-se a importância do trabalho humano, como questão chave nas problemáticas socais; reafirma-se, ao lado da propriedade privada, o destino universal dos bens; aceitam-se, defendem-se e promovem-se os direitos humanos; valorizam-se e responsabilizam-se as instâncias internacionais na arbitragem entre os interesses dos Estados. Particular destaque, porque atitude nova, merece a aceitação e promoção da liberdade religiosa, e a recusa da guerra, sem distinções entre "justa" e "injusta", no dirimir dos conflitos.
Nem sempre, no período pós conciliar, as perspectivas apontadas tiveram desenvolvimentos na mesma linha. Às vezes parece que há vontade como que de "corrigir" aquilo que ficou expresso ou incoado. De qualquer forma, aí está como ponto de referência iniludível para a vida da Igreja e do mundo. 

Jerónimo Trigo, Professor de Teologia da UCP

Actualidade do Vaticano II

Neste artigo, o Pe. Georgino Rocha «mergulha» no II Concílio do Vaticano e apresenta alguns pontos pertinentes sobre o «maior evento eclesial do século XX»

Decorridos cinquenta anos, ocorre naturalmente a pergunta: é ainda actual o II Concílio do Vaticano? A esta interrogação procura dar resposta o presente artigo apresentando alguns pontos pertinentes.
A intuição de João XXIII de que haviam chegado "novos tempos" e de que a Igreja precisava de se renovar acentua-se e alarga-se ao longo deste período e não faltam sinais a confirmá-lo, apesar do caminho percorrido. Por isso, se pode colocar a questão na perspectiva da sua actualização.

1. O tempo não é apenas novo pelos factos ocorridos ou pelas situações criadas, mas pela descoberta assumida de que é portador da salvação que Deus oferece a todos na história, revelador do sentido entranhado nos acontecimentos, configurador das oportunidades da realização humana, penhor das realidades futuras, memória e profecia.
A consciência do valor do tempo e do ritmo vertiginoso da sucessão das "coisas" é tão significativa que pode designar-se não apenas por época de mudanças, mas por mudança de época. A provisoriedade impôs-se como característica fundamental do modo de vida actual, realçando a importância do "hoje" sempre novo e da atitude humana empenhada, sempre aberta e confiante.
A mobilidade demográfica, a comunicação de massas e de pequenos grupos, a rede interactiva de informatização contribuem enormemente para um modo novo de estar e pensar, de conviver e de ser, de definir prioridades e de estabelecer escalas de valores que marcam estilos de vida e definem critérios de convivência social.
A intensidade com que é vivido cada momento tende a privilegiar o subjectivo, a absolutizar o relativo em detrimento das opções duradoiras, definitivas e consistentes. Um horizonte amplo se abre à consciência e à sua função "reitora" dos comportamentos humanos, privados e públicos. Uma redobrada e nova atenção pastoral é exigida.

2. Situada no tempo e sentindo o seu impacto, a Igreja aprofunda a consciência do seu ser mistério de comunhão em ordem a configurar de forma mais adequada o seu ser sacramento de salvação. A fidelidade a Jesus Cristo impele-a a estar atenta à cultura, aos contextos, às linguagens e a procurar inserir-se para melhor servir.
Sendo una e única, realiza-se numa pluralidade de comunidades dispersas, mas em comunhão orgânica e dinâmica; sendo santa e apostólica, traz consigo a marca das limitações e deficiências humanas acumuladas ao longo da história; sendo católica está aberta ao universal e condensa num local os meios indispensáveis à salvação.
Esta auto-compreensão eclesial manifestou-se de forma significativa em iniciativas emblemáticas como os Sínodos e a criação de órgãos reconhecidos de participação: assembleias e conselhos, designadamente. Mas expressa-se igualmente em gestos e atitudes eloquentes, embora discretas, como a solidariedade espiritual, a partilha de bens, o apostolado de vizinhança, o voluntariado social e missionário.
A consciência assumida desta realidade contrasta radicalmente com a lentidão de processos de renovação global, com a raridade de projectos comunitários, com a debilidade da rede de comunicações no interior das comunidades e destas com a sociedade envolvente e distante.

3. Vivendo no tempo e no espaço, a Igreja convive com outras realidades que tendem a realizar serviços que tradicionalmente lhe competem. A sociedade comporta uma pluralidade de instituições que realizam as mais diversas funções tanto no campo religioso como social e educativo. Em formas estáveis de presença e intervenção ou esporádicas e ocasionais.
Situar-se nos novos contextos sócio-culturais, fomentar a autonomia do secular num quadro de valores evangélicos, manter a própria identidade e entrar em relação com "as múltiplas vozes do nosso tempo" constitui um repto deveras interpelante e urgente.
Por exigências de fidelidade crescente à sua vocação e missão, a Igreja está chamada a intensificar o diálogo com as culturas, as religiões e as confissões religiosas num contexto tendencialmente laicista e hostil, a traduzir em formas concretas a sua opção pela centralidade do serviço à pessoa, pelo ecumenismo das confissões cristãs, pela defesa e promoção das grandes causas da humanidade como a luta contra a pobreza imposta, a paz, a justiça, a vida, designadamente humana em tudo o que a pode dignificar. Traduzir e intervir, agindo "nas primeiras linhas".

4. Salvaguardando sempre a dignidade humana, surge a liberdade religiosa como sua expressão qualificada, como direito fundamental numa compreensão antropológica tipicamente cristã. Sendo imagem e semelhança do Criador no ser e no agir, toda a pessoa reencontra em Jesus Cristo a plenitude que comporta germinalmente e está chamada a ir procurando atingir.
Esta é outra área em que "mergulha" o texto conciliar, assumindo a relação da verdade e da liberdade como distintivo da consciência pessoal e da mensagem cristã. O caminho percorrido tem-se deparado com obstáculos que se convertem em oportunidades de aprofundamento de conteúdos e de pedagogias de implementação.

Surgem também riscos que "fazem ver" outras faces daquela relação. O encontro com o fundamentalismo e as suas múltiplas expressões provoca atitudes de maior ponderação e retracção. O alastrar do "tolerantismo" como mentalidade perfilhada por muitos gera perplexidades e confusões. O anúncio da verdade torna-se mais exigente e o respeito pela liberdade mais qualificado. O reconhecimento do outro exige a preservação da própria identidade. É este um campo onde, como narra a parábola do Evangelho, se escondem jóias de grande quilate que é urgente descobrir, apreciar e integrar na harmonia da unidade plural.

5. A compreensão da Igreja como ícone da Trindade - povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Espírito - introduz um novo dinamismo à instituição e dota os seus membros de energias peculiares que expressam a sua dignidade e os capacitam para a missão. Enquanto povo torna-se o rosto humano mais reconhecível do mistério. Enquanto corpo credencia a sua organização funcional ao serviço da vida a comunicar. Enquanto templo sente-se "habitada" pelo Espírito que a enriquece com os seus dons e credencia os seus membros. A dignidade de todos supõe e exige funções especiais de alguns, como é o caso do ministério ordenado e da vida consagrada.
A renovação conciliar expressa e amplia este dado fundamental em passos significativos e coerentes. A comunhão converte-se em pólo de atracção e de irradiação. A participação em via de creditação e identidade. A formação em exigência vitalizadora da consciência de pertença e de intervenção.
No entanto, a multiforme riqueza dos dons do Espírito, a memória-profecia da vida e acção das primeiras comunidades cristãs, a pluralidade das necessidades do nosso tempo indiciam claramente a urgência de prosseguir esta renovação e inovação. Há situações de comunidades eclesiais a atender e de áreas culturais a evangelizar que no silêncio fazem ouvir o clamor da sua necessidade.

6. O Vaticano II, como acontecimento histórico, constitui o maior evento eclesial do século XX. Pelas intuições que teve e documentos que elaborou. Pelas sensibilidades que reuniu e correntes que congregou. Pela animação renovadora que suscitou nos cristãos e pela esperança que fez germinar em tantas pessoas de boa vontade.
Mas sobretudo por ser a epifania do Espírito que decididamente marca um novo ritmo à Igreja para acertar o passo com a marcha da história e expressar de forma mais eficaz a sua solidariedade com toda a humanidade, sobretudo a empobrecida, fragilizada e indefesa.
Os padres conciliares descobriram "o que o Espírito tinha para dizer à Igreja" por meio da oração insistente, da paciência histórica, do diálogo persistente, da organização funcional, da caminhada em conjunto, do apoio colaborante de muitos cristãos e seus movimentos ou comunidades. Realizaram assim uma experiência modelo que actualiza o episódio do cenáculo Pentecostal e aponta uma via a percorrer pelos discípulos de Jesus chamados a serem apóstolos: a sinodalidade eclesial.
A via sinodal testemunha o estilo da mensagem cristã no presente e abre caminhos de futuro. O magistério, sobretudo com Paulo VI, assume-o de forma clara e persuasiva. O mesmo fazem muitos bispos e superiores de institutos de vida consagrada. Também alguns párocos e responsáveis de associações laicais, procurando tirar partido da organização participativa e do espírito de corresponsabilidade.
É certamente uma das expressões mais qualificadas da actualidade do Vaticano II e da sua actualização sempre indispensável e, quando chegar a hora, da realização de um novo concílio ecuménico. 

Georgino Rocha, Pres. Comissão da Cultura de Aveiro

S. Paulo e o Vaticano II

S. Paulo foi o teólogo mais utilizado no Vaticano II. Para nos darmos conta disso bastaria recolher aqui, através dos decretos e constituições conciliares, todas as referências às suas cartas. Mais de 200 vezes, os padres do Concílio o chamaram para os iluminar e ajudar a clarificar a leitura do Evangelho para o nosso tempo. É em S. Paulo que repousa toda a teologia do Espírito Santo, a que o concílio recorre continuamente , toda teologia do mistério da Igreja que S. Paulo desenvolve na Carta aos Efésios, a teologia da missão da Carta aos Romanos, a da colegialidade episcopal, a doutrina sobre a unidade e diversidade dos carismas e ministérios, etc.
As cartas de S. Paulo mais citadas no concílio são as Cartas aos Efésios, aos Corintos, aos Romanos, aos Colossenses e a Filémon.
Os documentos que mais necessidade tiveram da ajuda de S. Paulo foram a Constituição sobre a Igreja, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, o decreto sobre a Vida religiosa, a Constituição sobre a Revelação Divina, o decreto sobre a Actividade dos Leigos, o decreto sobre os Sacerdotes, e a Constituição sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo.
A Constituição sobre a Igreja desde o primeiro capítulo que nos apresenta o mistério da igreja, apoiando-se na doutrina Paulina. A Igreja como epifania do mistério da Santíssima Trindade, a Igreja como Corpo de Cristo, a Igreja povo de Deus em marcha, a vocação de todos os cristãos à santidade, a dimensão escatológica da Igreja. Nela se reflecte toda a teologia da Carta aos Efésios.
É também opinião corrente que a Constituição sobre a Igreja no mundo contemporâneo, reproduz em termos e contextos modernos, o esquema da Carta aos Romanos
O decreto sobre o Apostolado dos leigos baseia-se em S. Paulo, cujas cartas assinalam com frequência a actividade dos leigos nos primeiros séculos da Igreja. Os leigos foram sempre a mão direita de S. Paulo e ele mesmo se encarregou de nos apresentar os colaboradores e as diversas equipas que com ele trabalhavam no anúncio do Evangelho.
A Declaração sobre a liberdade religiosa tem na doutrina de S.Paulo, nomeadamente na Carta aos Romanos, a sua referência fundamental.
Quanto à doutrina sobre os carismas e ministérios o recurso foi o da 1ª Carta aos Coríntios onde essa doutrina é exposta com particular relevância.
O debate sobre o sacerdócio, como o da colegialidade episcopal, foi talvez o debate mais vivo de todo o concílio. Uns, mais sensíveis à fidelidade pastoral e missionária do concílio, desejavam que se acentuasse a dimensão apostólica do sacerdócio: o padre à maneira dos apóstolos. Outros, porém, temendo que esta insistência deixasse na sombra os valores tradicionais do sacerdócio, queriam que se acentuasse a consagração pessoal do sacerdote, com as exigências de santidade e adoração ao Senhor, mediante o culto. Uns queriam o padre identificado a partir da missão, outros o padre orientado para o culto; uns, o padre para o povo, o padre pastor, outros o padre para o altar, o padre sacerdote. De facto, até então, a imagem do padre que vigorava na Igreja era a do padre do concílio de Trento, o padre para a Eucaristia e para o sacramento da Penitência. O padre das mãos sagradas, para consagrar, para perdoar e para abençoar.
.Mas a imagem que se pretendia relançar, em consonância com a vocação de todos os cristãos à santidade, com o sacerdócio comum dos fiéis, com a diversidade de ministérios, com a Igreja povo de Deus, era do padre pastor e animador da comunidade, como ministro da comunhão dos ministérios. Foi então que se pediu a ajuda de S.Paulo que deu a resposta que se precisava: “ Para participar no grau do ministério do Apóstolo, Deus concede aos presbíteros a graça de ser entre as gentes ministros de Jesus Cristo, desempenhando o sagrado ministério do Evangelho, para que seja grata a oblação dos povos, santificados pelo Espírito Santo” (Rom. 15, 16). Se o sacerdote é ordenado para a evangelização dos povos, o cume do seu ministério é a celebração da Eucaristia, já que é ali que o sacrifício espiritual dos cristãos e o sacrifício de Cristo se consumam na unidade: o padre pastor leva o seu rebanho aos ombros para o altar da consagração. É de resto esta a imagem do padre da Carta aos Hebreus, o único documento do Novo Testamento que nos apresenta a teologia do sacerdócio., Será esta a imagem do padre que o Vaticano II adoptará. 

Adélio Torres Neiva, Missionário Espiritano

Igreja em Concílio

A 50 anos de distância, é mais fácil ir além da hermenêutica da rutura ou da continuidade

D.R.
Assinalar os 50 anos do Concílio Vaticano II é uma oportunidade para a Igreja Católica se rever em dinâmica conciliar. Não só pela evocação e debate dos temas essenciais propostos por essa reunião histórica da comunidade católica, de que os documentos aprovados são reflexo, como também pela memória do contexto que requereu um Concílio Ecuménico, do percurso preparatório, dos debates e esquemas propostos e das constantes ligações entre Roma e o resto do mundo ao longo do decorrer dos trabalhos.
A representatividade global que esta assembleia conquistou é, desde logo, de anotar. Não apenas pela participação de delegados dos cinco continentes, mas também pelos contributos enviados para Roma nos três anos anteriores à realização das sessões conciliares, quando foram pedidos temas para debate e sugestões para o desenrolar dos trabalhos. A Roma chegaram quase 2 mil respostas, onde estavam mais de 9 mil propostas.
Depois, os anos de reunião, no Vaticano: 2500 participantes no Concílio, observadores, peritos, consultores teológicos, tradutores e muitas outras pessoas para concretizar uma ideia do Papa João XXIII, expressão de procuras e interrogações de mulheres e homens dos meados do séc. XX na tentativa de adequar verdades eternas a novos contextos.
Todo esse processo, a História do Concílio, os seus protagonistas e os que o acompanharam à distância, pode ser ainda contado na primeira pessoa. E a ocasião aí está: assinalar mais de três anos de sessões conciliares e outro tanto em preparação transformar-se-á em oportunidades para dar vida a “diários do concílio”, apontamentos, cartas, debates da época, desafios e interrogações por aqueles que o viveram. A geração que não experimentou esses dinamismos reclama-o!
Depois, o estudo, a compreensão e a concretização das conclusões dos trabalhos, traduzidas em 4 Constituições Apostólicas, 9 Decretos e 3 Declarações, os documentos aprovados sempre por mais de 2100 votantes e onde apenas um teve mais de 100 votos contra (o relativo às comunicações sociais).
A 50 anos de distância, é mais fácil ir além da hermenêutica da rutura ou da continuidade. Será possível acolher os resultados do Concílio Vaticano II rejeitando vias que se excluem para encontrar caminhos e linguagens de inclusão.
Paulo Rocha

Memórias portuguesas do Concílio

Aos 88 anos, D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo emérito de Braga, lembra o anúncio do II Concílio Ecuménico do Vaticano, que viria a viver de perto, nas sessões finais, então como bispo de Vila Cabral, em Moçambique

LFS/Agência ECCLESIA | D. Eurico Dias Nogueira
Aos 88 anos, D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo emérito de Braga, lembra o anúncio do II Concílio Ecuménico do Vaticano, que viria a viver de perto, nas sessões finais, então como bispo de Vila Cabral, em Moçambique. Em entrevista à Agência ECCLESIA, o único prelado português ainda vivo a ter participado no evento passa em revista vários temas

Agência ECCLESIA (AE) - Este ano celebra-se o cinquentenário da convocação do II Concílio do Vaticano. Atualmente, é o único português vivo que esteve presente neste acontecimento eclesial. Recorda-se da sua participação?
D. Eurico Dias Nogueira (EDN) – Ouvi a convocação do Concílio com muito entusiasmo. Ainda bem que a Igreja resolve encarar os problemas no seu conjunto e não espera que seja só Roma com os seus organismos a resolver os problemas. No início, parecia que o Vaticano, a Santa Sé, quis dominar e orientar as coisas só por ela, mas houve uma reação forte da periferia. Alguns países reagiram e disseram: «O Concílio é nosso. É de toda a Igreja e não de um grupo que manda em Roma».
O Concílio tornou-se um lugar de discussão clara, pública e sem reservas, mas terminado verificou-se que havia uma tendência, de novo, da Santa Sé para centralizar e não deixar as «coisas» correrem muito fora das suas mãos. A meu ver, isso foi mau porque deviam ter mantido um processo de orientar a vida da Igreja e encarar os problemas no seu conjunto. Não digo que se devia fazer um Concílio de quanto em quanto tempo…

AE – Mas é apologista que devia realizar-se um Concílio de 50 em 50 anos?
EDN – Sim. 50 a 50 anos. O máximo de cem em cem anos devia haver um Concílio.

AE – Os documentos elaborados na altura ainda estão atuais?
EDN – Estão. No entanto, há «coisas» que não seguiram o rumo que se esperava e por isso desatualizaram. A vida da Igreja não está a acompanhar e a desenvolver-se de acordo com os documentos.

AE – De todos eles, qual o documento conciliar que o marcou mais?
EDN – É difícil responder porque todos eles são importantes. Todos foram bem discutidos e votados. A votação, de modo geral, era bastante consensual e não havia divergências grandes na parte final. Isso só mostra que os assuntos tinham sido bem estudados e as propostas estavam bem feitas. O que se verificou mais tarde é que nem tudo o que se resolveu no Concílio, e que foi objeto de documentos, se cumpriu.
Tem havido uns certos atrasos e reações no sentido de se voltar atrás, não se avançar. O Concílio era para continuar… e de quando em quando fazer-se o ponto da situação.

AE – Deu a sua contribuição para alguns documentos?
EDN - Não fiz nenhuma intervenção pública, até porque só estive nas duas últimas sessões. Fui nomeado bispo entre a segunda e a terceira sessão e fui logo convocado para lá. Tentei estudar os assuntos. Aconteceu até uma coisa estranha, logo que fui nomeado para o Concílio entendi que tinha o direito de saber como as coisas se passavam e procurei um bispo português, D. Ernesto Oliveira, a pedir informações para estar a par dos acontecimentos, mas ele recusou. Não pude contar com esse apoio…
Quando cheguei lá, verifiquei que a maior parte dos temas já estavam elaborados porque as sessões anteriores é que tinham sido de estudo. Na parte final, as discussões eram poucas. De modo que não tinha muito à vontade para intervir. Além disso, as intervenções eram estudadas pelos grupos dos bispos e seus conselheiros e Portugal não tinha isso.

AE – Portugal não tinha uma escola teológica?
EDN – Não tínhamos Faculdade de Teologia. Não havia um conjunto de teólogos que ajudassem e também não houve esforço por parte dos bispos para os arranjar. Recordo-me de ter lamentado, junto de um bispo, não termos um grupo que nos ajudasse. Não tínhamos escola, mas havia casos isolados de padres, com muito valor, que podiam estar connosco.

AE – Ainda se recorda desses padres que poderiam ter dado o seu contributo? Pode citar alguns nomes?
EDN – Citei, a D. Ernesto Oliveira (bispo de Coimbra), o padre Urbano Duarte (diocese de Coimbra) podia ter estado lá…

AE – E o padre Manuel Paulo?
EDN – O Paulo era muito novo, mas era uma pessoa capaz. Também o citei. Eles podiam ajudar, mas ele (bispo de Coimbra) disse-me: “Se eles viessem para cá faziam falta em Portugal”. No entanto, disse-lhe que isso não era razão porque mais importante era o que se passava no Vaticano.

AE – Era lá (Vaticano) que se refletia o futuro da Igreja.
EDN – Mesmo que as coisas, em Portugal, parassem um «bocadinho», faltavam lá esses padres com mais valor.

AE – O padres Urbano Duarte e Manuel Paulo eram da diocese de Coimbra, mas havia também padres de outras dioceses com capacidades.
EDN – Lembro-me que citei também o padre José Policarpo (diocese de Lisboa), um homem muito culto com doutoramento em Teologia, e o padre Godinho (diocese do Porto). Alguns até foram nomeados bispos. No entanto, não me pareceu que os bispos tivessem sentido muito essa necessidade. Isso foi mau porque os bispos portugueses não marcaram «grande coisa» no Concílio.

AE – Qual foi o bispo português que se destacou mais nesta reunião magna?
EDN – Foi D. Sebastião Soares de Resende que era bispo da Beira (Moçambique). Foi, sem dúvida, aquele que interveio mais vezes e com boas intervenções. O D. António Ferreira Gomes também interveio… mas o D. Soares de Resende é que foi, a meu ver, aquele que «puxou» mais. A meio do Concílio, D. Manuel Trindade Salgueiro foi-se «abaixo» e não fez grandes intervenções.
O cardeal patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, pareceu-me demasiado tímido. Parecia que os bispos portugueses não se sentiam apoiados num grupo.

AE – Nem com a comunidade brasileira?
EDN – Não se sentia que os portugueses estivessem muito ligados ao Brasil. Cada país seguia o seu caminho. É preciso não esquecer que só estive presente na parte final, quando não existiam grandes discussões, mas apenas decisões a tomar. Por duas vezes, quis intervir, mas não tive oportunidade. Foi apenas por escrito… fazem parte das actas.

AE – Segundo consta, quando teve de tirar uma fotografia para participar no Concílio teve de pedir uma indumentária emprestada.
EDN – É verdade… Foi o bispo auxiliar de Coimbra, D. Manuel Jesus Pereira, que me emprestou. Vesti as vestes dele, da cintura para cima… E tirei a fotografia porque foi tudo muito rápido.

AE – Da palavra à ação vai um longo caminho. Qual dos documentos conciliares onde se notou mais evolução, a chamada passagem da teoria à prática?
EDN – Os grandes choques e discussões foram nas primeiras sessões que acompanhei apenas pelos jornais. Atualmente, nota-se que a Igreja periférica, aquela que está espalhada pelo mundo, tem uma voz mais ativa e faz-se ouvir no Vaticano. Antes do Concílio, era raro um bispo sobressair e quando isso acontecia era olhado de soslaio, sobretudo da parte do Vaticano. Os bispos da Bélgica, Holanda e Alemanha pronunciavam-se, mas era olhados com suspeita. Agora isso não acontece. Um bispo fala à vontade…

AE – Fala à vontade, mas em concordância.
EDN – Há assuntos… que entenderam que já estão resolvidos. Temos o caso do sacerdócio das mulheres. De tempos a tempos fala-se nisso. Eu tenho uma maneira de pensar… Por temperamento, parecia-me que não havia razões teológicas para se opor.

AE – Acredita que neste pontificado poderia haver um Concílio?
EDN – Neste não. Tem de ser um Papa jovem que se sinta com capacidade para orientar as «coisas» para um novo Concílio.

AE – Mas o Papa João XXIII não era jovem quando convocou o Concílio…
EDN – Ele não sabia o que era um Concílio e ficou desnorteado quando começaram as discussões. Ele contava que um Concílio fosse mais simples. Como um Concílio é uma «coisa» muito séria, só um Papa que se preveja que tem uma vida longa diante dele.

AE – Acredita que a Igreja possa ter um Papa português?
EDN – Acredito. Quem ia acreditar que haveria um Papa polaco? Foi uma surpresa. A preponderância dos Papas italianos terminou. Não creio que volte a acontecer isso.

AE – Ficou surpreendido com a eleição do cardeal Ratzinger para Bento XVI?
EDN – Era um homem muito conhecido e com grande peso no Vaticano. Confesso que não tinha nenhuma preferência no conclave. Havia meia dúzia de cardeais por esse mundo fora, com capacidade.

AE – Voltando novamente ao II Concílio do Vaticano, qual dos setores da pastoral que evoluiu mais? Foi o lado litúrgico?
EDN – Sim. Já havia um trabalho feito antes do Concílio. Muitos anos antes, já tinha começado a reforma litúrgica. Quando apareceu o Concílio, encontrou um tema já elaborado e avançou-se com ele mais rapidamente.

AE – Para comemorar o cinquentenário da convocação do II Concílio do Vaticano, Bento XVI proclamou o «Ano da Fé». É uma forma de colocar os documentos conciliares novamente na ribalta?
EDN - É uma preocupação de voltar a «mexer» nos documentos e atualizá-los. Com a discussão, revelam-se novos aspetos.

AE – Há falta de formação sobre estes documentos?
EDN – Há muitos cristãos ativos e cultos que estão dentro dos assuntos, mas a generalidade dos cristãos vive alheia. Tem a sua religiosidade, mas não aprofundam. Os teólogos (padres e leigos) têm estudado o Concílio.



Concilio Vaticano II: uma ideia com história

Padre F. Senra Coelho, historiador

No Consistório de 25 de janeiro de 1959, o Papa João XXIII, mencionou a convocação de um Concílio Ecuménico como uma das três principais tarefas do seu pontificado. Angelo Guiseppe Roncalli tinha sido eleito a 28 de outubro e investido a 4 de novembro de 1958…
O anúncio do Concílio causou surpresa, pois o anterior, o Concílio Vaticano I, fora adiado sine die, devido às dificuldades políticas surgidas com os movimentos promotores da unificação de Itália. De facto, o Concílio solenemente inaugurado a 8 de dezembro de 1869, nunca foi concluído, pois foi interrompido na esperança de um período mais propício pelo facto de ter irrompido a guerra franco-alemã, a 19 de julho de 1870, com a consequente partida de muitos Bispos para as suas pátrias e a retirada das tropas francesas de Roma, as quais guarneciam a cidade, sendo esta ocupada pelos soldados piemonteses, em nome da Itália unificada.
A notícia da decisão do Papa convocar o Concílio despertou muito interesse, também pelas espectativas vinculadas à designação de "ecuménico", levando a conjeturar-se que o principal objetivo desse anunciado Concílio fosse a pretendida unidade da Igreja, face à realidade das Igrejas separadas.
A primeira comissão preparatória do Concílio foi constituída no Pentecostes de 1959. Para João XXIII, o Concílio deveria ser uma Assembleia Pastoral de Bispos e, ainda sem contar com um projeto bem definido do Concílio, presumia que este devia ter apenas três meses de duração…
Na encíclica Ad Petri Cathedram, de 29 de junho de 1959, João XXIII, para além do anúncio oficial do Concílio, apresenta as suas principais metas: a propagação da Fé, a renovação da vida cristã de todos os fiéis e a adaptação da disciplina eclesiástica às exigências dos novos tempos. É importante constatar, que a 14 de junho do mesmo ano, o Papa tinha utilizado pela primeira vez o termo "aggiorna-mento" no sentido da adaptação da Igreja à contemporaneidade.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), sucedem-se no Ocidente aceleradas mudanças nas ideias, na técnica e nos costumes. A ideologia e as diversas praxis políticas marxistas, apresentavam-se como última palavra da História e por isso imparáveis, embora tivesse iniciado já a sua definitiva decadência. Simultaneamente, o advento do fim do colonialismo permitiu o surgimento de inúmeras e jovens nações e suscitou um diálogo aceso e polémico sobre a verdade da ação missionária "ad gentes" por parte da Igreja, ou seja, se os autênticos objetivos desta ação foi a divulgação da Fé e a promoção humana, ou se esta somente colaborou de modo instrumentalizado com as forças colonizadoras.
Segundo o Historiador Giacomo Martina, nos anos 1945-1959, a situação geral da sociedade e da Igreja caracterizava-se por dois aspetos: "por uma forte e rápida evolução nos diferentes campos e no interior da Igreja, por um contraste entre orientações abertas e posições conservadoras." (in René Latourelle, Vatica-no II - Balance y Perspectivas, Ed. Sigue-me, Salamanca, 1989, pág. 25). Verifiquemos esta afirmação de Giacomo Martina, na realidade histórica:
- De facto, ao nível da evolução sociocultural do Ocidente, sobre as mentalidades e os costumes, foram decisivas as independências dos povos afro-asiáticos, conjuntamente com a forte industrialização e com a influência dos meios de comunicação social, nomeadamente da televisão;
- No âmbito eclesial, as tendências conservadoras da Igreja, muito expressivas nos centros de poder e de decisão, exprimem-se nitidamente na Concordata espanhola (1953) e nas frequentes intervenções da Cúria Romana, que culminam na encíclica de Pio XII, Humani generis (12.08.1950), sobre as opiniões falsas que ameaçavam a Doutrina Católica;
- Simultaneamente, várias figuras da hierarquia da Igreja, sobretudo de Itália e França, compreendiam e integravam, como sinais de valor profético, os esforços de renovação litúrgica; o movimento ecuménico; o desejo de maior participação na vida da Igreja, por parte das alas mais preparadas do laicado; os grupos sacerdotais de compromisso com as novas realidades do mundo, nomeadamente dos sacerdotes operários; os vários teólogos da Nouvelle Théologie. Quanto ao diálogo da Cúria Romana com estas novas realidades, prevaleceu a linha conservadora: A suspensão dos Sacerdotes operários (1954-1959), foi vista como sinal da indisponibilidade da hierarquia para o diálogo com o mundo e para as novas linguagens da evangelização. A reflexão de vários teólogos que contribuíram para o amadurecimento de teses que prepararam o Concílio Vaticano II, passaram a estar sob vigilância cautelosa por parte do Santo Oficio: Daniélou, De Lubac, Cheneu, Congar, Murray e outros.
João XXIII percebeu, através do seu olhar evangélico, que os tempos estavam maduros. Para ele tornou-se evidente que, mesmo multiplicando-se os remendos e modernizando-se aspetos parcelares da Igreja, o ambiente geral eclesiástico permaneceria geralmente cristalizado num passado já anacrónico e as respostas da Igreja apareceriam esgotadas e demasiado apologéticas aos olhos da sociedade.
Com a realização do Concílio Vaticano II mudou o olhar da Igreja para o mundo e muitos dos que estiveram sob suspeita, foram depois referência e assumiram no Concílio atuações de primeira ordem. Danielou e De Lubac foram nomeados cardiais (1969 e 1983), os Sacerdotes operários foram reabilitados, surgiram novas políticas concordatárias com Espanha, Portugal e Itália, enfim como haveria de dizer Paulo VI a 23 de junho de 1966, "O Concílio é o grande Catecismo da nova época". 
Pe. Senra Coelho, Instituto Superior de Teologia de Évora, Centro de Estudos de História Religiosa da UCP, Academia Portuguesa de História



Do Movimento Litúrgico à Reforma Litúrgica

D. José Manuel Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda

O Movimento Litúrgico teve o seu natural desenvolvimento por toda a Europa. O início do Movimento Litúrgico, em Portugal, pode datar-se no I Congresso Litúrgico Português, realizado em Vila Real de 17 a 19 de junho de 1926. Tanto o mosteiro de Singeverga como o Seminário Maior dos Olivais foram dois centros importantes do Movimento Litúrgico. Todo este movimento não aconteceu na paz. Pelo contrário, não faltaram no interior da Igreja, discussões, ataques, bispos céticos e com muitas reservas por todo este desenvolvimento litúrgico.
A Encíclica “Mediator Dei” de Pio XII (20.11.1947)[1] é considerada a “Magna Carta do Movimento litúrgico”. Sem dúvida, as reformas de Pio XII contribuíram para uma nova teologia litúrgica, e podemos até acrescentar que o II Concílio do Vaticano desembocou numa teologia da liturgia graças às bases destas reformas lentas e amadurecidas. Todos se davam conta do crescendo da reforma litúrgica e toda a Igreja se abria, naqueles anos, às riquezas do mistério pascal, centro da vida da Igreja e de cada cristão.
O I Congresso Internacional de Pastoral litúrgica de Assis ficou célebre pelas palavras proferidas pelo Papa Pio XII, no Discurso final, na sala das Bênçãos do Vaticano, em 23.09.1956: «o Movimento Litúrgico apareceu como um sinal das providenciais disposições divinas no nosso tempo, como uma passagem do Espírito Santo na sua Igreja para aproximar ainda mais os homens aos mistérios da fé e às riquezas da graça, que provêm pela participação ativa dos fiéis na vida litúrgica»[2], e, ainda pelas palavras de J. A. Jungmann, SJ: «A chave da história da liturgia é a pastoral»[3].
Quando o Beato João XXIII anunciou a convocação do Concílio não estava, certamente, nos seus pensamentos o tema litúrgico. Todavia, entre os primeiros inquéritos e entre as 9.384 propostas, 1.855 delas, ou seja, cerca de 20%, referiam-se à liturgia. Este era um sinal do desejo de uma renovação. O grande número de respostas vindas da Secretaria Geral da comissão antepreparatória foi lida como sinal de interesse pelos temas litúrgicos presente nos futuros Padres conciliares.
No Motu proprio Rubricarum Instructum, de 25 de julho de 1960, dizia João XXIII: «depois de ter examinado por muito tempo o assunto, decidimos que no Concílio Ecuménico se devem propor os grandes princípios “altiora principia” para a reforma litúrgica geral»[4].
A promulgação da Sacrosanctum Concilium acontece a 04.12.1963, 400 anos depois da conclusão do Concílio de Trento (04.12.1563). Pela primeira vez na história da Igreja, um Concílio Ecuménico tratou colegialmente o tema litúrgico em geral.
A reforma litúrgica insere-se exatamente na quadrupla finalidade geral do Concílio: «fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições suscetíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo, e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja»[5].
Por isso, os grandes princípios da reforma litúrgica foram:
a) aumentar a vida cristã;
b) adaptar as instituições eclesiais ao nosso tempo;
c) promover a união dos cristãos (ecumenismo);
d) propor a todos os homens o convite de entrar na Igreja (missão);
e) realizar a nobre simplicidade e a clareza na brevidade dos ritos.
O sujeito da ação litúrgica é o povo de Deus. A valorização das Igrejas locais foi outro aspeto saliente, bem como a recentralização da Palavra de Deus na liturgia.
Como qualquer reforma eclesial verdadeiramente incisiva, que penetra no âmago da vida cristã, a reforma litúrgica suscitou incompreensões e pôs a claro várias formas de incoerência. Em geral, a reforma litúrgica foi bem acolhida na Igreja de Rito Romano. Verificou-se que a liturgia viveu, depois dos primeiros anos da reforma litúrgica, uma fase de crise, dominada pela perda de entusiasmo, desencantada por não obter rapidamente os resultados que se esperavam em relação aos generosos esforços iniciais. Talvez se esperasse desta reforma uma “utilidade” pastoral, que não lhe correspondeu. A liturgia, de facto, não é um instrumento de pastoral, mas ação pastoral própria da Igreja no seu núcleo e na sua fonte, isto é, o lugar de encontro santificante dos homens e glorificante do Pai mediante Jesus Cristo no Espírito Santo[6].
A reforma da liturgia não é um movimento isolado. Esta interage com o movimento bíblico, o movimento ecuménico, o renovado vigor missionário e com a investigação teológica antes e depois do acontecimento conciliar. A renovação litúrgica aparece, em certo sentido, como o padrão e a condição para se porem em prática os ensinamentos conciliares.
Entretanto em 1985, aquando da celebração do Sínodo extraordinário dos Bispos sobre o balanço dos 20 anos do Concílio Vaticano II, os Padres sinodais afirmaram claramente que: «a renovação litúrgica é o fruto mais visível de toda a obra conciliar. Ainda que tenha havido algumas dificuldades, em geral ela foi acolhida pelos fiéis com alegria e com fruto»[7].
Esta renovação da liturgia não pode limitar-se às cerimónias, aos ritos ou aos textos, mas pretendeu conduzir àquela tão desejada participação ativa e consciente, felizmente aumentada depois do Concílio.
Na realidade, «para muitos, a mensagem do Concílio do Vaticano II foi percebida, acima de tudo, através da reforma litúrgica»[8]. No entanto, o Papa Bento XVI recorda: «a Liturgia da Igreja vai além da própria “reforma conciliar”, cuja finalidade não era principalmente mudar os ritos e os textos, mas sim renovar a mentalidade e colocar no centro da vida cristã e da pastoral a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Infelizmente, talvez, também da nossa parte, Pastores e peritos, a Liturgia foi acolhida mais como um objeto para reformar do que como um sujeito capaz de renovar a vida cristã»[9]. A renovação da Liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja estão intimamente relacionadas.
D. José Manuel Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda
NOTAS:
[1] Cf. PIO XII, «Mediator Dei»AAS 39 (1947) 521-600.
[2] PIO XII, «Alocução conclusiva aos participantes do Congresso Internacional de Liturgia Pastoral de Assis», AAS 48 (1956) 712.
[3] Cf. J. JUNGMANN, «La pastorale come chiave della storia della liturgia», in Eredità liturgica e attualità pastorale, Edizioni Paoline, Roma 1962, 556-574.
[4] JOÃO XXIII, «Motu proprio “Rubricarum instructum”», in C. BRAGA-A. BUGNINI, Documenta ad instaurationem liturgicam spectantia (1903-1963), Edizioni liturgiche, Roma 2000, 1017.
[5] SC 1.
[6] Cf. T. GARRIGA, «La sacra liturgia, fonte e culmine della vita ecclesiale», in R. FISICHELLA (ed.), Il Concilio Vaticano II, 59.
[7] Relação final do Sínodo Extraordinário dos Bispos 1985, 4, in Viver o Concílio, Editorial A.O., Braga, 1986, 46.
[8] J. PAULO II, «Vicesimus quintus annus 12», in EDREL, 748.
[9] BENTO XVI, Discurso à comunidade do Pontifício Instituto Litúrgico do Ateneu de Santo Anselmo no 50º da fundação, 06 de maio de 2011.


A contagem para o Concílio

Quatro anos menos três meses separam o anúncio do Concílio Ecuménico Vaticano II da sua abertura. A 25 de janeiro de 1959, dia em que a Igreja Católica assinala a conversão de São Paulo, o beato Papa João XXIII revelou aos cardeais a intenção de convocar o encontro.
No dia 17 de maio, quatro meses após o anúncio feito na basílica de São Paulo fora de muros, em Roma, foi constituída uma comissão prévia à preparação do Concílio, presidida pelo cardeal Domenico Tardini, secretário de Estado do Vaticano.
O prelado italiano escreveu a 18 de junho uma carta a todos os cardeais, arcebispos, bispos, congregações da Cúria Romana e superiores de ordens religiosas, pedindo-lhes sugestões e temas para o encontro. As 1998 respostas de 77% dos interrogados foram reduzidas a proposições breves.
O passo seguinte foi a encíclica ‘Ad Petri Cathedram’, com indicações sobre os objetivos do Concílio. O documento foi assinado por João XXIII a 29 de junho, dia de de São Pedro e São Paulo.
A etapa imediatamente anterior ao Concílio foi inaugurada a 5 de junho de 1960 com a promulgação da carta “Superno Dei”, onde o Papa italiano constituiu as 15 comissões e secretariados preparatórios, que em julho receberam as respostas e as sínteses da consulta.
A constituição apostólica “Humanae salutis”, redigida por João XXIII a 25 de dezembro de 1961, convocou o Concílio para 1962, 92 anos depois do encerramento do que o antecedeu, o do Vaticano I, e 399 anos após o de Trento.
A 2 de fevereiro de 1962, o Papa escreveu a carta “Concilium”, que fixou a abertura para 11 de outubro.
No primeiro dia de julho o Papa lavrou a encíclica “Paenitentiam agere”, pedindo aos fiéis que rezassem e fizessem sacrifícios pelo encontro. A 10 de julho foram enviados  convites aos cristãos separados para que enviassem observadores às sessões conciliares.
O regulamento foi publicado a 5 de setembro através do documento “Appropinquante Concilio”, de João XXIII, que no dia 11, um mês antes da abertura, difundiu numa radiomensagem ao mundo.
RM
   

Convocação do Concílio: O anúncio de João XXIII

“Parece-nos chegada a hora de convocar o concílio ecuménico Vaticano II”: foi no dia de Natal de 1961 que o Papa João XXIII assinou a Constituição Apostólica ‘Humanae Salutis’, com o qual convocava o concílio para o ano seguinte, com a Igreja Católica colocada diante do que denominava como um “duplo espetáculo”: “Um mundo que revela um grave estado de indigência espiritual e a Igreja de Cristo, tão vibrante de vitalidade”.
“Nós, desde quando subimos ao supremo pontificado, não obstante nossa indignidade e por um desígnio da Providência, sentimos logo o urgente dever de conclamar os nossos filhos para dar à Igreja a possibilidade de contribuir mais eficazmente na solução dos problemas da idade moderna”, escrevia o beato italiano, quase três anos depois de ter anunciado a intenção de convocar um concílio [25 de janeiro de 1959], o 21.º da história da Igreja.
Para o Papa, que viria a falecer antes da conclusão deste evento eclesial, “a jubilosa repercussão que teve seu anúncio, seguida da participação orante de toda a Igreja e do fervor nos trabalhos de preparação, verdadeiramente encorajador, como também o vivo interesse ou, pelo menos, a atenção respeitosa por parte de não-católicos e até de não-cristãos demonstraram, da maneira mais eloquente, como não escapou a ninguém a importância histórica do acontecimento”.
João XXIII desejava uma “demonstração da Igreja, sempre viva e sempre jovem, que sente o ritmo do tempo e que, em cada século, se orna de um novo esplendor, irradia novas luzes, realiza novas conquistas”.
“Ao mundo perplexo, confuso, ansioso sob a contínua ameaça de novos e assustadores conflitos, o próximo concílio é chamado a oferecer uma possibilidade de suscitar, em todos os homens de boa vontade, pensamentos e propósitos de paz”,podia ler-se.
O Papa Roncalli apresentava, em seguida, o “programa de trabalho do concílio”, a respeito dos programas “outrinais e práticos mais consentâneos com as exigências da perfeita conformidade à doutrina cristã, à edificação e ao serviço do corpo místico e da sua missão sobrenatural, isto é, o Livro sagrado, a veneranda Tradição, os sacramentos, a oração, a disciplina eclesiástica, as atividades caritativas e assistenciais, o apostolado dos leigos, os horizontes missionários”.
Antes do concílio, decorreu um período de “consultas”, aos cardeais, bispos, congregações religiosas e universidades eclesiásticas. Constituiram-se, então, os diversos “organismos preparatórios”, aos quais coube a tarefa de elaborar os esquemas doutrinários e disciplinares, submetidos à assembleia conciliar.
“Temos, finalmente, a alegria de comunicar que este imenso trabalho de estudo, ao qual deram sua contribuição valiosa os cardeais, bispos, prelados, teólogos, canonistas, técnicos de todas as partes do mundo, alcança já o seu termo”, anunciava João XXIII.
O Papa italiano escrevia que “se o mundo aparece profundamente mudado, também a comunidade cristã está em grande parte transformada e renovada: isto é, socialmente fortalecida na unidade, intelectualmente revigorada, interiormente purificada, pronta, desta forma, a enfrentar todos os combates da fé”.
“A influência benéfica das deliberações conciliares, como vivamente o esperamos, deverá impor-se a ponto de revestir de luz cristã e penetrar de fervorosa energia espiritual não só o íntimo das almas mas o conjunto das atividades humanas”, desejava.
OC

Vaticano II, 50 anos de história

D.R.
Lisboa, 29 nov 2011 (Ecclesia) – O arcebispo emérito de Braga, D. Eurico Nogueira Dias, recorda ainda hoje o “entusiasmo” com que recebeu a convocação do II Concílio Ecuménico do Vaticano, pelo Papa João XXIII, há quase 50 anos.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, o prelado, de 88 anos, elogia o momento em que “a Igreja resolve encarar os problemas no seu conjunto”, permitindo que o Concílio se tornasse “um lugar de discussão clara, pública e sem reservas”.
“Terminado, verificou-se que havia uma tendência, de novo, da Santa Sé para centralizar e não deixar as coisas correrem muito fora das suas mãos. A meu ver, isso foi mau porque deviam ter mantido um processo de orientar a vida da Igreja e encarar os problemas no seu conjunto”, lamenta o único bispo português vivo de todos os que participaram no 21.º Concílio da história da Igreja Católica.
D. Eurico Nogueira Dias diz ainda que “nem tudo o que se resolveu no Concílio, e que foi objeto de documentos, se cumpriu”.
O arcebispo emérito de Braga recorda a participação portuguesa na parte final do encontro, em que marcou presença, e a limitação de recursos: “As intervenções eram estudadas pelos grupos dos bispos e seus conselheiros, mas Portugal não tinha isso”.
No consistório de 25 de janeiro de 1959, João XXIII anunciava aos cardeais a intenção de convocar um Concílio como uma das três principais tarefas do seu pontificado.
Foi no dia de Natal de 1961 que o Papa italiano assinou a constituição apostólica ‘Humanae Salutis’: “Parece-nos chegada a hora de convocar o Concílio Ecuménico Vaticano II”.
Angelo Guiseppe Roncalli tinha sido eleito a 28 de outubro e investido a 4 de novembro de 1958, pelo que esta decisão causou “surpresa”, como refere o historiador e padre Senra Coelho, do Instituto Superior de Teologia de Évora, num texto hoje publicado no semanário Agência ECCLESIA.
O investigador lembra que “o Concílio Vaticano I fora adiado sine die, devido às dificuldades políticas surgidas com os movimentos promotores da unificação de Itália”, em 1870.
“A notícia da decisão do Papa [João XXIII] convocar o Concílio despertou muito interesse, também pelas expectativas vinculadas à designação de ‘ecuménico’, levando a conjeturar-se que o principal objetivo desse anunciado Concílio fosse a pretendida unidade da Igreja, face à realidade das Igrejas separadas”, acrescenta o membro da Academia Portuguesa de História.
Para o padre Senra Coelho, “com a realização do Concílio Vaticano II mudou o olhar da Igreja para o mundo e muitos dos que estiveram sob suspeita, foram depois referência e assumiram atuações de primeira ordem”.
Em editorial, Paulo Rocha, diretor da Agência ECCLESIA, sublinha os contributos enviados para Roma nos três anos anteriores à realização das sessões conciliares, quando foram pedidos temas para debate e sugestões para o desenrolar dos trabalhos: “A Roma chegaram quase 2 mil respostas, onde estavam mais de 9 mil propostas”.
“Depois, os anos de reunião, no Vaticano: 2500 participantes no Concílio, observadores, peritos, consultores teológicos, tradutores e muitas outras pessoas para concretizar uma ideia do Papa João XXIII, expressão de procuras e interrogações de mulheres e homens dos meados do séc. XX na tentativa de adequar verdades eternas a novos contextos”, acrescenta.
A Agência ECCLESIA inicia, com a mais recente edição do seu semanário, a publicação de conteúdos que assinalam os 50 anos de convocação do Concílio Vaticano II.
OC

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