Total Pageviews

There was an error in this gadget

Tuesday, January 03, 2012

João 6, a Eucaristia e os Protestantes


Todo protestante que se preze lê a Bíblia. Em particular, muitos gostam do Novo Testamento e em especial o Evangelho de São João é querido por inúmeras pessoas. Eu também amo a forma como São João expõe o Evangelho do Mestre.
Mas há alguns detalhes que as pessoas passam por alto. Um deles, senão o principal, está diante dos olhos de todos e muitos nem percebem. Falo do texto de João 6. Alguém mais desavisado dirá: “mas o que tem João 6 de especial?”. É aí que está. Estamos diante de um texto deveras especial. Vamos a ele.
“Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-lhes Jesus: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.” (João 6:31-36)
Aqui Jesus declara ser o pão da vida, o pão que desceu do Céu e que dá vida ao mundo. Ele falava literalmente e assim foi compreendido, como veremos depois. Tanto é verdade, que em seguida os judeus conjecturavam:
“Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu; e perguntavam: Não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu?“ (João 6:41-42)
Fica claro aí, portanto, que os judeus estavam compreendendo Jesus tal como ele falava. Aí, Jesus chega então ao cerne do texto em questão, dizendo:
“Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (João 6:50-58)
Sei que muitos dirão que ali Jesus falava figuradamente e etc. Mas tudo isso poderia ser factível e até muito interessante, não fosse a reação dos discípulos:
“Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas, sabendo Jesus em si mesmo que murmuravam disto os seus discípulos, disse-lhes: Isto vos escandaliza?“ (João 6:60-61)
Realmente, eles tinham razão: era um discurso duro, forte demais até. Mas Jesus os interpela perguntando se isso (que Sua Carne é verdadeira comida e o Seu Sangue é verdadeira bebida) os escandalizava. E no versículo 64 Ele ainda fala que alguns ali (entre os discípulos) não criam. E aí acontece o inevitável diante dessa cena:
“Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele. Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” (João 6:66-68)
Aí é onde vemos os verdadeiros discípulos. Muitos, por terem entendido, sim, corretamente as palavras de Cristo, se retiraram, pois não podiam suportar tal coisa (v. 60). Eles não se retiraram por terem achado chato ou coisa parecida, não! Se retiraram por terem entendido, e não aceitado a palavra de Cristo, mostrando que devemos comer da Sua Carne e do Seu Sangue. Pois o verbo ali no texto original, não quer dizer somente comer, mas triturar. Devemos, sim, comer do Corpo e do Sangue de Cristo. E daí que muitos pensaram que Cristo falava de canibalismo. Não era canibalismo, mas também eles não haviam entendido errado ao pensar em comer de forma real Seu Corpo e Seu Sangue.
E aí, Ele se vira para os apóstolos e demais discípulos e questiona-os se eles também o deixarão. Veja, que se tivesse sido um mal-entendido, Jesus podia muito bem ter falado: “Olha pessoal, não é bem assim, eu queria dizer isso e isso, não tem nada a ver com o que vocês entenderam”. Mas não! Ele não fez isso! Ele deixou-os ir. Queria qualidade de discípulos, não número. E olha que não era tanta gente ainda, hein.
Lembre-se de que todas as vezes em que alguém entendia mal algo que Ele falava e aquilo tinha que ficar claro, Ele tornava a explicar. Caso de Nicodemus, que tomou a Jesus ao pé da letra (“nascer de novo” como sendo o nascimento natural) e foi corrigido, para que ficasse claro o que Jesus falava a ele; outra vez, quando Jesus falava do fermento dos fariseus (Mt 16.6-12) e os apóstolos entenderam que era do fermento natural, de pães que Ele falava, Ele corrigiu-os e mostrou que o “fermento” aí era a doutrina errada deles e não o fermento literal como todos conhecem. Teria mais situações nesse sentido nos Evangelhos para comprovar o que falo. Ele deixou-os ir sabendo o que eles tinham compreendido e que aquilo que eles entenderam (de tomar literalmente Sua Carne e Seu Sangue) não era uma distorção do ensino que Ele tinha dado a eles.
Ou seja, quando Cristo precisava esclarecer seus ensinos, Ele o fazia e jamais deixava Seus filhos no engano. Não seria em uma hora tão vital que Ele deixaria as pessoas crerem algo contrário do que Ele disse.
Sabemos ainda que esse texto que consideramos agora tem dois elos essenciais na Escritura: Lucas 22:19-20: “E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o MEU CORPO, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em MEU SANGUE, que é derramado por vós“ e 1 Coríntios 11: 23-25, onde São Paulo praticamente repete Nosso Senhor. Notem que em momento algum Cristo ou São Paulo fala que isso representa o corpo de Cristo, antes que isso É o corpo e sangue de Cristo.
Ou seja, ali Ele falava realmente de comermos Sua Carne e tomarmos o Seu Sangue. Mas e a questão é: onde e como se faz isso? Existem provas que Ele falava explicitamente da Eucaristia? Teria sido esse o entendimento dos apóstolos e dos cristãos dos primeiros séculos? E hoje, quem segue esse ensino? Vamos pensar um pouco.
Os Padres da Igreja e a Eucaristia
Sto. Inácio de Antioquia, do século II, dizia sobre a Eucaristia, que ela era "a Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados e a qual o Pai ressuscitou por sua benignidade ".
São Cirilo de Jerusalém, ao comentar esses textos, especialmente o de Lucas, afirma: "Havendo Cristo declarado e dito, referindo-se ao pão: Isto é o meu corpo, quem ousará jamais duvidar? Havendo Cristo declarado e dito: Este é o meu sangue, quem ousará jamais dizer que não é esse seu sangue? " (Cirilo de Jerusalém, Catech. mystag., LXXXVI, 2401)
São Cirilo de Alexandria, comentando texto análogo ao de Lucas que está em Mateus, fala: "(...) Porque o Senhor disse mostrando os elementos: Isto é meu corpo, e Este é o meu sangue, para que não imagineis que o que ali aparece é uma figura, senão para que saibas com toda segurança que, pelo inefável poder de Deus onipotente, as oblações são transformadas real e verdadeiramente no corpo e sangue de Cristo ; e que ao comungar delas recebemos a virtude vivificante e santificadora de Cristo." (Cirilo de Alexandria, Comment. In Math. XXVI, 27)
Com isso ele desmonta toda e qualquer tese de ser uma simples demonstração do corpo de Cristo, antes, ele assevera que as oblações se tornam categoricamente e insofismavelmente no corpo e no sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.
Veja o que um mártir, do primeiro século da Igreja, disse a respeito:
“Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é a carne de Jesus Cristo” (Sto. Inácio Mártir, Bispo de Antioquia, escrevendo aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.).
Não precisaríamos ir longe para comprovar que isso era o que criam os primeiros cristãos e toda a Igreja desde sempre, desde o seu início. A pergunta que não quer calar é: como os protestantes, que amam a Escritura, fazem dela seu único baluarte (embora a mesma Escritura assevere que o baluarte da Verdade é a Igreja e não a Escritura – cf. 1 Timóteo 3.15) não vêem isso? Por que motivo eles fariam vistas grossas ao que colocamos aqui, da crença dos primeiros cristãos?
Veja S. Justino falando sobre a Eucaristia:
“Está comida nós a chamamos Eucaristia... nós não recebemos essas espécies como pão comum ou como bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, assim também ensinamos que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, transformação, Carne e Sangue daquele Jesus Encarnado” (São Justino Presbítero, I Apologia, cap. 66 cerca de 148-155 d.C.).
Aqui ele faz o elo claro, a transubstanciação. Ele também é por demais claro ao falar que o alimento consagrado É corpo e sangue de Cristo e não um pão qualquer.
Veja isso, datado do século II também:
“Assegurem, portanto, que se observe uma Eucaristia comum; pois há um Corpo de Nosso Senhor, e apenas um cálice de união com seu Sangue e apenas um altar de sacrifício”. (Stº Inácio de Antioquia – Carta aos Filadelfos – ano 110 d.C.)
Outro Pai da Igreja do século II, falando clara e inequivocamente da Eucaristia como sendo de fato, e não só simbolicamente, o Corpo e Sangue de Cristo. E ele adiciona outro elemento aí: sacrifício! Ele fala em um altar de sacrifício. Os primeiros cristãos tinham isso muito claro: só havia uma Eucaristia, ela se constituía do Corpo e do Sangue de Cristo, que eram pão e vinho consagrados e transformados no Corpo e Sangue de Cristo por meio de um sacrifício!
Não se pode falar então de Nosso Senhor e dos primeiros cristãos como hereges, idólatras ou qualquer coisa semelhante. Eles o faziam assim, e tinham plena consciência disso ser o ensino de Cristo.
Mas, se um protestante estiver lendo esse texto, sei que falará: “olhe, João 6 não dá base para falar de sacrifício e da missa como vocês católicos crêem, quero ver se você me prova sua tese na Escritura”. Ok... Vamos então a ela, a começar do AT.
O Antigo Testamento e a Eucaristia
Sempre chamamos a Cristo de o “Cordeiro de Deus", não? Como S. João Batista: “eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Bem, no AT, o cordeiro era muito comum, já que ele remetia ao sacrifício, que é a forma de adoração mais antiga que se conhece. Temos muitos exemplos de sacrifícios no AT: Abel (Gn 4.3-4), Abraão(Gn 15.8-10), Noé(Gn 8.20-21), Moisés, Josué, Jacó (Gn 46.1), Melquisedec (Gn 14.18-20), etc. Só para citar alguns.
Melquisedec, que é tido por muitos como tipo de Cristo, ofereceu um sacrifício incruento. Ele não abateu algum animal, antes ofereceu pão e vinho! Do mesmo modo que Cristo o fez na instituição da Eucaristia.
“Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo; e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo“ (Gen 14:18-20)
Os apóstolos e a Eucaristia
Os apóstolos foram mais claros ao falar da Eucaristia como corpo e sangue de Cristo. Alguns acontecimentos no NT reforçam isso. Logo depois da ressurreição, com os discípulos em Emaús, Cristo partiu o pão com eles e foi reconhecido justamente no partir o pão (Lc 24.30, 31, 35). Em Atos lemos que todos eram fiéis aos ensinos dos apóstolos, ao partir do pão e às orações (At 2.42). Em 1 Coríntios, S. Paulo ressalta a presença Real de Cristo nas espécies ao falar das conseqüências de se tomar sem o devido preparo o Corpo e o Sangue de Cristo, falando que quem o faz sem discernir, come e bebe a própria condenação (1 Co 11.29).
São Paulo fala do pão e do cálice como sendo Corpo e Sangue de Cristo: Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? (1Co 10:16) Daí que ele adverte os cristãos a não participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios, pois muitos comiam carnes sacrificadas a ídolos e ele com isso evidencia que a comunhão eucarística é de fato a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo e que não podemos profaná-la....
Os Protestantes e a Eucaristia
Entre os protestantes, já não há esse consenso. Uns vão defender a consubstanciação (luteranos), dizendo que a presença é só no momento da comunhão, não depois, daí que eles não conservam as espécies, crêem que depois não há mais presença de Cristo. Outros defenderão a presença espiritual (calvinistas), dizendo que há presença de Cristo na Eucaristia sim, mas não real e sim virtual. E outros ainda defenderão que a Eucaristia é só um memorial da paixão de Cristo e nada mais (batistas e a maioria dos protestantes). Ainda não é consenso entre eles a quem deve ser administrada a eucaristia: se somente a membros da própria igreja que o administra (conhecido entre eles “como comunhão fechada”) ou se admitem-se membros de quaisquer confissão protestante na administração da eucaristia (conhecida essa posição como “comunhão aberta”). Normalmente se vê batistas abraçando a primeira, enquanto presbiterianos e demais reformados abraçam a segunda. Pentecostais também se dividem. Entre eles, a Congregação Cristã defende a comunhão fechada e os assembleianos, entre outros, defendem e praticam a comunhão aberta.
Conclusão
Pudemos ver que o ensino perene de Nosso Senhor sobre Seu Corpo e Seu Sangue foi levado adiante pelos apóstolos e pelos Pais da Igreja, tendo uma prefiguração clara já no AT. Quando Ele falou de comer e beber da Sua Carne e do Seu Sangue, não falava de modo figurado, mas real.
Os protestantes, que tanto pregam o amor à Escritura, não crêem no ensino claro de Nosso Senhor sobre isso, pois isso significaria retornar a Roma. Antes, na sua busca de defender posições não ensinadas na Escritura, se dividem em mil e uma interpretações sobre qual a posição mais correta. E isso desde os primórdios da Reforma. Já que desde aquela época nunca houve consenso entre eles a esse respeito.
É dever da alma consciente decidir. A quem ouvir? À Igreja, que sempre ensinou o que Nosso Senhor e os apóstolos, os Pais da Igreja ensinaram por séculos? Ou a centenas de igrejas protestantes que não tem consenso entre si sobre um ponto fundamental da fé cristã?
"Jamais me pude persuadir de que Jesus, a Verdade e a Bondade mesmas, tenha permitido que por tantos séculos a sua Esposa, a Igreja, haja prestado adoração a um pedaço de pão em lugar de adorar a Jesus mesmo" (Erasmo de Roterdam).



Vaticano: Bento XVI nomeia arcebispo português para liderar tribunal da Cúria Romana

D. Manuel Monteiro de Castro assume cargo de penitenciário-mor, deixando Congregação para os Bispos

D.R.
Cidade do Vaticano, 05 jan 2012 (Ecclesia) – Bento XVI nomeou hoje o arcebispo português D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, como penitenciário-mor, passando assim a chefiar um dos três tribunais da Cúria Romana.
O prelado substitui no cargo o cardeal Fortunato Baldelli, de 76 anos, que apresentou a sua renúncia por ter atingido o limite de idade determinado pelo Direito Canónico, refere um comunicado publicado na sala de imprensa da Santa Sé.
A Penitenciaria Apostólica tem como competência as matérias que concernem “ao foro interno [nomeadamente as ligadas à confissão] e às indulgências”.
D. Manuel Monteiro de Castro está na Cúria Romana desde julho de 2009, quando assumiu o cargo de secretário da Congregação para os Bispos, que agora deixa de ocupar, tendo sido posteriormente nomeado por Bento XVI como consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e secretário do Colégio Cardinalício.
Natural de Santa Eufémia de Prazins, Guimarães, o arcebispo português foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1985.


D. Manuel Moneteiro de Castro tem uma longa experiência diplomática ao serviço da Santa Sé, que o fez passar pelo Panamá, Guatemala, Vietname, Austrália, México, Bélgica, Trindade e Tobago, África do Sul e Espanha, onde permaneceu entre 2000 e 2009; foi também observador permanente do Vaticano na Organização Mundial do Turismo.

O perfil da Penitenciaria Apostólica, disponível na página do Vaticano, precisa que os prelados do tribunal se reúnem periodicamente “sob a presidência do cardeal penitenciário-mor”.
No caso de D. Fortunato Baldelli,  antecessor de D. Manuel Monteiro de Castro, a criação como cardeal chegou no primeiro consistório convocado por Bento XVI após a nomeação para este cargo.
Portugal conta, neste momento, com dois cardeais, mas D. José Saraiva Martins completa 80 anos de idade esta sexta-feira, deixando assim de fazer parte dos “eleitores” num eventual conclave, ao contrário do cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, de 75 anos.
OC

Vaticano: Indicações pastorais para o Ano da Fé recuperam documentos do Concílio Vaticano II

Iniciativa quer envolver bispos, dioceses, paróquias, comunidades, associações e movimentos

www.news.va
Cidade do Vaticano, 07 jan 2012 (Ecclesia) - A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), organismo da Santa Sé, publicou hoje uma nota com “indicações pastorais” para a celebração do Ano da Fé convocado por Bento XVI.
A iniciativa, com início marcado para 11 de outubro de 2012, assinala o 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1962-1965) e a promulgação do Catecismo da Igreja Católica, pelo beato João Paulo II (11 de outubro de 1992).
“O Ano da Fé será uma ocasião privilegiada para promover o conhecimento e a difusão dos conteúdos do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica”, assinala o documento.
A celebração, que se prolonga até 24 de novembro de 2013, domingo de Cristo-Rei, será feita a quatro níveis, de acordo com a Santa Sé: em toda a Igreja; Conferências Episcopais; dioceses; paróquias, comunidades, associações e movimentos.
O principal evento eclesial no começo do «Ano da Fé» será a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos dedicada à Nova evangelização para a transmissão da fé cristã, onde o Papa irá presidir a uma celebração solene de inauguração, a 11 de outubro, recordando o quinquagésimo aniversário de abertura do Concílio Vaticano II.
No que se refere à celebração em toda a Igreja, o documento sugere a promoção de iniciativas ecuménicas para “invocar e favorecer o restabelecimento da unidade entre todos os cristãos” e também o aprofundamento “dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica”.
Às Conferências Episcopais pede-se que cuidem da qualidade da formação catequética eclesial e promovem uma “verificação dos catecismos locais” para que haja uma “plena conformidade ao Catecismo da Igreja Católica”.
Os episcopados de cada país devem ainda republicar os documentos do Concílio Vaticano II, do Catecismo da Igreja Católica e do seu Compêndio, “também em edições de bolso e económicas, e a sua maior difusão possível com a ajuda dos meios eletrónicos e das tecnologias modernas”.
Cada bispo “poderá dedicar uma carta pastoral ao tema da fé”, assinala o documento.
A CDF apela à utilização das linguagens da comunicação e da arte, com “transmissões televisivas ou radiofónicas, filmes e publicações, a nível popular e acessíveis a um público amplo, sobre o tema da fé, dos seus princípios e conteúdos, bem como sobre o significado eclesial do Concílio Vaticano II”.
A nível diocesano, propõe-se o “diálogo criativo entre a fé e a razão, através de simpósios, encontros e jornadas de estudo, nomeadamente nas Universidades Católicas” e a promoção de “celebrações penitenciais”, com especial atenção aos “pecados contra a fé”.
A CDF afirma ser “oportuno” que cada diocese organize “uma jornada sobre o Catecismo da Igreja Católica, convidando especialmente os sacerdotes, as pessoas consagradas e os catequistas”.
Quanto às paróquias, comunidades, associações e movimentos, o documento indica que “a proposta central continua a ser a celebração da fé na liturgia, em especial na Eucaristia”.
O Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização constituirá uma Secretaria para o Ano da Fé, também com presença na Internet, visando “coordenar as várias iniciativas promovidas pelos diferentes Dicastérios Santa Sé e todo o tipo de acontecimentos relevantes para a Igreja universal”.
A Santa Sé assinala em comunicado que com a “promulgação deste ano, o Santo Padre pretende colocar no centro da atenção eclesial aquilo que, desde o início do seu pontificado, tem mais a peito: o encontro com Jesus Cristo e a beleza da fé nele”.
OC/LS



De que falamos quando falamos de crise?

A crise é também uma chance, uma oportunidade, um momento favorável para a construção, para o conhecimento e a reconfiguração do nosso mundo.

D.R.
Mais do que uma palavra, “crise” é uma árvore de significados urgentes e incessantes. O modo como hoje empregamos a palavra “crise” vem muito pela via da medicina. Para Hipócrates e depois para Galiano, no século segundo, o momento de crise é aquele momento em que a doença se decide: ou nos precipita na morte ou nos encaminha para a recuperação. A crise é assim o ponto de passagem, o nó de viragem, o instante da transformação.
Há uma definição que aparece no léxico universal de Ziegler, em 1737, onde este autor escreve: «O homem que não passa por nenhuma crise não está capaz de julgar coisa nenhuma». É interessante que, tendo começado fundamentalmente no campo da medicina, para falar daquilo que acontece no corpo individual, este conceito da crise se tenha alastrado à própria sociedade, entendida ela como um organismo vivo. A sociedade também é um corpo. Como comunidade, seja ela civil, cultural, eclesial, somos um corpo, somos um organismo vivo, somos interdependentes, não nos podemos descartar uns dos outros, nem nos descartarmos a nós próprios. Nesse sentido, a crise é uma espécie de marca da compreensão do sujeito, uma assinatura humana, um observatório daquilo que somos. Antes de tudo, é o crescimento humano que supõe necessárias ruturas e separações, logo crises. A primeira e mais radical crise que cada pessoa vive é o seu próprio nascimento.
Momento mais do que nunca vital, mas também mais do que nunca crítico, doloroso… E depois se pensarmos que o nascimento implica uma verdadeira e radical reconfiguração, pois o neonato impõe a reestruturação dos equilíbrios no interior da família. Chega mais um e tudo se altera, desde o espaço físico, às relações, às rotinas, aos horários, às agendas.

Também por isso não faz sentido alimentarmos uma visão puramente negativa da crise. Acolhamos a crise como um lugar de aprendizagem, como uma espécie de espelho, austero, mas um espelho, onde nos podemos reencontrar, para lá das nossas ilusões e das nossas subjetividades. A crise é também uma chance, uma oportunidade, um momento favorável para a construção, para o conhecimento e a reconfiguração do nosso mundo. Exterior e interior.

José Tolentino Mendonça

Igreja: Cardeal-patriarca critica «influência direta» da Maçonaria na política

D. José Policarpo diz que se deve respeitar vida particular e descarta exigência de que políticos se assumam como maçons

Fátima, Santarém, 10 jan 2012 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. José Policarpo, criticou hoje em Fátima a “influência direta” da Maçonaria em “coisas políticas”, mas descartou a exigência de que os políticos se assumam como maçons.
“Como políticos, se são maçons, se são católicos ou se são do Sporting, não vejo que isso tenha uma relevância muito grande”, disse o cardeal-patriarca aos jornalistas, no final da reunião do Conselho Permanente da CEP.
Para este responsável, “outra coisa" é se "a Maçonaria, enquanto tal, teve influência direta em coisas políticas, isso está mal”.
O patriarca de Lisboa respondia a questões sobre a recente polémica relativa às ligações entre a Maçonaria, deputados e serviços de informação portugueses.
Interrogado sobre se os políticos deviam assumir publicamente a sua condição de maçons, o cardeal-patriarca disse não ver “porquê”.
“Não me parece que seja necessário”, assinalou.
D. José Policarpo observou que “a própria Maçonaria, que primava pelo secretismo dos seus dinamismos, começa a ser forçada a vir para a luz do dia”.
“Hoje a Maçonaria faz parte da sociedade, é conhecida há muito tempo, tem influência na coisa política, só me admiro é que haja gente a surpreender-se com isso”, disse, acrescentando que, para a Igreja, essa não é “uma questão de primeiro plano, neste momento”.
“Numa sociedade como as nossas sociedades ocidentais, tudo o que se define como secreto, na essência, é um bocado incompatível, hoje só é secreta a intimidade particular das pessoas”, prosseguiu.
Para o cardeal-patriarca, a Maçonaria “é uma realidade complexa”, lembrando que teve origem “canónica, nasceu dentro da Igreja, uma espécie de fraternidade dos construtores de catedrais, daí chamarem-se pedreiros-livres”.
Um movimento que tinha “uma mística” própria, que desaparece quando a Revolução Francesa traz uma “vertente laicizante”, introduzindo um “princípio do laicismo, do racionalismo, muito ao sabor do que eram as correntes do pensamento nessa altura”.
“A questão canónica da Maçonaria, que não é uma questão que estejamos todos os dias a brandir, tem a ver com a teoria maçónica em relação à fé religiosa e à existência de Deus”, disse D. José Policarpo.
O patriarca de Lisboa frisou que “a Maçonaria não é ateia (…), é sim do racionalismo da fé, ou seja, recusam qualquer religião revelada, a revelação como manifestação do mistério, mas aceitam o Deus que pode ser reconhecido pela razão humana, que é uma via justa”
O presidente da CEP recorda que, do ponto de vista da Igreja, “não é compatível” ser católico e maçon, porque “rejeitam aquilo que é o essencial da fé, a aceitação da Palavra de Deus e da revelação sobrenatural”.
O último documento oficial da Santa Sé nesta matéria é a "Declaração sobre a Maçonaria", assinado pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, a 26 de novembro de 1983.
“Permanece imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas”, pode ler-se.
OC



No comments: